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2010 não tem Chefe Cozinheiro do Ano

por Miguel Pires, em 11.11.10

 

Pela primeira vez desde que foi criado em 1990, este ano não foi eleito o Chefe Cozinheiro do Ano. A final do concurso organizado pelas Edições do Gosto, em colaboração com a Associação de Cozinheiros de Portugal, decorreu ontem nas excelentes instalações da nova Escola de Hotelaria de Lisboa, em Campo de Ourique, e reuniu os finalistas das etapas regionais. Depois de analisar a prestação e os pratos preparados pelos Chefes participantes o júri decidiu não atribuir um vencedor. Segundo explicou o presidente do colectivo, Fausto Airoldi, a decisão foi praticamente unânime considerando o júri que as prestações não atingiram os padrões de qualidade necessários.

Pela primeira vez este ano tive a oportunidade de acompanhar de perto a preparação dos pratos (entrada ovo-lacto vegetariana, prato de carne, prato de peixe e sobremesa - como é hábito, elaborados  com ingredientes de um cesto surpresa). Foi muito interessante e didáctico fazê-lo mas não tenho um padrão de comparação com anos anteriores para que possa tecer grandes considerações. Ainda assim acabei por provar as entradas quando estavam a ser fotografadas* e, com a excepção de um dos casos, pude constatar que o tofu (um dos produtos que podiam ser escolhidos) não é um ingrediente em que os chefes portugueses participantes se sentissem mais à vontade...

 

 

 

 

Uma nota final para o organizador Paulo Amado por ter acatado a decisão do júri. Calculo que não tenha sido fácil, tendo em conta que o evento é patrocinado por várias empresas, ainda que me pareça que esta decisão não lhes traga menos exposição.

 

* sim, confesso: ainda que autorizado por engano, fui quem comeu parte das entradas, impedindo que as mesmas fossem apresentadas ao público (mas não ao júri, que receberam as suas) . Se querem que vos diga, acho que até fiz bem. Sobretudo quando vi a maldade que fizeram aos Chefes concorrentes ao exibirem os seus pratos com os produtos confeccionados, já sem graça nenhuma (ressequidos, uns; derretidos, outros), após horas de  exposição ao ar.

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publicado às 02:16


17 comentários

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De Paulo Salvador a 11.11.2010 às 10:22

O resultado final foi empate técnico entre todos?
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De Miguel Pires a 11.11.2010 às 12:38

Paulo,

Pelo que li o regulamento prevê a atribuição do prémio máximo (Chefe Cozinheiro do Ano) e também de um prémio de inovação ("ao prato que reúna consenso entre o juri pela sua inovação e/ou criatividade"). Também não foi atribuído este prémio nem dada qualquer justificação. Talvez a organização o possa esclarecer sobre esse assunto.

Apesar da estranheza que esta decisão possa ter, ela acontece com alguma frequência em diversos concursos. Geralmente é uma forma de preservar uma imagem de exigência de forma a reforçar a credibilidade do concurso em questão. O que é normal também de fazer nestas situações e atribuir menções honrosas, por exemplo. Mas neste caso o júri foi parco nas palavras preferindo deixar as justificações mais especificas apenas para os concorrentes (apesar do concurso ser aberto a um público mais abrangente).
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De Rita a 11.11.2010 às 12:52

O ponto 10. do Regulamento ressalva que o júri pode decidir não atribuir o primeiro prémio.
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De Miguel Pires a 11.11.2010 às 12:57

Tem toda a razão, Rita, o regulamento prevê isso no seu ponto 10.
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De Miguel Pires a 11.11.2010 às 12:59

... bem como a não atribuição também do prémio inovação. Embora não tenha sido mencionado nada a respeito deste prémio
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De Alexandre Silva a 11.11.2010 às 12:32

