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Bocca corta no preço 'escondido'

por Miguel Pires, em 02.03.11

 

 Uma das coisas que me causa alguma indignação nos restaurantes é o abuso no chamado preço escondido. Se consultamos a carta para escolher um determinado prato, ou um determinado vinho e se o fazemos tendo conta o preço, o mesmo não acontece em relação a outros itens. Ninguém pede para verificar quanto custa um café, ou uma água, ou mesmo o couvert. Aproveitando-se disso, em geral, os restaurantes colocam um preço muito acima do que vale esse produto e serviço associado - quando comparado com outros em que a escolha é feita mediante o preço na carta, incluindo o vinho,  cujo 'markup' é normalmente um tema quente de discussão).

 

É por isso com agrado e até com alguma surpresa que li há pouco, no Facebook, esta nota de Pedro Aragão Freitas, proprietário do Bocca, a referir que iriam baixar alguns 'preços escondidos' e que, inclusive, ao almoço, couvert, água e café passariam a ser oferecidos.  Trata-se de uma medida anticrise, segundo o próprio (que informa também a decisão de fechar a parte do Gastrobar), o que não deixa de ser uma boa noticia para o consumidor (partindo do principio que não aumentam sorrateiramente os preços dos outros artigos). Teremos seguidores? 

 

P.S. É também a primeira fez que vejo um empresário do meio falar em público sobre um assunto (preço 'escondido') que é considerado normalmente tabu.  

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publicado às 00:17


39 comentários

De teresa a 29.12.2011 às 18:06

Não me perguntem como, mas cheguei a esta página e no fim de ver tanta crítica e algumas tão mal dadas vejo me quase obrigada a comentar.
Provavelmente grande parte dos senhores que aqui escreve não tem qualquer noção de como se gere um restaurante.
Pergunto eu: Porque haverão os vinhos dos restaurantes serem os últimos a saírem ao mercado?
Lembro-me perfeitamente, por exemplo, do Soalheiro de 1995 ter sido um vinho que viveu (e bem) anos sem fim na minha carta! E as últimas garrafas foram retiradas para bel prazer meu e da minha familia.
O aqui chamado "preço escondido", é uma coisa que enquanto clientes devemos de ter em conta quando se entra num estabelecimento e que nunca estão escondidos?!.. O couvert vem sempre na carta e as bebidas normalmente costumam estar inseridas na carta de vinhos, se bem que existam excepções.
Não percebo o porquê de tanta confusão originada à volta de um preço quando o mesmo está exposto atemptamente e de forma esclarecedora ao cliente. Não é certamente num Barca Velha que um restaurante ganha para pagar ao sommelier, é em vinhos como o Soalheiro, o Duas Quintas ou o E A; porque é aí que temos margem para manobrar.
Além disso o preço não é reflexo do custo da garrafa e nunca o poderá ser, é isso sim, reflexo do custo de cave, da garrafa, do profissional que o serve, etc. Provavelmente se formos a Alfama também encontramos o dito Soalheiro a preço bem mais acessível, mas as toalhas (se existirem) são da Renova, os copos poderão ter cheiro e não serão certamente da Riedel; o empregado (não um sommelier) dificilmente saberá distinguir um Alvarinho, dum Chardonnay ou Riesling!!
Qualquer crítica é boa, quando vem de forma a que cresçamos enquanto profissionais, convém é que seja dada de forma adequada; para podermos "limar" arestas e evoluirmos positivamente.
Nunca fui ao Bocca embora já tenha ouvido falar da comida, mas este post deu me vontade de o procurar quando descer à capital. Saudações enófilas, TRM!

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