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Rioja e as adegas de vanguarda

por Rui Falcão, em 30.06.12

Em nenhuma outra região de Espanha surgiram tantas adegas de arquitectura arrojada e vanguardista como na Rioja, pólo de atracção magnética para quem quis mostrar ao mundo o aparente sucesso de uma região e de um modelo de negócio. Que algumas destas adegas revelem entretanto sérios problemas de liquidez financeira é coisa que ninguém quer ouvir…

Entre as adegas de desenho mais interessantes, seja pela simplicidade das linhas, pelo enquadramento paisagístico ou pelo arrojo das formas contam-se Finca de los Arandinos, Marquès de Riscal, Ysios e Darien.

 

 

 

Finca de los Arandinos, um dos produtores mais jovens da Rioja.

 

 

 

Bodegas Marquès de Riscal, onde tradição e vanguardismo se misturam de forma surreal.

 

 

 

Ao lado da adega o famoso Hotel Marquès de Riscal, da autoria de Frank Gehry, passou a ser um dos marcos da paisagem.

 

 

 
Ysios, a adega modelo de Calatrava foi a primeira adega de desenho da Rioja.
 
 

 

 

As curvas e as restas da cobertura, o enquadramento na paisagem com as montanhas na retaguarda fazem de Ysios uma das adegas mais bonitas que conheço. Claro que o custo energético é tremendo, que o espaço é pouco eficiente, que a disposição interior não é a mais racional. mas é tão bonita...

 

 

 

Ainda mais um detalhe desta extraordinária adega.

 

 

 

Bodegas Darien, do arquitecto espanhol Jesús Marino Pascual, uma obra prima a poucos quilómetros de Logroño.

 

 

 

Um OVNI que aterrou na Rioja, a loucura de Darien surpreende de todos os ângulos.

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publicado às 12:20

Da terra ao prato na Quinta do Poial

por Miguel Pires, em 28.06.12

No próximo domingo, 1 Julho, a Maria José Macedo organiza uma visita à sua Quinta do Poial, seguida de almoço. 
Diz a a Maria José não nos vai mandar à fava "porque a sua época terminou", mas que vamos poder observar “ao vivo” os produtos de época que há no Poial, participar na recolha e na sua confecção e terminar com um belo almoço orientado pelo chef japonês, Tomoaki Kanazawa, do restaurante Tomo. 

O grupo terá no máximo 20/25 pessoas e para saber mais informações (nomeadamente o preço) ou inscrever-se  envie um email para :quinta.poial@mail.telepac.pt 
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Para os mais desatentos a Maria José Macedo é uma das presenças constantes no Mercado Biológico do Príncipe Real e é a responsável por muitos dos incríveis vegetais e ervas aromáticas que comemos em criações, por exemplo, de Vincent Farges (Fortaleza do Guincho), José Avillez (Belcanto/Cantinho do Avillez), Alexandre Silva (Bocca), Diogo Noronha e Nuno Bergonse (Pedro e o Lobo), Tomoaki Kanazawa (Tomo), Henrique Mouro (Assinatura) ou no restaurante Buenos Aires.  
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Declaração de interesses: porque sou da opinião que um jornalista (ou equiparado) também pode ter as suas causas declaro que participo na organização deste evento e que ajudo a Maria José Macedo na gestão da sua página da Quinta do Poial, no Facebook (já agora podem tornar-se 'fãs' aqui). Em troca obtenho uma enorme satisfação, um molho de beterrabas, 1kg de batatas ratte e vitelotte, cebolinhas, curgetes e outros legumes de época. Informo ainda que aguardo com imensa expectativa o amadurecimento do tomate coração de boi. Amen. 

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publicado às 08:29

Cenas (dos bastidores) de um casamento

por Miguel Pires, em 26.06.12

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A igreja estava toda iluminada. No entanto a selecta audiência e o decor distinto daquele casamento pouco remetem para o ambiente popular da famosa canção do Trio Odemira. Se o momento do ‘sim’ deve ter dissipado a inquietação e algum nervosismo entre os presentes (ou pelo menos entre os noivos), numa outra sala, uma brigada de pessoas do catering da Parque da Penha aguarda ansiosamente a chegada dos convidados.

