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Pub (quase) Grátis. E ultraperiférica.

por Miguel Pires, em 16.11.11

Não rima com Alberto João mas em compensação é "saborosa e de fácil digestão", refere o press release sobre a campanha que a marca Banana da Madeira lança este mês.  “Este é um conceito forte e foneticamente apelativo (fica no ouvido), que gera curiosidade à volta das propriedades e valores desta banana na medida em que todas as peças de comunicação se focam no que a Banana da Madeira tem de especial.”, explica Jorge Dias, Director-Geral da GESBA / Banana da Madeira, no comunicado. 

 

 


Cientes de que um investimento como este em relação à Madeira é um assunto  sensível no continente, o comunicado presta-se a esclarecer o âmbito da campanha, num tom, diria eu, de complexidade multivitaminado:

 

Em resposta ao concurso público n.º1 GESBA/2011 para a aquisição de bens e serviços para a execução do projecto de promoção e informação do símbolo gráfico das Regiões Ultraperiféricas (RUP) associado à Banana da Madeira, a equipa da Brandia Central desenvolveu um projecto sólido e adequado ao caderno de encargos, tendo como principal objectivo optimizar os recursos disponíveis.”, acrescenta um responsável da agência responsável pelo projecto.

 

Este é um projecto transnacional, que envolve, além da GESBA, a ASPROCAN e UGBPAN, com o objectivo de promover, no âmbito do projecto de divulgação e Informação do símbolo gráfico das Regiões Ultraperiféricas (RUP), as bananas produzidas nas regiões ultraperiféricas de Portugal (Madeira), Espanha (Canárias) e França (Guadalupe e Martinica)”, refere por último Jorge Dias, Director-Geral da GESBA / Banana da Madeira.

 

Hã?! ASPROquê? UGBquê? sinto-me um bocado banana. Importa-se de repetir?

 

P.S. Coincidência ou não, o comunicado é emitido sensivelmente à mesma hora em que 'amigo' cubano, Vítor Gaspar, anunciava em conferência de imprensa, a meias com os membros da troika, que Portugal acabara de assegurar a terceira tranche do empréstimo Eurogrupo/FMI, no valor de 8 mil milhões de euros.  

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publicado às 16:34

Guia Michelin mais "generoso" este ano?

por Duarte Calvão, em 16.11.11

 

Acaba de ser anunciado que a Osteria Francescana, do chefe Massimo Bottura (na foto), em Modena, é o novo três estrelas Michelin no Guia Itália 2012. Uma distinção que, como diz o outro, “só peca por tardia”, como me pareceu neste artigo que escrevi para o Fugas, no jornal Público, e publiquei aqui como post. Aliás, já era o quarto classificado na lista do “50 Melhores do Mundo” , segundo o júri da revista Restaurant. Parece assim confirmar-se uma certa “generosidade” da Michelin neste ano, já mostrada no guia para a Alemanha, que deu três estrelas ao La Vie, em Onasbruck, do chefe Thomas Bunher, e quatro novos restaurantes com duas estrelas. A Alemanha, pasme-se, é o país europeu com maior número de três estrelas, só perdendo para os 25 de França e acima dos seis espanhóis (com o encerramento do El Bulli).
Vamos ver se, quando for anunciado, no dia 24 deste mês, em Barcelona, o Michelin Espanha & Portugal, continuará a ser generoso, premiando, finalmente, com três estrelas restaurantes espantosos como o Mugaritz, em San Sebastian, do chefe Andoni Luiz Aduriz, e o Quique Dacosta, do chefe de mesmo nome, em Denia.
Quanto a nós, gente geralmente bem informada diz-me que uma primeira para o Panorama, do chefe Leonel Pereira, no Sheraton Lisboa estará ao alcance. Eu acrescento que uma segunda, para a Fortaleza do Guincho, do chefe Vincent Farges, e uma terceira para o Villa Joya, em Albufeira, do chefe Dieter Koschina, seriam mais do que justas. Outras pessoas bem informadas dizem-me que terá havido uma mudança de política na Michelin, agora mais atenta às características de cada país e menos “francesa”, poderá beneficiar alguns restaurantes portugueses de cariz mais tradicional. Tomara que sim.
A tal não será alheia a substituição, há cerca de um ano, do francês Jean-Luc Naret como director dos guias pelo norte-americano Michael Ellis. Conheci Naret recém-empossado, há um bom par de anos, numa iniciativa da Michelin em Estocolmo e correspondia quase caricaturalmente à imagem do francês arrogante e malcriado. Lembro-me que quando reclamei do facto de a equipa de inspectores que cobria Portugal não incluir um único português, ao contrário do que a Michelin anunciava ser a sua política de ter sempre inspectores dos países que abrangia, ter-me respondido que estava mais interessado na expansão nos EUA, Japão, China e outros grandes mercados do que com “problemas” em países como Portugal…

