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Há tantas refeições e tantas ocasiões...

por Paulina Mata, em 17.11.11

Levei anos a ouvir falar no restaurante londrino St John, ouvi algumas referências entusiasmadas, li muitas. Era quase mítico. Em 2009 ganhou a primeira estrela Michelin e dizia-se "finalmente", desde 2003 que não sai da lista dos 50 melhores restaurantes do mundo.

Sabia que era num mercado de carne (Smithfield), que a filosofia era: se se mata um animal, então devemos respeitá-lo e comê-lo de uma ponta à outra. O famoso conceito ‘nose to tail’ do Fergus Henderson. Há cerca de um ano e meio fui ao St John jantar, um espaço grande, quase cheio, ruidoso. Em termos de decoração, uma sala (um armazém) pintada de branco, mobiliário sólido e simples. Não me lembro de mais nada a não ser uns letreiros na parede a dizer para não se usarem telemóveis (a única coisa nas paredes). Cozinha à vista, não particularmente glamorosa, os fios eléctrico que passavam pelo tecto da cozinha aos molhos.
Deu também para perceber que as pessoas do mundo das artes e da cultura de Londres eram frequentadores.

O jantar foi agradável, nada de muito bom, antes pelo contrário - algumas coisas fraquinhas. Tudo bem! Mas o que me deixou baralhada foi:
1 estrela Michelin
8 anos seguidos nos melhores restaurantes do mundo

Os critérios para estas coisas são vagos, percebo pouco de estrelas Michelin, mas sempre ouvi falar de um grau de exigência razoável. Fiquei mais que baralhada. Seria uma refeição que, assim que saísse a porta, esqueceria, de tão banal. Só me andou na cabeça porque gostava de ver o restaurante por um ângulo que me permitisse compreender estas distinções.


O Fergus Henderson era arquitecto, em 1994 abriu o restaurante com um conceito referido por muitos como um conceito que "push the boundaries". Referido por outros como o templo da gastronomia britânica. Considerado por alguns, nomeadamente o Anthony Bourdain no livro Medium Raw, como um herói que influenciou cozinheiros em todo o mundo. Imagino que dando a liberdade de servir partes dos animais impensáveis até então. Um restaurante muito "terra a terra", o que pode ser até intrigante para quem chega pela primeira vez. E de certa forma me deixou desconcertada... mas, de facto, a razão principal para isso foi mesmo a comida que achei em geral com um nível de qualidade não muito elevado.


Quase um ano depois voltei... não ao St. John, mas a um outro restaurante do grupo, com características e objectivos diferentes - refeições mais simples, preços numa gama mais baixa. Acho que o que me motivou a ir foi, em grande parte, ter mais dados para tentar compreender o fenómeno.

Um dia extremamente desagradável... chuva e mais chuva, um frio de enregelar os ossos... roupa pouco adequada (era Junho...). Depois de uma volta pelo mercado de Brick Lane, e a caminho do de Spitalfields, ao atravessar a Commercial St. dei comigo quase em frente do St. John Bread & Wine e, impulsivamente, entrei.

Uma sala branca, os cabos eléctricos à vista no tecto da cozinha e da sala, os quadros pretos com as sugestões. A padaria, com as máquinas e os fornos, os azulejos brancos, sem qualquer tentativa de "embelezamento". Era confortável, e mais, sou obrigada a reconhecer que tinha uma certa sofisticação, que lhe advinha precisamente da pouca sofisticação...

(foto DAQUI)


Uma sala cheia, consegui uma mesa encostada à parede frente à padaria. Estava quente, ouvia-se o barulho característico de um restaurante onde as pessoas se sentem bem. Comecei a sentir-me confortável e a olhar à volta... de certa forma entendi o encanto daquele ambiente muito "terra a terra". O pão no balcão da padaria, um pão com um ar muito rústico, que me fez crescer água na boca.

Os empregados pouco sorridentes, quase que pouco amigáveis - apenas correctos e eficientes. Uma atitude muito característica! Os copos de vinho que são iguais aos de água, e nem copos de vinho são... O vinho quente demais. Exactamente como tinha acontecido um ano antes no St John... Imagens de marca também?

Mas apesar de tudo estava a sentir-me bem ali. E com aquele pão rústico, denso, saboroso... seria difícil não me sentir bem...

 

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publicado às 23:42

Noites estreladas na Fortaleza do Guincho

por Duarte Calvão, em 17.11.11

 

Isto não para. E tudo propostas irrecusáveis. Amanhã e no sábado, expectativas elevadíssimas para os jantares da Rota das Estrelas, iniciativa anual que se realiza pela terceira vez consecutiva em restaurantes portugueses distinguidos com estrelas Michelin, que vão decorrer na Fortaleza do Guincho. O chefe Vincent Farges (na foto) vai receber o austríaco Hans Neuner, que vem de Porches, no Algarve, onde detém uma estrela no Ocean, restaurante do hotel Vila Vita Parc, e dois compatriotas, Jean-Luc Ortu e Sébastien Broda, ambos vindos de Cannes. O primeiro, uma espécie de guru para Vincent Farges, tem longa experiência e trabalha actualmente no Les Jeux 1929, restaurante do Palm Beach Casino, o segundo, mais jovem, no Park 45, no Grand Hôtel. Tudo começa às 20h, com caviar, champagne, presunto espanhol cortado por um grande especialista do país vizinho (dizem, que se pode comparar a espessura das fatias com folhas de papel...) e muito mais. Depois, vai-se para a mesa, onde desfilam dois menus, ambos com base em produtos portugueses. Não é barato, 130 euros, mas tem bebidas incluídas e 20% da conta reverte para a Associação "Operação Nariz Vermelho", que ajuda crianças hospitalizadas.

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publicado às 16:55

Ljubomir pelos caminhos de Portugal

por Duarte Calvão, em 17.11.11

 

Ele viu tanta coisa linda, tanta coisa sem igual.. É verdade, o nosso bósnio-sérvio-jugoslavo-alfacinha preferido, Ljubomir Stanisic, lança hoje o seu livro "Papa-quilómetros - Uma caminhada pela gastronomia portuguesa", editora Casa das Letras, onde promete 10 capítulos correspondentes a 10 localidades portuguesas, 5764 quilómetros percorridos e 80 receitas, entre muitas outras coisas. São 320 páginas ao preço de 25 euros. Como andei a ler o guia do Pires, ainda só tive tempo para folhear o livro rapidamente, mas com texto e produção da nossa amiga Mónica Franco, só pode sair coisa boa. O projecto gráfico de Mário Belém, as fotografias de Constantino Leite e as ilustrações de Hugo Martins, está tudo de excelente nível. O lançamento é às 18.30h, no restaurante 100 Maneiras Nacional, no Clube Nacional de Natação, na Rua de São Bento, 209, em Lisboa. 

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publicado às 08:51


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