Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Restaurante Bica do Sapato

por Miguel Pires, em 30.06.11

A idade fez-lhe bem


Há pouco mais de uma década havia em Portugal um ambiente de grande optimismo. A euforia da Expo 98 ainda se sentia e ganháramos a organização  do Euro2004 aos nossos vizinhos espanhóis. Bruxelas continuava a enviar dinheiro a jorros, a Bolsa criava fortunas e em conjunto com o crédito fácil houve uma sensação de prosperidade na classe média.

Em Santa Apolónia, com a grandeza do Tejo em frente, nascia a Bica do Sapato, um projecto ambicioso com nomes de peso: José Miranda e Fernando Fernandes, do Pap’Açorda; Manuel Reis (que um ano antes inaugurara, ao lado, o Lux); Joaquim Figueiredo, um dos melhores Chefs de cozinha portugueses; e, como cereja no topo do bolo, o actor norte-americano John Malkovich - que só por si ajudou a que o fenómeno tivesse repercussões internacionais.

No entanto muita dessa euforia ajudou a criar um sentimento de deslumbramento fácil mascarado de falsa urbanidade, o que, a par da pobreza de espírito do costume, causou um misto de admiração, desconfiança e inveja em relação ao projecto. Quem se interessava com a vertente mais gastronómica desconfiava do aparato mas tinha curiosidade no trabalho de Figueiredo (e também no de Paulo Morais, no sushi bar do andar de cima). Como seria de esperar, a junção de públicos com gostos e objectivos diferentes e as falhas normais de uma máquina por afinar teriam que fazer ‘tilt’. Nada que tivesse perturbado José Miranda e Fernando Fernandes habituados a lidar com este tipo de situações – ainda que em muito menor escala -  no Pap’Açorda. Joaquim Figueiredo saiu passado pouco tempo e, mais tarde, Fausto Airoldi, que o substituíra. Desde aí a Bica do Sapato teve sempre Chefs de perfil discreto.

 

Dos três espaços, tinha-me dado bem com o sushi bar (até Paulo Morais sair) e razoavelmente com a cafetaria e com o restaurante principal. Daí a curiosidade em saber o que iria encontrar passados vários anos sem lá voltar.

Marcámos para o restaurante, um espaço amplo que no essencial mantém o espírito (assente na decoração com objectos e mobiliário contemporâneos). A ementa pareceu coerente, interessante e equilibrada. Uma mistura de pratos de cozinha portuguesa de matriz tradicional actualizada com outros de influências internacionais.

 

O jantar iniciou-se com um agradável entretém de boca: uma cavalinha panada com um toque de amêndoa. Depois, de entrada, escolhemos o recheio de sapateira no tacho e a codorniz recheada e assada com cepes e foie gras – duas propostas vencedoras. O recheio de sapateira foi uma agradável surpresa. Barrado nas tostas com as fatias de bom pão (de São Brás) levemente torrado e um pouco da manteiga de algas - uma aposta muito bem conseguida que acentuou o sabor a mar – apreciou-se de forma compulsiva. Mais clássica e complexa, mas não menos aprazível, a codorniz recheada e assada com cepes e foie gras, acompanhado de trigo sarraceno e espargos salteados. Nos pratos principais, o naco de garoupa braseada em cama de espinafres, revelou um peixe de qualidade, embora prejudicado por algum excesso de cozedura.  Muito bom, o xerém de amêijoas e coentros, acompanhamento que dá substância ao conjunto e que combina sempre bem, quando bem feito. O último prato foi o cabrito da Beira no forno, arroz de carqueja e cogumelo do cardo. Carne macia bem trabalhada e tempero no ponto. Pena o arroz, demasiado gorduroso, a tornar o conjunto algo enjoativo, facto que nem os espinafres ligeiramente salteados conseguiram contrariar. Depois, de sobremesa, aquilo que mais parecia outro prato principal, pelo tamanho desmesurado e densidade do conjunto: bomba, perdão, bolo de chocolate cubano, merengue e trufa de whisky. Três colheradas a cada um e uma dentada na trufa serviram para atestar a qualidade e (sobre) saciar a gula.

