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Hoje, na Pública.

por Miguel Pires, em 23.05.10

Estou curioso, muito curioso com esta reportagem de Paulo Moura...

 

"Fomos sair com os críticos de gastronomia. São uma espécie de clube de cavalheiros, especializaram-se no prazer, mas regem-se por rigorosos princípios éticos. Ou assim era, sob o exemplo e inspiração do grande guru da confraria dos críticos, José Quitério. Hoje, com a moda da gastronomia e a crise da imprensa, a figura incorruptível e poderosa do crítico de restaurantes pode estar condenada a desaparecer".

 

 

Actualização em 25/5: a reportagem pode ser lida na íntegra, aqui

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publicado às 01:16


12 comentários

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De Rui Falcão a 23.05.2010 às 12:11

Miguel e Duarte, retiro esta enunciação em particular
"Um crítico de restaurantes é um especialista do
prazer. Quase não há outras profi ssões assim. Os
actores de filmes porno e pouco mais."
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De Miguel Pires a 23.05.2010 às 14:06

Rui,
como o mercado está acho que não devemos fechar portas a outras áreas do prazer. Por isso a comparação até me parece razoável. Já cantava Marco Paulo, esse grande cantor romântico : "uma lady na mesa, uma louca na cama". Talvez venha daí a inspiração para a comparação.

P.S. vou só ali almoçar e já respondo à curiosidade da Paulina Mata.


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De Paulina Mata a 23.05.2010 às 12:55

Li o artigo. Não vou comentá-lo porque o li uma vez às 6 da manhã, depois de um longo serão a preencher o IRS. Tenho que o ler bem mais vezes, para assentar ideias. Talvez um dia volte a ele "no sítio do costume". Não sendo crítica, e gostando muito destas coisas, parece-me que aquilo tem muito "por onde pegar"...

O Miguel estava curioso, muito curioso com a reportagem. E estaria curiosa, muito curiosa por ouvir os comentários dos visados ao artigo e à forma como o que disseram foi abordado. Sei que não vai acontecer, e que para eu não morrer de curiosidade, vou ter mesmo que matar a minha curiosidade... :-)
Mas que dava "muito dinheiro" por isso, à isso dava... :-)


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De Vicente Themudo de Castro a 23.05.2010 às 19:07

Paulina, no que me respeita poderei comentar tudo. Há realmente ali frases que são a interpretação do Paulo ao que disse: "...De um modo geral, dá-se a conhecer nos locais e frequentemente não paga a conta", esta frase não sem bem o que quer dizer, mas o que disse é que aceito muitos convites para assim conhecer mais do que se faz em Portugal.
Para quem não leu o artigo aqui vai um link - http://jornal.publico.pt/magoo/noticias2.asp?a=2010&m=05&d=17&id=347900&sid=65004
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De Vicente Themudo de Castro a 23.05.2010 às 18:03

Bem, do que me respeita fiquei um bocado triste com o que li, pois realmente há ali pano para mangas.
Se calhar fui comedido em certos assuntos que eu não quis abordar e que o sr. do expresso, explanou.
Realmente a diferença de gerações e culturas leva a diferença de métodos de trabalho, mas até o meu pai que é um retrogrado, já percebeu que sem computador perde mais tempo e por vezes não tem toda a informação que precisa.
Mas também é estranho ver a interpretação que se dá a algumas das frases ditas.
A introdução é simplesmente soberba, e uma interpretação da realidade como nunca vi.
Parabéns ao Paulo Moura por este artigo.

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De Miguel Pires a 23.05.2010 às 23:38

Em geral também gostei muito da reportagem do Paulo Moura. É claro que quando participamos achamos sempre que o que dissemos não foi exactamente aquilo, ou que a frase foi retirada do contexto. Quanto a isso não há nada a fazer*

Em relação aos testemunhos dos meus pares identifico-me mais com uns do que com outros. Apesar de me identificar pouco com as opiniões do José Quitério (naturalmente a personagem mais focada pela reportagem) respeito-as qb - até mesmo o desprezo que ele tem por quase nós todos. Aliás, algumas das suas idiossincrasias falam por si (gostei muito da frase do Duarte Calvão: "há gente que vai para a mesa como quem vai para Aljubarrota")

*por acaso até há (vantagens de ter um blogue:). O assunto que refiro sobre a 'cuveé du journaliste' veio a propósito do tão falado anonimato 'imposto' ao critico gastronómico quando isso não se passava, por exemplo, com os vinhos (ou noutras áreas como cinema, a música ou a literatura). E aí referi que a critica de vinhos é geralmente feita a partir das amostras que os produtores enviam e que por isso não havia garantias que o que vem na garrafa corresponda ao que vem no rótulo. É nesse contexto que refiro que se houve falar, nos bastidores, da famosa 'cuveé des journalistes' .
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De Filho do Lourenço Viegas a 24.05.2010 às 14:22

Caro Miguel, é bem verdade que por vezes o que se lê foge muito à realidade, principalmente quando nos toca a nós. mas é mesmo assim, acontece.

Infelizmente em Portugal para se ser Critico de Gastronomia, basta saber nada de tudo um pouco e ter uma costela de faccioso.

Palavras para quê? É um artista Português...

