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Douro: e finalmente...

por Miguel Pires, em 30.09.13

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Casal dos Loivos tem uma das vistas mais impressionantes sobre o Douro, mesmo quando já vimos a paisagem fotografada deste ângulo, dezenas de vezes. Por acaso esta foi num local um mais afastado, na estrada para Provesende onde fui conhecer os vinhos e o turismo de habitação do Morgadio da Calçada, que esta foto foi tirada.
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Pelo caminho houve ainda tempo para dar um salto à adega da Niepoort, em Vale Mendiz, onde um grupo de homens e mulheres pisavam a pé as uvas que darão origem a vinhos de topo da casa como o Batuta, o Charme e outros.

A menos de 100 metros fica a Wine & Soul, de Jorge Serôdio Borges e Sandra Tavares da Silva, onde se produz o famoso Pintas. No momento em que chegámos Jorge Serôdio controlava os cachos prontos para a pisa a pé no lagar que se iria realizar nessa noite.


photo 3.JPGO Morgadio da Calçada é um solar do Século XVII, que inclui uma pequena extensão de vinha e  uma área reconvertida a turismo de habitação. 
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Do leque de vinhos Morgadio da Calçada fazem parte vários portos, tinto e brancos, todos eles feitos e engarrafados por Dirk Niepoort. Não é dificil perceber porque é que o Dirk Niepoort se interessou em fazer estes vinhos. Além da relação de amizade com os proprietários, encontrou um terroir bem ao seu gosto. É que Provosende fica numa zona alta do Douro originando vinhos mais frescos e minerais, especialmente os brancos, feitos a partir de vinhas velhas de malvasia fina, de codega e viosinho, de uma vinha reconvertida, que conta agora com 20 anos de idade. 

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O edifício principal do Morgadio da Calçada foi restaurado de acordo com o traçado original e assim é mantido por Jerónimo Pimentel e Manuel Villas Boas (tio e sobrinho). Contudo uma das muitas salas, a cozinha e o edificado contiguo à casa (as antigas cavalariças e armazéns agrícolas) tiveram uma intervenção contemporânea e foram transformadas num confortável turismo de habitação que conta com oito quartos, a que deram nomes relacionados com o Vinho do Porto. 
Outra das razões que me fez adiar o regresso a Lisboa foi um simpático convite de última hora, de Francisca Van Zeller,  para visitar e almoçar na Quinta Vale D. Maria, em Serzedinho, São João da Pesqueira. Foi a partir desta quinta, que em 1996, Cristiano Van Zeller retomou a sua actividade enquanto produtor, após ter vendido a Quinta do Noval, em 1993, aos franceses da Axa. Com o apoio das enólogas Sandra Tavares da Silva e Joana Pinhão (enóloga residente) Cristiano,  que faz parte dos Douro Boys, criou uma série de vinhos com personalidade que são hoje uma referência do Douro. Entre eles, contam-se os Quinta Vale D. Maria, o CV e o portfolio da Van Zeller's, empresa histórica que voltou à família depois de ter sido integrada na venda da Noval. Todos estes vinhos são vinificados no local, na adega construída em 2001 e que foi equipada com todos os gadgets necessários para transformar uvas com pedigree em vinhos, se não todos de estalo, pelo menos de referência nas suas categorias. 

De estalo é a vista da varanda da casa de hóspedes que parece tirada de um filme de Copolla e que em nada perde para a Toscânia - a casa, que por esta altura é ocupada pela família, pode ser alugada nos restantes meses do ano. Agora olhem para a figura de Cristiano Van Zeller e vejam nele um exímio contador de histórias. Acrescentem um dia magnifico, com 28º, um punhado de bons vinhos, um arroz de pato original, uma salada de tomate coração de boi de choraras melhores peras bêbedas que conseguirem imaginar - tudo pela mão mestra da Rosário, a cozinheira da quinta - e digam lá se seria possível recusar o convite? (e nem referi que a Francisca é lindíssima porque o Cristiano tem 2 metros e uma voz de barítono que mete respeito :)

 "Oh Rosário, que vinho utilizou nestas peras bêbedas?", perguntou o Cristiano. "Um vinho do Porto e outros que tinha para aí", respondeu a Rosário... 

