Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Porra, David

por Miguel Pires, em 29.04.11

 

 

Há umas semanas quando te fui ver estavas surpreendido e muito sensibilizado com a quantidade de amigos que tinhas à tua volta nesta altura complicada da tua vida. Hoje de manhã, aqui no Funchal, quando o teu colega e amigo José Augusto Moreira me deu a notícia de que tinhas partido recordei os vários momentos que passei contigo  e retive especialmente este ultimo. De facto, David, as pessoas boas não morrem sós. Eu, que fui dos últimos a chegar ao teu círculo (e que me sentava numa cadeira lá atrás, no 3º anel), apenas te pergunto: porra, David, com tanto filho da puta que há por aí e tu partes assim?

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:44

Até sempre, David

por Rui Falcão, em 29.04.11

Hoje morreu um amigo, um homem bom, verdadeiro e generoso, um homem discreto e profundamente honesto, sem desejo nem necessidade de protagonismo. Para além de um profissional sério e abalizado, do melhor que Portugal já experimentou, sempre correcto e profundo nas suas apreciações, munido por um conhecimento efectivo e palpável, sem atalhos nem facilitismos, David Lopes Ramos marcou-me, desde que o primeiro instante em que tive o privilégio de o conhecer, pela ética, generosidade e forma exemplar de estar na vida.

Num mundo que se presta tanto a pequenas e grandes vaidades, e onde tantos ficam presos a facções e clubes, David sempre se evidenciou pela nobreza de carácter e por uma forma particularmente salutar de estar na vida, sem ter de oferecer favores, sem condescendências, sem paternalismos. A ti, David, deixo uma sentida homenagem.

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:36

A morte de um amigo

por Duarte Calvão, em 29.04.11

Morreu David Lopes Ramos, nosso amigo, de cada um dos três elementos do Mesa Marcada, e o melhor crítico e jornalista de gastronomia que já conheci. Estivemos sentados à mesma mesa dezenas e dezenas de vezes, centenas talvez, e não me lembro de uma única vez em que a sua companhia não fosse agradável, a sua conversa não fosse interessante e em que eu não tivesse aprendido algo com a sua enorme cultura e sobretudo com uma maneira de ser única, de uma afabilidade e simplicidade que cativava toda a gente. Foi das primeiras pessoas que conheci no "meio" da gastronomia e vinhos e, apesar de sermos "concorrentes" (ele no Público, jornal que ajudou a fundar, eu então no Diário de Notícias) nunca houve a menor nuvem entre nós. Pelo contrário, ajudou-me sempre a tentar ser melhor, a procurar ser mais rigoroso, a não seguir maus exemplos. Assim como fez comigo, fazia com toda a gente que procurava praticar a profiissão de jornalista com dignidade (na gastronomia ou noutra área) e nunca, rigorosamente nunca, ouvi alguém ter uma má palavra sobre ele. Sentirei a sua falta para sempre, porque há pessoas que são realmente insubstituíveis. Vou recordá-lo, e isso traz-me algum consolo, como alguém que viveu bem a sua vida, que tinha uma família que adorava, inúmeros amigos, que deixa escritas páginas que serão uma referência permanente para todos nós. Vou recordá-lo com a alegria que ele merece.

(Foto: Revista de Vinhos)

