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Abriu esta segunda feira à noite, no Príncipe Real, em Lisboa, o Tapisco, o restaurante tapas e petiscos que junta de novo Henrique Sá Pessoa e o grupo Multifood, seu parceiro no Alma.

 

O lugar é relativamente pequeno, com 11 mesas, onde se sentam 22 pessoas mais um balcão que acomoda outras 10. Por sua vez menu é 50% luso, 50% espanhol e está dividido em 5 secções de clássicos interpretados pelo chefe. Além de snacks, como o pan con tomate – com ou sem presunto ibérico – e azeitonas marinadas, há os “Tapiscos”, ou seja tapas e petiscos, como saladas de polvo e de ovas, esqueixada de bacalao, la bomba de Lisboa, croquetas de jámon ibérico, choco frito com maionese de coentros e lima, gambas al ajillo ou amêijoas à Bulhão Pato (com preços entre 4 - 17€). Na secção de “Ovos”, há-os mexidos, rotos, com enchidos (paletilla ibérica ou morcilla ibérica) e bacalhau à bràs (variam entre 6 – 14€). Das “Brasas” (Josper), vem o lombo de atum, o bacalhau à lagareiro, a presa de porco ibérico, um entrecôte (que não é um corte propriamente ibérico) e legumes grelhados com molho romesco (preços entre 6€, este último, e 17-21€, as carnes). A última secção de salgados é a dos “Tachinhos”, com paella negra, açorda de gambas, ervilhas com chouriço e um estofado de lentejas com embutidos ibéricos (entre 18 e 28€). Por fim, nas sobremesas, há 4 doces – da crema catalana ao toucinho do céu - e um prato de queijos de ambos os países.

 

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Rui Sanches da Multifood, com Henrique Sá Pessoa e a chefe residente Joana Duarte (que passou pelo Tapas 24, de Carles Abellan, em Barcelona)  

 

E qual a razão deste “diálogo” ibérico vindo de um chefe cuja cozinha espanhola nunca fez parte do seu percurso?

 

Nos últimos 4 anos, por questões familiares, Henrique Sá Pessoa tem feito o trajecto Lisboa-Barcelona com frequência e, sendo um adepto da cozinha petisqueira espanhola, sentiu que faltava em Lisboa um lugar descontraído com uma proposta de qualidade. “O Tapisco é um resumo de tudo o que gostaria de encontrar num sitio mas não encontro”, referiu-nos Sá Pessoa, que ontem se encontrava atrás do balcão, onde nos sentámos, para receber os primeiros clientes que entravam (o restaurante não fez qualquer tipo de comunicação sobre a abertura).

 

É inevitável que se crie uma certa expectativa quando um cozinheiro conhecido abre um novo restaurante. Contudo, quem for à espera de grandes pratos de autor, o melhor é continuar a descer a rua e, já no Chiado, procurar o Alma. Por outro lado, quem esperar encontrar ali tapas baratuchas tipo fast food também irá ao engano. Para tal tem mais ao lado o 100 Montaditos. Ou seja, o Tapisco é um restaurante para adultos, com uma cozinha descontraída, bem feita, com bons produtos e um toque de chefe mas sem grandes rasgos autorais.

 

Ponho a tónica no “bem feita”, porque apesar de ser o primeiro dia fiquei bem impressionado com a afinação dos pratos e do serviço (talvez por isso não ouvi ninguém ali falar em soft opening). Sim, gostaria que o pão com tomate fosse mais catalão (ou seja com o alho esfregado no tomate) e talvez mais bem cozido, mas quando o jamón ibérico é de qualidade tudo se perdoa. Também preferiria que a mousse de chocolate fosse antes a bomba densa catalã de chocolate con pan, aceite y sal mas entendo a opção mais leve e simples, feita com bons ingredientes. Posto isto, só tenho a dizer bem. A bomba de Lisboa, que é diferente da catalã por levar alheira misturada com a carne e um toque picante a atirar mais para o oriente e que resulta num conjunto guloso e equilibrado. Também bastante saboroso e rico estava o estufado de lentilhas com pedaços de entrecosto e enchidos ibéricos (chouriço e morcela, creio). Para entrar já no campeonato dos favoritos, destaco a esqueixada de bacalao, a versão do outro lado da fronteira da nossa “punheta de bacalhau”. Sá Pessoa deu um toque elegante ao prato ao utilizar bacalhau de meia cura, com as suas lascas finas sobre tomate e –  fundamental, a fazer toda a diferença - um óptimo azeite.

 

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esqueixada de bacalao

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(No sentido dos ponteiros do relógio) la bomba de Lisboa, patatas bravas, mousse de chocolate com azeite e flor de sal, estofado de lentejas

 

Também me vejo a passar pelo Tapisco a meio da tarde ( o restaurante está aberto entre as 12h-24h), para lhes dar prejuízo e ocupar uma mesa só para petiscar umas batatas bravas na companhia de um vermute. Sou fã deste vinho de infusão de ervas aromáticas - muitas vezes visto como um aperitivo - que vive um momento alto na vizinha Espanha, com novos consumidores e produtores a apostar numa linha mais artesanal. Para já o Tapisco apenas tem 6 propostas, 3 da Nordesia (finalmente em Portugal! É dos produtores galegos do gin Nordés) e da casa catalã Yzaguirre. Servidos a copo, custam entre 6 e 7€. Porém, ouvi comentar que o preço ia baixar para incentivar a experimentação e poderem vir a ter mais propostas num futuro próximo. E, digo eu, poder dar mais sentido à assinatura do restaurante “tapas, petiscos, vermutes”. Saia mais uma esqueixada de bacalao, sff!

