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Imensamente vinho

por Miguel Pires, em 24.02.18

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Se me dessem um euro por cada vez que alguém levou um copo de vinho à boca, ontem, na zona da Ribeira, no Porto, teria certamente a situação financeira resolvida até ao resto dos meus dias. É que, por estes dias, com pouco mais de mil metros de distância entre eles, realizam-se dois grandes eventos vínicos na cidade - a Essência do Vinho (de 22 a 25) e o Simplesmente Vinho (de 23 e 24) - que trouxeram/trazem ao Porto milhares de apreciadores.

 

Este ano vim especificamente para o Simplesmente Vinho (SV), que é organizado por um grupo comandado pelo produtor,  João Roseira, e que começou por ser um encontro “off” de vignerons, mas que hoje já tem uma dimensão assinalável. “100+1” pequenos produtores mais alternativos estão aqui presentes, vindos de várias regiões do país e também de Espanha (e um de França).

 

Para quem, como eu, procurava ontem no Cais Novo, em frente ao Rio Douro (onde decorre o SV) produtores com vinhos mais alternativos, numa onda mais “natural”, tinha que fazer algum trabalho de casa ou partir à descoberta. Porém, ao andar de mesa em mesa, ou melhor, de barril em barril, deu para perceber que há de facto um certo fervor em volta dos chamados vinhos de “glou glou”, ou seja vinhos muito agradáveis, leves, poucos extraídos e de baixo álcool (12, max 13%), mais para consumo e prazer imediato do que para contemplação. Claro, dentro deste estilo de vinho, que particularmente aprecio, havia uns mais autênticos, ou seja, que revelam mais o seu terroir, enquanto outros expressavam mais o género de vinificação.

 

Porém à parte deste fervor, deparei-me, acima de tudo, com um grupo de produtores de vinhos mais ligados à terra e fazerem vinhos de expressão sem concessões a modas (o hype é que está a ir em direcção a eles). Uns, já conhecia e andam nisto há muitos carnavais, outros (entre eles vários jovens) chegaram há menos tempo. Também se começa a ver cada vez mais apaixonados e enólogos que estão ou estiveram ligados a grandes casas e que marcam presença aqui com os seus pequenos projectos pessoais, seja  com vinhas alugadas ou uvas compradas, seja com vinhas próprias, adquiridas recentemente ou quintas familiares recuperadas (ou redireccionadas). 

 

Para quem vier hoje ao Simplesmente Vinho terá ainda música ao vivo para ouvir e petiscos (pagos à parte) dos restaurantes DOP (Porto), Delicatum (Braga) e Carvão (Porto). A entrada custa 18€ e inclui o copo. No final poderá trazer ainda uma planta, oferta da organização em parceria com a Quercus e que pretende homenagear duas regiões vinícolas, o Dão e a Galiza, cujas áreas foram fustigadas pelos fogos no ano passado. Aliás, o “+1” dos “100+1” produtores presentes, serve também para homenagear a Casa de Mouraz, do Dão, um produtor que foi muito afectado por um incêndio.

 

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Minutos antes da abertura... 

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Luís Pedro da Silva, enólogo e produtor Quinta da Carolina, no Douro. Enquanto vai mudando os vinhos da propriedade familiar, sem os descaracterizar, Luis Pedro vai atalhando caminho com o projecto pessoal de vinhos naturais Primata, na mesma região. O primeiro, de 2016, sai em breve debaixo do "chapéu" Nat'Cool (de Dirk Niepoort) e o adolescente 2017, igualmente em prova, também terá esse selo. Já o fantástico Douro DOC Reserva 2016 aguarda distribuição. Alguém agarre nele, por favor! 

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Os Humus, do Rodrigo Filipe, produzidos em Alvorninha (Caldas da Rainha) são provavelmente os vinhos com mais distribuição nos mercados bio português e estão entre os que mais aprecio e consumo. Gosto muito da mente inquieta e do ar descontraido do Rodrigo e da forma como essas caracterisiticas se revelam nos seus vinhos, alguns deles bem "roots", outros mais inusitados. Provem e o seu Humus branco macerado que vão ver...

 

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Prova-se o primeiro, de 2014 e... "que coisa pesadona. "Blec, não gosto nada disso". Prova-se o segundo, de 2016 com uvas colhidas mais cedo, sem sulfitos acrescentados e "hum... gosto disto!" . A estreia neste encontro do Cume de Avia um produtor bio da Galiza. 

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E por falar de Espanha, em Ribeira Sacra, o casal Laura Lorenzo e Álvaro Dominguez criaram em 2013 o projecto Da Terra Viticultores. Já tinha bebido um dos seus brancos no Prado, em Lisboa, e tinha gostado muito. Agora provei os tintos e agradaram-me novamente. Personalidade, carácter, raça....

 

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Um "Orange" bio, sem adição de sulfuroso made in Alentejo? Why not? O inglês é apropriado porque este Luminoso, da Agrovaz - Sociedade Agrícola, vai tudo para fora. Consta que o Nuno Mendes, açambarcou umas boas caixas para a Taberna do Mercado.

 

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Vagamonde, da La Cave Des Nomades, de um projecto, de um português José Carvalho, que trabalhou para vários vignerons do Roussillon, em França, e que começou mais tarde a fazer os seus vinhos vinhos naturais em regime bio e biodinâmico em Banyuls-sur-mer.  

 

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Já em sentido oposto está o letão Slavia Ismailovs. Este exportador de vinhos portugueses para Russia, comprou uvas (e vinhos) a alguns produtores do Dão, Bairrada, Douro e Rias Baixas (Galiza), fez o seu blend, desenhou-os com o perfil que pretendia sem ofuscar a expressão do terroir e deu-lhes um nome, Fio de Terra. Sim, já adivinharam: naturais (ou próximo do conceito), baixo álcool, pouca extração.Muito top! (distribuidor em Lisboa precisa-se...) 

