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A notícia tem uns dias e chegou-nos através do nosso leitor Ricardo Silva: Irene Virbila, critica de restaurantes do LA Times trabalhava há 16 anos sob anonimato... até que que foi barrada e denunciada enquanto esperava por mesa no restaurante Red Medicine em Los Angeles

 

"Los Angeles Times restaurant critic S. Irene Virbila ducked into Red Medicine, a new Beverly Hills restaurant, for some modern Vietnamese food the other night, but got nothing to eat. Instead, she was outed and ousted, her party turned away, her picture snapped and critic's anonymity shredded by the restaurateur himself.

"I always knew at some point a blogger or somebody would take a secret photo. But I never expected that a restaurateur would stick a camera in my face," Virbila said Wednesday.

Virbila was rebuffed, Red Medicine managing partner Noah Ellis said, because "Irene is not the person any of us wanted reviewing our restaurant. … This was not a rash decision."

 

A notícia e a foto espalharam-se e as reacções não se fizeram esperar  (aquiaqui).

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publicado às 15:27


14 comentários

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De Paulina Mata a 02.01.2011 às 19:35

Um assunto que poderia dar pano para mangas... críticos anónimos, a impunidade que podem ter e como isso se pode reflectir, a responsabilidade que isso deveria dar, a responsabilidade que têm quando escrevem (anónimos ou não)... o direito dos restaurantes reagirem, a forma de reagirem (neste caso impedirem o crítico de comer e tirarem-lhe fotos que divulgaram para acabar com o anonimato) ...

Interessante... muito interessante...

Mas não é fácil... já achei que era bom um crítico ser anónimo... hoje acho que respeito ainda mais os que dão a cara.

Quanto a este caso... sinceramente, se o que dizem sobre o que ela escreve tem razão de ser (não sei, não conheço), admiro a coragem e atitude do restaurante.
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De Miguel Pires a 03.01.2011 às 01:37

Paulina

Há que distinguir uma critica anónima (não assinada), de uma outra que é feita sob anonimato mas que é assinada, como era o caso de Irene Virbila .
No entanto mesmo este ultimo caso é hoje menos valorizado. Por exemplo, tanto o anterior critico do New York Times ( considerado o jornal cujo o exercício critico mais impacto tem na vida de um restaurante), Frank Bruni, como o actual, Sam Sifton eram/são caras conhecidas e o seu trabalho é escrutinado ao pormenor em sites como o Eater.ny , por exemplo http :/ ny.eater.com tags sam-sifton )


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De PedroCG a 03.01.2011 às 20:37

Se a moda pega em Portugal, com a falta de capacidade de encaixe de alguns restauradores, vai ser um festival de entradas bloqueadas.

A opinião é livre e os clientes têm todo o direito de não a seguir - aprendam a distinguir entre o que é subjectivo do que é objectivo e decidam por si. A palavra de um crítico é só uma indicação, não uma ordem.

Parece-me deselegante (no mínimo) da parte dos empresários considerar que os consumidores são seres acéfalos que seguem bovinamente as classificações dos media - que é a ideia subjacente à expulsão da senhora.
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De nao tem a 03.01.2011 às 23:05

Expulsar alguém de um restaurante não faz sentido, nem deve ser possível, caso o cliente não viole as regras do restaurante. Ser critico anónimo faz muito sentido! Caso contrario cai-se no mesmo engano que as revistas de viagens: são convidadas paras as pousadas, estalagens, turismos de habitação, etc. Quando o cliente "normal" segue umas das recomendações o tratamento é muito diferente.
Com esta atitude, o Red Medicine mostra receio às criticas que venha a ter, talvez tenha razão.
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De Jorge Nunes a 04.01.2011 às 18:52

Eu gostava de perceber que credibilidade tem uma crítica a um restaurante quando o crítico é reconhecido. É óbvio que não vai ser servido da mesma forma que o cliente anónimo.