 

Os preparativos começaram uma semana antes com a elaboração do catering. Há que verificar todos os detalhes, da cozinha, à sala, passando pela recepção e animação. É preciso assegurar que nada falta e minimizar o imprevisto. Ao todo, no processo, estão envolvidas mais de setenta pessoas, divididas em equipas de cozinha, sala, decoração. Para a empresa este é um dos principais casamentos da temporada e é fundamental que tudo corra a preceito. Pelo número de convidados (350), pelas verbas que envolve, pelo nome da empresa. Há que satisfazer os noivos, mas é sabido que o sucesso e a continuidade deste negócio vive muito do ‘passa-a-palavra’ e nada como manter uma audiência de potenciais clientes satisfeitos.

 

Referimos que os preparativos começaram oito dias antes mas, na verdade, tudo se iniciou muito antes (nesta parte que queremos abordar), com a negociação dos menus e a escolha dos pratos. Estávamos no São Gião, de Pedro Nunes, em Moreira de Cónegos. Almoçávamos numa mesa perto da cozinha e, enquanto nos iam chegando várias das iguarias da carta, outras, diferentes, seguiam o trajecto em direcção à mesa do lado, servidas pelo próprio anfitrião. Quatro pessoas, três gerações diferentes, senhoras em larga maioria (três para um), apreciavam os pratos. Primeiro o aspecto, depois o sabor. Por fim, discutiam e decidiam. A curiosidade levou-nos a indagar sobre o que se passava ali. Não se tratava de um encontro tri-geracional de gastrónomos, mas sim uma prova da ementa de um casamento que se iria realizar dentro de meses. Devíamos ter adivinhado. Pelo sorriso aberto da cara feminina mais jovem (a noiva) e pelo ar reservado e circunspecto do senhor, já de alguma idade (com cara de quem deixava adivinhar que seria ele a assinar o cheque).

 

O São Gião é um recatado e elegante restaurante no meio do campo e, por isso, surpreendemo-nos ao encontrar, nas traseiras, 350 metros quadrados de cozinhas de preparação. Nas vésperas do casamento que vamos acompanhar várias cozinheiras -  das dez a doze pessoas que permitem que empresa possa responder a quatro cerimónias em simultâneo - confeccionam alguns dos aperitivos. A cozinha tem tudo o que é necessário para produzir em quantidade e conservar alimentos em condições: fornos convectores, azoto liquido para abatimento de temperatura, marmitas basculantes, máquinas de vácuo e, cá fora, quatro carros de frio e outros dois normais para transportar tudo em condições.

 

Pedro Nunes e Miguel Moreira (da Parque da Penha) trabalham juntos há mais de uma década mas o seu matrimónio empresarial é mais recente. Desta união de esforços surgiram novas valências, como o desenvolvimento e comercializarão de produtos gourmet, onde se inclui o segmento de distribuição e importação de vinhos nacionais e  representações para Portugal, como a dos champanhes H. Blin e Boërl & Kroff. A face mais vísivel desta união é a Casa Gourmet, com sede e loja em Guimarães.

Mas saltemos de novo para o dia do casamento e para os seus bastidores.

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Manhã de Sábado de inverno. O sol espreita de esguelha na apertada Rua da Vitória, em pleno centro histórico do Porto. Quem passa por esta rua e nunca entrou no Mosteiro de São Bento da Vitoria fica surpreso com grandeza que se esconde no interior daquela fachada discreta, um edifício do século XVI construído no local da antiga judiaria do Olival para servir os monges beneditinos. Nos claustros, cobertos em intervenção recente, alinham-se cadeiras e mesas atoalhadas de branco sobre uma enorme carpete bege. Há sofás e castiçais, caixotes com adereços e cadeiras empilhadas a aguardar colocação.

 

Faltam pouco mais de oito horas para o inicio do copo de água e, apesar de não aparentar, tudo parece estar sob controlo. Numa área interior foi montado um enorme espaço de cozinha e de copa. São 11.30h e centenas de talheres para polir e pratos e copos para limpar. Noutra zona aprovisionam-se e arrumam-se grades de aguas e refrigerantes, barris de cerveja e caixas de vinhos. Por volta das 14:00h, pausa para o almoço do pessoal – ainda que na sala há quem fique a armar o palco e a pista de dança.

