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Low-cost vínico?

por Rui Falcão, em 23.10.09

Sim, sim, bem sei que o termo “low cost” não é de agrado geral e que se presta a interpretações mais ou menos duvidosas, mas o vocábulo é suficientemente explícito para me ajudar numa breve e simples reflexão. Porque é que a oferta gastronómica se adaptou tão depressa, e tão radicalmente, ao conceito, expresso na diversidade de restaurantes de autor que abrem portas oferecendo refeições cuidadas a preços mais que sensatos… enquanto a oferta vínica tarda em abraçar o conceito ajustado ao vinho? Quanto tempo mais tardarão a despontar os vinhos de autor “low cost”?

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publicado às 09:48


10 comentários

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De Anónimo a 23.10.2009 às 13:00

Quando surgirem, espero que não seja idêntico à restauração: implementaram o conceito low-cost mas esqueceram-se de implementat o low-price...

Pedro Marques
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De Paulina Mata a 23.10.2009 às 13:44

E nos restaurantes oferecendo refeições cuidadas a preços mais que sensatos (e concordo que em geral são sensatos os preços dos pratos e menus),os preços dos vinhos também passaram a ser mais sensatos?

É uma questão também interessante de debater...

Deveriam ser, não?
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De Rui Falcão a 23.10.2009 às 15:54

Olá Paulina!
Sim, a questão do preço dos vinhos nos restaurantes é um tema sempre pertinente, embora não fosse essa a tese que eu procurava com a reflexão de hoje. De qualquer forma, imagino que nos “restaurantes low cost” (acho que partilhamos uma embirração solene pelo substantivo “low cost” na restauração) a questão das margens dilatadas até se torne mais premente que na restauração clássica por trabalharem com margens mais reduzidas.
Mas, de todo, não era bem essa a questão que queria levantar. Da mesma forma que não pretendia levantar ondas, mais ou menos acertadas, sobre a necessidade de descer o preço dos vinhos tendo em conta a crise corrente. Não, o que me apeteceu comentar foi a ausência de vinhos nacionais pensados de raiz para este sector, vinhos acessíveis mas desenhados para enófilos mais exigentes, sejam eles de produtores de luxo ou de produtores mais abrangentes. É fácil encontrar exemplos concretos em Espanha, com vinhos como o Camins del Priorat do Álvaro Palácios, o Psi de Pingus ou o Predicador do Benjamin Romeo. E em Portugal?
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De Anónimo a 23.10.2009 às 16:43

Desculpem mas temos de nos lembrar que fazer vinho não e a mesmas coisa do que engarrafar agua ,é um trabalho arduo de quem cuidada das vinhas dos produtores que por vezes so no ano seguindo e que conseguem por o vinho em venda e ainda querem vinhos baratos quem os vende nos restaurantes é que devia de deixar de ganhar menos porque esses sim é que ganham sem saber por vezes o procurso de produção que um vinho tem.
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De Rui Falcão a 23.10.2009 às 17:12

Agradeço encarecidamente o lembrete do hiato entre a produção do vinho e a comercialização.
Reitero que na reflexão que proponho, não estão eu causa os preços (muitas vezes escandalosos) a que os vinhos são vendidos na restauração nacional. Apesar da validade do tema, não foi essa a razão que me motivou para o meu texto.
Falo sobre vinhos pensados e dirigidos para um mercado emergente, desenhados para consumidores mais exigentes, vendidos a preços sensatos (em garrafeiras, lojas, clubes, distribuição moderna, etc). O tema do preço do vinho na restauração é sempre interessante, mas não tem de ser monopolista das conversas sempre que falamos de preços de vinhos…
Volto ao tema, porque é que este filão tem sido tão pouco explorado em Portugal? Conseguem incluir algum vinho recente neste segmento de mercado?
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De Tia Maria a 23.10.2009 às 17:47

Parece que o Niepoort faz um.

http://tinyurl.com/yj79o5n
http://tinyurl.com/yz6a6fw

Cumprimentos da terra das tulipas.
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De Rui Falcão a 23.10.2009 às 19:25

Sim, sim, indiscutivelmente, o Diálogo (nome do vinho em Portugal) é um dos exemplos mais evidentes deste novo conceito. Com resultados extraordinários no mercado nacional e internacional.
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De Tia Maria a 24.10.2009 às 13:16

"The old vineyards are our treasures; they make our wine special,".

O meu tio Zé Rato tinha umas vinhas no Cartaxo onde fazia um vinho Morangueiro como eu nunca bebi em mais lado nenhum.

Quando ele faleceu, os meus primos, que herdaram a propriedade, cortaram tudo e encaixaram uns tostões da UE.

Agora gastaram o dinheiro todo e não têm nada. Falta de visão, é muitas vezes o nosso problema.

Cumprimentos da terra das tulipas.
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De Paulina Mata a 25.10.2009 às 16:25

Sim, a questão do preço dos vinhos nos restaurantes é um tema sempre pertinente, embora não fosse essa a tese que eu procurava com a reflexão de hoje.

Sim Rui, eu percebi isso. O meu comentário resultou apenas de uma associação de ideias... As conversas são como as cerejas...

Relativamente ao assunto do tópico, parece-me que no caso dos restaurantes a margem de manobra pode ser maior. Usar produtos mais baratos em alternativa a outros considerados "nobres" e bem mais caros. Simplificar no serviço e na decoraçao / equipamento.

No caso dos vinhos não será a margem de manobra menor?

Podem comparar-se as situações?
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De Hugo Mendes a 28.10.2009 às 15:10

Rui, entendo o que diz, contudo, tem de balizar esse conceito às regiões que vendem vinho caro! Se procurar, encontra isso que fala (mais ou menos conseguido!) nas regiões Tejo e Lisboa!
Eu sei que quer dissocia os temas, mas acha que podemos dissocia-los assim? Não está um vinho que sai da adega a 2,5 - 3 € no limiar desse conceito! Mas cá, se aumentamos a qualidade, aumentam a margem! É linear! Querem lá saber do resto! Não é à toa que os supermercados subiram as vendas e a HoReCa desceu!
Para mim essa é uma regulação que passa muito mais pelos consumidores que pelos produtores. Embora, reconheça que durante demasiado tempo a produção viveu alheada disso, fechados no conceito parolo de que o nosso vinho, se for vendido a 20€ e não aos 5 para que foi concebido, só sai prestigiado!
Acho que é necessária mais uma mudança de atitude que de técnica, pois, a meu ver, grande parte dos vinhos nacionais, sai da adega a preços super low cost!
Abraço
Hugo Mendes

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