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 A noticia vem no DN de hoje e chegou-nos via facebook (pelo leitor Artur Leão): "O restaurante Tavares Rico, em Lisboa, pagou hoje uma dívida de mais de 15 mil euros a uma empresa fornecedora de produtos alimentares e evitou assim um processo de insolvência requerido em tribunal" (ver a notícia completa aqui).

 

Não é propriamente o lado sensionalista da notícia que me interessa aqui mas sim o facto de um fornecedor ter que ir para tribunal para conseguir ser ressarcido de uma dívida. "Por um valor tão irrisório não se chega a este ponto", referiu a advogada do Tavares. De acordo. E porque deixaram chegar as coisas a este ponto?

 

Esperamos que este caso (que poderá ter estado na origem da saída de José Avillez) não prejudique o trabalho de Aimé Barroyer neste mesmo restaurante. Do mesmo modo que esperemos que não venha a ter este tipo de problemas. 

 

Fica pergunta: sendo uma prática infelizmente comum em Portugal, quantos mais casos existirão como este (ou ainda mais graves) na nossa restauração? Servirá o mesmo de exemplo?

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publicado às 19:08


15 comentários

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De vitor, claro! a 02.05.2011 às 19:27

15mil euros, um valor tão irrisório?????

desculpem lá... está tudo louco?

uma firma que vende produtos alimentares, "entalada" com 15 mil euros (são uns quantos ordenados, diga-se), e... irrisório..??

não compreendo...

ou sou muito novo ou de uma escala demasiado pequena para este negócio. deve ser.

pode explicar-se que está na mão de uma instituição bancária, que trata de volumes de dezenas e centenas e milhares de milhões de euros.
mas nunca 15mil euros vai ser um valor tão irrisório assim, ou vai?

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De António Moura a 02.05.2011 às 21:40

Sinto vergonha, ao ver este símbolo da nossa restauração e da cidade de Lisboa, nas bocas do mundo, por estes motivos.
Não faz sentido que um local com tanta História e tão bem localizado, nunca mais consiga gerir, com sucesso, os seus recursos.
Esta situação vai continuar até quando?
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De fernando aguiar a 02.05.2011 às 22:23

Se um restaurante como o Tavares, que figura em todos os guias internacionais, tinha o chefe mais conhecido da praça e conseguiu uma estrela não consegue ganhar para pagar aos fornecedores como andaram os outros. A estrela traz muitos clientes estrangeiros, os guias também, estas turbulêbcias não. Mas quem está atento a estes restaurantes também já não os frequenta, pelo menos é o que tenho visto em Lisboa, em diversos espaços a que tenho ido nos últimos meses.
Restaurantes vazios, algumas mesas de estrangeiros, pessoal encostado ao bar a olhar para o prejuízo, antecipam muitos problemas como o do Tavares. Não é caso único no meio, fala-se em vários outros com problemas a pagar aos fornecedores. Nesta situação era saudável que os mais fracos fechassem e os menos fracos conseguissem aguentar e continuar esta onda de modernidade da gastronomia portuguesa. Infelizmente não ´´e assim e mais fracos não pagam, baixam as margens, estragam o mercado e dão cabo de tudo. Mas são apontados como exemplos a seguir pelos jornalistas
Qualquer dia temos japoneses, italianos, portugueses de tacho e travessas de inox. Mas é disto que nós gostamos?
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De carlos a 03.05.2011 às 01:08

Caro,
concordo consigo no inicio do seu comentário, mas acho despropositado o final! Portugueses de tacho e travessa de inox, por vezes, trabalham mais que restaurantes de luxo e, a verdade (e se está atento ao mercado deve saber disso) é que atraem muitos turistas ao nosso país, ou pensa que a maioria dos turistas que nos visitam o fazem para provar restaurantes de luxo?! nao. visitam-nos para provar o bacalhau com batata a murro servido na bandeja de inox, com azeite de alho servido na molheira de inox e no restaurante mais bairrista e tradicional que encontram.
não me interprete mal, eu trabalho na secção «top» da área, mas creio que nao nos devemos esquecer do mais básico e que nos «sustenta» minimamente. Tomara que tivessemos mais restaurantes como Tavares e afins (mais trabalho tinha eu!), mas garanto-lhe que a sardinha na brasa (ou com broa) nos santos populares rende mais que um belissimo prato a 30€ num restaurante fino... dá que pensar...
Não faz sentido nenhum dizer que os mais fracos devem fechar para manter os outros abertos, porque na realidade quem pode dizer quais sao os mais fracos? e as pessoas que trabalham nesses «mais fracos» nao têm direito ao seu trabalho? ou na sua ideia passariam a trabalhar nos «mais fortes»?

