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A Sul - 8 restaurantes à beira mar, ou quase.

por Miguel Pires, em 28.07.10

 

Foto: Cabanas, Algarve (pela objectiva desajeitada de uma Canon G11)

 

Chegámos à época de férias, ao período em que o país vai a banhos. Com crise ou menos crise o sul continua a ser o ponto cardeal mais procurado. Os habitantes sazonais começam a chegar de armas e bagagens a praias, vilas e aldeias à beira mar. Mesmo que há muito tenha partido o lado edílico de um litoral que nesta época dilata pelos poros, ficam algumas marcas de um tempo em que tudo corria mais devagar. A preguiça instala-se e espera-se que o dolce fare niente tome o lugar do amargus fare Blackberry.

Na gastronomia é tempo de trocar vinhos mais estruturados e complexos por outros mais leves e frutados, sem esquecer a imperial que desce redonda refrescando por onde passa. É altura de trocar os pratos mais pesados por mariscos cozinhados de forma simples, peixes grelhados, petiscos e saladas disto e daquilo. Mas há quem resista à ditadura da grelha e ao pé na areia, e mesmo na época estival procure quem tenha mão para o tacho. Para uns e para outros do mar virá a resposta ou não tivesse no adn luso anos e anos de exploração de uma das maiores áreas de espaço marítimo do mundo.

Deste modo, da grelha, do tacho ou da arte da fritura irão passar pelas nossas mesas, robalos, douradas, chernes, peixes-galo, salmonetes, pregados, pargos, linguados, raias, carapaus e sardinhas (cuja engorda tardia, este ano, nos vai permitir apreciá-las até mais tarde). Não vão faltar também os mariscos, a ‘solo’, ou em arrozes, massadas, ou até feijoadas. E aqui os actores e actrizes principais dão pelo nome de lagosta, gamba, camarão, lingueirão, berbigão, amêijoa (preta ou ‘da boa’), conquilha, mexilhão, percebes, lapas, búzios e... água na boca, muita água na boca (o que é bom para o negócio).

É claro que nem tudo serão rosas e será prudente aviar-se em terra com uma certa dose de paciência para esperar por mesa (mesmo quando se fez marcação) pelo prato que pediu e até pelo que não pediu. No entanto pense que não vai ter uma reunião a seguir, relaxe e peça mais uma imperial (mesmo que esta também demore a chegar).

 

Aqui ficam algumas sugestões de bons sítios a visitar nestas férias:

 

 

Celmar – Aldeia do Meco

 

É nos pratos mais substanciais e em alguns produtos que vêm da lagoa de Albufeira, ali mesmo ao lado, que este restaurante se distingue. As ostras e as amêijoas são dois casos sérios bem como, nos cozinhados, a raia alhada, o arroz de marisco e os linguados fritos com arroz de tomate. Para os adeptos do peixe grelhado, costuma haver bom robalo, pregado e linguado, tudo do mar.

 

Preço médio: 25€

 

Contacto: Restaurante Celmar. Rua Central do Meco - Aldeia do Meco, Sesimbra, Portugal. Tel: 212 683 704

 

 

Ribamar - Sesimbra

 

O marisco e o peixe são normalmente os chamarizes da vila de Sesimbra. No Ribamar também os há e são de qualidade irrepreensível. Mas o que o distingue dos demais está na oferta, suplementar, de pratos mais elaborados e diversificados, como a sopa rica de peixe, o duo de vieiras e lavagante ou o salmonete grelhado acompanhado com um molho dos seus fígados.

 

Preço médio: 30€

 

Contacto:Avenida dos Náufragos 29 Edifício Roquete, Loja D - Sesimbra ; Tel: 212 234 853

 

 

Dona Bia – Torre, Comporta

 

Na estrada Comporta/Carvalhal mesmo em frente aos extensos arrozais que tingem a paisagem, os pratos de arroz impõem-se, como seria de esperar. Como acompanhantes ou como principais, pela mão de quem sabe (muito bem) o que faz. Peça-se uns filetes de peixe-galo com arroz de cabeça, o pregado frito com arroz de grelos ou uns linguadinhos fritos com arroz de berbigão.

 

Preço médio: 25/30€

 

Contacto: Estrada Nacional 261 Torre, Comporta; Tel: 265 497 557

 

 

Café Correia – Vila do Bispo

 

Para quem conseguir passar pelo crivo da Dona Lilita uma ida este lugar pode ter tanto de insólito como de prazer. No final seja qual for o humor da anfitriã a satisfação encontrada num prato de percebes, numas lulas recheadas, no polvo em tomate ou no coelho à Correia,  serão mais do que razão suficiente para querer voltar.

 

Preço médio: 15/20€

 

Contacto: Rua Primeiro de Maio 4 - Vila do Bispo ; telef: 282 639127

 

 

VilaLisa – Mexilhoeira Grande


Este é o mais emblemático dos restaurantes de cozinha autêntica algarvia. A veia petisqueira dos Josés, Vila e Lisa tem mais de 30 anos e a sua cozinha do mar e da serra continua a marcar presença no menu diário onde não faltará, por certo, as batatas cozidas com azeite e alho, a estupeta de atum, o polvo assado com batatas e a sopa de grão e rabo de boi. No final há uma aguardente de medronho que ajuda a digerir.