Em matéria de vinhos a carta esteve adequada, com preços razoáveis e serviço correcto. A refeição foi acompanhada com o Herdade de Grous branco 2009 (17€), um vinho escolhido em  função dos primeiros pratos e que naturalmente não aguentou o cabrito, a pedir um tinto com algum músculo.

Por último, o serviço foi fluente e prestado com correcção, simpatia e profissionalismo - uma agradável surpresa, dadas as experiências menos positivas em anos anteriores.

Passados 12 anos a Bica da Sapato mantém-se fiel ao conceito inicial. Com uma maturidade e consistência assinaláveis.

 

 recheio de sapateira no tacho

 

naco de garoupa braseada em cama de espinafres suados, xerem de ameijoas e coentros na caçarola. 


 Cabrito da Beira no forno, arroz de carqueja e cogumelo do cardo

 

Bolo de chocolate cubano com merengue e trufa de whisky Famous Grouse 

 

(Por esta refeição, com duas águas e dois cafés, pagou-se 121€, 2 pessoas). 

 

Contactos: Av. Infante D. Henrique, Armazém B, Cais da Pedra a Sta Apolónia, 1900; Tel: 218810320 /917615065

 

nota: estas fotos servem apenas como uma referência em relação aos pratos consumidos (e não foram publicadas no jornal). As condições em que foram tiradas não permitem retratar o prato com fidelidade. 

 

Texto publicado originalmente nas páginas do Outlook do Diário Económico, em 17 de Junho de 2011

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:29

Belgrado no Chiado

por Duarte Calvão, em 27.06.11

Vêm de Belgrado para cozinhar com o seu conterrâneo e amigo Ljubomir Stanisic no sempre alegre Bistro 100 Maneiras (Largo da Trindade, 9, esquina com a Rua da Misericórdia, ao Chiado) e o resultado pode ser visto amanhã e na quarta-feira num menu de 40 euros (preço simpático, que não inclui bebidas). Trazem também com eles a famosa rakija (na foto), bebida nacional sérvia, uma aguardente de fruta que deixa os mais incautos a trocar as pernas (falo por experiência própria…).  São os chefes Nenad Lucic e Dura Zoric, com 34 e 31 anos, respectivamente, que em Belgrado estão à frente dos restaurantes Saran e Kovac, e vão apresentar dois tipos de pão sérvio, seguindo-se tomatada, feijoca, tudo à moda sérvia, salada de beterraba com fios de torresmo, rabo de boi estufado com salada de courgettes, carnes de Lestovacka (localidade do sul da Sérvia) estufadas com vegetais, cremoso de mil-folhas e pudim dos Balcãs com molho de vinho tinto. Uma boa ocasião para variar e espantar tristezas. Reservas: tm. 91 0307575.

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:38

Santos Populares em Agosto?

por Miguel Pires, em 25.06.11


O Duarte Calvão andou por Lisboa obcecado por sardinhas. Queria recomendá-las por altura dos santos populares, mas não teve sorte. A mim ainda me arrastou, mas às ditas, às da nossa costa, nem uma veio à rede (e pelo que se pode ver continuam a  banhos, pequenas e magras). A norte José Augusto Moreira não teve melhor sorte e levou também a banhada.  Um e outro contaram a sua aventura no Público, nas páginas do Fugas:

 

O bacalhau que nos desculpe, mas não há nada mais português do que sardinhas. Muito abundantes na nossa costa, baratas, saudáveis, saborosas, bonitas, seja do Norte ou do Sul, do litoral ou do interior, seja rico seja pobre, velho ou novo, português que se preze comove-se perante uma sardinhada, ornamentada por uma colorida e primaveril salada mista onde se destaquem pimentos verdes e, factor absolutamente fundamental, acompanhada por pão a sério. O cânone manda que também venham à mesa batatas cozidas, mas acho que nem sempre fazem falta.

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:46

Pub grátis (com-fusão)

por Miguel Pires, em 24.06.11

 

Mãe, espero que tenha deixado de ir às reuniões das senhoras da Tupperware.  Sushi de cabrito, não. Please! 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:32

Ter sorte dá muito trabalho

por Miguel Pires, em 22.06.11

 

O calor na cidade leva-me a banhos e por isso não poderei passar por lá, mas assino por baixo e envio daqui os votos de muitos mais.