 

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Volto a Portugal, e à Região dos Vinhos Verdes, para destacar este Aphros Phaunus Palhete de 2016. Alguém falou em "glou-glou?"

 

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Espírito de partilha. A fome apertava e alguém trouxe o farnel. O Rodrigo Filipe (aqui rodeado de uma pandilha jeitosa) não só produz os seus vinhos Humus, como também faz o seu pão. 

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Como era mesmo o titulo? Imensamente vinho. É isso. Hoje há mais para provar. 

 

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publicado às 14:50

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Rita Santos fez carreira em várias multinacionais e, como acontece com muito gente, chegou um momento em que decidiu mudar de vida. Na sequência desta mudança começou a ponderar a hipótese de abrir uma loja que, como refere, “não fosse de produtos de luxo, mas sim de expressão do território”.

 

 

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publicado às 12:45

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"Foi efectuada uma reserva em seu nome para o Ritz Secret Room by Sangue na Guelra", dizia o convite, que prometia uma experiência "secreta" com "intimidade", "provocação" e "mistério", na suite presidencial do hotel mais emblemático de Lisboa. Eh lá... Sábado ao fim da tarde, já com o check-in efectuado subo ao ao último andar do belo hotel desenhado pelo arquitecto Pardal Monteiro com a curiosidade aguçada. Será que a Madonna está metida ao barulho?
 
 
 

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publicado às 20:13

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Não me recordo de haver, uma expectativa tão grande no meio gastronómico em volta da abertura de um restaurante como a revelada em relação ao Noma 2.0., o espaço de Copenhaga que abriu no passado dia 16 e que sucede, num outro local da capital dinamarquesa, o famoso Noma, votado como o melhor restaurante do mundo da lista do W50Best, por quatro vezes (2010, 2011, 2012 e 2014).

 

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publicado às 19:11

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Com tanto frenesim à volta da figura do chefe de cozinha, quase nos esquecemos que sempre existiram cozinheiras e cozinheiros autodidactas talentosos, chegados ao mundo da restauração por ligações diversas, casualidade, ou desejo de mudança de vida. Dois bons exemplos recentes (um mais recente do que o outro) marcam pontos no Ribatejo, com poucos quilómetros entre si. Rodrigo Castelo, da Taberna Ó Balcão, em Santarém, é mais conhecido, mas o seu amigo Alexandre Albergaria Diniz, do Cisco, em Almeirim, começa a seguir-lhe os passos.

 

 

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publicado às 19:00

A despedida de Açucena Veloso

por Mesa Marcada, em 12.02.18

 

 

O velório de Açucena Veloso realiza-se hoje, a partir das 18.30h, na Basílica da Estrela, em Lisboa. O enterro é amanhã, às 17.30h, no cemitério do Alto de São João, também em Lisboa. Entretanto, decidimos tornar a publicar na íntegra a entrevista da série Menu de Interrogação que lhe fizemos aqui no Mesa Marcada há exactamente um ano. Uma maneira de recordar uma pessoa extraordinária.

 

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publicado às 15:05

Morreu Açucena Veloso

por Duarte Calvão, em 11.02.18

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Acabo de ter uma das notícias mais tristes dos últimos tempos. Vítima de um desastre de automóvel, morreu hoje Açucena Veloso, uma das melhores pessoas que eu conhecia. Ainda ontem estive com ela no Mercado 31 de Janeiro, nas Picoas, onde trabalhava desde os nove anos. Nem sei o que dizer, de tão atordoado que estou. Os meus pêsames à sua família e aos muitos amigos que deixa, certamente partilhados pelo Miguel Pires e por muitos dos nossos leitores. Açucena Veloso, com a sua incomparável alegria e força de viver, deixa um enorme exemplo para todos.

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publicado às 14:35

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Depois de um inicio promissor ele andou mansinho aproveitando, pelo meio, para fazer um período sabático como director da Time Out. Finda essa missão voltou com as suas crónicas de verdadeiro gastrónomo 360º - leia-se: o gajo que gosta de tudo, tem predilecção pela “baixa” gastronomia, sobretudo a do Oriente, e não vai com elas – ainda que goste de iscas. “Ele” é o Ricardo Dias Felner, autor do blogue O Homem Que Comia Tudo.

 

 

 

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publicado às 13:48

O preço nos restaurantes e outras ninharias

por Duarte Calvão, em 30.01.18

Já todos ouvimos este tipo de considerações indignadas sobre restaurantes. Ou, se calhar, talvez nós próprios as fizemos. Eu próprio já as devo ter feito, mas prefiro não fazer esforços de memória, que agora não me dá jeito...” São uns ladrões!”, exclamam. “Pediram-me quase 30 euros por um prato que tinha dois filetes pequenos de linguado, com umas cenourinhas e um molho qualquer”. Os mais exaltados enriquecem a narrativa: “Ainda no outro dia vi que o quilo de linguado estava a 22 euros, estão a ver o que é que aqueles gatunos lucram. Vão roubar p’rá estrada, a mim não me apanham mais lá!”.

 

 

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publicado às 10:29

Quem quiser provar a cozinha de André Lança Cordeiro no Local, o minúsculo restaurante que tanto êxito fez no Príncipe Real, em Lisboa, nos últimos meses, tem só até à próxima quarta-feira, dia 31, para o fazer. É que o chefe, de 38 anos, está de saída em busca de novos projectos. “Desde que vim de França há uns dois anos que tinha como objectivo encontrar um espaço 100% próprio, em que possa fazer o que quiser. A receita já está a ser preparada”, explicou ao Mesa Marcada.

 

 

 

 

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publicado às 17:54


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Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

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