 

Preço médio: 35€

 

Contactos:   Rua Francisco Bívar - Mexilhoeira Grande (Portimão) Telefone: 282968478

 

 

Fialho – Pinheiro, Luz de Tavira

 

Perto de Luz de Tavira numa estrada que leva à Ria Formosa, há um tasco que poderia ser mais um entre muitos se os peixes e mariscos expostos não tivessem a qualidade que apresentam. As ostras da ria pedem para serem abertas e consumidas apenas com umas gotas de limão; as conquilhas, um bulhão pato; e o robalo, carvão e uma grelha bem quente.

 

Preço médio: 20€

 

Pinheiro, Luz de Tavira ; Tel:281 961 222

 

 

Noélia e Jerónimo – Cabanas

 

Na marginal de Cabanas, recentemente recuperada pelo projecto polis, há filas para os imprudentes que não efectuam reserva neste restaurante. Mesmo para estes a espera vale a pena porque o talento de Noélia, nos tachos, merece ser apreciado. Prove-se a canja de amêijoas, os filetes de peixe galo com açorda de conquilhas, os biqueirões fritos com migas de tomate  e o polvo trapalhão com batata doce.

 

Preço médio: 20€

 

Contactos: Edifício Cabanas-Mar, Cabanas,  Tavira; Tel. 281 370 649 / 968 534 971

 

 

Vistas - Sesmarias – Vila Nova de Cacela

 

Para quem não prescinde de uma refeição de fine dining tem aqui uma boa alternativa aos ‘estrelados’ Michelin do eixo Almancil/Vale de Lobo/Vilamoura. O Chefe Jaime Perez é espanhol e trabalhou com alguns dos melhores do seu pais (Adriá incluído). No seu menu de influência mediterrânea há lugar para um gaspacho andaluz com sapateira; um creme de batata trufada, ravioli de gema de ovo e rebentos de cebola; uma dourada de mar com espinafres frescos, sultanas, pinhão e beterraba; ou uma pá de cabrito caramelizada cozinhada a baixa temperatura.

 

Preço médio: 70/80€

 

Monte Rei Golf&Country Club), Sitio do Pocinho, Sesmarias – Vila Nova de Cacela, Algarve ; Tel:281950 950

 

 

Texto publicado originalmente no Diário Económico em 26 Julho 2010

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publicado às 23:48


9 comentários

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De anita a 29.07.2010 às 01:12

Nhammmm... daqui a 15 dias lá vou experimentar todos os de lá de baixo e, até lá chegar, vou fazendo incursões ao meco e à comporta para me entretar ao fim-de-semana. Belo post de Agosto. Qual silly season.
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De Anónimo a 29.07.2010 às 18:25

xarme em lagos na rua 25 de abril ... vai dar que falar
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De Artur Hermenegildo a 30.07.2010 às 16:27

Eu acrescento o Mequinhos, também na Aldeia do Meco
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De valter costa a 30.07.2010 às 22:54

No D. Bia na Torre, acrescento o esparguete com gambas. E uma seleção de vinhos muito boa e com copos decentes.
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De Miguel Pires a 31.07.2010 às 20:26

Obrigada anita ; Obrigado caro anónimo por nos informar que existe em Lagos um charme com 'x' que vai dar que falar (será por ser na rua da revolução?); meu caro Artur folgo em saber que tiveste uma boa esperiência no Mequinho's. Sorte a tua porque eu não poderei dizer o mesmo; Caro Valter, não provei o esparguete mas o arroz de tomate é o melhor (ou vá lá, para não ser tão fundamentalista) ou um dos melhores que comi até hoje. Já a carta de vinhos limitar-me-ei a classificá-la como razoável (sobretudo por causa dos brancos, onde é fraquita) - a critica ao D. Bia saiu hoje no Outlook e será publicada aqui em breve.

obrigado pela vossas garfadas, cheers!
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De Artur Hermenegildo a 02.08.2010 às 16:25

Por acaso até tive várias boas experiências no Mequinhos, por isso falei nele. Mas já lá não vou desde o ano passado, talvez tenha piorado.
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De Artur Hermenegildo a 02.08.2010 às 16:29

Nota, no Mequinhos sempre comi os chamados "barros", nunca experimentei outra coisa. Não sei com que tipo de comida foi a tua má experiência.
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De Jorge Nunes a 02.08.2010 às 19:27

No Mequinhos estive lá recentemente e não deixou saudades. Aliás, as ameijoas, estavam muito más mesmo. No entanto as salas estavam repletas, às 23:00 ainda haviam pessoas à espera de mesa.
O D. Bia, é daquelas casas de ir à confiança, já se sabe o que vamos encontrar.
Cumprimentos!
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De Sofia a 04.08.2010 às 13:50

Os humores da Dona Lilita transformam o Café Correia num local a evitar.

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