Desconfio que havia alguns destes vinhos entre os que a Rosário "tinha praí". É assim mesmo! Deve usar-se sempre os melhores produtos para obter os melhores resultados. 
Tinha saudades de fazer uma viajem assim, sem grande programação. O convite inicial era para visitar o Encontro de Vinhos e Sabores e alguns produtores na Bairrada e, depois, para participar numa vindima para turistas no Douro. Mas uma vez nesta região fui ficando. Mais um, mais dois, mais três dias e só voltei muito a custo. Costumo dizer que, excepto quando é para visitar a família, aponto a sul (quase) sempre que entro no carro e saio de Lisboa. Felizmente que existe o comboio que me leva para norte. E ainda nem foi desta que por este meio fui ou vim do Pinhão. 

 

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publicado às 14:42

Ainda não experimentei a nova carta do Assinatura, já com o chef João Sá à frente, mas do que vi, de um trabalho que fiz com ele para a Nau XXI e, agora, da degustação do menu temático das receitas de Leonardo Da Vinci, parece-me que o ex-chef do GSpot foi a escolha certapara liderar o restaurante lisboeta. 

 O menu partiu do desafio que a editora Althum fez a vários chefes, a propósito do relançamento do livro, "Notas de cozinha de Leonardo Da Vinci". João Sá pegou em 5 receitas do livro e interpretou-as de forma contemorânea de acordo com a sua cozinha. O que mais gostei deste jantar foi da sua atitude, do não ter medo de arriscar, o que me deixou com vontade de voltar para conhecer o seu menu de época. Neste caso concreto, gostei em geral das propostas mesmo que algumas de execução mais complexa, necessitassem de ser mais testados. Aqui ficam algumas breves notas em relação aos pratos.

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"Cenouras Cozidas nas Cinzas com Ervas, Caracóis com Salsa, Mel e Alho". Belissimo o guisadinho de caracóis. Converte mesmo quem não tem especial predilecção por tal iguaria, como é o meu caso. Bom contraste da cenoura bem espicaçada por uma maionese forte que me pareceu ter anchova.

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"Ovo cozido, Moscatel e Romã". Ovo cozido a baixa temperatura com um enchido (que não recordo agora qual), feijão frade e um molho feito com caldo de galinha e moscatel. Harmonia de sabores num prato guloso, confortável, mas não óbvio. 

 

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 "Peixe em Gelatina". Prato muito interessante mas nitidamente a necessitar de afinação. Pelo que foi explicado, o peixe (pregado) e uma camada de camarão são envolvidos em agar agar e cozidos a baixa temperatura, o que faz com que a gelatina não derreta. Ou seja ficam como numa espécie de papillote de gelatina. Funcionou muito bem em termos sabor, mas não tanto em termos de textura. Pode ser, sem dúvida, um prato muito interessante, se conseguirem chegar à fórmula ideal. Definitivamente a não desistir. 

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"Pezinhos de Porco Recheado de Molejas". Faltou alguma essência (leia-se, partes gelatinosas) a este pé de porco, creio que por ser muito pequeno. Contudo o recheio com molejas tinha personalidade e as beterrabas que o acompanhavam fizeram um bom par.

 

"Polenta com Rabo de Boi" . Prato de sabor, confortável. Bons pormenores, como a da crocante aboborinha e dos estaladiços de pastinanca, mas sem grande chama. De facto, o menos ousado do programa


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"Sopa de Uvas, Ovo Batido e Mel. Deliciosa sobremesa". O papo de anjo poderia ter resultado melhor mas adorei a delicada sopa de uvas com mel, a frescura e o contraste do gelado de mangericão e os pedacinhos de caramelo crocante que por lá andavam. 