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:14

Provar vinhos com prazer

por Duarte Calvão, em 28.04.11

Dentro da maçada que são geralmente as provas de vinho, que por mim deveriam estar reservadas para enólogos e para quem tem o dever profissional de as fazer, como o nosso Rui Falcão, as “verticais” são uma excepção. Não só porque se pode comparar a evolução de determinados vinhos, como temos acesso a garrafas que há muito saíram do mercado e por vezes são quase impossíveis de encontrar. Vem isto a propósito de uma prova vertical de vinhos durienses Dona Berta, o branco Rabigato, e um tinto que já variou entre Reserva, Reserva Especial e Grande Escolha, todos produzidos entre 2001 e 2009, que o produtor Hernâni Verdelho, coadjuvado pelo enólogo Virgílio Loureiro, promoveu no Solar do Vinho do Porto, em Lisboa.
Também me atraiu o local, onde já não ia há alguns anos e sabia renovado. Não tive tempo de ver com calma ao espaço, nem tampouco de ver a lista de vinhos que apresentam, mas fiquei com a impressão que está bem mais adequado ao prestígio do vinho que lhe dá nome. Fica para uma próxima visita, mais demorada. Gostei de ver que havia várias mesas ocupadas por turistas, que serão talvez os clientes preferenciais e a razão de ser da casa.
Voltando aos Dona Berta, nome por que era conhecida a mãe de Hernâni Verdelho, o produtor que, depois de trabalhar no sector financeiro em diversos países, decidiu há cerca de 15 anos recuperar a Quinta do Carrenho, em Freixo do Numão (Douro Superior, Vale do Côa) na sua família há várias gerações (vendiam vinho para a Borges), reconverteu vinhas, manteve outras “pré-filoxéricas” e construiu uma adega “sem megalomanias”, segundo diz, para apenas 50 mil garrafas, recorrendo aos serviços de um enólogo renomado, Virgílio Loureiro.
Uma das primeiras apostas foi criar em 2001 um branco com base numa casta da região, tradicionalmente usada em lote, a Rabigato, sem fermentação nem estágio em madeira, tudo em inox, como frisou Virgílio Loureiro, contrariando uma moda da época. A coisa correu tão bem que, ainda segundo o enólogo, em 2005 já se tinha expandido na região o cultivo da casta e começaram a surgir outros varietais dela. O Dona Berta Rabigato sempre teve a mesma composição e vinificação e as diferenças que se encontram de ano para ano devem-se exclusivamente às variações climáticas. Salvo o de 2001, como veremos adiante.
Sempre fui apreciador e cliente deste vinho e não podia perder a oportunidade de verificar a sua evolução. No entanto, uma longa prova, acompanhada de bolachinhas de água e sal, com cuspideiras, duas horas antes do Real Madrid x Barcelona, não era o que mais me apetecia. Qual não foi o meu alívio quando, ao chegar à sala do Solar do Vinho do Porto onde decorreu a prova, vi uma extensa mesa com vários pratos com petiscos. Nem tudo tinha grande aspecto, mas comparando com as malditas bolachinhas…
Foram então servindo, a bom ritmo, os nove brancos, e se o 2009 não tinha grande complexidade, o 2008 já estava melhor, o 2007 estranhamente oxidado, porque o 2006 estava perfeito, assim como o 2004 e o 2003. O 2005 um pouco abaixo, mas mesmo assim esplêndido. O 2002 também bastante oxidado e não muito agradável. E o 2001, o da estreia, quase castanho e intragável. Foi o que achei e pareceu-me ser a opinião maioritária de alguns dos “craques” da crítica de vinhos que ali estavam.
Sobre o 2001, Virgílio Loureiro contaria uma história, que aqui transcrevo por me parecer exemplar de modéstia num mundo onde abundam as opiniões categóricas e infalíveis, onde provar vinhos se transformou numa espécie de “ciência”. Na altura, ele e outros enólogos portugueses bem conhecidos participaram num seminário onde pontificava um “guru” francês de que não guardei o nome. Ele garantiu que para se fazer um grande branco era essencial utilizar ácido ascórbico (não é o mesmo que Vitamina C?). Ele assim fez com o Dona Berta Rabigato 2001 e agora atribui o desastre ao tal ácido ascórbico. Tanto mais que, conta, dois anos depois encontrou o tal guru numa outra ocasião e ele garantia com a mesma certeza que para se fazer um grande branco nunca se deveria usar ácido ascórbico…
Vieram então os tintos Dona Berta Reserva (castas típicas da região, plantadas na sua maioria há 35 anos), de todos os anos entre 2008 e 2001, salvo os de 2007 e 2002, de que o produtor já não dispunha. O primeiro era um pouco óbvio, mas pareceu ter bom potencial de envelhecimento, os de 2005 e 2004 já eram óptimos e os de 2003 e 2001 estavam vinhos a sério, mostrando o que só a idade pode dar aos tintos. Por fim, um tinto varietal de Tinto Cão de 2008, que não me impressionou, e um elegantíssimo, apesar da juventude da colheita, também de 2008, do Dona Berta Vinha Centenária (é das tais pré-filoxéricas…). As castas, que Hernâni Verdelho decidiu preservar em dois hectares, têm nomes deliciosos como Cornifesto, Bastardo, Casculho, Tourigo, Tinta Raiz… E há ainda outras na Quinta do Carrenho, como a Silveirinha, Donzelinho ou Folgazão…
Assim, uma prova que poderia ser uma estopada, foi um momento fantástico de demonstração das vantagens do envelhecimento tanto de tintos como brancos e de apreciação da originalidade e qualidade dos nossos vinhos. E cheguei a casa ainda a tempo de ver o futebol.

