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João Rodrigues volta a repetir a “dobradinha” e vence a 9ª edição dos prémios do Mesa Marcada, conquistando o 1º lugar, quer na categoria de Chefes, quer na de restaurantes - com o Feitoria, do Hotel Altis Belém (Lisboa).

 

Nas categorias especiais, houve outra vitória dupla, e agora para o Norte, com Vasco Coelho Santos e o seu Euskalduna (Porto) a ganharem os títulos de Chefe Revelação do Ano Prémio Especial Estrella Damm Destaque do Ano, respectivamente.

 

Por sua vez, o prémio “Mesa Diária” foi para a Taberna Ó Balcão, em Santarém, cabendo ao JNcQUOI (Lisboa) a conquista do Prémio Especial Quinta do Ataíde Restaurante Novo do Ano. 

 

Nesta edição, o Mesa Marcada introduziu ainda o Prémio Maria José Macedo – Produtor / Fornecedor do Ano, atribuído a Pedro Bastos, da Nutrifresco, após consulta a alguns dos principais chefes a trabalhar em Portugal.

  

Confira os resultados abaixo:

 

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Esta voltou a ser uma edição bastante bem disputada, sobretudo na parte dos restaurantes, com o Feitoria, Ocean e Belcanto a disputarem o lugar cimeiro, ainda que a partir de determinado momento o restaurante do Hotel Altis Belém tenha começado a assumir a liderança, mantendo-a até ao final. No Top 10 de restaurantes, destacam-se ainda dois espaços da zona do Porto, o Euskalduna Studio, que entrou directamente para a 8ª posição, o que lhe valeria, como já referimos acima, o Prémio Especial Estrella Damm Destaque do Ano, e o Yeatman, de Ricardo Costa que ficou em 5º lugar, subindo duas posições. Também o Loco de Alexandre Silva, consolidou o seu bom momento perante o júri ao tomar o 4º lugar (subindo um degrau, face a 2016).

 

Já na categoria de Chefes, João Rodrigues liderou tranquilamente desde o primeiro momento enquanto José Avillez, o chefe que mais vezes venceu os prémios do Mesa Marcada, manteve o 2º lugar da edição anterior. De destacar de novo a subida de Ricardo Costa, do Yeatman, e, sobretudo, as subidas de Vasco Coelho Santos, do Euskalduna (Porto) e de João Oliveira, do Vista (Portimão), que entraram no Top 10, galgando dezenas de posições – o bom desempenho de Coelho Santos valer-lhe-ia, como já mencionámos, o Prémio Chefe Revelação do Ano.

 

Outra grande disputa deu-se no “Mesa Diária”, um prémio para restaurantes de preço mais acessível que até hoje tinha tido sempre como vencedor, a Taberna da Rua das Flores (Lisboa). Porém, desta vez, e apenas por uma nomeação a mais, a vitória coube a outro taberneiro, o ribatejano Rodrigo Castelo, com a sua Taberna Ó Balcão (Santarém), numa categoria onde dois outros restaurantes se destacaram dos demais, o Noélia e Jerónimo (Cabanas de Tavira) e a Taberna Sal Grosso (Lisboa).

  

Por último, entre os restaurantes que abriram portas em 2017, o JNcQUOI, levou de vencida a comenda - o Prémio Especial Quinta do Ataíde Restaurante Novo do Ano – ao alcançar a 35ª posição, uns furos acima dos restaurantes que se lhe seguiram na classificação, o Local (41º) e o Pesca (42º).

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De destacar ainda que “Os 10 Restaurantes e 10 Chefes Preferidos do Mesa Marcada", continua a ser a única premiação de âmbito nacional que resulta da votação de um painel alargado e diversificado de pessoas ligadas ao meio gastronómico.

 

Nesta edição referente a 2017, houve renovação no painel do júri (saíram 34 membros; entraram 40 novos) que voltou a ter a maior participação de sempre. Responderam ao nosso desafio, 153 votantes (+6 do que o ano passado), entre chefes de cozinha (44%), responsáveis por restaurantes (9%), jornalistas, bloggers, críticos (24%) e gastrónomos (23%).

