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Restaurante Confraria Lx (LX Boutique Hotel)

por Miguel Pires, em 08.03.11

Sushi incrementado

 

 Foto:Erik Lassche - Spotted by Locals


“Quer normal, fusão ou incrementado?”, pergunta a empregada, em português com sotaque tropical, quando solicitámos um conselho na escolha de sushi. As duas sugestões anteriores tinham dado resultados díspares. O ‘ceviche jô’ mostrara-se uma fusão interessante, em que a acidez do tempero do peixe branco (que não consegui identificar no ceviche), a gordura do salmão (do sushi) e a envolvência do arroz combinavam bem. Já o segundo, o‘lx roll’, pecou por excesso: salmão  enrolado com camarão, passados por polme e fritos. Maionese ‘on top’ e, como não bastava de gordura, ainda uma emulsão de azeite e salsa (creio), no prato. Seria este um exemplo de sushi incrementado?

O LX Boutique é um hotel de charme situado no Cais do Sodré, no inicio da Rua do Alecrim. Abriu no ano passado e no piso térreo acolhe a Confraria Lx, restaurante de sushi e de saladas, ao almoço e ao jantar, e casa de chá, ao lanche. A formula parece resultar. Em Cascais, segundo consta, faz grande sucesso e, neste novo espaço, em Lisboa, o êxito não será menor, pelo menos a julgar pela quantidade de pessoas esperavam por mesa na sexta feira à noite em que jantámos. É um espaço bonito, acolhedor, trendy. Vai-se para conviver, ver e ser visto enquanto se come. Predomina um estilo de sushi popularizado no Brasil, o sushi criativo, de fusão. Neste género (quase) tudo é válido. À base japonesa (arroz, alga nori, peixes, mariscos, certos legumes, wasabi, gengibre e molho de soja) acrescentam-se outros elementos e temperos, desde frutas como manga, a maionese, tabasco (molho picante) ou cream cheese. Os partidários destacam o lado inventivo e descontraído do género. Já os detractores acham que é uma perversão e um desrespeito pela cultura gastronómica japonesa. Não sou um adepto da causa e ainda que nas minhas incursões sejam mais as más experiencias, também houve algumas que me surpreenderam pela positiva. Em relação a este jantar devo dizer que foi um agradável momento de descompressão (a culminar uma semana de trabalho intenso): mesa junto à janela, ambiente aprazível – no sitting das 21h –, empregadas simpáticas qb, e serviço eficiente.

Quanto à comida, houve coisas boas e coisas más - como as que descrevi - mas em geral teria cumprido, não fosse o preço elevado (40/50€). Os Gyozas e o tataki de atum estavam bem feitos e saborosos, embora o tataki  ganhasse se tivesse um molho diferente do de soja habitual (até hoje não encontrei nenhum que combinasse tão bem como o de mirim e citrinos do Aya). A variedade de peixe resume-se a ‘peixe branco’ (sem descrição de qual ou quais), atum e  salmão. Cumpriram quando combinados com o arroz agridoce do sushi ‘normal’, ou na miscelânea de ingredientes do sushi de fusão. Já a solo, em sashimi, o sabor não era muito evidente. Os nigiri de enguia (unagui) eram aceitáveis e os sushi criativos (com excepção do Lx roll no inicio) progrediram razoavelmente bem - mais cream cheese, menos cream cheese. De sobremesa escolhemos uma tarte tatin, que embora tivesse sido servida em quantidade generosa, tendia para o sensaborão -  provavelmente pela falta de qualidade da maçã, bem como do gelado que a acompanhava.

No que se refere aos vinhos a carta é simples mas com alguma variedade de  escolha. Lamenta-se que haja vinho ‘à taça’ e não ‘a copo’ (como é correcto em português de Portugal) e que dos dois únicos espumosos da carta apenas o champanhe tenha direito a menção da marca (Moët&Chandon), enquanto que o nacional surge apenas com a referência genérica, ‘espumante’ (que no caso Murganheira bruto, que escolhemos. Já agora também não era má ideia darem mais formação na área como, por exemplo, ensinar a abrir uma garrafa de espumante ou mostrar a garrafa quando se serve vinho a copo.

É provável que muitos achem estes pormenores triviais. Eu considero que um restaurante deste nível deva ser mais rigoroso e que detalhes como estes deveriam ser corrigidos ou, digamos, incrementados.

 

tataki de atum (esq); Gyozas (atrás); 'Lx roll' (à frente)

 

 'ceviche jo' (esq); nigiri de enguia (atrás, à direita)

 

sushi&sashimi

 

tarte tatin

 

 

Contactos: LX Boutique Hotel, Rua do Alecrim 12 (Cais do Sodré), Lisboa; Tel: 21 342 6292

 

texto publicado originalmente nas páginas do Outlook do Diário Económico, em 25 de Fevereiro 2011

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publicado às 13:46


2 comentários

Sem imagem de perfil

De José Tomaz de Mello Breyner a 08.03.2011 às 13:53

A Confraria?????? Estranho...
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De Miguel Pires a 09.03.2011 às 01:55

Lx, Zé Tomás, Lx...

Portanto agora temos em Lisboa (a pouco mais de 1km) dois hotéis com restaurantes de nomes muito semelhantes: A Confraria (York House) e Confraria LX (Lx Boutique Hotel)

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    Oops, já corrigido. Agradeço o reparo.

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    Tudo bem. Vega “Cecília” é que me ultrapassa.....

  • Anónimo

    Esta é uma boa notícia para esta altura do Natal.....

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