Concordo com a opinião do júri, e acho que não é caso para tanto alarido, é um concurso com um regulamento, regulamento esse que tem bem explicito, que o juri poderá não atribuir o titulo de CCA se assim o entender.
Agora, que deveria ter sido dificil para os concorrentes ouvirem, essa decisão, deveria.
Porque acredito, que pelo menos um ou dois dos concorrentes, têm capacidades técnicas para tal. se não conseguiram nesse dia, cabe ao júri decidir. Eu Acho o Frederic assim como o Serrano, excelentes profissionais, e verem o nome deles "manchado" pelo que o Júri teve a ousadia de transmitir (que sou totalmente de acordo, atenção), não acredito que houvesse falta de empenho. Empenho é estar nas cozinhas todos os dias, junto da equipa. Isso é que é empenho.
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De Miguel Pires a 11.11.2010 às 13:02

Olá Alexandre,

Não estamos aqui a dar nenhum especial alarido (no comentário acima até refiro ser uma situação geral em vários concursos). No entanto não deixa de ser um facto ser esta ser a primeira vez que tal acontece em 21 anos (se não estou em erro) de concurso. Daí um título mais chamativo.
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De Alexandre Silva a 11.11.2010 às 23:23

Se calhar já deveria ter sido tomada a decisão há mais tempo, 21 anos é algum tempo, aliás muito tempo. o Primeiro Cozinheiro a ganhar o titulo de CCA foi o grande Fausto em 1990, já lá vai algum tempo. Os moldes do concurso mudaram, hoje é mais dificil, e é com um cesto surpresa que se vê quem realmente tem mais capacidade de concentração, técnica, etc... Ser cozinheiro não é só saber cozinhar, é muito mais do que isso, e acredito que o vencedor do titulo de CCA, deva reunir todas essas condições.
Hoje em dia, toda a gente é livre de criticar, seja o que for, parece que é um direito que assiste a essa mesma pessoa, eu acho que não é, e as criticas que estão fazendo á decisão do júri do CCA, são desonestas, injustas e sem fundamento.
Eu sou criticado todos os dias, e não morro por isso, pelo contrário, eu aprendo com isso.
Mas é como tudo, as pessoas não são todas iguais, e cada vez existem menos pessoas justas, com principios, estão se a perder, e eu pessoalmente, tenho muito medo disso. TEnho Medo da falta de justiça e imparcialidade.
100% a favor do Júri do CCA.
Desculpa lá Miguel, é só um desabafo, fico furioso com algumas coisas, desculpa vir para aqui escrever isto, mas acho que o Júri do CCA, merece todo o meu apoio, e não que o andem a atacar, como tenho lido em FB e BLogues por ai a fora.

Abraço e Obrigado
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De vitor veloso a 11.11.2010 às 12:58

o resultado desta decisao sera que nao pode ser uma falta de credibilidade ao proprio concurso , pq como e que a final nao tem um vencedor por mais mau que seja..... , eu ate aceito que nao tenha havido qualidade , mas ate acho isso estranho , afinal dois dos finalistas sao sub chef de reconhecidas casas com alto padrao de qualidade, sera que os produtos so cesto eram de boa qualidade para uma final , nao sera hora de uma refleccao e perceber o que se passou e o que se pode melhorar???
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De Miguel Pires a 11.11.2010 às 18:39

Vitor

eu não me identifico com a nomeação de um vencedor "por mais mau que seja". E, pelo resultado, presumo que o júri também não. O facto de não ser atribuído um prémio não quer dizer que a qualidade do trabalhos de quem estava a ser avaliado fosse ruim. Apenas quer dizer que não reuniram, segundo o júri, a qualidade suficiente para que lhe fosse atribuído o prémio. Como referi acima esta situação é comum em muitos concursos em que há certa exigência pelo que não concordo nada consigo. E também não me parece que a questão tivesse a ver com a qualidade dos produtos do cesto de compras. Quanto muito poderá ter a ver com o grau de dificuldade (técnica e criativa) em trabalhar os produtos que nele constavam. O polvo fresco nem sempre é fácil de trabalhar; a truta salmonada não é muito comum ver nas cartas dos restaurantes, assim como tofu, pelo que estes factores podem ter tido a sua influência. Na verdade isto é um concurso, e nos concursos as pessoas são testadas!
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De Bruno a 16.11.2010 às 16:46

