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Mesa marcada no Hotel Albatroz

por Duarte Calvão, em 16.08.10

Deve ter sido há uns seis ou sete anos que um amigo me convidou a experimentar o Pica no Chão, na Rua do Século, um pequeno restaurante onde um muito jovem chefe oficiava numa minúscula cozinha, apresentando menus degustação de 20 ou 30 euros, compensando a mediania dos ingredientes com muita criatividade. Mais tarde, Vítor Claro (que após ter feito a escola de hotelaria, tinha estagiado no Can Fabes e no Villa Joya, entre outros), assim se chamava o chefe, teve uma experiência menos feliz no então X-Café, no Casino Estoril, mas depois rumou para o Degusto, no Porto, onde estive num almoço para a Imprensa de que guardo as melhores recordações. O trajecto de Vítor Claro passou em seguida por Londres, creio que pela Batalha e pela Herdade da Malhadinha, no Alentejo, mas nunca tive a oportunidade de reencontrar a sua cozinha.
Quis o destino que o mesmo amigo, que vive fora de Portugal e é um grande gastrónomo, frequentando alguns dos melhores restaurantes do mundo, de que faz descrições que me deixam roído de inveja, me convidasse para ir almoçar na semana passada ao Hotel Albatroz, em Cascais, onde está agora Vítor Claro. Pois bem, o chefe, que ainda não tem 30 anos, fez-nos um menu com pratos que vai introduzir na nova carta e só posso dizer que fiquei deslumbrado com a qualidade e o bom gosto do que nos foi apresentado.
Foi um almoço dominado pelo mar, que entra pelas janelas deste magnífico restaurante, com excepção de uma delicadíssima terrina foie gras, acompanhada por um leve caldo de galinha, e por uma espécie de gyoza de carne de porco preto, que mesmo assim vinha acompanhada por amêijoas. De resto, um memorável carabineiro, num ponto de cozedura muito ao meu gosto, ou seja, mais elevado do que é habitualmente praticado pelos chefes espanhóis de topo (Roca, Dacosta, Koldo Rodero), que deixam camarões e gambas com uma textura algo pastosa e desagradável, com um “esparguete” de courgette como feliz acompanhamento, e ainda uma raia notável, que na carta vem creio com açorda, mas que para o menu-degustação não ser tão pesado, foi sabiamente servida com uma espécie de fettuccine frio de pepino.
Já no lendário terraço ao ar livre, sobre o mar, ao café, depois de uma sobremesa mais normal de que não tenho grande lembrança, a não ser que incluía um gelado que creio era de tangerina e algo de chocolate (já se vê que não sou muito de doces…), estivemos à conversa com Vítor Claro. Pareceu-me bem, a vencer a dificuldade que é integrar uma equipa já formada há vários anos, a conseguir, segundo me disse, conciliar a sua cozinha com pratos clássicos deste restaurante com muitos clientes antigos (a famosa sopa de peixe, por exemplo, continua a ser feita pelo mesmo cozinheiro), com vontade de mostrar do que é capaz. Fiquei feliz por ver Vítor Claro nesta excelente forma e por mostrar que, apesar da pouca idade, não se perdeu pelos caminhos por onde andou. Para mim, a julgar por este almoço, ele já está na Primeira Divisão dos chefes portugueses.

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publicado às 17:25


1 comentário

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De carlos a 28.08.2010 às 15:43

Almocei no Hotel Albatroz este verão e a refeição foi excelente. Muito agradável, ao nível do melhor que se faz em Portugal. Outros Hotéis de 5 estrelas deviam seguir as pisadas e mudar o estilo de cozinha praticada. Parabéns

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