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“ Olivier é um homem competitivo e não se envergonha disso. Sobe-lhe a mostarda ao nariz quando lhe falam da concorrência (Victor Sobral, Henrique Sá Pessoa, José Avillez, Joachin Koerper): ‘Eu faço o meu nome através do meu restaurante, não ando à procura de revistas para o fazer’. Fala sem papas na língua sobre os críticos:"Há um círculo de ciúme à volta do Olivier. Eles são todos bons, mas eu é que ganho dinheiro". Apimenta um pouco as coisas:"Os outros arriscam pouco. Eu arrisco muito"

 
(…) Sempre atarefado, Olivier faz questão de ir a cada mesa 'fazer pedidos'. Se os 'outros' perdem tempo 'nas revistas' , 'eu perco o meu tempo a gerir, na cozinha, e a ser public relations'. (...) A verdade é que no Olivier Avenida só há Olivier, figura omnipresente: de jeans, pólo azul e relógio de ouro - como na capa do livro -, Olivier está na mesa ao lado a conversar com alguém importante, mas também a tirar fotos para uma revista cor-de-rosa, senta-se e come um cogumelo, passa de relance a gabar a trufa de Alba, serve o vinho, pergunta se está tudo bem. "A pessoa aqui é tratada como um amigo. A marca Olivier é todo um ambiente, um serviço", explica.
 
(…) Diz sem preconceitos, que a sua cozinha é 'comercial'. Apesar disso, não é para todas os bolsos. 'Nunca tive pretensões de ter um restaurante inacessível. Uma pessoa pode vir aqui, comer um hambúrger e beber uma cerveja, e pagar 30 euros.'
 
(…) Apesar do sucesso, não quer uma estrela Michelin.  'Não ambiciono uma, aliás, tem de se fugir das estrelas Michelin.' (...) Os rankings não me interessam. Eu facturo 100 vezes mais do que eles'
 
(…) '[em Lisboa] Falta abertura, visão e optimismo.' Insiste-se sobre a concorrência: vai lá comer? ' vou, mas é muito mau.' Quando se lhe diz que não pode ser totalmente verdade, ‘ visão ’ e ‘ optimismo ’ espalham-se no rosto de Olivier, e reconhece: ' Gosto do Bica e do Pap'Açorda. O Gambrinus é um bocado demodé, mas no Tavares está o Avillez, não é mau, até é interessante '.
Por um lado, diz que só lhe importam as críticas dos estrangeiros, mas, se a Time Out não o menciona [como um dos restaurantes da década], reage com indignação. Em que ficamos? A figura omnipresente, hiperactiva, que interrompe a entrevista para atender o telefone e falar de encomendas, ou para entregar cheques aos empregados, que sorriem de gratidão; que ora está de pólo azul ou de jaleca; ora está na mesa com o ministro ou a fazer charme aos jornalistas, pela primeira vez torna-se frágil. Com os olhos sérios, perde o ar trocista e, após um longo silêncio, responde: ' tenho um ressentimento, sim, por não ser reconhecido. Fico lixado porque em Portugal não me dão valor' "
 
Excertos do trabalho de Raquel Ribeiro sobre o Chefe e empresário, Olivier da Costa , na Pública de ontem.

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publicado às 14:03


3 comentários

Sem imagem de perfil

De António José da Silva a 21.12.2009 às 20:23

Caro Miguel

Em relação deixo seguintes comentários :


1 - "Sempre atarefado, Olivier faz questão de ir a cada mesa 'fazer pedidos"

Fui lá há 2 semanas jantar. Éramos 4 e eram 22.00h e a casa estava bastante vazia. O Sr Olivier estava ao balcão em conversa com um amigo, e assim se manteve durante todo o nosso jantar. Mesmo quando pedimos para colocar o vinho tinto à temperatura correcta, ele olhou com ar de desprezo... mas não saiu do balcão.

2 - "A pessoa aqui é tratada como um amigo"

Se tratam assim os amigos, não quero ser inimigo

3 - " o Avillez, não é mau, até é interessante "

Esta é a melhor do ano

4 - "a sua cozinha é 'comercial'"

Verdade, basta abrir "umas caixas" e pôr no fogão, está pronto a servir

Conclusão : Mais vale cair em graça que ser engraçado
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De Artur Hermenegildo a 23.12.2009 às 12:46

Tenho o Olivier como um muito bom "restaurateur" que de facto talvez não tenha tido o reconhecimento que merece.

Não sou um frequentador habitual, mas quer o Olivier da R: do Alecrim (ex-Olivier Café) quer o novo no Tivoli me proporcionaram boas refeições.

E é um facto que, não sei porquê, a crítica gastronómica em Lisboa tem ignorado estes restaurantes.

O mesmo acho em relação ao Valle Flôr, para mim talvez o melhor restaurante de Lisboa se considerarmos a qualidade consistente nos últimos 5 anos, mas o Aimé Barroyer parece ser, apesar do nome, um mal-amado pela crítica.
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De Em memoria de meu pai a 28.12.2009 às 16:32

Caro Artur.

Concordo plenamente com o que diz em relação ao Olivier, conheço o seu pai e acho que este nem sempre lhe soube seguir as pisadas, especialmente na simpatia e no trato mas admiro-lhe o risco e a vontade e segundo me recordo disse uma vez numa entrevista que ele só era quem é devido ao nome do seu pai, talvez seja por isso que não tem esse reconhecimento.
Gosto do seu restaurante na Avenida ( não me desloco de propósito para ir lá ) mas é mais um sitio para ver e ser visto, a carta muda com pouca frequência.
Em relação ao Valle-Flôr tenho pena que não tenha uma "ganho" uma estrela Michelin aquando da sua abertura ou nos 3 anos seguintes, é daquelas coisas que não consigo compreender (como diz o anterior comentário, vale mais cair em graça......), alem do trabalho criterioso do chefe, a pesquisa e os profissionais que o acompanha(ra)m e que tambem estão hoje em lugares de destaque são dignos sucessores assim com o movimento de cozinha portuguesa ali gerado e que tão bons frutos e profissionais nos deu. Só não gostei de num jantar de empresa na cozinha velha, ouvir o chefe descontrolado e aos berros e o seu sub-chefe é que veio pedir desculpas pelo sucedido. Todos temos dias maus mas não me pareceu o caso, nem a primeira vez.
Neste momento compreendo que não tenha a estrela porque o seu serviço de cozinha decaiu um pouco em relação ao que foi feito nos 3 primeiros anos mas o mérito ninguem lho tira, basta ver os prémios mas não se pode estar sempre na crista da onda.

Saudações e um excelente 2010
José Eduardo Van Zeller

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