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Asneira às fatias

por Duarte Calvão, em 15.06.11

Seja o pão de Mafra ou o pão alentejano que compro nas mercearias perto de casa seja no supermercado Continente (antigo Modelo) com o óptimo pão de Rio Maior (de que um dos mais ilustres filhos da terra, Miguel Pires, diz desconhecer a origem…), é cada vez mais difícil encontrar pão que não venha já fatiado. Os responsáveis, inclusive a empresa que fornece o Continente, que teve a gentileza de responder a uma reclamação da minha mulher, respondem sempre que são os clientes que preferem assim. Não duvido, com a preguiça que vai por aí e com as novas gerações moldadas pelo pão de forma, mas é uma asneira porque o pão já em fatias fica logo mais seco e ganha bolor com muita facilidade. Para já não falar no prazer que é cortar pão fresco, cada fatia à medida do gosto e da necessidade, ou até desfazê-lo com as mãos. Esperemos que seja uma moda passageira.

 

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publicado às 18:50


24 comentários

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De João a 15.06.2011 às 20:04

A asneira maior é comprar no continente. O Pingo Doce tem o "Pão Saloio" e o "Pão Alentejano", inteiros e deliciosos!
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De Mantero a 16.06.2011 às 00:38

Foge ao tema, mas cada vez acredito menos nas marcas Pingo Doce... Alentejanos e Saloio? Ele querem lá saber do pão! Querem saber sim de otimização e eficicencia económica. Mas são opiniões... até acho que o Continente tem muito maior variedade!
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De Mantero a 15.06.2011 às 23:46

E os queques partidos ao meio? E também palmiers? Já nem perguntam na pastelaria, partem e pronto. Já pedi um travesseiro partido em 5 fatias, e o rapaz ao balcão fez cara estranha...
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De Paulina Mata a 16.06.2011 às 00:08

Também não gosto nada. Nunca compro pão às fatias! Até porque gosto de fatias fininhas e aquela espessura não me agrada.

Costumo comprar o de Rio Maior no Continente (bom pão) mas até aqui sem ser fatiado, será que mudou?
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De Duarte Calvão a 16.06.2011 às 01:18

Agora anda quase todo fatiado, Paulina. Aproveito para lhe perguntar se o facto de ser fatiado, se calhar quando ainda está quente e saído do forno, ajuda à formação de bolor. Houve um, de Rio Maior, que no dia seguinte já estava cheio de bolor e teve que ir para o lixo.
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De Paulina Mata a 16.06.2011 às 01:24

Eu de "bichos" sei pouco... mas acho que se o pão não fôr fatiado, o interior foi a uma temperatura alta que matou o que por lá existia.
Já ao ser fatiado com a máquina, e não só, pode haver contaminação do interior o que pode facilitar o aparecimento de bolores. Mas como disse, é só o que me parece.
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De Duarte Calvão a 16.06.2011 às 01:37

Pois a mim parece-me uma boa explicação, obrigado.
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De João a 16.06.2011 às 00:48

Esta reclamação parece-me pouco sensata.
Porque não compra pão na padaria local? Provavelmente estaria a consumir algo do seu gosto e estava a beneficiar um comerciante de pequena dimensão.
Com as máquinas de marketing que existem nessas grandes cadeias é óbvio que se tomaram essa opção é pq a pesquisa de mercado assim o justificou.

Eu faço a minha parte, compro pão numa padaria já com alguma história (+/- 100 anos) que ainda existe porque aqui queremos que continue, ou seja, não vamos às grandes superfícies comprar pão...
Defenda os seus vizinhos, a economia local e a diversidade dos produtos gastronómicos, isso sim teria sido um post com algum conteúdo!

Cumprimentos
João
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De Duarte Calvão a 16.06.2011 às 01:32

Acho que não leu com atenção o que eu escrevi. A maior parte do pão que consumo é comprado em mercearias do meu bairro, embora sejam de fornecedores externos. Há já muitos anos que escrevo sobre a importância do comércio local e quem me conhece, o que não é o seu caso, sabe que sou cliente assíduo das lojas e mercados do meu bairro. Por isso, dispenso as suas agressivas exortações sobre como devo comportar-me. Já agora, as padarias que tenho por perto não prestam para nada, apesar da decoração"antiga" com que procuram enganar os clientes, como aliás acontece por quase toda a Lisboa que frequento. São também de fornecedores externos que cozem o pão em fornos eléctricos centrais e mesmo quando têm bom aspecto são ocos e esfarelam-se em migalhas. Vejo-os fazer as entregas desse pão miserável todos os dias e ainda por cima estacionam os camiões em fila dupla, a atrapalhar o trânsito. Outras "padarias" preferem cozer massas congeladas ou fazem um pão igualmente horroroso. A excepção que tenho mais por perto é a Quinoa, na Rua do Alecrim, que apesar de recente é uma padaria a sério.
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De Campos a 10.05.2012 às 23:39