 

O menu temático, "Leonardo da Vinci por João Sá", de 5 pratos + 2 snacks, custa 54€ (44€, para os assinantes da newsletter do Assinatura) e estará disponivel até este sábado dia 28.  

 

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publicado às 14:00

Abriu a caça às estrelas do Guia Michelin

por Miguel Pires, em 27.09.13

 

Como tem acontecido nos últimos anos, o Guia Michelin Grã Bertanha e Irlanda 2014 é o primeiro sair de toda a fornada que aí vem (o de Espanha e Portugal sairá em Novembro). A colheita deste ano não trouxe novas entradas no clube dos "3 estrelas" deixando assim o maior protagonismo para a segunda estrela ganha por Heston Blumenthal, no Dinner (que tem como sommelier o português João Pires). Trata-se um novo feito, após o restaurante londrino ter ascendido ao 7º lugar da lista do The World's 50 Best restaurants. O Greenhouse do chef francês Arnaud Bignon, também em Londres, recebeu igualmente a sua segunda estrela.

Em relação aos 1 estrela é de referir que Viajante de Nuno Mendes mantém a sua, se não estou em erro, pelo terceiro ano consecutivo. Dos franchisings, perdão, dos restaurantes de chefes estrangeiros famosos, destaca-se a primeira estrela ganha pelos Arzak, no Ametsa with Arzak Instruction, e a estrela perdida por Robuchon no L'Atelier, que passou de duas para uma.

Dos novos 1 estrela, para mim, a grande surpresa é a do Lima (Londres) de um dos chefs emergentes mais badalados dos últimos tempos, o peruano Virgilio Martinez. Faz agora um ano que jantei muito bem lá, mas pareceu-me um restaurante bastante informal, com uma cozinha interessante, bem feita, com alguma criatividade, mas em geral simples. 

 

 

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publicado às 10:10

Eu também acredito...

por Paulina Mata, em 24.09.13

"In June 2010, after six years of running a restaurant in New York City, I decided that we needed to learn about the science of what we eat. At the time, I had no idea how a cell broke down or what an enzyme or an amino acid was. It was all stuff I’d slept through in high school! But these are the basic processes by which cooking happens. The more we understand about the science of food, I realized, the better we would be able to cook."

Chef David Chang on the Joy of Cooking with Science

 

Eu também acredito que sem um conhecimento mais profundo a evolução é limitada e o rendimento menor. É bom ler isto! Muito bom!

Segunda feira começo um novo ano lectivo, mais um grupo (o 5º) de estudantes do Mestrado em Ciências Gastronómicas, uma parte muito significativa de outros países. Principalmente do Brasil. Segunda-feira vou dar-lhes o artigo para lerem.

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publicado às 01:30

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Como referi aqui, o Hotel CS Vintage House, em colaboração com a Quinta da Avessada, convidou-me para o programa de vindimas nesta quinta, que dispõe de uma enoteca interactiva, na sub-região de Favaios. Aqui se produz uva branca moscatel, maioritariamente para o vinho generoso da cooperativa local. 


