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Cinco Restaurantes para dias de frio

por Miguel Pires, em 07.02.11

 

Publicação que se preze tem em cada estação do ano uma matéria com sugestões de restaurantes. Verdade? Mais ou menos. De facto na Primavera aparecem artigos do género, ‘As melhores Esplanadas’; no Verão, ‘Os melhores locais para comer peixe’, ou ‘ Os melhores restaurantes à beira mar’; e no inicio do Outono, ‘os restaurantes da rentrée’. Mas quando o Inverno se instala, nada. Nem as melhores lareiras, nem as melhores sopas de cavalo cansado. Nada de nada. Para dar alguma paridade às estações do ano, deixamos-lhe 5 restaurantes para aquecer a alma nestes dias frios de Inverno. Com lareira ou sem lareira.

 

Ferrugem

 

Não é fácil chegar lá, pelo que o road book que existe no site pode ser um bom auxiliar. Portela é uma aldeia perto de Famalicão e foi onde o casal Dalila e Renato Cunha escolheu para viver e criar este restaurante de cozinha contemporânea de matriz tradicional. Não há serviço há carta, embora possa dar-se um jeito, caso seja mesmo muito necessário. Mas já que vai fazer uns bons quilómetros não perca, por exemplo, o menu de estação (um dos três menus disponíveis), onde irá encontrar, entre outros pratos, um pastel de nata que é de bacalhau; umas sopas de cavalo cansado (está atribuído o prémio!) com verde tinto, broa de azeite e porco preto alentejano; um polvo com tinta(o) Afros Vinhão; ou umas pataniscas com arroz de tomate, que na verdade são pataniscas de chila com arroz doce de tomate. Um Minho ousado à mesa, sem bairrismos.

 

Contactos: Rua das Pedrinhas, 32, Portela - Vila Nova de Famalicão; tel:252 911 700

 

 

Vallecula

 

O melhor para fugir ao frio é ir para o frio. Sabendo, depois, como fugir dele, claro. Na região da Serra da Estrela, o Vallécula e a sua cozinha beirã serrana é um bom refugio reconfortar o estômago e a alma. Comece-se por uma morcela com grelos que isto do Inverno não é para meninos. Depois avance-se para a capoeira e avie-se o galo estufado à moda antiga. Os filetes de novilho (isso mesmo, leu bem, filetes) de raça autóctone que só se arranja por estes lados são de converter qualquer vegetariano. Não termine sem uma pêra bêbeda e um digestivo de aguardente de zimbro da casa. Os vinhos são maioritariamente da região e se lhe oferecerem o da casa, beba-o à confiança.

 

Contactos: Praça Dr José de Castro Barreiros, Valhelhas; Tel: 275487123

 

 

Tasca do Joel

 

Que não se vá ao engano que de tasca esta Tasca não tem nada. Quer dizer, até tem. Um bocadinho. No espírito. Se resistir em não entrar na garrafeira e loja gourmet, à esquerda, siga em frente e procure poiso. No caminho aproveite  para dar uma olhada no expositor do peixe para ficar com uma ideia ao que vai. Há uns pratos do dia e pequenas entradas que podem passar, por exemplo, por uns choquinhos com tinta, ou umas lulinhas da costa, muito bem confeccionadas. Depois, dependendo do que o mar tiver dado na véspera avance para um peixe grelhado (um cantaril, por exemplo) que tem a particularidade de ser grelhado em forno a lenha (do pão). A Tasca do Joel é muito conhecida pela excelente garrafeira que tem e caso se sinta perdido na escolha, por entre as muitas referências da lista, peça o branco que o amigo Dirk Niepoort faz para a casa.