 

Mas esta iniciativa e, sobretudo a cerimónia, que acabou há instantes no Alcântara Café, em Lisboa, só foi possível graças ao apoio de diversas entidades e colaboradores: os patrocinadores principais Symington (Quinta do Ataíde – Douro) e  Estrella Damm, a parceria do Penha Longa Catering, que cedeu o espaço e forneceu tudo o que de bom se comeu no evento. Um agradecimento especial ainda à Samsung , ao Hotel Tivoli Avenida, à designer Cristina Gomes, e à equipa de O Apartamento, que trabalharam arduamente connosco nesta edição.

 

As listas completas, bem como o painel do júri que participou na votação podem ser consultados, aqui (Restaurantes) aqui (Chefes), aqui (Mesa Diária) e aqui (júri).  

 

Para saber o que são e como se atribuem estes prémios clicar aqui.

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publicado às 22:31

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Tal como na edição anterior, que teve como vencedor o Loco, de Alexandre Silva, o Prémio Especial Estrella Damm Destaque do Ano 2017”,  atribuído ao restaurante que mais subiu, entre os primeiros, no ranking dos "Preferidos"  do Mesa Marcada", tem três candidatos que se têm vindo a afirmar pela qualidade e criatividade. São eles: Euskalduna Studio (Porto), Midori (Sintra) e Vista (Portimão). 

 

Este prémio tem o apoio da Estrella Damm, patrocinador da cerimónia de entrega dos prémios e também de outras acções deste blogue.  

 

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publicado às 14:15

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Três espaços de Lisboa são os candidatos ao Prémio Especial Quinta do Ataíde Restaurante Novo do Ano, uma distinção obtida na edição anterior pelo Bairro do Avillez. Entre lugares inaugurados em 2017, distinguiram-se na lista dos Preferidos do Mesa Marcada, o JNçQuoi, de António Bóia, o Local, de André Lança Cordeiro e o Pesca, de Diogo Noronha. Porém, um deles ficou mais bem classificado do que os outros e será ele a levar este prémio que é patrocinado pela Quinta do Ataíde, a marca de vinhos (e também de azeites) do Douro da Symington, que patrocina igualmente a cerimónia de hoje, onde serão revelados os resultados.  

 

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publicado às 12:00

Nomeados para o prémio "Mesa Diária" 2017

por Mesa Marcada, em 15.01.18

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Desde que foi lançado en 2014, o Prémio "Mesa Diária" tem sido ganho sucessivamente pela Taberna da Rua das Flores, em Lisboa . Este galardão, que pretende eleger um restaurante de preço mais acessível resulta de um desafio que temos lançado ao painel do júri, que este ano contou com 153 participantes: nomear um - e apenas só um - restaurante favorito de preço moderado que frequente regularmente, ou que recomendaria a um amigo. 

 

Este ano, o pequeno espaço de André Magalhães volta a estar entre os mais nomeados tal como a  Taberna Ó Balcão (Santarém) de Rodrigo Castelo. Estreiam-se com a possibilidade de ganhar, os restaurantes Noélia e Jerónimo, em Cabanas de Tavira, e a Taberna do Sal Grosso, em Lisboa. O nome do vencedor será revelado esta segunda-feira à noite.

 

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publicado às 10:25

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Chefe Revelação do Ano foi um dos prémios especiais introduzidos nos últimos anos para premiar o cozinheiro  que mais se destacou, entre os primeiros, na lista de “Os 10 Restaurantes e 10 Chefes Preferidos do Mesa Marcada. Pedro Pena Bastos levou o troféu de 2016 pelo trabalho desenvolvido no Restaurante do Esporão - de onde entretanto saiu - sucedendo a Leonardo Pereira que tinha ganho a distinção no ano anterior.

 

Em relação a 2017, cujos resultados serão divulgados esta segunda-feira à noite, temos 3 candidatos de três zonas distintas do país: João Oliveira, do Vista (Portimão), Rodrigo Castelo da Taberna Ó Balcão (Santarém) e Vasco Coelho Santos, do Euskalduna Studio (Porto). Quem será o vencedor? 