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publicado às 16:29

No Next de Grant Achatz, por Rui Abecassis

por Miguel Pires, em 16.11.11
Um dia após Grant Achatz ver o Guia Michelin de Chicago manter o seu restaurante Alinea como o único na cidade com direito a 3 estrelas, publicamos um texto de Rui Abecassis sobre a sua experiência, em Abril passado, no Next, o mais recente projecto de Achatz.
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          A reserva

Chicago num dia de Primavera, depois de 6 horas numa prova de vinhos, uma recompensa. Chega por e-mail a confirmação de 2 lugares para jantar no novo restaurante Next, 9h15 da noite. Digo recompensa porque é como conseguir lugar para um concerto do Bono, só para 60 pessoas, que está esgotado. O Next não faz reservas, tem um sistema inovador de venda de bilhetes, como se fosse um concerto ou um jogo de futebol. No dia do lançamento os 60 lugares esgotaram por 6 meses, em segundos. Parte desses bilhetes passaram para o Ebay, onde podem comprar-se por 3/6/9 vezes o valor original. A página deles diz apenas “We are currently sold out”, prometendo enviar um e-mail assim que seja possível uma nova oferta de bilhetes. Na prática cobram hoje para a promessa de dar-nos de jantar e divertir-nos (restaurantes como este são entertainment) numa data futura, escolhida pelo cliente.
Os bilhetes têm outra novidade, o preço varia de acordo com a procura estimada. O Next abre de quarta-feira a domingo, ou seja, numa quarta-feira às 6h da tarde o jantar custa 45 dólares por pessoa, o mesmíssimo menu para sábado às 8h30 custa 80 dólares, o que permite preços adaptados a cada carteira e que muito mais gente tenha acesso ao Next (+bebidas, impostos, gorjeta). A mensagem é que o luxo não tem que ser inacessível. É claro que os donos, a dupla Chef Achatz (pronuncia-se Akatz) e o restaurateur Kokonas (pronuncia-se como se pronuncia!), não são novos no negócio da restauração e sabiam de antemão que o Next atrairia hordas de clientes e a atenção da imprensa nosUSA e do mundo (afinal este artigo é prova disso).
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Recuemos 1, 3, 6, 105 anos:
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Para entender melhor temos de recuar um ano na história que une o Chef Achatz e o financeiro Kokonas. Em 2010 o restaurante Alinea, em Chicago, foi considerado o melhor restaurante da América do Norte, um dos melhores do mundo (o 6 na lista Pellegrini, dos 50 melhores do mundo) e recebeu 3 estrelas Michelin, a classificação máxima reconhecida a um restaurante pelos inspectores do Guia Michelin, que em 2010 lancou o primeiro Guia de Chicago. Em 2008, a revista New Yorker escreveu sobre o Chef Achatz um longo e comovente artigo, intitulado “Um homem de Gosto- um chefe com cancro, determinado a salvar a sua língua” (A Man of Taste - A chef with cancer fights to save his tongue), sobre a originalidade da sua cozinha, mas sobretudo sobre a coragem e a atitude com que combateu um cancro na língua, que o deixou sem sensibilidade e sem poder provar.
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What to do next:
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O que fazer depois do reconhecimento avassalador ao Alinea que chegou em 2010. Pedidos de reservas de clientes do Brasil, dos USA, da Alemanha, do Canadá, do Japão, do México, para além da cidade de Chicago que, sozinha, chega e sobeja para fazer um restaurante funcionar. What to do next? Era a pergunta que incomodava e divertia Kokonas e Achatz.
O Next, como restaurante, parece o irmão mais novo do Alinea, mas com mais sentido de humor, tem estados de alma, farta-se de ser uma coisa e muda de figurino. Agora, e por mais 2 meses, o menu tem o título de “Ritz, Paris 1906”, depois fará cozinha de inspiração asiática. No Outono, tem previsto um “menu vertical” inspirado no famoso El Bulli, agendado para depois do fecho, este Verão, do celebrado restaurante catalão. Uma homenagem a Ferran Adriá, um prato por cada ano de 2011-2001. Depois farão o que lhes apetecer.
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Recuemos agora 105 anos (este artigo vai de marcha-atrás):
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O menu diz simplesmente “Next - Paris 1906”, época que não vivi, mas de que tenho uma ideia. Paris cidade das luzes, da burguesia endinheirada, da modernidade artística (do primeiro marchant moderno Ambroise Voullard – que lançou vários artistas que seguem nos tops de vendas no século XXI- Renoir, Cézanne, Picasso, Van Gogh), dos americanos e argentinos ricos, dos grandes hotéis e restaurantes como centros da vida social. Em 1906 um tal César Ritz (que as marcas não nascem do nada) abre o Hotel Ritz e convida o cozinheiro Auguste Escoffier para chef-iar o restaurante do hotel. Os dois marcaram a Belle Époque e de caminho lançaram as fundações da culinária moderna com a publicação do livro Le Guide Culinaire. O Next - nome que projecta para o futuro - escolhe abrir a olhar para trás. Como se fosse um museu, faz uma reprospectiva/tributo ao Chef Escoffier, em que muito subliminarmente o restaurateur Kokonas faz de César Ritz e o Chef Achatz faz de Escoffier. Uma megalomaniazinha perdoável, porque só dura por 3 meses!
Este restaurante é uma operação militar em silêncio. Tudo está desenhado, tudo foi pensado para ser funcional, eficiente e bom. A cozinha aberta ao fundo da sala de jantar é a torre de controlo. A sala não é temática, ou seja, não reproduz a época, é o que me dizem ser um “um casco vazio” (empty vessel), o mais neutra possível para servir os diferentes conceitos gastronómicos que o Next tem planeados. Desilude, é fria e cinzenta, parecida com a do Alinea. O serviço desliza, os managers têm daqueles fatos fininhos elegantíssimos, que nos fazem sentir que talvez estejamos mal ataviados para a circunstância. Sabiam que vinha para escrever mas não tenho a sensação que me deram serviço especial.
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O jantar
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 Foto: Christian Seel

