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Paulo Laureano all in one

por Miguel Pires, em 03.12.10

Paulo Laureano apresentou ontem no Eleven, em Lisboa, os seus dois vinhos da gama Dolium, num almoço preparado por Joachim Koerper e Vítor Sobral.

Não conhecia pessoalmente este enólogo e produtor e ontem percebi muito do seu sucesso. Nos dias de hoje não basta ter bons vinhos e umas garrafas bem vestidas. É necessário saber vender o peixe e o conceito subjacente a ele. E, não sendo um caso único, Paulo Laureano fá-lo como ninguém. É um estratega de marketing quando fala do posicionamento dos seus vinhos. É produtor e enólogo (e também um bocadinho 'marketeiro') no seu discurso sobre a utilização das castas portuguesas e sobre o terroir da Vidigueira (onde, segundo afirma,  castas  como a antão vaz ou a alicante bouchet têm características únicas). E é  um estratega de comunicação e de imagem na utilização da sua figura aprumada de onde se destaca o seu característico bigode. Tudo isto parece fazer parte de um plano global de Marketing, imagem e comunicação. Muitos dirão que soa a artificial. Eu não sou dessa opinião. Ele tem as suas ideias, matéria prima para elas, coloca-as numa garrafa, dá-lhes um embrulho (com o seu nome e a sua silhueta) e, depois, onde muitos falham, aparenta ser bem sucedido: na personalização e na venda do pacote completo.

 

 

Quanto aos vinhos, como referi foram apresentados apenas os da gama Dolium, agora reposicionados como topos de gama. Gostei particularmente do branco, que me pareceu mais equilibrado do que em anos anteriores. Mais mineral e menos marcado pela madeira que, segundo Paulo Laureano, se deve ao comportamento da casta Antão Vaz no tal terroir da Vidigueira, no primeiro caso; e à utilização de barricas maiores que provocam um menor contacto do vinho com a madeira, no segundo caso.

Quanto ao tinto, já tive mais dificuldades em encontrar todos os predicados das castas que apontou. Mas acredito que seja dessa conjugação que lhe advém o equilíbrio e a frescura deste vinho bem estruturado.

 

 

Com o Dolium branco Escolha 09 tivemos a um carpaccio de vieiras e com o tinto, um óptimo novilho no forno com ravioli de abóbora e caldo do assado. Depois, numa prova  de afecto a Paulo Laureano (que não suporta queijo), Vítor Sobral apresentou um incrível queijo de ovelha curado (com geleia de marmelo e farofa de pinhões) para o qual foi chamado de novo o branco, que se portou lindamente. Para finalizar, Macarron de chocolate com gelado de banana e Mignardises. Havia a esperança que saísse da cartola do enólogo produtor um licoroso ou um destilado, made in Vidigueira. Mas não, pelo que houve os que continuaram no tinto  e os que passaram directamente ao café.

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