Para quem vem da cidade, o silêncio tem um valor que nem sempre é compreendido de igual forma por quem dele dispõe para dar e vender. Por isso convoca-se o bombo, os ferrinhos e a concertina. "Vindima é festa" dizia-me Luís Barros, proprietário e mestre de cerimónias, com o seu ar bonacheirão, quando lhe perguntei se a banda sonora era para o dia inteiro. 
Para ser sincero só foi um pouco doloroso no inicio e por razões mais associadas a uma noite mal dormida do que a outra coisa. Na verdade o ritmo do trio  até ajudou na vinha. Uma pancada no bombo, uma apertadela na tesoura, logo um cacho no balde. Hip hip hurra! 
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Meia hora a um ritmo estonteante e deu-se por finalizada a jornada  - não fossem os meninos da cidade contrair alguma tendinite aguda na mão de tanto apertar o bombo. Ou a tesoura, já não sei muito bem. 
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 Pausa para o almoço do qual registei uns rojões, um belos enchidos e uma óptima sopa do lavrador que, segundo consta, livrou da fome muita gente no período da filoxera (séc XIX). Depois do almoço, com vários histórias pelo meio, Luís Barros conduziu-nos ao lagar 'multimédia' para a visualização de um curto filme e para a demonstração da pisa a pé no lagar. Primeiro por manequins robotizados, depois por turistas alcoolizados (na verdade, nem por isso. Desculpem, não resisti à rima :). A família brasileira que nos acompanhava estava maravilhada. "É incrível! eu até sou da roça mas não temos nada disto lá", referia-me o patriarca da família, oriunda do estado de Espírito Santo. Eu tentava passar por observador - urbano depressivo, dirão alguns - mas quando dei por mim era o campeão da poda e da pisa a pé e, espero que não haja registos, consta que até dancei. Se não podes vencer o bombo, junta-te a ele. 

photo 3.JPGLuís Barros é um verdadeiro "one man show". O seu programa é lúdico, sem ser infantil (ou quando é, tem peso conta e medida), conseguindo mostrar o processo, da vindima ao vinho, de uma forma simples, didáctica e interessante, mesmo para quem tem algum conhecimento sobre a matéria . Barros tem sempre uma resposta para todos - para quem nunca viu um bago de uva e para quem tem conhecimento do assunto - e quando não sabe não inventa. Além do mais fá-lo com humor e, a espaços, com um toque de dramatismo engraçado, sem perder a noção do bom senso. Ei-lo na primeira pessoa: 

"Ja apanhámos as uvas. Já pisámos as uvas. Já cantámos a oracao do moscatel. Agora só falta beber. Vamos passar ao santuário" 

"Os primeiros tonéis são do meu pai e têm 30 anos, no terceiro e o quarto estão os vinhos do meu avô, com 50 anos; No quinto e sexto está o vinho moscatel do meu bisavô (com 120 anos); e nestes últimos... já não temos nada". 

"Havia o mito que parte do pagamento feito pelos ingleses era em libas de ouro. Mas a minha avó levantava o sobrolho e dizia: 'vai trabalhar malandro que o ouro está dentro da pipa".

" O tonel do meu bisavô só é aberto na Páscoa. Vem o padre Pinto bebe um cálice e abençoa toda a gente. Tira-se 4 garrafas. Duas são para leiloar para caridade e duas são para nós bebermos. Eu não vendo isto. Então só temos estes 2 pipos".

A Quinta da Avessada efectua este programa de enoturismo desde 2008. Este ano começou a 6 de Setembro e extende-se até 28 Outubro. Em colaboração com a quinta o CS Vintage House Hotel tem um programa conjunto que inclui a visita + 3 dias (2 noites) de estadia, por 205€/pessoa (em quarto duplo). Ver mais aqui

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publicado às 12:35

Petiscar por Lisboa com cerveja catalã

por Duarte Calvão, em 20.09.13

 