Até concordo contigo mas já reparaste como se fazem chefes e subchefes tão rápido hoje será que serão todos bons para desepenharem essa função existe chefes de gabarito em Portugal que dizem ter isto e aquilo e que por vezes é só conversa e que ninguem os conhecia e que de repente ai estão na ribalta feitos como se faz uma hanburger que é muito bom ao principio e no fim pouco mais sabe dai se refletir no CCA e para o ano até será pior porque por este andar da forma como estão a sair das escola de hotelaria que só olham a numeros de formados e não á qualidade depois é no que dá
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De Vicente Themudo de Castro a 11.11.2010 às 17:50

Miguel tendo sido tu a única pessoa que provou "alguns" dos pratos além dos jurados.
Achas que a decisão baseado na tua pequena experiência pode estar acertada?
Confesso que quando via a exposição dos pratos fiquei bastante entristecido pelo aspecto em que eles de encontravam.
Foram muitas horas entre a finalização e a apresentação, estava tudo a debandar e com aspecto seco e pouco comestível.
Para o ano há mais e espera-se com parâmetros mais adequados à competição.
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De Miguel Pires a 11.11.2010 às 19:00

Vicente,

Mesmo tendo provado alguns pratos (na situação em que referi acima) e tendo-os observado quase todos logo após o empratamento (no momento em que estavam a ser fotografados), apenas posso referir o que escrevi atrás ou, quanto muito, que não vi nada particularmente impressionante. Adiantar-me mais do que isto seria desonesto. Além de que este pareceu-me um concurso bem feito, com critérios bem definidos e com juízes competentes e com experiências variadas.

Quanto à exposição dos pratos horas depois de terem sido feitos considero uma 'maldade' (como também já referi ) pelo que deveria ser um aspecto a considerar pela organização. Mais vale exporem as fotos dos pratos
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De nuno silva a 12.11.2010 às 01:57

Boas noites...
Relativamente a decisão do Juri , foi referido que a decisão foi unânime. Se todos chegaram a esse acordo tudo bem. Em parte concordo e torço um bocado o nariz. Concordo, porque talvez com esta decisão os elementos do Juri , tenham tambem querido aproveitar para quebrar certas "azias " quando diziam " ah e tal ja se sabe quem vai ganhar "...
Torço um bocado o nariz porque nao sei ate que ponto e que isto nao ira afectar selecçoes futuras. Visto bem, eles foram colocados no mesmo patamar que os outros outros que concorreram e não chegaram a final. Torna se um bocado pesado a meu ver...
Mas se o Juri assim decidiu só ha que respeitar e acreditar que para o ano sera melhor, com pena minha de ficar um bocado a duvida se estes ultimos finalistas voltarão a concorrer no mais ambicioso concurso de cozinha de Portugal...
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De Paulo Amado a 12.11.2010 às 07:42

Obrigada a todos pelos vossos comentários, positivos e negativos.

Compete-nos um esclarecimento e não uma justificação. Estamos certos da decisão tomada, que foi a correcta para a manutenção do rigor e do patamar de qualidade que queremos para o CCA. É uma questão de respeito pelos anteriores 20 CCAs, por todos os concorrentes e pelos nossos parceiros e patrocinadores. Estamos aqui, nas Edições do Gosto, 15 pessoas com afinco e dedicação, tentando manter a herança de 1989, desde 2002, para valorizar a gastronomia portuguesa e por vezes, sempre que necessário, a tomar uma posição. 

 

O facto de ontem não se ter atribuído um vencedor não significa que os oito concorrentes não tinham qualidade. Acreditamos que todos eles são profissionais competentes e mereceram estar a disputar a Final Nacional pelo trabalho que fizeram nas Etapas Regionais e pelo trabalho diário nos seus locais de trabalho.

