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A relação entre gastronomia e arquitectura, bem como com as artes plásticas, tem sido por diversas vezes abordada. Por isso, nada melhor do que um famoso arquitecto-gourmet, que gosta de frequentar bons restaurantes - para além dos que projecta - e cozinhar em casa para os amigos segundo receitas de chefes famosos, para se submeter ao Menu de Interrogação desta quinzena. Ainda por cima, Manuel Salgado, é desde 2007 vereador de Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa, cidade onde nasceu em 1944, tendo estado directamente envolvido nas grandes transformações por que a capital portuguesa passou nos últimos anos.

 

Formado pela ESBAL em 1968, o Centro Cultural de Belém (em parceria com Vittorio Gregotti), os espaços públicos da EXPO 98, a estação de metro das Antas e o estádio do Dragão estão entre os seus projectos mais conhecidos, mas também os lisboetas hoteís Vila Galé Ópera e o Altis Belém, este último albergando o restaurante Feitoria, do chefe João Rodrigues, com uma estrela Michelin. Mais uma visão diferente sobre questões gastrónomicas, nesta iniciativa apoiada pela cerveja Estrella Damm, que terá continuidade com outro interrogatório e outro interrogado daqui a 15 dias. 

 

No século XIX, o grande cozinheiro Carême, famoso entre outras coisas pelas suas “pièces montées”, chegou a escrever livros sobre a arquitectura de São Petersburgo e de Paris. Vê-se a fazer um caminho inverso, como chefe de um restaurante ou pelo menos escrevendo sobre cozinha?

 

 A vida de chefe é muito mais dura do que a de arquitecto, daí a minha grande admiração por eles. Gosto de cozinhar e comer com a família e os amigos. Uns dias sai bem, outras nem tanto. Com os chefes tem de sair sempre bem pelo que nunca me atreveria a tentar imitá-los.

 

Sem ser o Feitoria, há restaurantes de hotel que lhe ocorrem imediatamente quando tem vontade de ir jantar fora?

Sou muito conservador na minha escolha de restaurantes. Vou quase sempre aos mesmos, mas verifico que se está a comer cada vez melhor nos hotéis.

 

Os arquitectos devem seguir os conselhos dos cozinheiros quando projectam as cozinhas dos restaurantes?

Claro! Os arquitectos devem seguir sempre os conselhos daqueles que vão usar os espaços. Pensar na forma antes de interiorizar o modo como vai o espaço ser usado é pôr a “carroça à frente dos bois”.


O que melhorou em Lisboa, gastronomicamente, nos últimos dez anos?

Melhorou muito a qualidade e quantidade dos cozinheiros. Há jovens muito talentosos e, ao contrário de outras profissões, parece-me que existe um grande “espírito de corpo” e solidariedade entre profissionais. Melhorou também a diversidade da oferta, a criatividade dos muitos e novos projectos e, de uma forma geral, o ambiente e a decoração dos espaços.

 

E o que piorou?

Não sou nostálgico ao ponto de achar que foi uma grande perda para Lisboa terem fechado alguns restaurantes populares e tascas. Popular não é sinónimo de qualidade e a higiene deixava, quase sempre, muito a desejar. A nova oferta que os substituiu, em geral, dá-lhes dez a zero.


Arquitectos, cozinheiros, jornalistas…Quem encaixa melhor as críticas?

Há “prima-donas” em todo o lado.


Consegue admirar tecnicamente edifícios de que não gosta? E pratos de que não gosta?

Penso que sim. Porém a minha dificuldade é que não me lembro de nenhum prato bem confeccionado de que não goste.

 

Quando escolhe um restaurante, que peso tem a cozinha, comparando com o serviço e o ambiente?

Para uma qualidade de serviço super eficiente em ambiente “glamoroso” e cozinha sem qualidade, não contem comigo. Gosto de comer bem entre amigos. Só vou a restaurantes em que tenha empatia com quem nos serve e seja amigo dos cozinheiros.


Prefere comer bem numa praça de restauração de um centro comercial ou razoavelmente num bairro bonito de Lisboa?

Não acredito que possa comer bem numa praça de restauração de um centro comercial. Não vou à baila com Centros Comerciais, prefiro mercados e as lojas de bairro.


Qual é a sua grande especialidade culinária?