Fala-se muito do “nacionalismo” português em relação aos nossos vinhos, que creio que existe em todos os países produtores, mas menos no das cervejas, Na verdade, português que é português, como eu sou, pode ter um certo interesse por marcas estrangeiras, mas a verdade é que não dispensa no quotidiano as suas Sagres ou Superbock, que, além de nossas, são bem boas. É por isso interessante ver o esforço que a catalã Estrella Damm tem feito nos últimos tempos, sobretudo desde que em 2012 começou a ser distribuída em Portugal pela Sumol + Compal, para conquistar o seu nicho de mercado.
Tenho sido convidado para o lançamento de uma iniciativa que a marca espanhola tem promovido em Lisboa desde o ano passado, a Rota das Tapas, e parece-me um bom exemplo de como, com imaginação, se pode encontrar um lugar, ainda que pequeno, entre os escombros da “batalha” Centralcer x Unicer. Esta rota tem agora, até dia 6 de Outubro, a segunda edição e, ao que dizem os seus promotores, a da estreia foi tão bem sucedida que o número de restaurantes/bares que a ela aderiram passou de 12 para os actuais 35. E se na primeira edição a rota incidia, grosso modo, pelas zonas do Bairro Alto e Príncipe Real, nesta segunda passou a abranger também Alfama.
A Rota das Tapas (desculpo o “espanholismo” pelo facto de se tratar de uma empresa de além fronteiras…) consiste em apresentar opções de petiscaria, algumas preparadas especialmente para a iniciativa, por três euros, que incluem, além do prato, 25 cl de Estrella Damm. Quem fizer o percurso (três “escalas”, pelo menos) e votar na “melhor tapa”, habilita-se ainda a uma viagem a Barcelona, com jantar no Tickets, do chefe Albert Adrià, irmão e cúmplice criativo de Ferran Adrià.
E por falar no chefe catalão, devo dizer que a minha relação com a Estrela Damm, fundada em 1876 (cuja antiga fábrica, no centro de Barcelona, vale a pena ser visitada), passa muito pela Inedit, uma cerveja que Ferran Adriá e o seu sócio Juli Soler, pelo vistos um grande especialista na matéria, desenvolveram para a cervejeira catalã há uns quatro ou cinco anos, se a memória não me falha, e que inclui na sua fórmula “pele” de laranja e alcaçuz. Só é vendida em garrafas de 75 cl e é especialmente adequada para acompanhar comida, com uma versatilidade que me encanta. E também me encanta o preço, sempre inferior a cinco euros e muitas vezes em promoção. No Corte Inglês de Lisboa, por exemplo, está agora a 3.99 euros, mas já lá comprei duas por menos de 10 euros, numa promoção que incluía dois óptimos copos de pé, os quais dão também muito bem para vinho branco.
Mas voltando à Estrela Damm “normal”, lager estilo pilsener, e à Rota das Tapas, acrescento que também a aprecio muito, principalmente pela espuma cremosa que, além de agradável, ajuda a manter a cerveja viva mais tempo, já que retarda a saída do gás. É uma boa variação das marcas nacionais. Quanto à Rota, é experimentar, porque há de tudo, desde locais mais conhecidos a outros menos. A apresentação à Comunicação Social, por exemplo, foi no Duetos da Sé, que não conhecia e me pareceu muito simpático com alguns petiscos bem feitos, ainda que não muito originais, como moelas, ovos com farinheira, morcela com maçã ou peixinhos da horta com maionese de coentros. Para saber quais os locais que participam, só indo a um, onde lhe é entregue um mapa da rota, ou no facebook.com/estrelladamm.

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publicado às 19:02

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 Nas últimas três semanas recebi mais de uma dezena de programas turísticos de vindimas e entre eles, alguns convites. Com alguma relutância, porque tenho uma ligeira aversão a programas turísticos, acabei por aceitar a proposta do Hotel Vintage House, no Pinhão -  se fosse ruim seria sempre uma boa desculpa para vir ao Douro, uma das regiões mais apaixonantes do mundo (e não me refiro apenas em termos vinícolas).

 

O caminho que vai do Pinhão ao local da vindima, a Quinta da Avessada, faz-se sempre a subir pelo serpenteado da encosta até chegar a uma vasta zona plana. Trata-se da sub-região de Favaios que produz, quase em exclusivo, uva branca moscatel, maioritariamente para o vinho generoso da cooperativa local. Foi uma surpresa porque, embora o programa fosse omisso, era expectável que tivesse a ver com o generoso mais famoso da região, o Vinho do Porto. Na verdade, até agradeço porque fiquei a saber mais sobre o suposto parente pobre do Douro. Por exemplo:

 

. As vinhas de moscatel situam-se a 600 metros de altitude distribuídas por uma área de planalto de mil hectares (ou seja, o equivalente a mil campos de futebol).