Também fico à espera do livro deste senhor e d' "A prova do flerte são as constantes viagens que tem feito pelo Brasil, pela África e pela Ásia, para provar todos os sotaques da comida portuguesa". Publicar cozinha no Brasiú?! puxa cara, legáu.

 

 

P.S. Ah e já me esquecia. Despediu-se na semana passada e já temos saudades das suas reflexões.  

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:52

Restaurante Mesa

por Miguel Pires, em 20.06.11

Na casa de Luís Américo

 

 

Em Outubro do ano passado tive o privilégio de ser convidado para um almoço na adega de Luís Pato. O conhecido produtor bairradino juntara um grupo de jornalistas e amigos para comemorar os 30 anos do seu primeiro vinho (Luís Pato, 1980, tinto) e convocara três Chefes de cozinha de três países que tiveram um papel importante na sua afirmação enquanto produtor. Do Brasil veio Ivo Faria, do restaurante Vechio Sogno, de Belo Horizonte; do Canadá, Marino Tavares, do Café Ferreira, de Montreal; e, de Portugal, Luís Américo, do restaurante Mesa, do Porto. Dos três Chefs presentes o português foi o que mais impressionou com o seu bacalhau negro com falsa cabidela de cebola caramelizada e paiola de Barrancos e, de sobremesa, com um original fondant de abóbora.

Apenas conhecia Luís Américo da imprensa e de uma ou outra apresentação, pelo que estes dois pratos aguçaram-me o apetite para ir o seu restaurante.

Uns meses mais tarde, no Porto, apanho um táxi e peço que me leve a uma morada em Nevogilde. O taxista anda às voltas até me deixar numa zona habitacional. Estranho, acho que estou enganado, mas não dou parte fraca. Pressinto o engano na morada mas quando estou prestes a abandonar o local reparo na placa do restaurante e na indicação, “4º andar”. Quarto andar de um prédio de habitação com uma clínica fisiátrica num dos pisos (devem ser animadas, as reuniões de condomínio). Entro no elevador e subo. Já passam das 14.00h. O espaço não parece exactamente um restaurante, mas também não se assemelha a propriamente uma casa particular. No hall de entrada há uma mesa com castiçais e um enorme livro antigo de receitas. Há esquerda é a sala de estar, com sofás, poltronas, mesas baixas e um bar de apoio. À direita, a sala de refeições. Mesas bem postas, à distancia correcta, espaço confortável e amplo. Predominam as cores suaves em tons de pastel. Misturam-se peças e adornos rústicos com clássicos criando uma atmosfera distinta e aconchegante. Conduzem-me a uma mesa junto à janela donde vislumbro oParque da Cidade e o mar. Os dias ainda estão frescos e por isso não servem na varanda, mas consigo imaginar o quão agradável deve ser em noites amenas de Verão.

É Sábado e ao almoço funciona a táctica 4x4x18, i.e: menu fixo de entrada, prato, sobremesa e copo de vinho, com quatro opções de cada, por 18€ (ou 15€, caso se prescinda da entrada ou da sobremesa). Há pratos que denotam uma cozinha de matriz regional com um toque contemporâneo, outros mais criativos e ainda um ou outro mais trivial. Os vinhos variam entre o Castelo d’Alba branco, o Esteva (tinto) e o Duque de Viseu, Dão, branco e tinto. Opto pelo ultimo, com um pequeno lamento por não ter uma opção (mesmo pagando um pouco mais) de um patamar acima. Escolho de entrada um creme de  aipo com queijo de S. Jorge. Belíssimo creme aveludado. Perfeito equilíbrio na conjugação de sabores entre o queijo (em lascas), o aipo bola (do creme e em pequenos pedaços) e, aquilo que me parece ser caldo de galinha. O prato principal é um cachaço de porco preto sobre couve lombarda e enchidos, numa espécie de eixo norte/sul. O excesso de forno acaba por prejudicar a carne, que quando cozinhada a preceito desfaz-se na boca. Ainda assim, o conjunto merece aprovação, tal como a sobremesa que encerra o almoço, uma tarte tatin bem consumada e saborosa. Mesmo com o leve incidente do cachaço, fico bem impressionado com o nível da refeição. Qualquer um dos pratos poderia fazer parte de um menu de ‘fine dining’, o que faz do Mesa uma excelente opção de almoço, sobretudo, se tivermos em conta os 18€ que se pagam.

