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Será que é obrigatório para um crítico de vinhos (ou em última análise, para um crítico em qualquer campo) provar mesmo, mesmo, mesmo os vinhos que comenta e recomenda… antes de poder escrever sobre eles? Sim, sim, eu sei, a pergunta parece deslocada, absurda e de retórica pura! No entanto, a dúvida existencial ganha novo sentido face ao mais recente guia de vinhos do autor australiano Matt Skinner, jornalista, crítico de vinhos (com colunas de opinião publicadas em diversos jornais e revistas internacionais) e consultor em diversos projectos de restauração… entre os quais se destaca a ligação com a famosa e mediática estrela de televisão inglesa, Jamie Oliver.

No The Juice 2010, o guia de vinhos mais recente do autor, Matt Slinner recomenda e enaltece um grupo alargado de vinhos que, alegadamente, nunca poderiam ter sido provados… por na quadra da produção do livro (revisão final no mês de Maio) os vinhos apreciados ainda não estarem engarrafados… nem terem sido mostrados à imprensa. Confrontado com os gritos da denúncia de alguns produtores, Matt Skinner assumiu candidamente que não tinha tido oportunidade de provar todas as recomendações constantes do seu guia. Em sua defesa, alega que os vinhos dos produtores em causa são tão consistentes, tão previsíveis, que, apesar de não os ter provado, a recomendação com nota e descritivos de prova lhe parecem ser perfeitamente sensatos. Por sua vez, a editora, a mais ilustre editora sobre o tema Vinho, a Mitchell Beazley, alegou que a estratégia perfilhada revelou ser fundamental para que o guia se mantivesse útil durante um período de vida alargado…

 

 

 

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publicado às 09:17


3 comentários

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De Luis Alvoeiro a 17.12.2009 às 16:11

Spooky.
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De Miguel Pires a 17.12.2009 às 23:07

"Por sua vez, a editora, a mais ilustre editora sobre o tema Vinho, a Mitchell Beazley , alegou que a estratégia perfilhada revelou ser fundamental para que o guia se mantivesse útil durante um período de vida alargado…"

Interessante. Brilhante estratégia de Marketing. Com a credibilidade posta em causa provavelmente vai haver uma pilha de guias por vender. Se isso acontecer então o livro ainda terá um período de vida muito mais alargado. Já quanto à utilidade...será a mesma que tem agora: nenhuma . Se fosse em Portugal seria caso para lhe chamar,"esperteza saloia"
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De Rui Falcão a 18.12.2009 às 15:07

Sim, é verdade, o tema é mesmo “spooky”, para além de criar um risco do "alarme social", de nivelamento por baixo, de querer julgar todos os críticos pela mesma tabela.
Mas, muito para além das possíveis e prováveis acusações de fraude que possam levantar, interessa-me sobretudo discutir os fundamentos filosóficos utilizados por Matt Skinner para justificar a sua “curiosa” opção editorial. Ou seja, o pressuposto de que se podem recomendar vinhos de alguns produtores "fiáveis" sem ter provado as colheitas em questão, com base na previsibilidade das mesmas.
A teoria fará algum sentido? Será um simples refúgio face à polémica levantada pelo agravo, ou é uma consequência directa da previsibilidade de alguns vinhos apelidados como “industriais”, da famosa “cocalização” do vinho?
 

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