 

Quando regressamos a meio da tarde já a cozinha funciona em linha de montagem. O menu principal é curto (entrada, prato e sobremesa) mas existe um sem número de aperitivos, mesa de queijos, frutas e iguarias para o ‘after party’ para preparar. Massa Filo com Galinha e Caril, Croquetas de Lagosta,

Lâminas de Batata, Polvo e Vinagrete, Ravioli de Salmão, Amêndoas e Tomate com Creme de Queijo, Pequena Açorda de Carne e Caça, Pequeno Copo de Cidra com Spaguetti de Espinafres, são alguns dos ‘snacks’ a servir.

 

Algumas destas iguarias chegaram do São Gião nessa manhã. Ficam a aguardar vez nos fornos convectores (a baixa temperatura permite que se mantenham quentes sem ressequir) enquanto outros, com o lombo de porco preto, cozinhados e acondicionados a vácuo, são finalizados no local. Acaba de chegar o bolo dos noivos. Pedem-se braços. A transposição para a sala tem de ser feita com rapidez, porque o carro está a impedir o trânsito, mas também com todo o cuidado. Nem queremos imaginar o que pode acontecer se aquele bolo de cem quilos distribuídos por três andares cai. São necessários quatro homens para o transportar para a sala dos claustros, por entre escadas apertadas, e vários obstáculos próprios de uma cozinha improvisada. A missão cumpre-se sem danos de maior. Há apenas uma ligeira brecha que será reparada mais tarde por Francisco Gomes, o Chefe pasteleiro da Colonial, de Barcelos, que é, também, responsável pela sobremesa principal: merengue seco de chocolate com shot de gelado de nata). 

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Às 17.30 todo os empregados de serviço são chamados à sala para o briefing final. É Miguel Moreira que inicia a conversa e as primeiras palavras são de motivação e de apelo à responsabilidade. Impõe regras. Fá-lo com autoridade mas com serenidade. “Nada de sorrisinhos entre colegas, nem pratos sujos esquecidos nas mesas”. “Atenção às temperaturas dos vinhos”, apela. Controla tudo com olhos de ver. “Ponha a gravatinha mais comprida se faz favor”, adverte a dado momento. Depois dá a palavra ao chefe de serviço, Augusto Marques, a quem cabe as indicações mais técnicas. Há quatro chefes de sala e cada um tem uma série de empregados responsáveis pelas mesas que lhe foram distribuídas.

 

Duas horas antes de chegarem os convidados a sala está completamente pronta. Na cozinha já prepara os quentes (aperitivos e pratos principais) enquanto os frios prosseguem na linha de montagem em dezenas e dezenas de pratinhos, copos de shot, taças, ardósias e colheres de servir. Faltam trinta minutos e embora reine um clima sereno nota-se uma certa tensão e ansiedade no ar. Dá-se um retoque aqui, outro ali e ajeitam-se as vestimentas. Uns aproveitam para consultar os telemóveis, outros para fumar um cigarro entre conversas de ocasião.

 

Os noivos já deram o nó  e os convidados começam a sair. É altura de um outro ‘sim’. Que se inicie o serviço. Primeiro os aperitivos, depois a entrada (Velouté de ervilhas com laminas de cogumelos e pata negra), o prato principal (tornedó de boi em carqueja e batatas recheadas com puré e cruton de bacon com molho bernaise), a sobremesa e o bolo dos noivos. Tudo parece correr de feição e, embora para muitos a noite ainda esteja longe de acabar, há já um certo ar de missão cumprida. Espera-se que a Mariana e o Gonçalo sejam felizes para sempre e que este tenha sido um dia especial. Para a equipa foi mais um casamento cumprido (aparentemente) com sucesso. Para a semana há mais. 

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Reportagem publicada originalmente na revista Wine nº68 (Março12)

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publicado às 08:15

 

Era suposto que o tema principal deste post fosse sobre vinhos. Na verdade foi com o intuito de mostrar a nova imagem e as colheitas mais recentes que João Portugal Ramos (JPR) recebeu na sede da empresa, em Estremoz, um grupo de convidados ligados aos meios digitais (jornalistas, bloggers, gestor de redes sociais, etc). Sem querer menosprezar a sua gama de vinhos vencedora - sim porque desde o Loios ao Marquês de Borba Reserva, passando pelos Vila Santa, JPR bate-se com qualquer outro produtor em termos de qualidade e competitividade. Mas o que quero mesmo aqui falar é sobre um vinho que felizmente correu mal e que nunca viu a luz do dia como tal.