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:06

Há quatro anos que o crítico espanhol Carlos Maribona, do jornal ABC e do influente blog Salsa de Chiles, acompanha a evolução de alguns dos mais conhecidos restaurantes de Lisboa. Mais uma vez esteve por cá por ocasião do Peixe em Lisboa e fez várias visitas a restaurantes, que descreve neste post. À medida que em Portugal a crítica gastronómica séria vai diminuindo, análises como as de Maribona ganham cada vez maior relevância.

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:55

Capel foi à Tasca

por Duarte Calvão, em 20.04.11

"Histórico" da crítica gastonómica do El País, onde até hoje escreve no suplemento El Viajero, director do Madrid Fusión, José Carlos Capel (na foto) lançou há cerca de uma semana o blog Gastronotas de Capel, já na nossa barra lateral. Capel esteve agora no Peixe em Lisboa e aproveitou para conhecer alguns restaurantes da cidade. As primeiras e muitas favoráveis impressões incidem sobre a Tasca da Esquina, de Vítor Sobral, que lhe provocou uma interessante reflexão sobre os exageros dos menus-degustação nos restaurantes. A não perder.

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:42

(foto da sala do Noma tirada por mim, em Fevereiro) 


A lista dá pelo nome, "TheSanPellegrino World's 50 BestRestaurants" e os resultados anunciados ontem confirmam o Noma como nº1 do mundo. No entanto, pouco tempo depois foi divulgada a lista dos 100 melhores e a grande novidade para Portugal é a inclusão, em 79º, do Vila Joya, no Algarve. 

 

 

 Chef Dieter Koschina do Vila Joya (Foto: Vasco Célio/F32)

 

 

Ainda em termos de proximidade (cultural e geográfica) destaque para Espanha, com a subida ao 2º lugar do El Celler de Can Roca, dos irmãos Roca (4º em 2010) e ao 3º lugar, do Mugaritz, de Andoni Aduriz (5º em 2010), ambos aproveitando a saida esperada da lista, do El Bulli (2º em 2010 e 1º em várias das edições anteriores). 

 

De salientar ainda a relevância que o Brasil (leia-se, São Paulo) começa a ter nesta lista. O DOM  de Alex Atala, ascendeu ao 7º lugar (uma subida de 11 lugares) enquanto que o Fasano e o Mani entraram na lista (pela primeira vez, creio) nas posições 59 e 74, respectivamente.  

 

 

Sobre os bastidores desta iniciativa já aqui tinha deixado um post sobre este artigo do New York Times. Sobre o Noma, o Duarte Calvão esteve lá no ano passado e escreveu uma critica para o Público e que também publicámos aqui. Também na Wine deste mês saiu um texto meu sobre o jantar (e a visita a Copenhaga) que lá tive em 15 de Fevereiro. Por último, ainda sobre esse jantar, o ponto de vista e as reflexões de Paulina Mata no Forum Nova Critica, aqui.

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:22

Bertílio Gomes deixa Casa da Comida

por Duarte Calvão, em 18.04.11

Não sei se a novidade já foi dada, mas de qualquer maneira aqui fica: após dois anos de consultoria, o chefe Bertílio Gomes não renovou o contrato com a Casa da Comida. O histórico restaurante lisboeta fica agora entregue à equipa que já lá estava em permanência, liderada por Bruno Salvado, e para já não se prevêem grandes mudanças nos pratos. Muito bom era que Bertílio Gomes pudesse agora estar à frente de um restaurante, de preferência também como proprietário. Faz muita falta. (Foto de Miguel Pires, tirada no Peixe em Lisboa do ano passado).