 

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Um naco de atum a sair do Josper, o painel de azulejos da sala e um pormenor da vista da rua 

 

 

Morada: Rua D. Pedro V (Príncipe Real), Lisboa. Horário: 12h-24h (não aceita reservas).

 

 

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publicado às 14:11

O primeiro sinal foi a instalação de uma pequena coluna de som com música, algo nunca visto. Depois, eles que nunca fechavam, fizesse chuva ou sol, ficaram encerrados dois dias. Quando reabriu, perguntei o que se tinha passado e confirmaram a mudança, tinha “outra gerência”. Não só este, do Príncipe Real, mas também o do Camões (na foto, do site da Câmara Municipal de Lisboa), da Praça das Flores, do Largo de São Paulo e do Largo da Sé.

 

Ou seja, depois de há cerca de oito anos ter marcado a nossa paisagem urbana com abertura ou reabertura ou reinstalação dos Quiosques do Refresco, Catarina Portas e os seus sócios (creio que só os irmãos Regal, que em tempos abriram a Deli Delux) decidiram passar os estabelecimentos para a Charcutaria Lisboa, já responsável por um quiosque na Av. da Liberdade. Certamente que, além da música, outras mudanças virão, espero que boas ou pelo menos ao mesmo nível. Por enquanto, notei que o café, que continua razoável, subiu de 65 cêntimos para 1 euro.

 

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publicado às 19:41

Mesa Marcada no Café Colonial

por Duarte Calvão, em 24.02.17

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Muito agradável o jantar que tive no domingo passado no Café Colonial, o restaurante do novo hotel Memmo Príncipe Real. Pratos de sabores nítidos e estimulantes, bem apresentados (salvo numa excepção), a preços sensatos. Serviço impecável, simpático e bem informado. Ambiente acolhedor, bem mobilado e bem iluminado, com a vantagem da vista sobre a cidade. E até gostei da música ambiente - eu que só ligo a esse aspecto quando ele me incomoda - animada e diferente, no volume certo. Por isso, vou certamente voltar a este belo espaço cuja cozinha está entregue desde a abertura a Vasco Lello, mais um discípulo de Aimé Barroyer, dos tempos em que o chefe francês oficiava no Valle-Flôr, do hotel Pestana Palace, também em Lisboa. Antes do Memmo, Vasco Lello esteve também no Flores, do Hotel Bairro Alto, onde já mostrava muito do que é capaz. Acho que agora deu um passo em frente.

 

 

 

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publicado às 14:00

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Imagine que era o dono deste restaurante simples da Baixa lisboeta que vê na foto, e que de um dia para o outro via a casa ser invadida de jornalistas e clientes em busca dos pratos especiais que teriam levado o Guia Michelin a atribuir-lhe uma estrela. Bom, o exemplo pode ser exagerado mas foi mais ou menos o que aconteceu, recentemente, com  a chegada da edição francesa de 2017 do famoso guia vermelho (que deu aos gauleses mais um 3 estrelas, o Le 1947 au Cheval Blanc, de Yannick Alléno, em Courchevel).

 

 

 

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publicado às 14:00

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Alentejano por filiação e português dos quatro costados, Vitor Sobral dispensa grandes apresentações. Frontal, por vezes polémico, ele é um dos chefes responsáveis pela renovação (e divulgação) da cozinha portuguesa. No ano em que completa meio século de vida e 31 anos de carreira, Sobral diz atravessar o seu melhor momento, depois de alguns tropeções na vida. A Tasca da Esquina, criada em 2009, marcou um momento de viragem. Enquanto cozinheiro - tendo reinventado o conceito de petisco - e como empresário de sucesso, que conta hoje com quatro restaurantes no Brasil (três em São Paulo e um em João Pessoa), três em Lisboa e um em Luanda. E que não se pense que que o constante "vai-vem" entre continentes o afastou dos fogões. É que Sobral, continua a não prescindir de colocar a "mão na massa" sempre que pode. Nos seus restaurantes, no lar, ou na cozinha de amigos.

 

 

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Foto: Jorge Simão tirada na Tasca da Esquina há cerca de um mês durante o aniversário do chefe que reuniu no seu restaurante lisboeta meio mundo ligado à actividade. 

