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Há estrelas e estrelas

por Miguel Pires, em 27.11.09

 

As discussões em volta das atribuições de estrelas do guia Michelin despertam sempre as mais diversas reacções. No país vizinho há quem prefira ignorar e há quem faça a sua apreciação. Rafael Moral de Lo Mejor de la Gastronomia provavelmente acha mais relevante falar do campeonato internacional de receita de azeite. Já Carlos Maribona o influente bloguista do Salsa de Chilles , faz a sua apreciação com uma menção especial, no final, à estrela atribuída ao Tavares.

 

Por coincidência, em Tóquio, onde me encontro, jantei hoje no Nakajima um dos 197 restaurantes da cidade a ostentar pelo menos uma das tão badaladas estrelas (como se sabe Tóquio é a cidade do mundo mais estrelada pelo Guia Michelin). Este restaurante situado numa cave  - que tal como tantos outros daqui só lá se chega por sorte, coincidência ou de táxi (caso se tenha sorte no taxista) - não passa de um bom mas simples restaurante de cozinha tradicional japonesa com uns laivos de modernidade. Dos 9 pratos do menu foram poucos os que me entusiasmaram. É verdade que o produto é rei e é soberbamente bem tratado mas a intervenção é demasiado minimalista e a obsessão por “tudo do mar”, demasiado evidente. Caldos e mais caldos (quase sempre muito intensos), vários tipos de algas e de ovas, peixes frescos, secos e fumados. Enfim sabores muito diferentes dos que habitualmente passam pelo palato de um ocidental, mesmo quando acostumado a uma profusão razoável de sabores de peixe cru (a menos que esse ocidental se chame Paulo Morais).

 

 

 

Moral da história - deve ser uma mania ocidental esta de que todas as histórias têm que ter uma moral, mas adiante: pelos vistos, por aqui, é fácil para um restaurante simples ganhar uma estrela. Um restaurante  na cave de um beco; um restaurante que nos deixa à mercê de correntes de ar e em que o Chefe (e dono) e a responsável pela sala (mulher do dono) bebem com os clientes. Um restaurante com uma carta de vinhos curta (até mesmo de sakés) Não que estas situações tenham algo de mal, de todo. Pelo que tenho visto são hábitos muito comuns daqui (excepto a corrente de ar). Mas das duas uma, ou os critérios do Guia Michelin são diferentes de país para país, ou não são aplicados de igual forma. Passe o exagero, se este Nakajima pode ter uma estrela em Tóquio, então o Ramiro também poderia tê-la em Lisboa.

 

P.S. a propósito… já se comia um prego do Ramiro.

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publicado às 16:35



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