Gosto mais de peixe do que de carne e improviso sempre. Amanhã, vou experimentar fazer risotto de ouriços do mar seguido de linguados no forno com puré de aipo, nabo e batata, inspirado nos temperos do Joel Robuchon. Não sei se vai sair grande especialidade …

 

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Três iniciativas a não perder

por Duarte Calvão, em 04.12.16

 

Um fim de tarde cheio de azeites amanhã em Lisboa

O jornalismo gastronómico está cada vez melhor em Portugal e raro é o meio em que não vão surgindo bons trabalhos sobre o assunto, quer por jornalistas generalistas quer por especializados. Entre estes, há nomes mais experientes e credíveis e Edgardo Pacheco, que actualmente oficia no Correio da Manhã, no Jornal de Negócios e na CMTV (programa “Prato da Casa”, que nunca consigo ver porque o meu operador, Vodafone, não há meio de disponibilizar o canal), é sem dúvida um dos mais sólidos e interessantes. Açoriano, filho de agricultor, ele dá uma atenção especial aos óptimos produtos que temos em Portugal, infelizmente nem sempre bem tratados e conhecidos, contactando com o mesmo à vontade quem pratica cozinhas mais tradicionais ou mais modernas. Assim é que deve ser.

 

Edgardo Pacheco, entre os produtos sobre os quais tem grandes conhecimentos, destacou o azeite, um dos que melhor nos representa e que, a par do vinho, maior evolução teve nos últimos anos. Percebendo que continua a haver um grande desconhecimento entre nós sobre o assunto, lançou agora o guia “Os 100 Melhores Azeites de Portugal” (ed. Lua de Papel, 22 euros), com fotografias de Jorge Simão e prefácio do Prof. José Gouveia, um dos melhores especialistas mundiais na matéria, responsável pela formação de inúmeras pessoas, entre as quais o autor, que com ele fez diversos cursos.

 

O livro é extremamente útil não só para orientar boas compras (há mesmo um “Top 10”), mas também para nos ajudar a conhecer as características do azeite, como se prova, ao que se deve dar atenção, as variedades de azeitonas, a rotulagem, as regiões e os produtores, incluindo ainda “dicas” sobre a utilização culinária de cada um e 25 receitas de 25 chefes bem conhecidos. O lançamento é amanhã, segunda-feira, em Lisboa, às 19h, na KUC Kitchens, na Trav. da Fábrica dos Pentes, 8 (ao lado do Jardim das Amoreiras), com apresentação de João Paulo Martins, outro nome bem conhecido e credível no que a provas diz respeito, sobretudo no mundo dos vinhos, seguindo-se uma masterclass de mais um grande especialista em azeite, o produtor transmontano Francisco Pavão. Absolutamente imprescindível.

 

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Diogo Rocha e Vincent Farges na reabertura do Mesa de Lemos

Quem também lançou um livro foi o chefe Diogo Rocha, do Mesa de Lemos, em Silgueiros (Viseu), intitulado “Hoje Diogo Rocha”, que ainda não tive oportunidade de ler. Mas penso que vou ter oportunidade de pelo menos o folhear já nesta quarta-feira, no jantar que o chefe vai fazer em conjunto com Vincent Farges, ex-chefe da Fortaleza do Guincho que após uma breve passagem por um resort nas Caraíbas decidiu em boa hora retornar a este país onde faz tanta falta, preparando-se para abrir um restaurante no Chiado (não, não vai para o Tavares, como se chegou a rumorejar por aí), rodeado por bons nomes na equipa de cozinha e de sala.


Estou cheio de curiosidade em ver como Vincent Farges vai tratar os produtos locais e de conhecer este restaurante, que, pelas fotografias e pelos relatos de gente de confiança, não só é muito bonito como oferece uma cozinha interessantíssima. Uma boa oportunidade para ver a evolução de Diogo Rocha, cuja carreira tenho acompanhado de forma muito esporádica, mas sempre com a melhor das impressões. Para reservas: tel. 961 158 503 ou reservas@mesadelemos.com

 

 

Visitar um convento gastronómico

Há tradições que devem ser sempre cultivadas e uma delas é a venda de Natal do Convento dos Cardaes, em Lisboa (Rua do Século, nº 123), cujas receitas revertem para a manutenção deste magnífico exemplar do barroco que temos no coração da cidade e para a extraordinária obra social que levam a cabo, sobretudo no apoio a meninas e mulheres portadoras de deficiências. Além das óptimas compotas (compro para o ano todo), doces, chutneys e biscoitos, há muitos outros produtos e ainda um brunch entre as 12.30h e as 17h e chá entre as 15.30h e as 19h. Aos fins de semana, até dia 18 de Dezembro.

