Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Um chinês que não é fast food, nem buffet

por Miguel Pires, em 15.09.10

Restaurante Hong Kong - Grande Palácio

 

O nome induz em erro. Não há nenhum palácio, nem nada de parecido. Apenas um espaço de sala única, comprida, sem janelas, a não ser a da montra da rua. Existe uma ou outra mesa grande e redonda mas a maior parte são rectangulares e dispõem-se em filas onde cabem 8 pessoas, lado a lado, tipo cantina. A decoração é simples e para restaurante chinês a parafernália kitsch até é reduzida. Vêm-se famílias, casais, pequenos grupos e um ou outro solitário. A maior parte são portugueses, mas há vários orientais, confirmando o que já me tinham referido: que era um local frequentado pela tão fechada comunidade chinesa. Este é um bom barómetro em termos de autenticidade, dado que a larga maioria do restaurantes chineses existentes por cá não foge muito ao modelo fast food do descongela, abre a lata, frita, salteia, coze e serve - isto nos que ainda não se transformaram em buffet (pseudo) japonês.

A lista de pratos é imensa e as propostas vão das mais comuns às menos habituais como as tripas, os pés de galinha, ou as vieiras, com feijão preto; uma boa variedade de dim sum; ou pato de diversas formas ( à cantonês, à Pequim, ou em sopa). Para quem tiver dificuldade em decidir, e estiver acompanhado, tem três menus à escolha: O Hong Kong: 29,90€ (2 pax), o Si Chuan: 27,90€ (2 pax) e o Pato à Pequim: 79€ (4 pax). Foi o que fizemos, optámos pelo primeiro, afinal tinha o nome do restaurante.

Começou por nos chegar uma sopa com dumplings (‘raviolis’) de camarão. Prato leve de sabores suaves com uns talos de couve pak choi no caldo, a quebrar a monotonia. Bom, o recheio dos dumplings, tal como o da generalidade dos dim sum que foram servidos de seguida, onde o recheio variou entre o porco, o choco e o camarão (um prato com 4 espécimes diferentes: dois cozidos, a vapor e outros dois fritos - estes a revelarem demasiado sabor a óleo). Depois tivemos ‘gambas com caju’, apresentado numa massa crocante que fazia de recipiente (com o mesmo problema de sabor excessivo a óleo que referimos atrás). Apesar da apresentação, nada de muito diferente de um banal shop seuy. Gambas médias de razoável qualidade, mas tanto os cogumelos como as mini maçarocas de milho pareceram ser de conserva, bem como a um molho de peixe industrial, demasiado presente. Felizmente que a “vaca com molho Sacha na caçarola”, o prato que me levantava mais dúvidas, estava excelente: fatias de carne finas bem tenras, cogumelos nemeko frescos, massa fina de arroz. Tudo num caldo muito bem apaladado com várias especiarias e coentros frescos acrescentados no final. Só por este prato, vale a pena a deslocação. Ainda quisemos provar o pato à cantonense mas fomos desaconselhados pelo empregado, devido à quantidade mais do que suficiente do menu que pedimos. Tinha razão, e deixámo-lo para outro dia  - embora quase tenha enfiado os pauzinhos em ceara alheia, no prato de um habitué sentado a nosso lado -, tal era o bom aspecto que tinha. A sobremesa não constava na descrição do menu, mas sem o esperarmos deixaram-nos um género de bavaroise de coco, mas mais sólida e em forma rectangular. Foi uma forma suave de acabar a refeição que foi acompanhada com uma cerveja de que gosto muito, pela sua leveza e componente aromática, a chinesa Tsingtao. A carta de vinhos é fraquinha, como é hábito neste tipo de restaurantes, mas há uma ou outra opção que escapa.

O serviço... bom o serviço é em geral sofrível. O tempo de espera pode ser significativo, dependendo da sorte (o nosso primeiro prato demorou 40 minutos, já o do vizinho foi rápido) e o atendimento pode variar entre o minimamente correcto e o rude.

Esta inconstância poderia levar-me a evita-lo ou a desaconselha-lo, no entanto estou desejoso por lá voltar. Há muito de interessante para explorar na carta, bem como outros tipos de dim sum, já para não falar naquela caçarola de vaca que é para repetir. Alem de tudo, a relação preço/qualidade supera largamente os aspectos negativos.

 

 

sopa com dumplings (‘raviolis’) de camarão

“vaca com molho Sacha na caçarola”

 

 

(preço da refeição descrita, com cervejas e dois cafés: 37€/2 pax)

 

Contactos:R. Pascoal de Melo 8, Lisboa. Tel:218 123 349

 

Texto publicado originalmente no suplemento Outlook do Diário Económico em 11 Setembro 2010

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:33


3 comentários

Sem imagem de perfil

De menina a 15.09.2010 às 13:02

eu ainda sou do tempo em que aquilo só tinha chineses, só tinha uma sala -agora tem uma sala em baixo que parece uma cave e funciona muito mal- e o serviço era rápido. ia lá várias vezes, mas desde que saíu na time out e aumentaram o espaço, que aquilo mudou muito. fui lá duas vezes e saí sempre frustrada e com saudades do velho e desconhecido grande palácio.
Sem imagem de perfil

De JP a 16.09.2010 às 19:04

Já lá vou há algum tempo e sempre com bons resultados.
Imagem de perfil

De Artur Hermenegildo a 10.02.2011 às 13:16

Penso que o serviço desde o aumento da sala já foi reajustado, tenho lá ido e sem razões de queixa. Inclusive já fiquei na sala em baixo,, estava com receio mas correu da mesma maneira.

Agora há um spin-off em Oeiras, com gente que saiu do Grande Palácio. O Menu é praticamente igual, mas a sala mais acolhedora e o serviço mais eficiente e sobretudo mais simpático.

Comentar post



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

PUB


Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Siga-nos no facebook


Mesa Marcada no Twitter


Confira os premiados e as listas...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Pub





Calendário

Setembro 2010

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930

Comentários recentes

  • Miguel Pires

    Oops, já corrigido. Agradeço o reparo.

  • Martinho Cruz

    Tudo bem. Vega “Cecília” é que me ultrapassa.....

  • Anónimo

    Esta é uma boa notícia para esta altura do Natal.....

  • Duarte Calvão

    Acho, João Faria, que coloca a questão nos termos ...

  • João Faria

    É verdade que, infelizmente, a mudança ocorrida na...