Concordo em parte consigo quanto ao comprar em lojas locais, mas o problema é quando o pão é fraco numa determinada região. Veja o meu caso, sou natural de Rio Maior e fui sempre habituado a bom pão, pão que se corta em fatias e tem substância. Desde alguns anos migrei para Braga, gosto da região, mas o pão aqui é muito fraco, o melhor ainda é a broa, porque o pão que por aqui se come é basicamente o pão em bolas pequenas (geralmente proveniente de massas congeladas), a baguete (massa de papeseco se não estou em erro), e um pão muito fraco de cortar à fatia (creio que feito com a massa dos papessecos).
Felizmente e graças à globalização (não tem que ser sempre má), no supermercado posso comprar pão de Rio Maior, ou outro pão saloio ou alentejano. Tenho falado com diversas pessoas na região de Braga, e creio que aqui não existe uma cultura do pão, desprezam o bom pão e já não estão desabituados ao pão bom, o pão com substância.

Campos
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De carlos moura carvalho a 16.06.2011 às 09:49

Sem querer fazer publicidade, sugiro que experimente o pão cozido em forno de lenha que vem da Maçussa, trazido pelo Adolfo Henriques, e que há ao sábado na Mercearia Criativa.
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De Duarte Calvão a 16.06.2011 às 10:49

Obrigado pela sugestão, que é excelente. Já tive a sorte de desfazer esse pão com as mãos, ainda quente, no próprio O Baile, do Adolfo Henriques, na Maçussa, e comê-lo com a também excelente manteiga e queijo de cabra que ele produz. São ocasiões em que nos damos conta da sorte gastronómica de viver em Portugal. Mas também já o comprei na louvável Mercearia Criativa e é uma das melhores opções da cidade.
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De Miguel Pires a 16.06.2011 às 09:49

Já me estragaste a candidatura a deputado municipal, mas pronto, como sou um tipo com bom foie (cada vês mais gras ') prometo-te que te trago um pão de Rio Maior inteiro quando visitar os meus pais (onde espero não encontrar nenhuma placa a dizer "capital do pão fatiado ").
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De Hugo Jorge a 16.06.2011 às 10:25

Pois, o pão tem vindo a levantar cada vez mais questões desse tipo. A fatiagem estraga esse prazer de cortar o pão, é certo, e seca-o mais. Por outro lado, dá muito jeito para torrar - é como o como - e gosto da grossura standart das fatias. Mas acho que, caminhando assim, talvez qualquer dia nem sequer exista pão ao balcão. É muito mais eficiente vendê-lo já fatiado. E com isto pode vir logo atrás aquela horrível ideia da uniformização do gosto, que lhe tira o sal, acrescenta misturas de farinhas, processa a cosedura toda da mesma forma e entrega o pão todo médio-cozido. E, se for assim, que diferença faz a região de onde o pão vem?
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De Atlantys a 16.06.2011 às 10:32

Sou fan confessa de pão fatiado mas admito que exista quem não o seja.
No Pingo Doce além das variedades referidas de "pão ineiro" existe também o pão de Rio Maior, sendo que é esse que costumo comprar e peço até para o fatiarem na altura =))
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De joão - flavors and senses a 16.06.2011 às 12:44

Também costumo comprar o dito pão de rio maior na grande superfície falada aqui, mas ao contrario do Duarte, aqui em Gaia encontro sempre o pão acabado de sair do forno e sem estar embalado, ou seja encontro sempre o pão sem estar fatiado num balcão que existe com pão fresco, de facto nas estantes apenas se encontra o mesmo já fatiado.
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De Mário Robalo a 16.06.2011 às 15:19

Costumo comprar o dito pão de Rio Maior (de que gosto muito, e cuja versão mais pequena é comercializada com a designação de "caralhota") no Continente (ex-Carrefour de Telheiras). Na prateleira tanto existe fatiado como não fatiado. Aliás, existe mais não fatiado do que fatiado... porque (penso eu) a maior parte das pessoas prefere levá-lo já fatiado.
Contudo, compro normalmente o meu pão no "Tio Armando" (no Centro Com. da Portela), dada a variedade de escolha de pão fresco, todo ele inteiro: pão de Castelo Branco, da Ericeira, de Mafra, vários Alentejanos, etc.
Por pura comodidade minha (my fault) peço-o sempre fatiado...

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