. Portugal consome 90% do Moscatel do Douro, o que representa o oposto do que se passa em relação ao Vinho do Porto, que segue em grande escala para o estrangeiro. As vendas de categorias especiais não têm expressão no portfolio do que se produz. Há um ou outro envelhecido mas a maior parte são correntes, entre eles o popular Favaíto um best seller vendido em garrafas de 6 cl.

 . Segundo Luís Barros, proprietário da Quinta da Avessada, uma pipa de 750 litros de moscatel rende ao produtor 500 euros, em média. Já uma de vinho do porto da "região rica" vale 1100 euros. Contudo, segundo a mesma fonte, a produção da vinha é 3 x superior o que dá a entender que o parente pobre talvez não seja assim tão pobre (ou será que é o rico que não é assim tão rico?).

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. Por entre as vinhas de uva branca é autorizada a presença, até 10% do total, de pés de uvas tintas da variedade moscatel roxo. Esta casta acaba por ser plantada por uma boa parte dos produtores locais por ser mais resistente às doenças e mais produtiva, além de dar cor e acidez aos vinhos. Não deixa de ser curiosa esta última característica dado que a sul, na região de Setúbal, associamos a esta casta um grande grau de doçura.  
Quanto à experiência lúdica do programa da vindima, com bongo e concertina, fica para o próximo post.

 

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publicado às 17:03

No Douro: Dias agitados no Pinhão (2)

por Miguel Pires, em 19.09.13

Há vários anos que que me deparo com o hotel Vintage House, sempre que avisto o Pinhão, na zona central da região do Douro. Foi um antigo armazém e casa senhorial da Taylor's antes da família o recuperar e transformar num hotel. Anos mais tarde foi vendido à Douro Azul que o vendeu, depois, ao hoteleiro e empresário do ramo imobiliário, Carlos Saraiva, que o incluiu na sua cadeia de hotéis. Com a crise do sector e do crédito a ele associado, o empresário afundou-se em dívidas e a cadeia acabou por ir parar às mãos do fundo imobiliário FLIT (Fundo Lazer, Imobiliário e Turismo), criado no final de Dezembro pela ECS Capital e que tem como maiores participantes os principais bancos credores. Com uma nova ordem restabelecida o CS Vintage House (cuja denominação CS será em breve alterada) ganhou oxigénio para continuar a ser uma das referências hoteleiras da região.

 

O Vintage House é um hotel de 5 estrelas de 43 quartos, dimensão média que ainda encaixa no perfil de 'boutique hotel'. Ali não há (graças a deus!), nem música ao vivo, nem animação na piscina, nem gestos apressados ou tilitar de loiças e talheres. Em contrapartida há, e em sobra, simpatia, conforto, história, tranquilidade e uma vista privilegiada para o Douro.

 

Tirando o DOC de Rui Paula a oferta gastronómica por estes lados não é extraordinária. Talvez por isso - e, certamente, por os clientes se reverem na qualidade da oferta - o restaurante do Vintage House está frequentemente cheio. A cozinha é de base tradicional actualizada, com um toque internacional. Na mimha opinião esta vertente poderia ser melhor executada, sobretudo, se os molhos e os acompanhamentos fossem mais ligeiros. Ainda assim fica uns furos acima do que é habitual encontrar em muitos hotéis deste nível. Ah! E fazem um bom negroni, um óptimo limpa palato entre provas de vinhos :).

 

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publicado às 13:51

No Douro: dias agitados no Pinhão (1)

por Miguel Pires, em 18.09.13
Hoje ouvi passar duas vezes o comboio que segue até à Régua e que, após transbordo, permite a ligação ao Porto. Mais um pouco e fazia o pleno, dado que só há 3 comboios por dia.