Japoneses como Umai e Midori? Italianos como Gemelli e Giorgio Damasio?

Parece que sim, que é disto que nós gostamos. E não me parece que sejamos os únicos!
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De Marta Braga a 03.05.2011 às 00:17

Parece-me muito, mas muito mal sinal. Li a notícia esta manhã, que me foi enviada por uma amiga. Há alguns meses ela falava-me na hipótese de falência do Tavares... disse-lhe que não acreditava numa coisa dessas. Hoje mandou-me o link para que visse com os meus próprios olhos. É muito, mas mesmo muito triste que isto aconteça. 15 mil euros é dinheiro, bastante dinheiro, mas para um restaurante como o Tavares são peanuts, ou eram... Tenho pena, muita pena.
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De Miguel Pires a 03.05.2011 às 01:30

Como refere a notícia, a dívida vem de trás. Quero crer que com a entrada de Aimé Barroyer tenham resolvido o passivo, caso contrário será grave para todas as partes.

É importante que estes casos (concretos) venham a lume para que possam servir de exemplo.
Mas também é importante que não se especule demasiado sem conhecimento de causa.
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De Antonio a 03.05.2011 às 17:38

Especular sem conhecimento de causa? Mas não é isso que se tem andado a fazer?

Quinze mil euros é um valor irrisório? Só podem andar a brincar... oitenta mil euros à segurança Social também é irrisório (peanuts)?
Isto é tudo é uma grande palhaçada, se é que me faço entender?
Concordo com o "Victor, Claro!", será que somos nós que estamos errados?
Se o Tavares não dá transforme-se num museu (só falta).

Uma noticia destas, com um titulo destes, num blogue como este, é gozar com a cara de todos os outros restauradores Lisboetas e do resto de Portugal. Depois não querem que se diga que existem, os "amigos" e etc e tal...

O Tavares como qualquer restaurante, tem de pagar o que deve, se não têm "máquina" para o por a funcionar, é melhor desistirem!... é o que têm a fazer.

Dever aos fornecedores, ao estado, ao colaboradores não é sistema, ou por outras palavras, não deveria ser sistema, mas neste país parece que só quem engana é que é herói!

Senhor Miguel, devia ter vergonha quando vem para aqui (o seu Blog), escrever algo com um titulo destes. Na sua posição, Jornalista/Critico Gastronómico (corrija-me se estiver errado) não deveria tomar partidos (é claro que toda a gente sabe que toma), para que a sua critica continue a ser limpa e isenta.

cumprimentos

Antonio
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De PaixãodaSilva a 03.05.2011 às 21:08

Não é bom... Mas do meu ponto de vista como cozinheiro, era muito pior que o Tavares fecha-se.
Desejo todo o sucesso ao Chefe Aimé e ao Tavares...

Cumprimentos
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De Miguel Pires a 04.05.2011 às 02:39


Caro António

Parece-me que não me fiz entender convenientemente pelo que vou tentar clarificar o que escrevi :

1 - Não estou a gozar com a cara de ninguém. O título corresponde à frase da proferida pela a advogada do Tavares e o objectivo foi dar destaque a uma frase que me pareceu muito infeliz. Porque se o valor era irrisório (para eles, não para mim) porque não pagaram a tempo? (ter escrito "De acordo" (no 2º parágrafo) era apenas uma oralidade para prosseguir com a pergunta: "E porque deixaram chegar as coisas a este ponto?. Admito que não é uma expressão feliz porque pode dar a entender que estou mesmo de acordo que 15000 é irrisório, o que não acho de todo).