Cumprimentos e bom ano.
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De Miguel Pires a 05.01.2011 às 02:14

Jorge,

este é um tema que já foi largamente abordadoo aqui no Mesa Marcada Numa situação ideal o critico deveria ser anónimo. Acontece que o meio é pequeno e, ao fim de algum tempo,em alguns sítios, é inevitável que que seja reconhecido.
Talvez por isso, como referi, existam jornais que tenham deixado de fazer esse culto e não escondem a identidade visual dos seus críticos. Em Inglaterra, Gil Coren e AA Gill têm as suas fotos escancaradas no Times, o mesmo acontecendo com Jay Rayner do Observer . Idem com o Carlos Maribona do ABC /Salsa de Chiles em Espanha ou com os casos já citados do New York Times (NYT), que embora não divulguem as fotos dos seus críticos elas andam aí na internet. E não me parece que as personagens que referi sejam pessoas sem credibilidade.
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De Jorge Nunes a 06.01.2011 às 11:49

Miguel, infelizmente não faço visitas a restaurantes no estrangeiro suficientes para ter uma opinião sobre as críticas dos jornalistas que referiu. São pessoas com credibilidade no meio, sem dúvida, e longe de mim querer estar a fazer juízos de valor seja de quem for.
Mas em Portugal, começa a ser gritante a discrepância entre as críticas e as experiências que um cliente anónimo tem. Às vezes parece que nem estamos a falar do mesmo restaurante.
É legítimo, e lógico, que um restaurante quando se saiba na presença de um crítico o trate com redobrada atenção, logo a experiência sobre a qual ele vai escrever será diferente.
Já agora, alguém conhece o Tiago Rio e o Lourenço Viegas da Time Out?

Cumprimentos,
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De Pedro Aragão Freitas a 04.01.2011 às 23:09

Há algo que não entendo aqui. Se a crítica escrevia há 16 anos sob total anonimato, com é que, no restaurante, sabiam quem ela era?
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De Miguel Pires a 05.01.2011 às 01:56

Pedro,

É que há uns que são mais anónimos do que outros :)
Agora a sério eu não acredito em segredos absolutos. No EUA onde a critica mexe muito com o negócio dos restaurantes há uma verdadeira obsessão em querer desvendar a figura do crítico. O site Eater segue os passos de certos críticos como um paparazzi segue a sua presa; no livro " garlic and sapphires" de Ruth Reichl (antiga crítica do NYT) os disfarçes que ela usa para não ser reconhecida são incriveis. Enfim. Outros tempos, outro mundo. Como referi atrás, hoje em dia as figuras dos ultimos críticos do jornal (Frank Bruni e Sam Sifton) estão por todo lado na net e nem por isso houve grandes desvios nos padrões de classificações do jornal. Talvez por isso tenham deixado de insistir na questão do anonimato (enquanto associação de um nome a uma imagem)

Por cá, por exemplo, o J. Quitério não é muito de aparecer mas nos principais sitios conhecem-lhe a cara.
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De Pedro Aragão Freitas a 05.01.2011 às 10:18

Miguel,

Em teoria, a crítica é mais isenta sob anonimato, uma vez que não permite aos restaurantes nenhuma adaptação ao crítico.

Agora, uma vez que não existem verdadeiros anónimos (daí a minha outra intervenção), penso que não faz sentido tentar o ser. Em última análise, sem o querer, o crítico pode estar a beneficiar os poucos que o conhecem.

Cumprimentos,
Pedro
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De nao tem a 05.01.2011 às 12:31

E será que a senhora nem poderá ir apenas lá? Assim como só jantar, sem ser profissional? Isto é mesmo coisa de americanos, e quem ganha numa primeira fase será o Red Medecine
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De Pedro Aragão Freitas a 05.01.2011 às 16:33

Não acredito de forma alguma que o restaurante ganhe com isso.

A critica profissional pode ajudar muito ou prejudicar muito um restaurante. Criticar publicamente a critica, mesmo que esta tenha sido injusta, é uma situação espinhosa e pode ser ainda mais danosa.

Não percebo a atitude deste restaurante. Por muito que custe, a vida ensina-nos que há que engolir alguns sapos de vez em quando, por muito que custe.
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De Miguel Pires a 06.01.2011 às 00:28

Sim parece um daqueles casos de falem bem ou mal de mim, mas falem de mim. A situação não tem ponta que se lhe pegue. Na verdade penso que a ideia foi mais a de denunciar a identidade da pessoa em questão do que impedir que escrevam sobre o restaurante, até porque isso poderá sempre ser feito. Aliás, o próprio jornal já comunicou que quando achar pertinente mandará alguém avaliar o restaurante. Até gracejou com um possível disfarce, aludindo à prática utilizada, em tempos no NYT , por Ruth Reichl .
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De Luís Paiva a 06.01.2011 às 14:32

À excepção dos obituários, não existe má publicidade.

(Brendan Behan 1923-1964)

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