O silêncio é ensurcedor. De tal ordem que só muito a custo identifico um som que vem de longe. Trata-se de uma escavadora que a um quilometro de distância abre caminho entre os socalcos para mais uma fila de vinhas. . Dou uma volta pelo cais onde o movimento é estonteante. A menina do quiosque abana-se com um leque enquanto espera que apareça um turista que lhe compre um passeio de barco. Ela e eu constituímos a multidão que por ali anda.

Um edifício de betão com a inscrição, 'Casa do Douro', chama-me à atenção. Não só o edifício bruto, estilo 'estado novo, mas também os depósitos grandes de cimento. É para ali que o grupo CS Hotéis prevê a construção de um novo hotel com os depósitos a serem reconvertidos em quartos de luxo. . Uma dezena de metros à frente fica o LBV 79, o bar restaurante que o simpático recepcionista do Hotel Vintage House, onde estou instalado, me falou. Parece que é por ali, num edificio antigo recuperado, que passa a movida do Pinhão. Bom, pelo menos a esplanada do andar cimeiro, com vista para o rio, está cheia. Cheia de turistas que em silêncio contemplam o rio.

É hora de almoço e sigo em frente. Passo a ponte perdonal que atravessa a foz onde rio Pinhão encontra o Douro. . Deste lado fica o 'Cais da Foz', onde almoçam alguns estrangeiros e vários grupos de trabalhadores em pausa da jornada nas vinhas. As vindimas estão atrasadas, ouve-se amiúde.

 

Na ementa há 'fêveras', costeletas de porco, costoletas de vitela, filetes de pescada com salada russa e vitela estufada com esparguete e batata frita. Dou uma espreitada pelas mesas, sento-me e peço o que quase todos os outros pediram: vitela estufada. Tem bom aspecto e as 'fritas' são caseiras. Aceno à empregada, uma, duas, três vezes. "Tem de esperar um bocadinho que isto não é logo assim", diz-me a senhora. Tem razão, a calmaria do rio à minha frente é para desfrutar. Rodopios só nas festas das vindimas.

A carne estufada com batata frita era exactamente o que esperava: uma carne de cozedura prolongada, tenra e saborosa. Troco o espargete por meia salada mista. "Quer mesmo uma ou não é melhor meia?", pergunta a minha amiga que não gosta de apressados. Mais 'comfort' só em casa, com a mãe Luz a dizer: "come mais um bocadinho, filho" (para uma mãe mesmo com 10 quilos a mais estamos sempre fraquinhos, não é?).

 

É suposto partir hoje. Ontem disse o mesmo. Portanto, ainda não sei se é desta. São mais de 6 horas de comboio do Pinhão até Lisboa, já contando com as duas mudanças que terei de fazer. É quase como ir a Nova Iorque de avião só que com uma paisagem mais bonita. Bom, se calhar fico mais um bocadinho.

 

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publicado às 14:09

Alterações na direcção do Vila Joya

por Miguel Pires, em 18.09.13

Gebhard Schachermayer, deixa o cargo de director do Vila Joya, no Algarve, passando a ocupar uma espécie de lugar de Director Criativo (o termo é meu) com a responsabilidade do desenvolvimento da marca e de projectos do Vila Joya. Como é sabido esta pequena unidade hoteleira de luxo inclui aquele que durante muitos anos foi o único restaurante com duas estrelas Michelin em Portugal e é, igualmente, onde decorre o tão badalado International Gourmet Festival (também conhecido por Tribute to Claudia), que reúne todos os anos no Algarve chefes de topo de todo o mundo. O austríaco, que é um dos grandes impulsionadores do festival (e que, curiosamente, começou por trabalhar na cozinha), assegura que esta alteração vai ajudar a reforçar a aposta no festival, cuja edição deste ano decorre de 7 a 17 de Novembro. Para o substituir enquanto director do hotel entra agora o brasileiro Celso Celso Terra Assunção, até há pouco tempo director do International Design Hotel, em Lisboa.

 

Foto: Paulo Barata

 

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