 

Há uns bons anos, João Portugal Ramos seleccionou umas parcelas de vinha no Ribatejo (de arinto e fernão pires) para vindimar em Outubro e assim fazer um colheita tardia. No entanto resultado não foi satisfatório e por isso resolveu experimentar fazer um vinagre deixando-o envelhecer 8 anos em barricas de castanho e de carvalho. Saiu para o mercado em 2010, ano em que foi lançado, também, um azeite premium, ambos sob a marca Oliveira Ramos. Na altura não lhe dei grande atenção. Tinha em casa vários vinagres de produtores de vinhos e em nenhum deles notei algo digno de registo (porque haveria de ser este diferente?). Também confesso que  nessa altura andava muito virado para um balsâmico dos verdadeiros de Modena que me ia enchendo as medidas. 

 

Felizmente passou-me a febre dos balsâmicos, simplesmente porque findo o de ourivesaria não consegui suportar os sucedâneos com corantes caramelo que abundam por aí. Tinha (tenho) algumas amostras de diversos tipos de vinagre de xerez  que utilizava em algumas situações mas que não gostava, por exemplo, para temperar saladas. Por isso a pouco e pouco voltei ao vinagre de vinho nacional mas só agora, neste Oliveira Ramos, encontrei algo de admirável. É verdade que esse adjectivo, ou outro próximo, poderia ser aplicado aos Moura Alves, contudo estes têm um preço mais elevado (bastante mais, no caso do topo de gama).

 

O vinagre Oliveira Ramos tem 8º de acidez (os vinagres de vinho mais comuns têm à volta de 6º). No entanto a concentração e complexidade aromática dadas pelos anos em barrica transmitem uma sensação de acidez menor. Esse estágio confere-lhe, igualmente, notas balsâmicas e consegue-se percepcionar subtilmente o estilo de vinho que lhe deu origem. Alem do mais é versátil. Utilizo-o tanto para temperar saladas como em pratos cozinhados, quando necessário. É caso para dizer: perdeu-se aquilo que provavelmente viria a ser um banal de colheita tardia, para se ganhar um vinagre de excepção.  

(Oliveira Ramos - Vinagre de vinho DOP do Tejo; PVP: +/- 7€, 250ml)

 

 

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publicado às 08:46

 

 

Nuno Diniz e alunos da EHTL

 

Decorre desde ontem, e prossegue até amanhã, na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa - EHTL (Rua Saraiva de Carvalho nº 41), a "Capital de Sabores na EHTL". Trata-se de um projecto organizado pelos alunos do 3º Ano de Técnicas de Cozinha e Pastelaria e tem como objectivo, segundo os próprios "demonstrar o que se faz de melhor na actualidade dos nossos restaurantes". Para estes dias foram programadas demonstrações de cozinhas e palestras por vários chefes e, ainda, 3 jantares especiais realizados nas óptimas instalações da EHTL.

 

Ontem estive presente no primeiro jantar, o de Nuno Diniz, da York House. Hoje será a vez de Alexandre Silva do Bocca e, amanhã, Nuno Bergonse e Diogo Noronha do Pedro e o Lobo (a propósito esta dupla apresentou ontem ao almoço a sua interessante carta de Verão, sobre a qual darei conta num dos próximos posts).

 

 

pormenor da montagem do prato, "Vichyssoise con Bacalao en lâminas", de Arzak,

 

"Ombre et Lumière", de Michel Bras 

 

Gostei muito deste jantar e achei uma óptima e didática ideia (afinal estamos numa escola) que o Nuno Diniz tenha definido um menu com pratos de vários chefes de renome internacional, da "Vichyssoise con Bacalao en lâminas",  de Arzak, a "Ombre et Lumière", de Michel Bras; do "Pot-roast Loin of Pork, Raised Belly, Gratin of Truffled Macaroni" de Heston Blumenthal ao "Ananas à l’Huile d’Olive, Miel et Citron Vert" de Alain Passard.

 

O jantar confeccionado pelos alunos do 3º anos com a orientação de Nuno Diniz, foi muito agradável, com a grande parte das propostas confeccionadas com bom nível. Curiosamente a proposta que correu menos bem foi o do próprio chef da York House  com o seu "Todo o Coelho numa Bolonhesa, Pêra Rocha em Pickle" a sair prejudicado por um arroz um pouco espapaçado e demasiado cítrico. Estão portanto de parabéns a enorme equipa de cozinha da escola.  Ainda de salientar a correcção no serviço, a deixar adivinhar que temos também futuros bons profissionais de mesa a sair da EHTL. 