 

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publicado às 02:00

Gastronomia de Lisboa na Netflix

por Duarte Calvão, em 11.01.18

É já amanhã, sexta-feira, que estreia a série documental “Somebody Feed Phil” que aborda a gastronomia de seis cidades, entre as quais Lisboa, realizada especialmente para a Netflix. A informação da produtora diz que a estreia será na Netflix norte-americana e não sei bem se já estará disponível para quem tem o serviço em Portugal. Mas, se não for agora, será uma questão de pouco tempo até a podermos ver por cá. A série é protagonizada pelo argumentista, escritor e apresentador nova-iorquino Phil Rosenthal e o episódio lisboeta teve a participação empenhada de Miguel Pires, que, como se vê na fotografia e também no trailer oficial, enfrentou com denodo monstros marinhos à mesa do Ramiro. Também este que vos escreve teve participação, mas julgo que bem mais discreta e fugaz, por isso podem assistir sem receio.

 

Além de Lisboa, a série levou Phil Rosenthal, bastante conhecido nos Estados Unidos sobretudo por ser autor de uma série televisiva chamada “Everybody Loves Raymond”, a Banguecoque, Saigão, Telavive, Nova Orleães e Cidade do México. Os seis episódios vão estar disponíveis em simultâneo. A abordagem, a julgar pelo convívio que tive com ele num jantar no Alma, é bastante divertida e o apresentador é extremamente simpático e interessado, sem nenhum vedetismo maçador. Aqui fica o trailer:

 

 

 

 

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publicado às 18:21

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Desta vez não se trata de um chefe de cozinha famoso a tentar livrar-se das estrelas Michelin acumuladas sucessivamente durante anos, mas sim de uma estreante. A história vem no Eater.Com e é contada por Rafael Tonon.

 

Pela primeira vez, depois de muita insistência do gabinete de turismo da Tailândia, a Michelin passou a incluir no seu portfólio de guias um sobre Banguecoque. O resultados foram algo modestos, comparado com o que tem acontecido em outras paragens do Oriente e tendo em conta que se trata de uma cidade com 8 milhões de habitantes e um dos maiores destinos turísticos do mundo. Houve apenas 3 restaurantes com duas estrelas (entre eles o famoso Gaggan) e 14 com uma. Porém, tal como tinha acontecido em Singapura e em Hong Kong, houve um espaço de “street food” entre os galardoados com uma estrela, a popular casa Raan Jay Fai, que serve sobretudo omeletas de caranguejo e caris, na zona antiga da cidade.

 

Desde o anuncio, que o local passou a despertar as atenções de muitos turistas, foodies e até das autoridades fiscais, conta o jornalista. Ainda que tenha aumentado exponencialmente a procura, “muitas pessoas vêm aqui só para ver e tirar fotografias e não necessariamente para comer”, queixa-se a chefe e proprietária Supinya Junsuta, que entretanto passou a ser conhecida pelo nome do restaurante.

 

Sem nunca desviar o olhar da wok, que comanda sempre com uns óculos de neve colocados, para evitar queimaduras, Jai Fai afirma ao jornalista que se pudesse devolvia de imediato o galardão.

A cozinheira - cujo o restaurante sempre foi mais caro do que os seus semelhantes por não prescindir de usar produtos de qualidade - lamenta ainda que muitos dos novos clientes chegam com expectativas elevadas e em busca dos “standards” alusivos à estrela e que só nas vezes seguintes é que lhe perguntando pelos pratos favoritos da casa, como fazem habitualmente os clientes habituais.

 

“Antes ou depois da Michelin, nós vemo-nos da mesma maneira, mesmo que outros olhe para nós como um restaurante com uma estrela Michelin. Diariamente, quando um cliente se dirige a nós e nos diz que adorou a nossa comida, aí sim, é que nos sentimos recompensados com um milhão de estrelas”, refere ainda Jay Fai, segundo o jornalista.