E esta hein!?!?!?
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De Miguel Pires a 24.05.2010 às 18:19

De facto ser critico de gastronomia não exige exame ou inscrição em qualquer Ordem, ou Sindicato (embora isso também não fosse, só por si, uma garantia de qualidade). Do mesmo modo que não é necessário para qualquer outro tipo de actividade do género, nem tão pouco é necessário para se ser cozinheiro. Assim sendo o critico vive da credibilidade do seu nome. Da credibilidade que os outros dão ao que escreve. E como em tudo, uns acham que determinada pessoa é credível, outros não. É a vida.

P.S. eu por exemplo não dou credibilidade a anónimos, mas a alguém que se apresenta como Filho do Lourenço Viegas dou, claro.
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De Anónimo a 24.05.2010 às 08:10

De modo algum se regem por rigorosos princípios éticos. É tudo um jogo de influências, amizades e simpatias. O que não quer dizer que algumas pessoas não saibam, e bastante, de gastronomia. Mas essas pessoas não valorizam tanto os seus conhecimentos como as amizades, os esquemas e os interesses. Se não fosse assim, alguém explica, por exemplo, a forma exagerada e quase rídicula como José Avlilez é levado ao colo por todos? Sim, ganhou uma estrela Michelin para Lisboa e é grande amigo - não era suposto haver algum distanciamento para garantir a independência da crítica? - de quase todos os críticos referidos no artigo. Aliás, no Peixe em Lisboa, sem que ninguém percebesse porquê, o José Avillez teve até direito a uma "exposição multimédia", que mais parecia um altar a um santo adorado: uma sala quadrada com assinatura e frases suas à entrada, com 'estrelas' brilhantes no chão e meia dúzia de fotos de pratos seus, estrategicamente colocada à entrada para o auditório, passagem inevitável e obrigatória das estrelas internacionais que foram convidadaas para o evento e que fizeram ali, no auditório, as suas demosntrações. Alguém se lembra, por exemplo, que Ricardo Costa ganhou uma estrela Michelin no desterro de Portugal (em relação ao lobby central de Lisboa, claro), sem quaisquer influências dos críticos? Quantas vezes apareceu na imprensa pelo seu feito? Sim, completamente 'sozinho' no norte de Portugal, num restaurante onde a maior parte dos críticos de serviço nunca foi... .
Até podemos dizer e achar muita coisa, e a malta é toda porreira e sabe e gosta de gastronomia, mas a crítica é pouco séria, infelizmente. Por exemplo, outra coisa que faz uma certa confusão é saber que os 'criticos', a maior parte, até há pouco nunca tinham ido ao único restaurante com duas estrelas Michelin em Portugal... mas o que significam as estrelas, tão levadas a sério em alguns casos? Vale a pena a viagem... e aquelas duas estrelas aqui tão perto e tão ignoradas.
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De Miguel Pires a 24.05.2010 às 18:06

Alguma coisa não bate certo quando alguém se apresenta como anónimo e vem falar na ausência de 'rigorosos princípios éticos' ou de falta de seriedade de outros.

Ter o direito a vir aqui opinar é uma coisa. Deixar insinuações no ar sem as concretizar é 'baixo', e para 'baixarias' este espaço não está disponível.
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De JVC a 24.05.2010 às 18:27

No creo en brujas pero que las hay, hay. Deve ser coincidência, mas este artigo da Pública aparece a seguir a uma crítica minha ao guru, na minha página "do gurmê" (http://jvcosta.net/gourmet.html#g41).

Depois do artigo da Pública, não tenho nada a desdizer-me. Veja-se a sua crítica de sábado, ao Retiro do Raposo. Mais uma vez, um restaurante banal, com pratos que ele classifica também como medianos, para além de começar por dizer que é um restaurante predominantemente de grelhados - ainda alguém julga que isto merece crítica? Nem uma nota a justificar "não percam este restaurante". Isto merece uma página da Única? O que move Quitério? Qual é o seu critério de escolha de críticas? Ou é o jornal que faz a agenda?

JQ, decididamente, está a acabar-se. Uma pessoa que confessa hoje que não usa mail nem sequer computador o que é que quer que pensem dele? Por isto, fica revoltado quando lhe dizem que alguém o critica num blogue. É pena que não as vá ler, aprendemos sempre com as críticas.

JQ parece que só gosta verdadeiramente de cozinha tradicional portuguesa. Também eu, é claro, mas isto não amputa a minha liberdade criativa ou de apreciação. Um amigo comum confirma essa prioridade de gosto de JQ. No entanto, ele opina sobre todas as outras cozinhas, sem boa base de gosto e técnica.
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De António Moura a 04.06.2010 às 18:01

Fala-se do José Quitério, esquecendo-se por vezes o papel que ele exerceu em devida altura, na formação de opinião gastronómica em muitos portugueses.
Por esse trabalho, julgo que ainda não lhe foi prestada a devida homenagem.
Mas os tempos mudam e hoje em dia novos gostos e novos criticos abundam. Muitas opiniões também.
Este artigo do Paulo Moura ajuda um pouco a separar o trigo do joio, ou seja, vários que são realmente críticos, junto com quem gosta de se armar em crítico.

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