 

Aos organizadores deixo apenas uma sugestão para futuras edições. Não tenho dúvidas que os chefes convidados cumpriram (ou cumprirão) com os menus que definiram dois dos objectivos que traçados para este evento: "Potenciar novas experiências gastronómicas" e "Exploração de sabores". Contudo têm de puxar mais por eles (chefes) para cumprirem o terceiro: "Levar mais longe a riqueza do nosso património gastronómico". 


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publicado às 18:26

Ciências Gastronómicas com entrada livre

por Duarte Calvão, em 19.06.12

 

Amanhã e depois, entre as 10h e as 13h, no Centro de Artes Culinárias do Mercado de Santa Clara, em Lisboa, os alunos do mestrado em Ciências Gastronómicas, coordenado pela nossa "convidada especial" Profª Paulina Mata, dão entrada livre a quem quiser assistir à apresentação dos seus variados trabalhos finais, conforme programa acima. Vamos até lá, para aprender com eles.

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publicado às 17:38

Pub Grátis (Abre-te sésamo?)

por Miguel Pires, em 17.06.12

 

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publicado às 01:42

Neste Sábado há vinho no Marquês

por Miguel Pires, em 16.06.12

Realiza-se este Sábado (17h-23h) no Hotel Florida, ao Marquês de Pombal, Lisboa, o Summer Wine Market 2012. Organizado pela equipa de André Ribeirinho do site Adegga, este evento conta com a presença de 40 produtores de todo o país (ver lista aqui) e estarão à prova e para venda "a preços de evento" alguns dos melhores vinhos do país.  Eis uma boa oportunidade para fazer algo que habitualmente não é comum em eventos ligados ao vinho: provar e comprar - e presume-se que a tímida expressão "preços de evento", signifique aquilo que parece: a preços mais baixos. 

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publicado às 01:12

O Post que Anton Ego gostaria de ter escrito

por Miguel Pires, em 15.06.12

 

Lembram-se certamente do filme Ratatouille e da personagem, Anton Ego, o irascível e implacável critico que se desfaz num pranto perante o prato que dá nome ao filme e que o traz de volta às memórias de criança. Pois desconfio que ele gostaria de ter escrito este post. Mas não foi ele, foi mesmo a Isabel Lucas, jornalista de boa boca e talento para conjugar palavras. Raios, como gostaria de ter sido eu a escrevê-lo e assim tão bem. Como não fui consolo-me a roubar-lhe este pedaço e a foto do seu post. 

 

"A metafísica dos chocolates dizia-me pouco. Eu queria a comida que via fazer com demora, esmero, pôr a mão na massa dos rissóis que se recheavam de um creme feito de pescada que eu ajudava a desfiar; na massa dos bolos que pediam descanso para crescer, espécie de milagre a que queria assistir, levantando o pano de linho que a cobria durante algumas horas, como quem quer ver uma flor a abrir. Espreitava com o medo de violar uma intimidade.
Não gostava muito do soco na nuca do coelho, confesso, mas a partir do momento em que ele morria, ia-se a piedade e voluntariava-me para o ajudar na esfola. Não via a faca a passar pelo pescoço da galinha, mas gostava de olhar o sangue a escorrer para a taça de onde haveria de sair uma cabidela. A minha avó abria a ave e tirava-lhe pedaços de gordura amarela, a que chamava enxúdias, e que usava para temperar arrozes, enriquecer guisados e assados de carne. Dividia-a em pequenas porções e guardava-as do frigorífico. Eu ia-me deliciando com as canjas com ovos pequeninos, moelas cortadas e patas a que roía a cartilagem com toda a demora de quem não pensa no tempo." (ler este texto na íntegra, aqui)

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publicado às 13:00

O Guia Michelin vale a pena?