 

E é assim, uns pelam-se para tê-las, outros parecem querer nem vê-las. Como cantava o Rui Veloso, “Já nããão há estrelas no céu”.

 

Foto: Rafael Tonon/Eater.com

 

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publicado às 17:56

Rui Silvestre, o chefe que há dois anos conquistou uma estrela Michelin para o Bon Bon, no Carvoeiro, acaba de sair do restaurante para um novo projecto, perto da Quinta do Lago, que deverá abrir ainda antes do Verão. E ainda antes, muito em breve, deverá abrir em Lisboa o Quorum, na Rua do Alecrim, num espaço de 40 lugares onde outrora funcionou o Storik e mais recentemente o pop up Sem Título, no conhecido prédio da autoria do arquitecto Siza Vieira. Por enquanto, não se sabe quem substituirá Rui Silvestre no Bon Bon, que fica habitualmente fechado nesta época do ano, só reabrindo em Fevereiro. Os sete elementos da equipa de cozinha acompanharam o chefe na saída.

 

Rui Silvestre explicou ao Mesa Marcada que o Quorum - de que é proprietário, assim como do novo restaurante algarvio, juntamente com outros sócios - “vai ser um espaço mais de experimentação, onde vou testar pratos que depois poderei introduzir no Algarve”. Algo de que sentia falta no Bon Bon. Exemplifica: “quando eu punha um prato de raia, várias pessoas achavam que não era um produto digno de estar num restaurante estrelado. Acho que agora vou ter mais liberdade para trabalhar este tipo de produtos no Quorum”. Por isso, ele e a sua equipa vão estar nestes meses mais concentrados em Lisboa, embora não percam de vista o novo projecto algarvio, onde desenvolverá a cozinha que o tornou conhecido.

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publicado às 18:55

"What's Hot": Os Melhores pratos de 2017

por Miguel Pires, em 03.01.18

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Seguindo a máxima de que só há dois tipos de cozinha, a boa e a má, a minha escolha do ano inclui, como habitualmente, pratos de vários géneros: uns mais tradicionais, outros mais de vanguarda; uns mais petisqueiros, outros mais sofisticados; uns mais portugueses, outros mais do mundo. Ao todo são 20 propostas, entre as repescadas do que mais gostei (e aqui postei) em cada um dos trimestres, completadas com outras novas deste último período de Outubro a Dezembro.

 

Em edições anteriores, houve vários leitores a comentar que havia poucas sobremesas nas minhas escolhas, o que estranhavam, sendo eu um devoto do mundo doceiro. Pois, como vão ver, não falta açúcar neste menu de degustação do ano, já que entre os seleccionados encontram-se quatro sobremesas. 

 

Aqui vão então os meus 20 pratos do ano, numa iniciativa que conta, como habitualmente, com o patrocínio da Tabasco.

 

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Já conhecia o talento do chefe Pedro Almeida mas ainda não tinha ido ao Midori, no Hotel da Penha Longa, desde que o mesmo fora transformado num restaurante gastronómico (à imagem do que aconteceu com o Arola Lab). Tive o prazer de o fazer em Novembro e de verificar que a ponte entre o Japão e Portugal que Pedro Almeida nos apresenta e de que é exemplo este caldo verde japonês (uma sopa miso à qual adiciona couve, pão e chouriço), não só resulta muito bem como faz todo o sentido. No fundo, é uma homenagem às influências que resultaram das trocas comerciais entre os dois mundos na época das navegações.

 

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Por falar em influências, sempre achei interessante o trabalho de Hans Neuner e da sua equipa, no Ocean, ( Vila Vita Parc, Porches - Algarve), no resgate e interpretação de certos pratos ou aspectos da cozinha local algarvia. Esta salada de cenoura algarvia, que nos chega numa taça de cimento com uma capa gelada crocante, é um bom exemplo e um assombro de contrastes de texturas, de temperaturas e de sabores bem definidos.