Volto à noite com o intuito de conhecer a oferta ao jantar. Quando chego a sala já está bem composta. Vêm-se vários casais e pequenos grupos de amigos tornando o ambiente mais jovem e menos familiar.

Opto menu de degustação, afinal esta é a forma ideal que um cozinheiro dispõe para mostrar a sua cozinha. A carta de vinhos não é muito extensa e predominam as referências nacionais e estrangeiras da Sogrape. Está organizada por tipos de vinhos (Espumantes e champanhes; brancos, verdes e roses; tintos; e generosos) mas, depois, segue uma tendência de os separar por estilos e não por regiões (ex: “Vinhos brancos directos leves e frutados sem ou com pouca madeira”; “Vinhos frescos, vegetais, florais e frutados. Encorpados. Perfeita harmonia com a madeira”). Cada vinho tem a indicação do produtor e das castas, mas não o ano de colheita. A copo há mais possibilidades de escolha do que ao almoço, mas todas dentro do segmento baixo, médio.

O jantar inicia-se com salmão. O peixe é curado e não fresco ou fumado. O método, a que os nórdicos chamam gravadlax, consiste, geralmente, em fazer uma cura durante três dias em açúcar, sal, ervas e especiarias. Nesta versão de Luís Américo os sabores são suaves, mas presentes, e a textura, sedosa. Ao serem combinados com laranja, sésamo e uma maionese ligeira de chalota e funcho, formam um conjunto harmonioso e fresco.

Os dois pratos seguintes parecem-me demasiado banais para pertencerem a um menu de degustação num restaurante de cozinha de autor: carpaccio de novilho com trufa, rúcola selvagem e lascas de parmesão e folhado de queijo de cabra em cama de  maçã. Ainda assim Luís Américo fá-los bem e procura dar um toque diferente (no primeiro caso, ao temperar o carpaccio com óleo/azeite de trufas – não é propriamente uma novidade, mas resulta; e, no segundo caso, ao saltear a maçã em azeite e juntando-lhe um toque de baunilha no fim.

Com os três pratos seguintes voltamos às criações com base na cozinha regional. São pratos consistentes, com elementos sempre bem conjugados e com alguma criatividade. Primeiro, as lulas recheadas com alheira sobre puré de cenoura. Bem vista a ideia dos cornichos crocantes das lulas, a quebrar o monopólio de texturas macias dos restantes elementos. Depois um lombo de bacalhau, bem confeccionado, daqueles que os capítulos se soltam ao pressionar levemente. É servido com um aveludado do seu caldo, confit de abóbora e boletos. Por ultimo, a “vitela de comer à colher sobre farrapo-velho de alheira”. Nome curioso para uma bochecha de vitela (por vezes, os restaurantes fantasiam na designação de certos pratos para evitarem que sejam devolvidos apenas porque o nome não agrada). Não é publicidade enganosa. De facto a peça tinha sido confitada o que lhe conferiu maciez suficiente para se poder prescindir da faca.

Ao longo da refeição reparo que uma em cada duas pessoas pede o mesmo prato. O empregado explica-me que é o best seller da casa, lombo de bacalhau em pão de azeitona, com o qual Luís Américo venceu o concurso Chefe Cozinheiro do Ano de 2004. Fico curioso mas já não há espaço. É tempo de abrir o compartimento doceiro. Primeiro, doce de abóbora e requeijão em mousse. A conjugação clássica que resulta sempre bem, sobretudo, quando a matéria prima é boa e bem trabalhada, como é o caso. Depois, diferentes texturas de chocolate e sorvete de cenoura e baunilha, uma conjugação invulgar para terminar em beleza.

No final peço para me servirem o café na sala de estar que funciona também como sala de vício. Solicito a conta e despeço-me da equipa que me tratou com eficiência, simpatia e profissionalismo. Para desmoer caminho em direcção ao mar, antes de pedir a um taxista que me devolva ao hotel.

