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Agitando a crítica (1)

por Duarte Calvão, em 10.06.10

Venho de um mês de férias no Brasil e apesar de ter visto de relance este artigo do Público e a imediata polémica que despertou quer aqui no Mesa Marcada quer na Nova Crítica e na Revista de Vinhos, só agora percebi que ele agitou e continua a agitar bastante este pequeno mundo dos que em Portugal se interessam por gastronomia. Agitação que, diga-se de passagem, é positiva e sacode o tédio. Devo ainda dizer que fiquei muito honrado por ser hoje considerado um "crítico", só porque escrevo de vez em quanto sobre restaurantes aqui no Mesa...Sobre o artigo em si, parece-me que ele incorre em dois erros fundamentais. O primeiro, e digo isto porque tenho a experiência de ter sido jornalista durante vários anos e porque cometi inúmeros erros, é o de ter consultado demasiadas fontes. Para o espaço que tinha, o seu autor Paulo Moura (um jornalista com provas dadas) falou com gente demais e o resumo que fez das declarações de cada um provocou, segundo já me disseram alguns dos intervenientes, descontextualizações e eventuais interpretações  incorrectas por parte dos leitores. Sei bem, como todos os que já escreveram para a Imprensa, o que é termos muito material e pouco espaço. A isso e apenas a isso atribuo a maneira como eu (e pelos vistos outras pessoas citadas no artigo, como o Miguel Pires, que aqui se referiu à questão) fui citado no artigo. Não me interessa fazer "correcções". As minhas declarações publicadas estão correctamente transcritas, mas eu disse bastante mais coisas a enquadrar e, provavelmente por falta de espaço, Paulo Moura deu-lhes o uso que entendeu dar. Aproveito a vantagem de escrever num blog sem limites de espaço para desenvolver  as minhas citações e enquadrar, até porque acho que o resultado pode ser interessante. Mas para não abusar da paciência dos nossos leitores, vou fazer esse desenvolvimento em mais de um post.
Para já, começo por aquele que considero o segundo erro do artigo: pôr José Quitério contra todos os críticos, buscando um antagonismo entre "conservadores" e "modernos", entre uma "grande figura ética" e outros, bem, outros mais ou menos inescrupulosos, entre o "guru" e os que tentam ser seus "seguidores" e por aí fora. Não vou analisar o que a Quitério é atribuído, nem aos outros, principalmente porque não sei até que ponto as suas declarações foram também desenquadradas. Embora alguns, como nota ironicamente João Paulo Martins (ver mensagem respectiva), achem que no artigo fica patente o "amor mútuo" entre Quitério e este que vos escreve, devo dizer que sempre admirei o papel histórico que o crítico do Expresso teve na nossa Imprensa, sempre elogiei os seus conhecimentos sobre cozinha portuguesa, a sua indiscutível seriedade, o direito que conquistou a escrever no estilo que é o seu há mais de 30 anos. Digo isto há muito tempo e está registado em intervenções que tive na imprensa, rádio e televisão. Porém, José Quitério não é nem nunca foi o meu "guru" nem nunca pretendi "segui-lo" ou imitar o seu estilo. É assim hoje e já era há mais de 12 anos, quando comecei a escrever sobre restaurantes e gastronomia. Nunca senti necessidade da sua "aprovação" e acho que é totalmente indiferente o facto de ele manifestamente não apreciar o meu trabalho. Nada disso diminui a minha elevada opinião sobre ele como profissional. Tenho pena que o artigo reduza José Quitério a um "conservador", tanto mais que ele teve um papel fundamental na carreira de pessoas que muito renovaram a nossa cozinha, como Vítor Sobral, Miguel Castro e Silva, Joaquim Figueiredo ou Luís Baena, a quem nunca poupou elogios nas suas influentes críticas.
Em próximos posts falarei sobre outras questões suscitadas pelo artigo.

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publicado às 16:12


1 comentário

Sem imagem de perfil

De LA a 11.06.2010 às 10:38

As discussões atravessam a blogosfera e forosfera em teias, aqui (http://forum.revistadevinhos.iol.pt/viewtopic.php?f=6&t=1435&p=16316#p16316) há mais intervenções.

abraço
L

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