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Os novos estrelas Michelin: Antiqvvm – Porto

por Miguel Pires, em 03.12.16

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Em Julho de 2015, o Chefe Vítor Matos anunciou a saída do Casa da Calçada, em Amarante, onde passou os últimos cinco anos. Responsável pela conquista e manutenção da estrela Michelin do restaurante da casa, Matos justificou a partida como o fim de um ciclo profissional (por considerar não ter mais margem de progressão) e como forma de poder vir a concretizar um velho sonho de abrir um espaço próprio.  
 
Passado algum tempo, o chefe apareceu ligado a um novo projecto no Porto, que abriu portas em Outubro, o Antiqvvm. Não era ainda o seu restaurante de assinatura. Porém, apesar de afirmar tratar-se de um restaurante de cozinha mais simples, as imagens que iam surgindo, bem como alguns os jantares especiais anunciados, revelavam uma realidade próxima do seu passado de fine dining  no Relais & Chateaux de Amarante. 
 
Foi em parte esta dúvida que me levou à Quinta da Macieirinha, junto ao Palácio de Cristal, ao lugar onde funcionou antes o Solar do Vinho do Porto. O dia escolhido, um sábado invernoso de  Março, impediu de usufruir do jardim e da magnífica vista sobre o Douro. Todavia, permitiu disfrutar do espaço interior e de apreciar a intervenção cuidada neste edifício do século XIX, assim como a dicotomia, bem resolvida, entre um ambiente clássico e contemporâneo, formal e informal - de que a ausência de toalhas na mesa é o exemplo mais presente.
 
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Vista do jardim do Antiqvvm, no antigo Solar do Vinho do Porto,  junto ao Palácio de Cristal
 
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pormenor de uma das salas
 
 
A carta do Antiqvvm revela uma mistura de referências nacionais e internacionais de uma cozinha clássica de base francesa – a da escola do chef - com um toque português actual. De igual modo, conjuga propostas com base em produtos, quer regionais, como a alheira de Mirandela, quer de alta cozinha,  como o foie gras. 
Três entradas quentes, outras tantas frias, duas sopas, quatro pratos de peixes e mariscos, igual número de carne, cinco sobremesas e uma “tábua” de queijos constituem a oferta da casa, à qual se acrescenta um menu executivo, durante a semana, ao almoço.  Há ainda um menu de degustação de 5 pratos (+ snacks, queijos e petit fours) organizado a partir dos pratos da carta. Custa 75€, ou 67.5€, se abdicar de uma das propostas de carne ou de peixe. Se quiser harmonizar cada prato com um vinho, deverá ter em conta um acréscimo de 40€ na soma final.  
 
A opção recaiu no menu de degustação e logo com os snacks (amuse bouche) iniciais deu para perceber que a parada é alta. Das mini pataniscas, à pele de bacalhau crocante com emulsão de coentros, passando pelo macaron de beterraba, tudo exala a estrela Michelin.  
 
As execuções dos pratos são perfeitas (ou próximas disso), as conjugações acertadas, o aspecto visual cuidado e os sabores bem definidos, evidenciando a presença de produtos de primeira. 
Este não é um daqueles menus que nos faz soltar um “uau” a cada entrega. As propostas são até bastante clássicas. Porém, é pelas razões apontadas acima e nos pequenos detalhes que convence. No tártaro de novilho, com que se iniciaram as hostes, sentiam-se os ingredientes misturados com mestria e sem atropelos. A vieira, cujo o uso e abuso – quase sempre de fraca qualidade - prolifera por aí, até nos fez esquecer de como pode ser um produto incrível, ainda para mais quando acompanhada a preceito, como foi o caso, com um ilustre ravioli recheado de camarão e carabineiro e uns bons cogumelos salteados a puxar o conjunto para terra. 
Se alguém tiver dúvidas em relação à qualidade ímpar do peixe da nossa costa deve provar o robalo selvagem escalfado com algas que se seguiu. Lombo alto, cozinhado no ponto, escoltado por um aconchegante e bem apaladado xerém de camarão e mais uns bichos do mar. De estalo! 
 