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:33

Peixe em Lisboa 2011 - Instantâneos: 9º dia

por Miguel Pires, em 18.04.11

 Sexta feira houve debate e conversa sobre conservas de peixe. Como era moderador do painel não o pude fotografar. A meu lado estiveram José Gameiro, do museu de Portimão (instalado na antiga fábrica de conservas Feu), Regina Cabral Ferreira, da Conserveira de Lisboa e Nuno Pauseiro das famosas conservas Comur, da Murtosa. A ideia era trazer para a ordem do dia as conservas do mar como um produto de valor acrescentado e de grande valor gastronómico. Falou-se do passado, do presente e do futuro. Houve direito a um delicioso filme dos anos 40 sobre as conservas e a industria conserveira; enalteceu-se a qualidade das ovas de sardinha (o 'caviar português') e provou-se abalone dos Açores, entre muitas outras coisas. 

 

Enquanto isso Luís Baena ia preparando pratos com as conservas que tem vindo a desenvolver para a José Gourmet

 

Trio de ataque: Abalones em molho de soja e lemongrass (esq); ovas de sardinha (atrás) e o que restou de uma lampreia à bordalesa também de conserva 

 

 

 No Sol e Pesca, na zona de restauração, dois dos vários pratos que este bar/loja/petisqueira do Cais do Sodré apresentou ao longo da semana.

 

Na primeira apresentação do dia Henrique Mouro, do Assinatura, fazia esta cara enquanto tratava da vida a um cavaco (o defunto Sócrates ia gostar da ideia)

 

muito interessante o prato que Mouro preparou: uma composição com 'courato' de moreia, ouriço do mar e cavaco

 

não disse, mas podia ter dito: "estes gajos não podiam ter aberto a janela mais cedo?" 

 

a segunda apresentação foi a de José Avillez, o homem que não para quieto um minuto

 

 

 

(e eu para o ano vou ter que ler o capitulo do livro de instruções: "como fotografar mãos em movimento") 

 

José Avillez tem sido um dos Chefs que mais tem investido (€, tempo, e massa cinzenta) nas suas apresentações. Este ano não fugiu à regra. Alternando entre o registo sério e o ligeiro recorreu a vários suportes para fazer passar (e perdurar) a sua mensagem - que tinha como tema as três dimensões daquilo que definiu como o sei modelo de evolução culinária.  

 

Avillez em registo 'clownesco' para reforçar as suas ideias...

 

 

 Os óculos 3D representavam a súmula das 3 dimensões necessárias para a dita evolução  (hum... a mim parece-me mais uma cena dos Blue Brothers)

 

No final, imitando um célebre episódio de Oprah Winfrey, ofereceu um par de óculos e um bloco de notas que estavam colados debaixo de cada uma das cadeiras. Como se pode ver pela imagem, a assistência não se fez rogada e aderiu.

 

Não houve só vídeo e stand up comedy. Também houve prato cozinhado. Depois de Henrique Mouro ter tratado da vida ao cavaco, Avillez cozinhou o cherne (não o Barroso de Bruxelas mas sim um do Atlântico).

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:57

Os 50 melhores do mundo 2011. Amanhã

por Miguel Pires, em 17.04.11

 

É já amanhã que se ficará a saber quem são os 50 melhores restaurantes do mundo segundo o júri reunido pela revista britânica, Restaurant. Serão os melhores? os mais cool? A propósito desta lista, o New York Times fez este interessante artigo ("The World's 50 Best Restaurants? Says Who?") onde aborda as escolhas, importância, influências, o método, o juri, etc.

 

P.S. Já na Wine deste mês a reportagem e critica que escrevi sobre o Noma, o nº1 desta lista, em 2010.

 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:20

Pág. 1/3



Pub


Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Pub


Siga-nos no facebook


Mesa Marcada no Twitter


Confira os premiados e as listas...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Pub





Calendário

Abril 2011

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Comentários recentes

  • João Faria

    Excelente entrevista! Talvez a que mais achei inte...

  • Miguel Pires

    Bem me pareceu que a argumentação era pobrezinha.

  • Adriano

    Isto realmente é irritante. Eu admiro é a paciênci...

  • João Almeida

    Sentiu-se ofendido. Coitadinho..(Não tenho faceboo...

  • Miguel Pires

    O post não é colectivo, está assinado. Entre as de...


subscrever feeds