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LRW - detalhes que deveriam ser claros

por Miguel Pires, em 21.09.10

 

 

 

Começa amanhã mais uma edição do Lisbon Restaurant Week (LRW). A cidade agita-se e muitos vêm no evento a possibilidade de fazerem uma refeição por um preço baixo em locais a que de outro modo não teriam acesso. E é aqui que há um equívoco que todos os anos gera polémicas e que noticias como esta, do jornal i, podiam ajudar a esclarecer, mas não o fazem. A noticia refere no inicio que "espaços como o Eleven, o Gemelli e o XL vão preparar um menu low cost, a 20 euros". Só que depois dá uma indicação do preço habitual de cada um dos restaurantes (Eleven:100€; Gemelli: 60€; XL:40€, Panorama:90€, etc...). O problema é que não referem que este não é o valor habitual do menu proposto mas sim, eventualmente (digo eu), o preço médio de uma refeição normal. Também não referem que a maior parte dos restaurantes limita o número de mesas disponível para os aderentes da iniciativa, o que gera sempre equívocos (o mesmo cliente pode conseguir ou não mesa, consoante esteja a marcar para uma refeição normal, ou para o LRW). Um cliente pouco esclarecido sente-se enganado e isso não é bom, nem para os promotores da iniciativa, nem para os restaurantes. De resto, que seja um sucesso.  (Ver lista dos restaurantes aderentes, aqui.)

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publicado às 12:15


12 comentários

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De Samuel Freire a 21.09.2010 às 18:55

Justamente. Aliás, é um bocadinho decepcionante a oferta que estes restaurantes propõem. Coisas como frango (Eleven, o ano passado) ou salmão (idem, este ano) documentam bem o que se pode comer pelo pouco dinheiro a que são oferecidos. Obviamente que me refiro à genérica má qualidade do frango e do salmão que são vendidos em Portugal e que, para pegar no exemplo citado, só entram na ementa do Eleven nestas semanas.
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De Miguel Pires a 21.09.2010 às 19:45

Samuel,
O seu comentário é muito pertinente e toca num outro aspecto que não foquei, embora esteja ligado ao que refiro neste post .
Tenho um grande respeito e admiração pelo Miguel Júdice como empresário (e como pessoa), mas não entendo o porquê de um restaurante como o Eleven (ou o Panorama) participarem neste evento. É que para praticarem estes preço têm que apostar num menu muito diferente do que praticam habitualmente. A menos que a base seja a do menu executivo e apenas ao almoço.
Penso que foi por esta razão que o Tavares deixou de participar.
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De Paulina a 22.09.2010 às 10:08

Depende das expectativas. Há muitas pessoas que dificilmente poderão ir ao um restaurante como o Panorama ou o Eleven. Nesta situação poderão ter uma refeição muito boa, conhecer o espaço (ambos muito agradáveis e com vistas fantásticas), usufruir de um serviço de mesa bom e comer coisas muito boas, em que não serão usados os produtos mais caros (é impossível), mas produtos menos caros, menos nobres, como quiserem, mas que são bons e permitem demonstrar a cozinha do restaurante. Nas condições em que é feito, se o restaurante fizer um trabalho sério, pode ser uma experiência muito boa, impossível noutra situação.

Concerteza que alguém que vai pagar 20 euros a um restaurante onde normalmente se paga 100 não vai à espera de foie, lagosta e caviar. Nem ficar nas melhores mesas, junto à janela (é que quem paga 100 euros também nem sempre pode ficar nelas). Se o espera, são as expectativas das pessoas que estão desajustadas.

Mas será necessário para ter uma muito boa experiência
?
Não será demasiado elistista dizer - não vale a pena participarem se não dão os melhores produtos?
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De Tiago a 22.09.2010 às 10:47

Da minha experiência na última edição: fui ao Eleven, ao Panorama e ao Gemelli. O serviço foi excelente nos 3.
Quanto ao que comemos, óptimas experiências nos dois primeiros (onde nunca tinha ido) e decepção no Gemelli (ainda hoje falamos no "frango cozido com arroz" dessa noite) onde já tinha ido. Diga-se que o prato duvidoso foi amplamente compensado pela simpatia do próprio Gemelli e do seu staff.
Sensação com que ficámos: a troco de €20 há quem sirva um menú em que os €20 apenas cobrem uma parte do custo, sendo o resto um investimento em promoção por parte do restaurante, enquanto que outros baixam a fasquia para o nível do preço cobrado.
Posso estar aqui a dizer uma grande barbaridade, mas enquanto leigo consumidor, foi a sensação com que fiquei.

