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Menno ‘Yin’ & Alain ‘Yang’

por Miguel Pires, em 19.01.11

Dieter Koschina, Alain Caron e Menno Post na escolha de vinhos para o jantar

 

Menno Post

 

yin yang do mar


yin yang da terra

 

espelho de atum

 

vieira com manteiga de ervas


molejas cobertas com folhas de ouro e trufa preta

pombo de Anjou com fois gras

 

cereja segundo Ron e Menno


Alain Caron esbraceja, brinca e fala sem parar ; Menno Post é simpático, mas reservado e parco nas palavras. Um é francês e o outro holandês e tal como na filosofia Tao, complementam-se. Menno é Chef do Ron Blaauw, emOuderkerk aan de Amstel, Holanda (duas estrelas Michelin,) e Alain foi seu colega no mesmo restaurante. Para Alain “ a gastronomia não é só cozinhar num restaurante” e por isso não tem pouso certo. É júri na versão holandesa do concurso televisivo Master Chef, trabalha numa revista, cria óleos aromatizados e cozinha em eventos e para particulares. Curiosamente, em termos de cozinha, Alain Caron é mais clássico. Partilha (e pratica) os princípios da escola francesa. Já Menno, embora tenha formação idêntica, vai mais longe em termos de influências e gosta de utilizar as novas técnicas. O menu que apresentaram ontem à noite revela as duas formas de trabalhar e a complementaridade da personalidade de ambos. No primeiro prato, yin yang do mar, duas ostras formavam o símbolo. Numa, a ostra veio tépida e coberta por um manto branco (leite fumado); a outra era quente e a cobertura de creme de castanha. Há um efeito surpresa e, o melhor de tudo: a conjugação funciona. O segundo prato (‘yin yang da terra’) foi um saboroso tártaro de cebola com uma cobertura branca e preta feita à base de cebola; e o seguinte, atum sobre um puré de abacate, com um ‘espelho’ de gelatina e pipocas de quinoa resultou num bom contraste de texturas e de sabores. Depois tivemos uma vieira selada na concha que ao ser aberta na mesa libertava o aroma perfumado do miolo e da manteiga de ervas e ainda um toque cítrico que, na boca, atenuava a gordura. Ainda molejas cobertas com folhas de ouro e trufa preta – a fazer lembrar o ovo de ouro de Avillez, na véspera; e depois um peito de pombo muito bom com foie gras e milho em forma de ferrero rocher. Houve ainda uma falsa cereja de um queijo azul e duas sobremesas interessantes mas ligeiramente abaixo do resultado das propostas anteriores. O ultimo prato seria servido com as equipas de sala e de cozinha a desfilar ao som de ‘i got a feeling’. Depois, depois foi seguir o ritmo e a letra da cancão: “Fill up my cup, Mazal tov. Look at her dancing, just take it off. Let’s Do it, let’s do it...”

 

(texto publicado no dia 16 de  Janeiro na revista do Tribute to Claudia/International Gourmet Festival 2011 que decorreu no Vila Joya aentre 14 e  24 Janeiro . Fotosde Vasco Célio/F32 )

 

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publicado às 16:10


1 comentário

Sem imagem de perfil

De Jorge Nunes a 20.01.2011 às 08:55

Fantástico! (a salivar)

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