Ontem disputou-se uma Final Nacional com base num Cesto Surpresa e era isso que estava a ser avaliado. Os menus apresentados como resultado dessa prova não foram excelentes. E era isso que estava em causa ontem. Avaliar a harmonia dos menus apresentados, a sua execução técnica e nutricional, o sabor, a apresentação, os correctos pontos de cozedura e todos os critérios que estão definidos em Regulamento técnico e de prova.

Estão presentes três tipos de júri:

Um júri técnico de higiene, que não prova.

Um júri técnico que está na cozinha, avalia as prestações, que não prova.

Um júri de prova que não está na cozinha, recebe os pratos sem identificação e prova.

No final há uma reunião, sem que seja identificado concorrente algum.

 

Não está em causa a qualidade, carreira ou competência de um concorrente, está em causa o resultado que se apresenta num conjunto de pratos que constituem um menu, naquele dia específico do concurso.

No final houve uma pontuação atribuída, com base nas pontuações individuais dos 14 elementos do júri. Naturalmente que na média das pontuações haveria sempre um concorrente com maior pontuação que os restantes, nem que fosse por 1 ponto. E teria sido mais fácil para todos atribuir-lhe o prémio.

Ainda assim, não é objectivo deste Concurso premiar “o menos mau”.

Queremos premiar a excelência, o rigor e a qualidade.

 

Felizmente que contamos com parceiros e patrocinadores que partilham connosco a vontade de elevar o patamar da cozinha portuguesa. Foi difícil para o júri tomar esta decisão, por todo o respeito que têm pelos colegas que estavam em competição.

 

Sabemos que foi duro para com os concorrentes, que preferiam ter perdido para alguém. Mas no fundo, se tivéssemos escolhido um vencedor não estaríamos a ser verdadeiros com a nossa missão, que é dignificar a vossa profissão.  

 

NOTA FINAL: A Organização do CCA publica anualmente um Regulamento aprovado pelo Presidente do Júri, em consonância com a Federação Mundial das Associações de Cozinheiros (WACS). O ponto 10. prevê que o júri possa não atribuir primeiro prémio.

 

Obrigado a todos. Viva a possibilidade de cada um escrever o que entender e nós somos gente dessa liberdade. Porém, temos a pedir que, por gentileza, opinem com conhecimento. Usem com absoluta liberdade, mas com equilíbrio, este nosso espaço aberto. Nós somos gente que vive isto todos os dias e custa-nos, naturalmente, dar guarida a opiniões que nada têm que ver com este sector e que aqui vêm prestar as suas naturais fidelidades, alegrias e desgraças.

Por nós falamos nós. Estamos cá há tempo suficiente para saber do nosso caminho. Obrigado a todos.

 

Paulo Amado

Rita Cupido

EDIÇÕES DO GOSTO
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De Miguel Pires a 12.11.2010 às 11:21

Obrigado, Paulo. Este comunicado parece-me claro e acertado.

P.S. o Paulo Amado enviou-nos há pouco um email a pedir para acrescentar que este comunicado foi publicado na página do Facebook do Chefe Cozinheiro do Ano (é esse local a que ele refere no penúltimo parágrafo "Usem com absoluta liberdade, mas com equilíbrio, este nosso espaço aberto")
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De nuno silva a 13.11.2010 às 01:09

Boa noite Paulo, acho que com isto disses te tudo, concordo com o Miguel Pires. Agora quem quiser continuar a " bater no ceguinho " força. Toda a gente sabe que estes esclarecimentos têm de ser dados acima de tudo aos concorrentes, porque foram eles que "sofreram mais na pele " do que nos profissionais que nao estivemos no concurso. Contudo e em meu nome, obrigado a todos pelas perguntas, e pessoalmente fiquei mais esclarecido do que se possa ter passado ao certo. Agora compete nos a nós agarrar neste exemplo e para o ano, se concorrermos saber mos onde nao podemos falhar para isto nao voltar aacontecer. Muito obrigado Paulo Amado.

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