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Peixe em Lisboa - Instantâneos, 8º e 9º dia

por Miguel Pires, em 22.04.10
8º e penúltimo dia do Peixe em Lisboa
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um pedido, 'freeze!', e o acelerado Hans Neuner lá olhou para a câmara
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No Sábado, Hans Neuner, recentemente galardoado com um estrela Michelin no seu restaurante The Ocean ( Vila Vita Parc - Porches, Algarve), foi o primeiro a entrar em cena, nas apresentações do Chefes. Simpático, nervoso e a 200km/hora, num inglês de sotaque alemão, Hans executou alguns pratos do menu actual do The Ocean.
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Após uma pausa foi a vez de Leonel Pereira entrar em campo para uma apresentação muito segura, ao seu estilo: conceito, método (dedicação, trabalho, dedicação), demonstração.
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ostra, pepino, sorbet e espuma de maça granny smith (e de endro, neste ultimo caso)
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'coral': alfaces, algas, berbigão, búzios e uma gelatina 'mar' cuja cor foi obtida a partir da casca de beringela
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A fechar o dia, uma das apresentações mais marcantes de todo o festival: O Chefe Vítor Sobral deu uma "aula de anatomia". Durante 45 minutos, num estilo mais Dexter do que  Derek, Sobral lá andou às voltas com este Atum Patudo dos Açores, um 'menino' de 78kg.
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Faca, serrote, martelo, sangue, suor (só não houve lágrimas)
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No final, a recompensa em apenas 15 minutos: o 'menino' em tártaro...
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...e braseado, com um escabeche e batata doce
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9º e ultimo dia do festival
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Como habitualmente a abrir o programa de Domingo, o ultimo dia do Peixe em Lisboa, a 'Grande Caldeirada'. Por questões de logística a confecção deixou de ser comunitária. Por isso cada restaurante fez a sua e os próprios chefes vieram oferecê-la a quem quis. E foram muitos os que passaram pela varanda do pavilhão de Portugal. Os Chefes  apresentaram uma tipica caldeirada à portuguesa, no entanto...
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...houve quem fizesse uma versão mais próxima da sua cozinha, como se pode ver pela quantidade de lemongrass, na versão oriental de Paulo Morais. A minha preferida foi a do Sr. lá do fundo (Joachim Koerper, para os mais distraidos), sobretudo quando apanhei, no final, só já o caldo, que mais parecia uma   bisque de lagosta
A caldeirada do Vitor Sobral e do José avillez (não consegui descortinar se a fizeram a meias). Uma falha grave imperdoável de tão destacadas figuras da nossa cozinha: não havia quase batata nenhuma. Era só peixe, peixe, peixe. Até robalo, um crime! :))
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Mas a festa não acabou com a Caldeirada. Houve ainda apresentações dos Chefes. Para aquecer a audiência, Luís Lavrador, conhecido por ser o Chefe da Selecção Portuguesa de Futebol, não nos revelou os pratos favoritos do Raul Meireles, do Cristiano Ronaldo, ou da Nereida...
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...mas fez-nos uma sopa de cavala.
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A fechar o dia e o evento mais um momento alto do festival, desta vez com a apresentação o paulista de origem japonesa, Tsuyoshi Murakami, um dos mais prestigiados Chefes de cozinha nipónica do Brasil. Não houve cozinha fusão, mas sim muita simpatia, boa comunicação, transmissão de conhecimento e um menu japonês à séria...
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Em jeito de resumo deixo aqueles que na minha opinião foram os aspectos positivos e negativos do Peixe em Lisboa 2010.

 

I - Positivo

 

. Organização: a experiência em organizar este tipo de eventos (nomeadamente as edições anteriores do Peixe em Lisboa) ajuda muito, mas nunca é de deixar de louvar a responsabilidade pelo sucesso desta operação que conseguiu trazer ao Pavilhão de Portugal, 22100 pessoas. Não houve o crescimento exponencial de visitas, como aconteceu no passado, mas ainda assim ficou-se ligeiramente acima das 21600 de 2009.

O espaço aumentou e teve um novo desenho, o que o tornou mais transitável. A área de exposição apresentou-se mais cuidada. A decoração esteve ao bom nivel dos anos anteriores e o cuidado com a limpeza meé digno de registo. Estão por isso de parabéns a Essência do Vinho e vá lá...também o Duarte Calvão, que com a sua paranóia da pontualidade lá conseguiu que muitos dos acontecimentos começassem à hora marcada.

 

Apresentações do Chefes: ainda houve alguma nervoseira e dificuldade em encarar uma plateia quase sempre bem composta, bem como alguma dificuldade na gestão do tempo. No entanto, no geral, as apresentações foram superiores às do passado. As melhores, nos diversos estilos: irmãos Roca, José Avillez, Alex Atala, Vitor Sobral e Tsuyoshi Murakami (que por acaso aqueles que encheram o auditório). Estiveram ainda em bom nivel Claude Troisgros, Luis Baena, António Nobre, a dupla João Sá/André Simões (uma revelação nestas andanças!), Miguel Castro Silva, Bertílio Gomes e Leonel Pereira.

 

Assistência às Apresentações do Chefes: Houve várias sessões praticamente esgotadas e quase todas tiveram uma plateia bem composta.

 

Presença de alunos das escolas de hotelaria: ao contrário do que aconteceu nas edições anteriores, este ano houve uma boa presença de alunos das escolas de hotelaria.

 

Sustentabilidade: foi um termo transversal à maior parte das apresentações. Nuns casos notou-se mais a sua aplicação, noutros, pelo menos, o termo está presente ao nivel do discurso

 

Restaurantes: Uns facturaram mais do que outros e nem todos utilizaram o espaço como montra dos restaurantes principais (José Avillez que foi dos que teve maior afluência apresentou propostas que espelhavam mais o seu Catering ou o 'JA à Mesa' do que propriamente o Tavares).  Os que mais apreciei, pelas propostas e pela dinâmica apresentada: Fortaleza do Guincho, York House, Tasca da Esquina.

 

Expositores presentes: muitos das empresas que produzem produtos de qualidade em pequena escala perceberam a importância de estarem presentes num evento como este. Eles certamente agradecem, pelos resultados de exposição e pelas vendas que obtiveram. Nós agradecemos pelo o contacto e pelos produtos que pudemos experimentar e adquirir.

 

II - Negativo

 

Sustentabilidade: foi um dos termos mais ouvidos nas apresentações dos chefes. No entanto era bom que algo tão corriqueiro nos dias de hoje, como a Reciclagem, fosse mais colocado em prática. No futuro gostaria que organização desenvolvesse mecanismos para reduzir a quantidade de lixo, nomeadamente de plástico (de pratos, embalagens e talheres de plástico) e promovesse a sua separação.

 

Falta de público nos primeiros dias : por causa do bom tempo, primeiro e por causa do mau tempo, depois,  temeu-se que o festival pudesse vir ter menos gente do que no ano anterior (isto tendo em conta a afluência dos primeiros dias). Mas afinal foi só uma demonstração de como os portugueses adoram deixar tudo para o fim (a primeira enchente coincidiu com o dia da apresentação de José Avillez, na 4F).

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publicado às 14:56



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