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Modernist Cuisine at Home

por Paulina Mata, em 31.05.12

Nathan Myhrvold , o homem que idealizou e que, com uma equipa de cerca de 20 pessoas, escreveu o Modernist Cuisine, anunciou há dois dias que a 8 de Outubro sairá o Modernist Cuisine at Home cujos autores são o próprio Nathan Myhrvold e Maxime Bilet.

 

 

Apesar de manter o nome do livro anterior, não é uma versão reduzida do mesmo, é um livro completamente novo em que os temas a abordar serão mais adaptados aos interesses de quem cozinha em casa e as técnicas adaptadas aos recursos existentes numa cozinha doméstica. O livro inclui também 406 receitas, diferentes das do Modernist Cuisine.

 

O Modernist Cuisine é um livro fundamental para quem se interessa a sério por cozinha. A curiosidade é já muita relativamente a este!

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publicado às 23:06

Nestas coisas das cozinhas e das comidas, já passei por muitas fases... A sorte é que todas me têm dado muito prazer e conhecimento... Há uns 15 anos comecei a ficar um pouco farta do pão que comprava. Decidi experimentar fazer. Com boa vontade (muito boa vontade)  o pão que fazia era razoável... mas era o meu! O que valia, é que era cada vez mais razoável, e depois até bom (ao excelente, ainda não cheguei). Houve uma época em que fazia todo o pão que comia em casa. Nessa fase o objectivo era ter um pão cada vez mais interessante. Assim, decidi ter no frigorífico um frasco de massa azeda (sourdough). O pão ficava com mais personalidade e conservava-se mais tempo devido à acidez da massa.

 

 

Mas a massa azeda dá trabalho. Ou fazia pão e a usava e alimentava, ou tinha que deitar fora regularmente parte da massa e alimentá-la. Uma das minhas amigas um dia até disse: "Já percebi. Isso é o teu animal de estimação!". E era mais ou menos isso, era preciso cuidar das minhas bactérias e leveduras. Uns animaizinhos de estimação que compensam o trabalho que temos com eles - dão um pão bem melhor. E às vezes até eram divertidos, lembro-me uma vez que pus uma tigela com uvas no frigorífico... devem ter recebido a visita das primas que vinham nas uvas e aquilo era uma alegria, tudo borbulhava. Cuidei razoavelmente dos meus bichinhos uns dois ou três anos. Depois, fui de férias, entrei numa fase em que fazia menos pão, e um dia dei com a minha massa azeda com um aspecto avermelhado e deitei pelo cano.

 

Recentemente comecei a voltar ao pão. E anda-me a apetecer fazer massa azeda. Tenho pensado nisso, já pus a hipótese de começar breve, ou depois das férias para lhe poder dar mais atenção. Ainda não decidi. Mas andando neste dilema, foi com um misto de ternura e divertimento que li o post The sourdough hotel: a cultural centre do blog Word of Mouth. Um hotel para deixar a massa azeda quando se vai de férias! Diverti-me a ler o post e diverti-me ainda muito mais a ler os comentários do leitores! Como é que uma coisa destas pode causar tanta irritação a alguma pessoas??!!

 

 

 http://www.urbandeli.org/bageriet/

 

300 coroas suecas (33,4 euros) para nos cuidarem dos bichinhos uma semana, é um pouco demais, até porque os bichinhos ficam bem sozinhos uma semana e até muito mais. Mas também é verdade que se a coisa dá para o torto é chato! Uma boa massa azeda, com muitos anos (e há-as com décadas!), é valiosa, sobretudo porque é a personalidade do nosso pão. Pensar nos bichinhos sozinhos pode mesmo estragar umas férias, como refere um dos leitores do Word of Mouth: “I had a fairly hair-raising holiday last summer worrying that my brother in law might not keep our starter alive. Thankfully he did, but looked awfully relieved to give it back afterwards. He said he had not had any idea what kind of responsibility he was taking on.”

 

Tudo isto me fez tomar uma decisão importante! Vou mesmo começar breve a minha massa azeda, e vou mantê-la viva muitos anos! É que não é só ter uns bichinhos de estimação, não é só um bom pão, é quase uma forma de estar na vida. E a época em que vivemos exige que repensemos a nossa forma de viver e os nossos valores,  e eventualmente os mudemos.

 

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publicado às 18:16

Um imenso Vesúvio

por Miguel Pires, em 31.05.12

 

"Imaginem, se puderem, uma vinha contendo entre os seus muros sete montes e trinta vales!". Esta frase atribuida ao Visconde de Vila Maior e citada por Manuel Carvalho no seu livro, 'Terras de Xisto' (Editora Pedra da Lua) ilustra a dimensão da Quinta do Vesúvio há mais de 100 anos. Esta quinta, no Douro Superior, é uma das mais emblemáticas da região e fez parte do vasto património da Dona Antónia Ferreira. Desde 1989 que está nas mãos da familia Symington, grupo ligado ao Vinho do Porto (Graham's, Warre's, Dow's... you name it!) que tem vindo a efectuar importantes trabalhos de renovação . Até 2007 as uvas da quinta destinavam-se apenas à produção de Porto Vintage mas a partir de 2007 passaram também a dar origem de dois vinhos de mesa, o topo de gama Quinta do Vesúvio e, num patamar abaixo, o Pombal do Vesúvio.

 

 

O lançamento da colheita de 2009 do Quinta do Vesúvio foi o pretexto para juntar um grupo de jornalistas neste espantoso local que apenas conhecia de imagens do filme Vale Abraão de Manoel de Oliveira. Das três visitas que fiz nos últimos tempos ao Douro Superior (as anteriores foram à Quinta da Ervamoira, da Ramos Pinto e à Quinta da Leda, da Sogrape) deixaram-me sempre boquiaberto com a imensidão de toda aquela paisagem única moldada pelo homem e em perfeita comunhão com o rio. 

 

 

Com este cenário esmagador à frente o vinho até podia ser uma surrapa. Acontece que não é (também era só o que faltava!). Esta colheita, que estagiou 13 meses em barrica e da qual foram produzidas cerca de 24 000 garrafas, deu origem a um vinho elegante, equilibrado e de uma frescura digna de registo, tendo em conta que 2009 foi um ano muito quente e de seca - a empresa explica que tal só é possível devido às uvas que vêm de uma cota mais elevada (300 a 450 metros) e da exposição da vinha norte e noroeste o que a protege do sol inclemente que no Verão assola a região). Menos badalado do que outros troféus da região (incluindo o seu 'primo' Chrysea) este Quinta do Vesúvio está ao nível do que de melhor se produz no Douro. Talvez seja altura de lhe prestarem mais atenção. 

 

 

 

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publicado às 08:47


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Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

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