Duas costeletas mal passadas envoltas numa crosta de ervas compunham o carré de borrego, colocado sobre um espesso e bem puxado jus de carne. A acompanhar, apenas vegetais: rutabaga (nabo amarelo), canónigos, acelgas e cherovia. 
 
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Os snacks servidos no inicio da refeição
 
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Vieira corada com ravioli de camarão e carabineiro
 
 
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Robalo selvagem escalfado com algas, xerém de camarão, molho de mexilhão e açafrão.
 
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 Carré de borrego com mostarda em grão, rutabaga, canónigos, acelgas e cherovia.
 
 
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Gelado de avelã, pistácio e banana caramelizada com rum e, também, creme brûlée de fava tonka acompanhado de um café expresso (na foto de cima), era a sobremesa, ou as sobremesas, dado que na realidade pareciam duas. Tudo bom, mas algo desnecessária, esta segunda parte. Sobretudo, o café, até porque ainda faltava o prato de queijos portugueses (Serra, São Miguel, Azeitão, Serra curado e Rabaçal - servido com compotas e bolachas caseiras), antes de voltarmos novamente ao café, que vem com uma dose generosa de óptimos petits fours. Aqui é caso para dizer: mais é menos.
 
 Se a carta de comidas tem uma componente internacional bem visível, a de vinhos é marcadamente portuguesa. Se exceptuarmos uma dúzia de champanhes, as restantes duas centenas de referências são nacionais. Destas, os tintos (80) vêm em dobro, face aos brancos e, como seria de esperar, a região do Douro tem primazia. Nos vinhos de sobremesa há um conjunto alargado de portos (60) - ou não estivéssemos numa casa que esteve ligada ao ramo – sendo que a grande maioria está disponíveis a copo (as excepções são os vintages e tawnies com data de colheita a garrafa). 
O menu foi acompanhado apenas com um branco e um tinto (a copo), sugeridos pelo escanção. O alvarinho  Curtimenta 2014 (Vinho Verde, Sub-região de Monção e Melgaço), mostrou a sua personalidade versátil para casar, tanto com o sabor mais assertivo da vieira, como com a elegância do robalo, tendo aguentado igualmente bem o embate com o tártaro de novilho. Também o tinto do Dão, Ribeiro Santo – Vinha da Neve 2011 cumpriu o seu papel valorizando, com a sua estrutura e concentração, o carré de borrego. Por último, uma referência para o serviço de sala que foi prestado com cordialidade e eficiência, ainda que com alguma atrapalhação da parte de alguns elementos mais jovens, - algo que a experiência e o tempo hão de resolver.  O Antiqvvm pode não ser ainda o espaço de cozinha autor de Vítor Matos. Contudo, disfarça bem. Ao ponto de se afigurar, desde já, como um dos restaurantes a não perder no Porto.
 
 
Preço médio: 60€ (com vinho). Por esta refeição pagou-se: 91.50€  
 
 
Contactos: R. de Entre-Quintas 220, 4050-240 Porto; Tel: 22 600 0445
Horários: 3F a Domingo, 10h - 24h.
 
Classificação: Cozinha: 18 ; Sala:17; Vinhos:17.5

 

Nota: este texto foi publicado originalmente na revista Wine 96 (Maio de 2016). Como referi na altura este não era ainda o espaço de cozinha de autor que Vítor Matos idealizava embora disfarçasse bem. Porém, Vitor Costa já não precisa de disfarçar. É que segundo me referiu, em Girona, depois de receber a estrela Michelin, na cerimónia de lançamento da edição ibérica do guia vermelho, o chefe nortenho está totalmente dedicado ao projecto tendo inclusive falado que o mesmo iria ser melhorado em várias vertentes, do serviço de sala à cozinha

 

Fotos: Miguel Pires, com excepção das duas primeiras, retiradas do site do restaurante. 

 
 
 

 

 

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A Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira (Matosinhos), era um dos espaços que queria conhecer há muito tempo por se tratar de uma das obras iniciais (e das mais emblemáticas) do arquitecto Siza Vieira. Projectado na década de 50 e classificado em 2011 como Monumento Nacional, este lugar foi recuperado recentemente e concessionado ao conhecido chef nortenho Rui Paula, que ficou responsável pela montagem da cozinha e adaptação a restaurante de luxo com pretensões assumidas a estrela Michelin. 

