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Restaurante Largo do Paço – Casa da Calçada

por Miguel Pires, em 23.05.12

Para lá do Marão criam os que lá estão

 

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De pouco vale marcar mesa com nome falso se quem nos acompanha é reconhecido mal nos sentamos. “Senhor Duarte C., como está?”, cumprimenta o Chefe de sala. Vem a primeira saudação do chefe, a segunda e uma terceira, “que o chefe hoje está um mãos largas”. Quero crer que apenas esta última, uma belíssima ostra glaceada com xerez Pedro Ximenez, puré de couve flor e caviar, não foi oferecida a outros comensais que nesse dia passaram pelo restaurante. Ainda assim não tenho a certeza. Também não posso assegurar com total segurança que o impecável serviço decorra sempre com a simpatia e profissionalismo que nos dedicaram - embora desconfie que sim. De resto não me parece que o Chef tenha tirado um curso de cozinha em 15 minutos para poder melhorar o seu desempenho. Ainda assim queira o leitor dar o devido desconto, se assim o entender.

        

Lá vai o tempo em que as curvas do Marão dissuadiam quem queria deslocar-se com rapidez. Ir do Porto a Amarante almoçar e voltar requeria uma boa dose de tempo e de paciência. As contas do país podem estar pelas ruas da amargura mas valham-nos as auto-estradas que nos permitem que o tempo se perca, ou melhor, se ganhe, à mesa e não no caminho - vindo do Porto, a viagem resolve-se pela A4, em cerca de três quartos de hora.

 

 

A Casa da Calçada é um antigo palácio do Sec XV e, na era actual, existe enquanto hotel de charme, desde 2001. O seu imponente edifício amarelo, em frente ao Tâmega, destaca-se dos demais e, juntamente com a ponte, o rio e a sua envolvente, bem como o edificado do centro histórico, marcam a paisagem da cidade. Este antigo Palácio dos Condes de Redondo acolhe desde há vários anos o único restaurante com uma estrela Michelin no interior do país e fora de uma grande cidade. José Cordeiro (que hoje ostenta o mesmo galardão, no Feitoria, em Lisboa) foi o primeiro a obtê-la. Depois, Ricardo Costa (hoje no The Yeatman, também com uma estrela), reconquistou-a e, Vítor Matos, o actual, manteve e reconfirmou o galardão.

 

Vítor Matos nasceu na Suíça onde completou os seus estudos na área. Em Portugal, desde 1996, esteve sempre em projectos ligados à hotelaria e, com excepção do Tiara Park, no Porto (2005 – 2010), trabalhou sempre em localidades nortenhas do interior: Estalagem Quinta do Paço, Vila Real (1998 - 2001); Grande Hotel da Cúria (2001-2002); Grande Hotel das Caldas da Figueira (2002-2004); Vidago Palace (2004) e Quinta do Pendão, S. Pedro do Sul (2004-2005). Se por um lado, o seu percurso enquanto Chef e as origens familiares (Vila Real) estão patentes no papel que a gastronomia regional assume na sua cozinha, por outro lado, verifica-se também uma influência da sua formação de técnica francesa e o contacto com produtos de outras proveniências.

 

A carta da Largo do Paço é variada e agrupa-se por menus de degustação, sendo que qualquer uma das propostas pode ser pedida individualmente. O

Menu Charme é composto por 7 pratos (70€), o Carácter, por 8 pratos (90€) e o imperial, que inclui iguarias top como caviar, lavagante e pombo ‘royal’ , por  11 pratos (110€). Há ainda um menu vegetariano (ovo-lacto) de 6 pratos (50€) e um menu Infantil (25€).

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publicado às 10:50


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