por Miguel Pires, em 14.06.12
Aproveito o post de Carlos Maribona sobre os restaurantes com estrelas Michelin em Portugal, bem como  a noticia que ele mesmo deu (e que o Duarte Calvão replicou no penúltimo post) sobre a mudança de director no guia para deixar um artigo meu publicado no Fugas, do jornal Público, em Dezembro passado. Entremeado entre o Natal e o fim de ano, este texto acabou por passar despercebido. Contudo parece-me oportuno publicá-lo aqui - até porque fala-se muito das estrelas do guia mas parece que ninguém (que eu tenha notado) deu a devida atenção ao seu conteúdo.
Para quem se interessa restaurantes sabe a importância e prestigio das estrelas Michelin. No entanto muito se fala destas distinções, mas pouco ou nada sobre o conteúdo do guia que as atribui - cujos restaurantes ‘estrelados’ são uma ínfima minoria, sobretudo no nosso país. Proponho então uma visita ao Guia Michelin referente a Portugal, um guia que se publica há mais de 100 anos e cuja edição 2012 foi recentemente lançada.

O guia vermelho, como também é conhecido, traz uma selecção de hotéis e de restaurantes, com indicações úteis e uma breve descrição de cada um. Os estabelecimentos estão divididos por localidades (de A a Z) e são-lhe atribuídas categorias (de “simples mas confortável” a “grande luxo”) e distinções: Bib Gourmand (“boa comida a preços moderados” – até 30€, sem vinhos), Bib Hotel (o equivalente, para hotéis) e as famosas estrelas (uma estrela significa “muito boa cozinha na sua categoria”; duas estrelas, “excelente cozinha, vale a pena fazer um desvio”; e três estrelas, “cozinha excepcional; esta mesa justifica a viagem”). 

Centremo-nos e nas escolhas para Portugal e em particular nos restaurantes – aquilo que deu fama ao guia e a verdadeira razão de compra do mesmo. Desta vez deixemos de lado também as estrelas (alvo de destaque no/na Fugas de 3 de Dezembro) para nos focarmos nas outras preferências dos inspectores, que embora menos polémicas, por não serem mediáticas, não são menos discutíveis.
 
A Michelin garante que todos os inspectores “são do país no qual trabalham”. Sendo a sede do grupo em Madrid quer dizer que estes são, pelo menos, do país vizinho. Ter alguém com uma visão de fora, mais distanciada, a avaliar os nossos restaurantes, até pode ser positivo, desde que essas pessoas conheçam o país, e as suas regiões, bem como a sua gastronomia, quer tradicional, quer actual. Ora no guia existem casos que levantam algumas dúvidas. Por exemplo: não deixa de ser estranho que dos 43 Bib Gourmand atribuídos nenhum seja do Porto; que Lisboa possua apenas 2 (Solar dos Nunes e D’Avis), quando há pelo menos uma dezena de concorrentes, tão bons ou melhores, dentro do género, como o Solar dos Presuntos, Tia Matilde, Salsa e Coentros, ou O Galito. Estes dois últimos não fazem sequer parte do guia, como não fazem, também, alguns locais de referência mais antigos como a Casa Aleixo (Porto); Pap’Açorda e Ramiro (Lisboa); São Rosas e Adega do Isaías (Estremoz). Ou mais recentes, como, o  Ferrugem (Famalicão), Shis e Sessenta Setenta (Porto), Spazio Buondi/O Nobre, Largo, Panorama, Alma e Tasca da Esquina (todos em Lisboa). O Panorama é ainda uma ausência mais inexplicável porque é claramente um restaurante de estrela, mas adiante.

Quanto às descrições, em geral são feitas de forma concisa e clara, embora alguns casos pareçam ter sido despejados no tradutor do Google. Exemplos:
“Restaurante assentado e bem consolidado” (Três Palmeiras, Albufeira); “Aconchegante ambiente e dependências de ar típico, com uma adequada montagem e um esplêndido chão empedrado” (Solar dos Nunes, Lisboa). Também há referências poéticas, como a do restaurante S. Gião, em Moreira de Cónegos: “o seu diáfano refeitório possui grandes vidrais com vistas sobre as montanhas” - mesmo que das janelas da agradável sala do restaurante de Pedro Nunes se vislumbre, acima de tudo, uma vinha e o campo de futebol do Moreirense.
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Em suma com mais ou menos polémica o Guia Michelin vale mais pelas estrelas que atribui do que pelo conteúdo global. Nesse sentido é preferível optar pela edição Espanha & Portugal (23.90€), do que pela versão apenas de Portugal (15€). Sempre são 152 restaurantes ‘estrelados’ para descobrir contra 12 da edição portuguesa. 

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publicado às 08:36

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