  

 
 
 

 

 

 

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O Ano do Chefe Ricardo Costa?

por Miguel Pires, em 29.11.16

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O ano está a correr bem para o chefe Ricardo Costa do Yeatman. Depois de ter recebido na semana passada, em Girona, a segunda estrela Michelin para o restaurante, ontem, em Tóquio, foi a vez de receber o troféu "Chef Revelação" (“Rising Chef”), na gala anual da Relais & Châteaux que decorreu na capital japonesa. 

 

 

 

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Este ano fez-se história em Girona: nunca o mais influente e prestigiado guia gastronómico do mundo tinha atribuído tantas estrelas a Portugal (ou a Espanha). Foram 9 os galardoados, ou seja: de uma assentada passámos de 3 para 5 no número de restaurantes com duas estrelas, e de 11 para 18, nos de uma estrela.

 

 

 

 

 

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Estrelas Michelin Portugal 2017 (oficial)

por Duarte Calvão, em 23.11.16

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Esplêndidas notícias para Portugal. Dois novos restaurantes ascendem às duas estrelas: The Yeatman, do chefe Ricardo Costa, em Vila Nova de Gaia, e Il Gallo D'Oro, de Benoît Sinthon, no Funchal.

 

Sete restaurantes ganham uma estrela: William, de Joachim Koerper/Luís Pestana, no Funchal, Casa de Chá da Boa Nova, de Rui Paula, em Leça da Palmeira, Antiqvm, de Vítor Matos, no Porto, Alma, de Henrique Sá Pessoa, em Lisboa, Loco, de Alexandre Silva, em Lisboa, Lab, de Sergi Arola/Milton Anes, em Sintra (Penha Longa) e L'And, de Miguel Laffan, em Montemor-o-Novo, que assim recupera a estrela perdida no ano passado.

 

Ninguém perde estrela nesta noite que é um marco para a cozinha portuguesa contemporânea, recompensando novos e bons projectos ou a consistência de outros restaurantes, algo que a Michelin costumava criticar em Portugal. Há muitos chefes portugueses, outros estrangeiros radicados entre nós há anos, mas há sobretudo um grande incentivo a quem arrisca fazer a cozinha em que acredita. E, tenho a certeza, há vários restaurantes portugueses que, não tendo ganho ainda este ano, ganharão nos próximos, desde que continuem a persistir. Tanto mais que nesta noite chuvosa se criou uma dinâmica que nos vai trazer muitas alegrias.

 

Nota: Ver comunicado na íntegra (em espanhol), aqui  

 

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publicado às 19:45

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A poucas horas de serem revelados as novidades do Guia Michelin Espanha e Portugal 2017, em Girona, Espanha, já é sabido que Portugal terá 7 novos restaurantes com 1* estrela e 2 novos com 2** estrelas,  resultado fantástico, ainda que não se verifique a duplicação do número de estrelas, como tinha sido avançado há umas semanas por um responsável da publicação. 
 
 

 

 

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publicado às 17:28

Lendo nas estrelas (Michelin)

por Duarte Calvão, em 23.11.16

 

Prevê-se chuva forte, e até inundações, para esta noite de quarta-feira na Catalunha, mas sabemos já, seguramente, que haverá chuva de estrelas Michelin para os nossos restaurantes. Muitos convidados portugueses estarão lá a assistir – cozinheiros, jornalistas, bloggers, gente do meio e até responsáveis políticos, o que será uma estreia desde que o guia vermelho Espanha e Portugal passou a ser apresentado publicamente, em 2010, nas celebrações do seu centenário. Dessa vez, no então recém-recuperado Mercado de San Miguel, em Madrid, correu tão bem que nunca mais os responsáveis pelo guia ibérico quiseram outra coisa. Agora, coube à catalã Girona receber a gala, na Mas Marroch, espaço explorado pelos irmãos Roca, que esperemos que resista bem às intempéries, até porque o Mesa Marcada estará presente, sempre ao serviço dos seus leitores…

 

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Mal sabia o economista Dr. Braz Lopes que a sua vida seria marcada por um bolo. Na verdade, foi mais quando decidiu enveredar pela cozinha, estabelecendo-se num restaurante no primeiro piso do Mercado de Santa Clara, à lisboeta Feira da Ladra, que a coisa começou a mudar. Atento ao que se fazia lá fora, traria depois até nós a Cozinhomania, loja que rapidamente ganhou fama não só pelos utensílios culinários que então pouco se viam por cá, como também por um extenso e original programa de aulas com professores tão distintos quanto Maria Paola Porru, Paulina Mata, Joaquim Figueiredo, Luís Baena ou Augusto Gemelli.