 

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Tal como os chapéus, croquetes há muitos, mas infelizmente raramente merecem uma referência especial. Pois estes, da Michele Marques da Mercearia Gadanha, em Estremoz, elaborados com carne de borrego desfiada, são garbosos, suculentos e saborosos como poucos. E estão longe de ser a única razão pela qual vale a pena dar um salto a esta casa alentejana. (Foto: Tiago Pais)

 

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Rodrigo Castelo tem sabido aproveitar as oportunidades para mostrar o trabalho que vem fazendo com produtos e tradições do Ribatejo, seja na sua Taberna ao Balcão em Santarém, ou em eventos como o festival de comida de rua do Sangue na Guelra, onde papei este “do rio até ao mar”, um soberbo cone de coscorão com lúcio-perca, atum e camarinha (micro camarões). 

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Caldo de dashi feito com cavala (em vez de bonito seco), com gema de ovo cremosa, legumes crus e avinagrados, foi um dos pratos mais intrigantes e graciosos do menu que o Vasco Coelho Santos apresentou no dia que estive no Euskalduna, local onde tem vindo a provar que é possível abrir com sucesso um restaurante com uma cozinha mais disruptiva no Porto. Sem dúvida, um bom exemplo que espero ver multiplicar-se.

  

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Às vezes vejo as descrições dos pratos do Hugo Brito, no Boi-Cavalo, em Alfama (Lisboa), e pergunto-me se aquilo resulta mesmo. Bom, consensuais é sabido que não são e ainda bem. Curiosamente, uma das excepções, deve ser este snack de folha de couve galega pincelada com manteiga fumada e acompanhada de nata batida com raiz forte (horseradish) ralada. De comer à mão e lamber os dedinhos.

 

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De sabores bem vincados ao mar, com uma elegância surpreendente, esta proposta de tártaro de ostra com ervas do mar (salicórnia, etc) e sagu (pérolas de tapioca) foi um dos pratos do André Magalhães, na Taberna da Rua das Flores (Lisboa), que mais me surpreendeu este ano. Seria já um teste para a sua nova Taberna Fina?

 

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Foi anunciado, recentemente, que José Júlio Vintém abrirá nos próximos tempos um restaurante em Lisboa. Chamem-me centralista, mas se ele trouxer para a capital esta salada de orelha de porco e a conseguir apresentar tão surpreendentemente delicada como a que comi, este Verão, na Tasca – Na Boca do Lobo, o seu novo espaço no centro de Portalegre, vou poupar no combustível.

  

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Não há menu de restaurante estrelado que não tenha o seu carabineiro. Sim, já aborrece um pouco. Mas é só até o seu sabor inconfundível nos passar pelo palato. E o de Henrique Sá Pessoa, no Alma (Lisboa), foi certamente um dos melhores que comi nos últimos tempos. Que elegância, que sabor...

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No último trimestre já aqui tinha destacado este lavagante grelhado de intervenção minimalista, com uma ligeira passagem pelo Josper, para ganhar um suave toque fumado. Pode não ser o prato mais criativo de José Avillez, nem ser tão guloso como a enguia fumada, com gema de ovo, puré de topinambo e molho da cabidela, ambos do do Menu Evolução, onde apresenta os seus pratos mais recentes, no Belcanto. Porém, numa altura que muito se fala da excelência do produto, este é mais um bom exemplo de quem o sabe valorizar de uma forma exemplar.

 

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Ainda está para vir o dia em que Pedro Lemos me apresenta um prato sensaborão no seu restaurante da Foz (Porto). Como registei na altura, há mais sabor nesta proposta de "Peixes do dia” do que em dez caldeiradas à beira mar.

 

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O pregado do mar quando é bom e o cozinheiro percebe do assunto é um peixe de sabor, aroma e textura imbatíveis. Seja ele simplesmente assado num antigo forno de pão a lenha, como o comi na Tasca do Joel, em Peniche, ou...

 

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...envolvido numa proposta mais interventiva como a do Diogo Noronha, no novo restaurante Pesca (Lisboa), onde é servido com cogumelos silvestres, batata nova, geleia de sementes de mostarda, patissons e óleo de argan.