Contrasenso: destes 3, o único onde voltei foi ao Gemelli (para magníficas refeições)...

Abraços
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De Miguel Pires a 22.09.2010 às 12:27

Paulina,

1 - mas estes restaurantes são elitistas (sem nenhuma carga pejorativa no termo).

2 - As expectativas das pessoas são por vezes desajustadas, mas noticias como esta do jornal i só vêm ajudar à festa.
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De Paulina a 22.09.2010 às 14:46

Miguel

Concordo que as expectativas das pessoas são por vezes irreais e que a mensagem transmitida pela comunicação social frequentemente contribui para isso.

Quanto aos restaurantes serem elitistas... eu acho que não, senão não tinham aderido LRW. Acho que são restaurantes para um nicho de mercado, para pessoas com um interesse por gastronomia, com gosto por experimentar coisas diferentes do habitual, por conhecer o trabalho de certos chefes, por conhecer restaurantes. Não tem a ver com capacidade económica, mas com interesse.
As pessoas com curiosidade e que não podem ir normalmente, têm aqui uma excelente oportunidade de ver o restaurant, jantar lá e comer coisas que podem não ser feitas com produtos de topo, mas serão certamente com produtos bons e que saiem das mãos de chefes com obrigação de fazerem coisas boas.

Eu fui almoçar um dia ao L'Atelier do Robuchon em Londres, ao almoço há um menu por cerca de 20 euros. Não espero que tivesse os pratos assinatura do Robuchon. Por isso não pedi e pedi outras coisas. Mas podia ter pedido, se não pudesse/quisesse na altura pagar mais. Foi o que fiz no Sketch do Pierre Gagnaire. Paguei 35 euros por uma refeição excelente, que não é certamente "a comida" do Pierre Gagnaire, mas que era muito boa e sobretudo num ambiente e com um serviço fantástico. Valeu a pena. Muito!
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De Samuel Freire a 23.09.2010 às 12:06

«Não tem a ver com capacidade económica, mas com interesse.»??? Não posso estar mais em dasacordo.

O que tornam um chefe e/ou um restaurante uma referência não são as possibilidades daquilo que se pode fazer, mas o que se faz de facto. Fico muito contente que o chefe Joachim Koerper consiga fazer alquimia com um frango, mas será assim tão interessante? Não consta que frango tenha constado da carta do Eleven.

Já no que diz respeito a restaurantes baratos ou menus económicos e à forma como a comunicação social aborda quase sempre estas ofertas deixo aqui a minha experiência. O 100 maneiras quando migrou para o Bairro Alto propunha um menu de sete pratos por 29€. Recordo críticas excelentes do David Lopes Ramos e até do Miguel Esteves Cardoso (que sendo um excelente gourmand gosta é de peixe (bem) cozido com batatinhas). Fui lá duas vezes. 124€ e 92€ (2 pax) foi quanto paguei. Restaurante Alma: mais alta gastronomia (e merecidos elogios) a alegado baixo preço. 97€ (2pax).

Almoço frequentemente no Gemelli que considero baratíssimo e com uma oferta fantástica. Mas reconheço que pratos de inpiração italiana sejam mais baratos de obter.

Também "almoço" na cantina da empresa onde trabalho por menos de três euros o que é um roubo tendo em conta que acaba tudo no lixo.

Gosto muito do conceito americano de value for money.

Nunca fui ao Eleven (e não quero que pareça que o estou a diabolizar). Quando tiver folga financeira, hei-de lá ir. É o restaurante que mais desejo conhecer (além da Fortaleza do Guincho), mas há-de ser para comer aquilo que lemos da critica e não aquilo que se pode arranjar por 20€ (sempre mais). Admiro o Miguel Júdice que não conheço, mas por aquilo que é dado a conhecer pelos orgãos de CS.