 

E foi nessa loja, já em Campo de Ourique, que nasceria O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, uma resposta que dava de brincadeira a quem lhe perguntava se o bolo era bom, mas que viria a ser um extraordinário êxito, ganhando espaço próprio em 2002 e espalhando-se por Portugal, Brasil, Espanha, EUA e até Austrália. E o futuro dirá aonde mais irá parar, porque continua a encantar gulosos mundo fora. Autor do livro "O Melhor Livro de Chocolate do Mundo" (ed. Casa das Letras), Carlos Braz Lopes é um homem de muitos amigos, grande generosidade, bom gosto e excelente sentido de humor, razão pelo qual fomos falar com ele, prosseguindo esta série de entrevistas quinzenais patrocinadas pela cerveja Estrella Damm, no âmbito do seu apoio à gastronomia.

 

Consegue dormir sabendo que é responsável pela praga de “melhores isto e aquilo do mundo” que invadiu a gastronomia portuguesa?
Durmo e muito bem e contente pois, apesar dessa praga ,deixei os portugueses mais convencidos de que fazem coisas boas, algumas terão sucesso outras não . Mas acho que até à data nenhum como o meu . Mas que a frase já chateia já.

 

É mesmo o melhor bolo de chocolate do mundo ou melhor nome de bolo de chocolate do mundo?
Quem pode dizer que faz " o melhor do Mundo " seja do que for ? Mas que tive uma ideia de génio tive e na altura não me apercebi disso , depois começaram a comentar .


Há quem diga que o melhor doce que faz é leite creme…
Pois há , como costumo dizer estas minhas mãozinhas afinal fazem outras coisas boas .


Pela Cozinhomania passaram nomes famosos a dar aulas. Os melhores professores eram cozinheiros profissionais ou amadores?
Ainda hoje encontro pessoas com saudades da Cozinhomania e elas frequentavam os dois géneros . Claro que os profissionais têm técnicas que os distinguem, mas para as cozinhas étnicas escolhi sempre pessoas oriundas dos respectivos países e acho que só se ganhava com isso.


Fazer um bom cozido à portuguesa, como o que era servido no Mercado de Santa Clara, tem algum segredo?
Que saudades. O cozido à portuguesa do Mercado Sta Clara era um todo, o local que era lindo, os produtos de boa qualidade, talvez algum truque do meu chefe e a forma como era servido. Alguns desses nomes famosos referidos eram fãs .

 

Consegue compensar com exercício físico uma dose moderada de disparates alimentares?
Sim , mas sai-me do pêlo. Adoro comer, detesto correr...

 

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 "Tive uma ideia de génio, mas na altura não me apercebi disso", confessa o autor d'O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, copiado um pouco por todo o lado a ponto de "já chatear"

 

Fora o famoso bolo, tem alguma receita que considere de sua autoria ou preferiu sempre seguir a tradição?
Geralmente, na primeira vez faço pela receita. Na seguinte, já não.

Muita gente irrita-se com o que considera “a moda dos chefes”. Vem aí uma avalanche de estrelas Michelin para Portugal e o papel dos chefes vai ser ainda mais valorizado. Vai ficar contente ou irritado com tanto estrelismo?
Se for merecido, contente. Durante tempo como se sabe não era o nome do chefe que levava as pessoas aos restaurantes, muitas vezes era o dos donos, alguns até cozinhavam. Mas havia também uns bons cozinheiros por trás . E estamos num novo mundo da gastronomia em que essas estrelas são valor.

A inveja do êxito é realmente uma marca portuguesa ou existe um pouco por todo o lado?
A inveja por aqui é mesmo uma chatice .


Já pendurou as chuteiras ou ainda vamos ver um novo projecto Carlos Braz Lopes?
Nunca digas não.

 

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