Esperava que a cozinha de Luís Américo, no Mesa, fosse um pouco mais arrojada, sobretudo, no menu de degustação. Contudo foram duas boas refeições que demonstraram que Luís Américo é um Chef seguro, imaginativo e com as bases certas. Talvez o facto de ser proprietário do seu próprio espaço lhe roube tempo para assumir mais riscos. É pena porque talento e conhecimento perece que não lhe faltam.

 

Cozinha: 17 ; Sala: 17; vinhos: 16

 

Preço médio para refeição completa (entrada, prato e sobremesa) com vinho: 18€ , ao almoço; 40€, ao jantar. (Pela refeição descrita pagou-se 18€, ao almoço e 55€ ao jantar)

 

Contactos: Rua D. Domingos de Pinho Brandão 75 4º andar, Porto; Tel:226169255; www.amesa.pt 

 

Texto publicado originalmente na revista Wine de Maio

 

 

 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 02:05

Asneira às fatias

por Duarte Calvão, em 15.06.11

Seja o pão de Mafra ou o pão alentejano que compro nas mercearias perto de casa seja no supermercado Continente (antigo Modelo) com o óptimo pão de Rio Maior (de que um dos mais ilustres filhos da terra, Miguel Pires, diz desconhecer a origem…), é cada vez mais difícil encontrar pão que não venha já fatiado. Os responsáveis, inclusive a empresa que fornece o Continente, que teve a gentileza de responder a uma reclamação da minha mulher, respondem sempre que são os clientes que preferem assim. Não duvido, com a preguiça que vai por aí e com as novas gerações moldadas pelo pão de forma, mas é uma asneira porque o pão já em fatias fica logo mais seco e ganha bolor com muita facilidade. Para já não falar no prazer que é cortar pão fresco, cada fatia à medida do gosto e da necessidade, ou até desfazê-lo com as mãos. Esperemos que seja uma moda passageira.

 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:50

Vinho ao Vivo, by Goliardos

por Rui Falcão, em 13.06.11

As boas iniciativas merecem ser noticiadas e divulgadas, por isso aqui vai o devido destaque à segunda edição do Vinho ao Vivo, organizada pelos Goliardos, que irá ocorrer nos dias 15 e 16 de Julho, entre as 19 e as 24h, na esplanada À Margem, em Belém, Lisboa.

Tal como no ano passado, no Vinho ao Vivo irão estar presentes cerca de uma trintena de produtores, metade portugueses, metade estrangeiros, todos eles representados em Portugal pelos Goliardos. Como habitual na casa, quase todos vinhos irreverentes, com paixão e ousadia, daqueles que todos os wine geeks já se habituaram a conhecer e respeitar. Segundo os Goliardos, na ocasião serão ainda lançados três vinhos novos e exclusivos, realizados em parceria com a Quinta do Mouro e com Álvaro Castro, numa colecção que se vai chamar Uvelha Negra.

Eu tenciono ir!

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 11:03

Pub grátis (nem cortiça, nem screwcup)

por Miguel Pires, em 11.06.11

foi você que pediu um copo de branco?

 

 

 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 03:29

Darwin's Café

por Miguel Pires, em 07.06.11

Espaço incrível, comida razoável 

 


A primeira surpresa foi logo ao telefone: "mesa para duas pessoas? Penso que já não tenho, mas deixe-me ver. Só um momento." Deve ser estratégia para tornar o local mais apetecível, pensei. Instantes depois: "Disse para as 14h? Sim, afinal consigo".

A segunda surpresa: não era número, era verdade. Apesar dos poucos meses de vida e de ter aberto de forma discreta (no final de Fevereiro) este restaurante da Fundação Champalimaud, com mais de 150 lugares, estava cheio num dia de semana ao almoço.

A terceira surpresa: o espaço impressiona. Pela dimensão, pela altura do pé direito e, sobretudo, pela solução de arquitectura e decoração. As alusões a Darwin, à sua época e às suas obras são evidentes e integram-se na matriz contemporânea do edifício. Após o hall de entrada, predominam formas circulares, nas mesas grandes onde se sentam 6 a 8 pessoas, e no magnífico bar de apoio. Depois, num plano inferior, uma área maior com mesas normais e cadeiras confortáveis. No exterior, há ainda uma esplanada que não estava a funcionar.

A quarta surpresa: independentemente do local há a vista deslumbrante sobre o Tejo e as colinas da Trafaria, na margem sul.