 

Contactos: Rua do Lapadusso, 73, Peniche; Tel 262 782 945

 

 

Spazio Buondi (o Nobre)

 

Esqueçam a imagem preconcebida que o nome vos poderá transmitir. O restaurante é mesmo o Nobre, dos mesmos Nobre, José e Justa, que nos anos 80, na Ajuda, recebiam mais políticos por metro quadrado do que a Assembleia da República em plenário. Escolha o que escolher mas se perder a  sopa folhada de crustáceos (bem quente, a sair do forno. Está frio, lembre-se!) merece que a Emel lhe reboque o carro. Mas há mais entre clássicos e novidades. Coisas à moda da Justa, de raiz portuguesa, mas com influências de onde tiver que ser. O Robalo assado em papillote é um must e, quando há, a perninha de cabrito no forno à transmontana é de lamber os dedos. De sobremesa raramente perco de vista as farófias, mas também já ouvi dizer bem da castanhada. Ah! ao Domingo há cozido à portuguesa.

 

Contacto: Avenida Sacadura Cabral 53 B (ao Campo Pequeno), Lisboa ; Telefone: 217970760

 

 

São Rosas

 

Este é um daqueles lugares cuja ementa fixa raramente encontro algo de muito excitante mas de onde saio sempre satisfeito. De facto, qualquer coisa que se peça tem-se normalmente a garantia de que é bem confeccionada e que a matéria-prima é de qualidade. Além disso, é um lugar acolhedor, sem grandes modernices, mas diferente do ambiente rústico habitual dos restaurantes regionais. A época das  túberas, a trufa do Alentejo, é mais para o final de Fevereiro, pelo que é necessário uma alternativa. Se o objectivo é enganar o frio, uma sopa de beldroegas vai sempre bem. Depois, umas burras (bochechas) de porco ou um borrego assado no forno deixará qualquer um satisfeito. Mas não o suficiente para dispensar o óptimo pudim de àgua de Estremoz ou a encharcada.

 

Contactos:Largo D. Diniz,11 ; Estremoz ; Telefone: 268 333 345

 

texto publicado originalmente nas páginas do Outlook, do Diário Económico, em 28 de Janeiro 2011

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publicado às 08:25


9 comentários

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De Roh a 07.02.2011 às 10:16

Aqui está um bom motivo para os fins-de-semana fora. Obrigado Miguel.
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De Miguel Pires a 08.02.2011 às 02:34

Força Rodrigo, mas cuidado com os triglicerideos :)
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De Artur Hermenegildo a 07.02.2011 às 12:09

Obrigado pelas dicas.

Tive o prazer de votar no São Rosas na eleição dos "melhores restaurantes de 2010".

O Nobre, tenho lá ido de vez em quando e continuo a gostar muito - embora nada substitua o mítico espaço da Ajuda.

Os outros ainda não conheço, mas irei conhecer, especialmente a Tasca do Joel que é mais perto.
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De Miguel Pires a 08.02.2011 às 02:35

Artur, a Tasca do Joel é um 'case study ' que merece ser conhecido por isso faz-te à estrada, meu caro.
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De Jorge Nunes a 07.02.2011 às 18:43

Já não vou ao Vallecula há uns tempos, mas tenho as melhores das recordações das refeições que lá fiz.
Tinham uma carta de vinhos muito boa (Dão, Douro e Beiras). Muito recomendável.
O Ferrugem a ver se deste ano não passa.

Cumprimentos,
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De Miguel Pires a 08.02.2011 às 02:39

Jorge Nunes

O Vallecula é um dos bons exemplos de boa cozinha tradicional e de bom produto.

Vale a pena a viagem para ir ao Ferrugem. Independentemente de onde se vá. É muito interessante o trabalho que a Dalila e o Renato Cunha têm vindo a fazer.
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De TC a 07.02.2011 às 22:19

Grande Joel!
Quando passo uma semana sem lá ir dão-me logo as saudades...
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De António Moura a 10.02.2011 às 09:59

Parabéns, bela escolha de título, para estes belos restaurantes (falta-me o Ferrugem)
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De Manuel costa a 10.02.2011 às 21:52

Infelizmente a ultima vez que fui ao Nobre, o pastel de massa tenra tinha o recheio congelado. Quando o sr. nobre veio até à nossa mesa e perguntou se tudo estava bem, confrontei-o com tal facto. Virou-me as costas e até hoje estou à espera duma resposta.

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