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Isto de escrever sobre o jantar não me dá nem o talento, nem a lata. À pergunta, num género culinário bastante simples, “a que sabe uma maçã?” bloqueio, disfarço e acabo por responder “reineta ou das verdes?”. O que sei dizer é que não gosto de grandes cerimoniais, nem que me expliquem o prato com mais de quatro ou cinco palavras. Ou seja, carne estufada com cogumelos selvagens, está tudo bem, tudo o que siga daí para a frente, infantiliza-me, aborrece-me e sobretudo arrefece o prato. Vê-se que apesar do rigor do serviço, fazem um esforco de informalidade, não querem que o jantar, que é transportador, seja experiência formal e intimidante.
Se já lhe aconteceu vaguear na área de “artes decorativas” de um grande museu, vai entender o menu. A expressão “à grande e à francesa” ganha subitamente peso, consistência e sabor. Esta cozinha, preparada diariamente pelo genial Chefe David Berran, de apenas 29 anos, vai ter, aposto, poucas críticas negativas. Pertence a uma memória colectiva, de produtos cozinhados pelas nossas avós, arranjados de forma clássica e que apelam a uma maioria silenciosa, que não provou e que não gosta de modernices. Estamos em terreno confortável, linguado, frango, cordeiro, batatinha gratinada, salada, gelado e pastelaria - para usar expressão da época - fina! 8 pratos que não são nem pequenos, nem grandes. Não é uma refeiçao leve, mas também não é pesada.

Visita às cozinhas

Outro momento alto nestas coisas é a visita às cozinhas. Gosto sempre de ver onde e quem produziu o jantar. No Next e no Aviary - o bar de cocktails contíguo – trabalham 70 pessoas, todos muito novos, entre os 20 e os 25 anos. Já tarde para Chicago, 11h15 da noite, a cozinha está a ser limpa para o dia seguinte. Lá em baixo, trabalha Micah o“Ice man” cuja responsabilidade é preparar os 18 tipos de gelo que são servidos no bar Aviary e no Next!
Há restaurantes, mesmo os muito bons e famosos, a que não quero, ou por outra, não faço questão, de voltar. Ao Next procurarei vir para seguir os próximos menus e viajar com eles a épocas e lugares que já não existem. Se tiver a sorte de lá voltar, claro.
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Para ver fotos sobre este menu: aqui. Entretanto foi hoje lançado uma aplicação para ipad e iphone sobre este tema e todo o processo que está por detrás da concepção do menu (ver mais aqui
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Sobre o autor deste texto: 
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Rui Abecassis, 41 anos, viajava de pequeno entre a cozinha da avó grega e da avó alemã. Viveu 12 anos fora, no Chile, na Argentina e esteve 6 anos em Nova Iorque onde fundou recentemente a OBRIGADO-Vinhos Portugal, que importa e distribui vinhos portugueses. Rui publica ocasionalmente artigos sobre os restaurantes de Nova Iorque na revista Wine. Tem o curso de Restaurant Managment pelo FCI- French Culinary Institute de NY, gosta de comer, da companhia e refúgio que encontra nos restaurantes onde o trabalho ou a sorte o levam. 

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publicado às 01:55


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Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

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