Claro que quem achar o LRW o boa oportunidade não a deve desperdiçar,mas acho que para conhecer um bocadinho do chefe e do restaurante o Peixe em Lisboa é mais eficaz: além de haver escolha podemos sempre conversar um pouco com os criadores.

Samuel Freire
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De sem blog a 22.09.2010 às 23:47

A localização da mesa tem influência no preço?? No Chimarrão disseram-me uma vez isso e nunca mais lá entrei , aliás desisti logo que mo disseram. Estes restaurantes se querem entrar na LRW deveriam ver isso como uma maneira de se promoverem... Se acham que já estão promovidos, abstenham-se de participar.
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De Jorge Nunes a 22.09.2010 às 14:41

Concordo com o Miguel Pires quando diz que há certos espaços que deveriam repensar a sua participação nesta iniciativa.
Às vezes parece que por ser uma refeição LRW há desculpa para ser menos boa. Estamos a falar de uma refeição de três pratos por 20€, que com bebidas e café chega facilmente aos 30€ (ou mais). E é de uma refeição de 30€ que temos de falar.
É que restaurantes como o Eleven, por exemplo, não saem dignificados quando lá vamos fazer uma refeição de 30€ e é pior que outras de 30€ que fazemos regularmente noutros locais.
O Bocca por exemplo, participou uma primeira vez, percebeu que não era a sua praia e não voltou a participar.
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De Pedro Aragão Freitas a 23.09.2010 às 11:05

Caro Jorge Nunes,

O Bocca participou nas duas primeiras edições. Na primeira, participámos com a lotação completa do restaurante e tornou-se demasiado confuso. Chegámos a ultrapassar as 100 refeições numa noite e isso torna complicado manter o nível de serviço.

Como o objectivo era que quem viesse pudesse conhecer correctamente o Bocca , na segunda edição limitámos o número de reservas a 20 por refeição e, em vez de elaborarmos um menu específico para o evento, demos a escolher entre diversos pratos na nossa carta habitual. Correu muito melhor.

O que nos levou a desistir de participar no LRW foi, infelizmente, a organização. Como referi, na segunda edição limitámos as reservas a 20. Isto estava bem claro no site do evento porque nós pedimos para colocarem essa informação. Apenas mais um restaurante tinha essa informação, no entanto, como já referiram aqui, quase todos os restaurantes limitaram as reservas. É obrigação da organização controlar esta situação.

Mais, na segunda edição encontrávamos restaurantes cujo preço médio normal não ultrapassa os 20€. Isso não faz qualquer sentido.

Na sua origem, nos EUA, a Restaurant Week foi uma acção de promoção conjunta da alta restauração, feita nos períodos fracos do ano. Não se tratou de saldos. Tratou-se de uma estratégia de comunicação em época baixa.

Em Lisboa, realizou-se a LRW em Outubro e Maio. Para quem não sabe, são os dois meses mais fortes da restauração Lisboeta. Ainda por cima, realiza-se durante semana e meia, apanhando dois fins-de-semana.

Faz algum sentido fazer promoções nos dois meses em que mais se factura quando se podia fazer no Inverno ou no Verão? Não!!! Apenas faz sentido para uma empresa de comunicação que não tinha qualquer nome no mercado e de repente se tornou conhecida por organizar um evento destes.

O Bocca seria totalmente a favor da Restaurant Week , se esta fosse feita nos moldes originais!

Cumprimentos,
Pedro
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De José Tomaz de Mello Breyner a 25.09.2010 às 00:41

Meu Caro Pedro

Falaste e falaste bem como sempre. Faço minhas as tuas palavras, e foi por essa razão que a York House nunca participou. Concordo que para promoção é muito mais eficaz a participação no Peixe em Lisboa do que na LRW. Se esta LRW fosse em Novembro ou Janeiro ainda arriscariamos, assim não, prefiro ir facturando agora nestes meses fortes para amealhar para a época mais baixa.
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De Jorge Nunes a 25.09.2010 às 10:08

Caro Pedro,

peço desculpa pela imprecisão. Pensei que tivessem participado apenas na primeira edição.
Em tudo o resto que disse, compreendo e concordo com a vossa posição.

Cumprimentos!

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