2 - Quando eu digo que não devemos especular é porque sou a favor de que se fale apenas do que temos como certo e não daquilo que ouvimos falar (falo por mim e falo como co-responsável deste espaço). Para mim facto é o conteúdo que está patente nesta notícia.

3 - Embora faça algumas reportagens não sou tout court, um jornalista. As criticas que escrevo são textos de opinião, pelo que os mesmos expressam isso mesmo, a minha opinião. É óbvio que uma crítica tem regras (em breve farei um post sobre o método que adopto) e eu procuro segui-las. E deste modo procuro ser isento nas apreciações e honesto comigo mesmo, com os meios para quem escrevo e, sobretudo, com os leitores. A reputação não se apregoa, conquista-se e cabe ao leitor fazer essa avaliação.

Agora isso não me impede de ter preferências, até porque uma critica tem uma vertente subjectiva que tem a ver com gostos e preferências pessoais.

Para terminar ainda em relação a preferências, procuro não ser opaco e se der ao trabalho de ler os meus textos de critica essas 'fraquezas' são normalmente claras. Dou-lhe um exemplo: quando escrevi sobre o XL, admiti que não era a minha praia, mas no entanto, após a experiência, não deixei de enaltecer a comida e o sucesso que me parece merecido.
i.e: tomei partido, mas procurei ser isento na apreciação.

cumprimentos
mp

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De fernando aguiar a 03.05.2011 às 21:47

As minhas desculpas pelo burburinho causado. Recebi diversas chamadas e um dos meus amigos dizia, senão for o Tavares quem é que se aguenta. É conhecido, aparece em todo o lado, tem estrela e o investimento é antigo, está amortizado, não absorve liquidez. Agora todos os outros projectos com investimentos significativos (vários casos de mais de 1M), recentes, casas vazias, ordenados altos e fixos, encargos altissímos, IVA alto (desnecessário), como é que aguentam. Vejam o caso do Eleven que é gerido por quem pensa e faz contas, cortou a sério nos custos de pessoal, equilibrou o barco mas perdeu a estrela. Sobrevive e continua.
Não é preciso ler os relatórios de contas, basta falar com os fornecedores nomeadamente os de vinhos para saber quem paga e quem não paga, quem trabalha e quem não trabalha.
Mas que os jornalistas têm muita culpa por andarem sempre distraídos é verdade e não tenho muitas dúvidas. Nenhum jornalista faz escola, não têm seguidores, falarem ou não de um restaurante não tem qualquer impacto na sua actividade. Acontece na restauração mas também noutras actividades. Há muitas encomendas e muitos favores e não se distingue o bom do mal o verdadeiro do falso
Os japoneses e italianos a que me referia não sei o nome, mas não são os de topo.
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De nao a 04.05.2011 às 13:05

num país de crise não se justificam refeições com preços de luxo.
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De António Moura a 04.05.2011 às 16:47

e o turismo? Queremos chamar só pés-descalços?
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De nao tem a 04.05.2011 às 21:58

no Allgarve talvez se justifiquem alguns restaurante mais "caros". Aqui em Lisboa?? Hmmm... há muita boa comida abaixo dos 30. Vir a Lisboa jantar por 100€ não tem justificação
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De António Moura a 05.05.2011 às 00:38

... e já agora proibe-se a venda de carros topo de gama, barcos de recreio, fecham-se as boutiques de Luxo, galerias de arte e Hoteis de 5*? Atiram-se abaixo os condomínios caros e toma-se mais uma série de medidas, que segundo a sua opinião estejam de acordo com a carteira dos portugueses?
E já agora exportam-se os portugueses ricos e impede-se a entrados de turistas com dinheiro e ficamos todos felizes, sem ambição a viver na mediania
Será que Portugal ganharia alguma coisa com isso?
Claro que estou só a caricaturar, mas nunca me passaria pela cabeça de sugerir acabar com restaurantes de Luxo em qualquer capital mundial.
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De Alexandre Silva a 05.05.2011 às 10:07

Existem aqui comentários, que são verdadeiros números de "Stand Up"!

Já agora, porque não acabar com os pratos de porcelana, servia-se só em inox, tens menos quebras e sai mais barato.

Tenho de me mudar para o ALLgarve...

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