 

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E por falar em matéria prima e de quem dela sabe cuidar, não poderia faltar um prato de um dos chefes que melhor a trabalha: João Rodrigues, do Feitoria (Lisboa). Choco em confecções e texturas diferentes, ou como escrevi antes: tradição, modernidade, matéria prima e trabalho técnico exímio, para dignificar o produto e os sabores”.

 

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Outro chefe focado no produto (e não é apenas no discurso) é o rookie António Galapito (ex- Taberna do Mercado, de Nuno Mendes, em Londres), responsável pela cozinha do novíssimo Prado, um dos restaurantes descontraídos mais interessantes que abriram em Lisboa nos últimos tempos. No seu menu, há vários pratos “fora da caixa” e esta lula, a sua tinta e juliana de alho francês frito é absolutamente divina.

 

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Como já mencionei antes, o Chana do Bernardino, no Redondo (Alentejo), era um daqueles restaurantes que me faziam percorrer 200 km para ir almoçar. Voltei a fazê-lo depois de alguns anos sem passar por lá. E um dos motivos foi o de sempre: esta sopa de tomate com entrecosto, ovo escalfado, chouriço, farinheira e bacalhau. Assim mesmo, tudo ao molho e fé na cozinheira.

 

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O Hotel Six Senses Douro Valley não fica propriamente ali ao virar da esquina e por isso passa mais despercebido o trabalho em torno de uma cozinha mais saudável que Ljubomir Stanisic ali vem fazendo (e que vai será aproveitado no novo 100 Maneiras a se prepara para abrir, no Bairro Alto - ao lado do actual -, em Lisboa). Esta pré-sobremesa do Vale Abraão, o restaurante principal do hotel, dá pelo nome de “feno” e é uma homenagem aos fogos que assolaram a região. Como escrevi, quando a escolhi como prato de um dos trimestres, a poesia e a encenação despertam a curiosidade e potenciam a experiência. Porém, este sponge cake com espuma de feno e crocante com sementes de linhaça é tão leve e bom que até me emocionaria se tivesse de o comer numa bomba de gasolina. Agora imaginem fazê-lo a mirar o Douro.

 

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O Local, outra das boas surpresas do ano em Lisboa, é tão pequeno (sentam-se apenas dez pessoas numa mesa única) que quando chega este incrível Mil Folhas com caramelo salgado (parte que ficou escondida na foto) colocamos as mãos em volta a protege-lo, não venha uma mão lá do fundo querer afiambrá-lo.

 

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O Cisco – Cozinha Tradicional, em Almeirim, é um daqueles restaurantes em que nos sentimos em casa. Vale a pena experimentar um pouco de tudo da cozinha de conforto (com um ligeiro toque actual) do Alexandre Albergaria Diniz. Porém, nem que fosse só pelo leite creme - cremoso, equilibrado na doçura e capa fina de açúcar bem queimada no topo (à antiga, com um ferro quente) - já valeria a deslocação.

 

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Nunca me darão um subsidio por afirmar o que vou dizer, mas que se dane: o pudim de noz da Joana é a personagem mais doce e famosa do Teatro Dona Maria. Aparece todos os dias no Café Garrett (numa das laterais do teatro), numa actuação fiel a um script com mais de 40 anos, guardado na família de Leopoldo Garcia Calhau. Pão húmido, misturado com as gemas de ovos, açúcar e nozes... huuuuuum, basta!

 

Para o ano há mais.

 

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Jamie Oliver já não deve demorar

por Duarte Calvão, em 31.12.17

 

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Já tem letreiro com o nome e cartazes a solicitar contacto aos interessados em entrar para a equipa de sala (na foto). Ou seja, tudo indica que não deve demorar muito para abrir em plena praça do Príncipe Real, em Lisboa, o primeiro restaurante do célebre chefe e apresentador de televisão Jamie Oliver. Curiosamente, não se tem visto muito movimento de obras, algo estranho quando se sabe que ali funcionava uma agência bancária (como aqui mostrámos, há quase um ano) e que, portanto, a adaptação para restaurante não deva ser fácil.

 

 

 

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