Em tão boa e surpreendente atmosfera restava esperar que a comida estivesse à altura destes argumentos. O menu é bastante completo, entre propostas mais simples e outra mais elaboradas de "cozinha internacional de autor", segundo a definição do responsável pela cozinha, António Runa, antigo Chef do LA Caffé Avenida, cujos proprietários gerem também este Darwin’s Café. Na actual carta de almoço constam 32 pratos, sem distinções entre entradas e principais. Cremes, saladas, gnoccis, folhados, risottos, massas, pratos de carne (6) e de peixe (4). Ao jantar os preços são ligeiramente mais elevados e há mais pratos elaborados (ainda que se mantenham alguns do almoço).

Começámos pelos cremes: simples e agradável o de bacalhau com lascas de parmesão; menos interessante, pelo excesso de acidez, o de tomate com pasta de azeitonas pretas e anchovas (esta aposta pode ser interessante nos próximos tempos quando o tomate de época, bem maduro, for abundante).

Nos pratos principais os escalopes de tamboril panados sobre legumes salteados não convenceram. Embora de polme razoável e ponto correcto, não me parece que o tamboril seja a melhor solução para este tipo de fritura, dada a textura demasiado firme. Os legumes, em juliana, pareciam mais cozidos do que salteados, ainda assim melhores de sabor do que dava a entender a sua cor desmaiada.

O segundo prato principal, o risotto preto com pato confitado e mozzarella, era agradável no palato, apesar da apresentação de susto (apenas se vislumbrava um volume de arroz preto cremoso e uma haste de endro). O pato está lá, desfiado, ainda que não se veja e a ligação do arroz com o queijo mozzarella e manteiga (presumo) acaba por ser mais leve do que aparenta. O que não entendo é a razão deste prato. Se o arroz preto, devido à tinta de choco, não resulta em termos de apresentação e se o seu sabor quase não se sente (e ainda bem pois não parece que choco e pato resultem em conjunto) então porquê esta solução? Para ser diferente?

A sobremesa acabou por ser o melhor momento da refeição: um leve e equilibrado pudim de pão, com molho de goji e molho de café.

No que se refere a vinhos a carta não sendo extensa tem por onde escolher. Os preços são os habituais em Portugal (a tender para o carote), os copos, adequados e o vinho escolhido, o Quinta do Cidrô Sauvignon blanc, 2009, foi servido na temperatura correcta.

No serviço, notou-se alguma descoordenação, o que se aceita, dado estarem ainda em fase inicial e, também porque os empregados são correctos no atendimento.

A juntar aos quatro factores que surpreenderam gostaria de poder ter enunciado um quinto, a comida. Infelizmente neste campo, pela experiência, os argumentos são apenas razoáveis. No entanto vale a pena a visita. O espaço é fantástico e ainda assim a relação preço qualidade (pelo menos ao almoço) acaba por não ser excessiva.

 

 escalopes de tamboril panados sobre legumes salteados

 

 risotto preto com pato confitado e mozzarella

 

pudim de pão, com molho de goji e molho de café
 

(preço médio para refeição completa de entrada prato e sobremesa e bebida: 20/25€, almoço; 30/40€, ao jantar. Pela refeição descrita, com mais uma água e dois cafés pagou-se: 63€, 2 pessoas)

 

Contactos: Avenida de Brasília, ala B - Fundação Champalimaud, Lisboa; Tel: 21 048 02 22; www.darwincafe.com 

 

Texto publicado originalmente nas páginas do Outlook do Diário Económico, em 3 de Junho de 2011

 

 

 

 

 

 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:04

Pág. 1/2



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

PUB


Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Siga-nos no facebook


Mesa Marcada no Twitter


Confira os premiados e as listas...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Pub





Calendário

Junho 2011

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930

Comentários recentes

  • Miguel Pires

    Oops, já corrigido. Agradeço o reparo.

  • Martinho Cruz

    Tudo bem. Vega “Cecília” é que me ultrapassa.....

  • Anónimo

    Esta é uma boa notícia para esta altura do Natal.....

  • Duarte Calvão

    Acho, João Faria, que coloca a questão nos termos ...

  • João Faria

    É verdade que, infelizmente, a mudança ocorrida na...


subscrever feeds