 

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publicado às 00:01

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 Justa Nobre, numa ocasião em que me tentou ensinar a fazer os seus esplêndidos rissóis. Não aprendi, tenho que tentar de novo, se ela tiver paciência. (Foto: Cristina Gomes)

 

O nome, “À Justa”, deixa adivinhar uma cozinha mais pessoal, mais “de autor”, mas ela não se descose e apenas adianta que será “cozinha portuguesa”. “Como sempre fiz”, sublinha. No entanto, quem conhece alguns dos seus clássicos, desde a sopa de santola ao robalo à Justa, sabe que não é bem assim, porque a nossa mais conhecida e experiente chefe de cozinha confere um toque especial àquilo que faz, apesar de quase sempre serem sabores bem reconhecíveis como portugueses. Vamos então esperar para ver o que ela nos apresentará lá para Abril quando o novo restaurante abrir na Calçada da Ajuda, 107, com os seus 38 lugares.

 

 

 

 

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publicado às 11:57

Bourdain anda ao marisco no Porto

por Miguel Pires, em 16.02.17

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É assim uma espécie de "Onde está Anthony Bourdain?", por onde quer que ele passe. Neste momento está no Porto onde acaba de publicar esta foto de uma belíssima travessa de mariscos. Estará em Matosinhos? Em Leça? 

 

 

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publicado às 16:43

De Alcobaça para o Chiado

por Miguel Pires, em 12.02.17

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Até há poucos dias os fãs lisboetas dos doces da pastelaria Alcoa que não morassem em Alcobaça (ou não quisessem ir até lá) tinham duas hipóteses: ou encontravam-nos no El Corte Inglês, numa das lojas temporárias que, de tempos em tempos, tinham aí, ou esperavam pelo Peixe em Lisboa, onde são presença habitual (na zona de mercado) e têm feito furor com a sua doçaria portuguesa, boa parte de receituário conventual. 

 

Porém, os adeptos têm agora um lugar permanente, em Lisboa, como conta, aqui, muito bem, a Francisca Gorjão Henriques do Público.  Na verdade, há muito se sabia que a pastelaria ia existir, sendo inclusive conhecido o local, na Rua Garret, com a Rua Ivens, ao Chiado. Acontece, que o facto de terem tomado um espaço emblemático, a antiga loja da Casa da Sorte, classificada como património municipal, terá dificultado o processo.

 

Todavia, a bom porto chegaram e a contento de todos. Dos que, devido à alteração da natureza do negócio, temiam a adulteração excessiva do espaço concebido pelo Arq. Conceição e Silva (com painéis de azulejos de Querubim Lapa); e dos "agarrados" da Alcoa que não passam sem a sua dose de arte culinária, açúcar e ovos (e alguma farinha) - também conhecida pelos nomes de código, "cornucópia", "castanhas de ovos", "queijinho do céu", "pudim de São Bernardo", entre outros. Consta do menu, igualmente, o pastel de nata que ganhou o concurso de Melhor Pastel de Nata de Lisboa, de 2014. Aliás teme-se um duelo de titãs com vizinha Manteigaria pelo controlo do "tráfico" dos ditos pastéis, no Chiado. 

 

Nota: texto editado para corrigir a informação que referia que o pastel de nata da da Alcoa tinha ficado em 2º lugar no Melhor Pastel de Nata de Lisboa, de 2016, quando, na verdade, a pastelaria ganhou o concurso em 2014 e não mais voltou a concorrer ao mesmo. Segundo nos explicou Paula Alves, proprietária do espaço, é política da casa nunca participar nos concursos em que venceu antes. 

 

Foto retirada do Região de Cister

 

 

 

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publicado às 23:52

Ladurée abre loja em Lisboa

por Duarte Calvão, em 09.02.17

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Podem ser a melhor coisa do mundo, firmes por fora, suaves por dentro, de sabor equilibrado, desfazendo-se na boca como uma nuvem. Ou podem ser pesados e açucarados, pegando-se aos dentes, sem interesse nenhum. Infelizmente, desde que se tornaram moda por cá, é muito fácil encontrá-los na má versão e raríssimos na boa. Mas tudo isso vai mudar em breve, porque a lendária casa parisiense Ladurée, fundada em 1862, que tornou os macarons (na foto) famosos, vai abrir uma filial lisboeta em plena Avenida da Liberdade, para deleite de todos os gulosos (até para mim, que não sou lá muito de doces), no centro que fica mesmo ao lado do Teatro Tivoli.

 

 

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publicado às 12:46

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Quem a vê num sábado, às 14h, a receber uma qualquer cliente com um “O que vai ser, querida?” e sempre de sorriso aberto, pode julgar que Açucena Veloso estará quase dependente de vender um último peixe para arredondar as contas da semana que termina. Na verdade, não é nada assim, cerca de 90% do seu negócio já está mais do que feito a essa hora, longe do Mercado 31 de Janeiro, nas Picoas, onde ela detém 25 “lugares” (fora lojas de congelados, de mariscos frescos e de outros produtos do mar) e emprega 20 pessoas. É que, desde as 7h da manhã, seis carrinhas fazem a distribuição do seu peixe pelos melhores restaurantes de Lisboa. “Adoro o que faço, é duro, tenho um horário terrível, mas não sei viver de outra maneira”, disse ao Mesa Marcada, em mais um Menu de Interrogação patrocinado pela cerveja Estrella Damm, no âmbito do seu apoio à gastronomia.

 

 

 

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