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Restaurante Velho Macedo

por Miguel Pires, em 11.09.11
O renovado Velho Macedo


Gosto muito dos restaurantes lisboetas antigos com as suas paredes interiores em mármore, como nos talhos, leitarias e tabernas antigas. Um dos lugares que ainda mantinha essas características era o Velho Macedo, na Baixa, que em tempos foi... isso mesmo, uma antiga leitaria. Utilizo o verbo no passado porque em Junho último o local entrou em obras de remodelação e uma das alterações previstas era precisamente a substituição desse revestimento. Temia que o espaço perdesse a sua personalidade, como aconteceu em tantos outros locais que foram alvo de ‘modernização’. Há uns dias soube que o restaurante reabrira e decidi lá ir almoçar.
 
A primeira constatação foi, de facto, que os mármores tinham ido à vida, substituídos por pedra lioz, como no chão.  Continuo a lamentar a amputação desse pedaço de história mas reconheço que, em geral, as alterações foram benéficas e acabaram por conferir maior luminosidade ao espaço, sem o descaracterizar.
A disposição da sala mantém-se, tal como os arcos originais do edifício, bem como a fileira de garrafas de água San Pellegrino, um adereço algo insólito num restaurante de cozinha tradicional portuguesa mas que é uma marca da casa (consta que uma referência num guia turístico italiano tornou o restaurante popular entre os turistas italianos de visita ao nosso país). Já as cadeiras foram substituídas por outras mais confortáveis, tal como o balcão vitrina de inox, à entrada, que agora é de madeira e tampo em pedra.
O mais importante é que não houve alterações nos pratos tradicionais confeccionados pela D. Adília. Apesar dos proprietários serem de origem transmontana, há pratos de várias regiões e até umas mini chamuças (confeccionadas fora) que costumam ser ‘de estalo’, mesmo que desta vez estivessem algo moles. Foi por aqui que o almoço começou, a que se juntaram uns pastéis de bacalhau (também em versão mini) que embora com mais batata do que bacalhau revelavam um recheio de apuro certo. Éramos dois e como pratos principais escolhemos uma carne de porco à alentejana e um polvo à lagareiro. A carne estava tenra qb,  a confecção correcta e o tempero assertivo de horas a marinar. As amêijoas eram de qualidade e as batatas fritas não vieram em cubos, como mandam as normas, mas sim às rodelas, finas (mas não demasiado) e de fritura imaculada - pura gulodice.  O polvo à lagareiro sofreu também uma adaptação e resultou bem. Os tentáculos, macios, vinham cortados na horizontal (como nos filetes de polvo) e revelavam as marcas de uma passagem final pela grelha. Foram servidos com companhia à altura: boa batata a murro e couve galega. De sobremesa comeu-se um saboroso pêssego de época e um agradável e nada pesado pudim francês.
O Velho Macedo tem uma carta de vinhos variada e bastante completa que vai do mais básico até a topos de gama como o Quinta do Crasto - vinha Maria Teresa. Ficámo-nos por um Casa de Santar Reserva branco de 2008, um vinho a bom preço (14€) com a complexidade necessária para acompanhar qualquer um dos pratos descritos.
O serviço é do género familiar o que nem sempre revela o maior profissionalismo. Por exemplo nesta visita o anfitrião perdeu-se à conversa com uma das mesas do lado, de clientes habituais, acabando por negligenciar, em parte, o serviço na nossa (não dando a provar o vinho, por exemplo). Enfim, também não vem grande mal ao mundo. Afinal o Velho Macedo continua a ser um restaurante muito recomendável e seja qual for a juízo que se faça sobre a substituição das paredes revestidas a mármore, há uma opinião que é unânime: a da boa mão da D. Adília para a cozinha.
 
Pela refeição descrita, mais cafés, pagou-se 47€, por duas pessoas.
 
Contactos: Restaurante Velho Macedo, Rua da Madalena 117, Lisboa; Tel: 218873003

Texto e foto de entrada publicados originalmente nas páginas do Outlook do Diário Económico, em 19 de Agosto de 2011
 

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publicado às 17:05


1 comentário

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De chalita a 13.09.2011 às 09:56

Quase nos encontramos no Velho Macedo? Estive em 12.09.11, para jantar com um amigo. Penso que não estivemos na mesma casa, entretanto. A que estive, começou por um atendimento telefónico de qualidade agressiva, ao quase não me permitir marcar uma mesa, atitude cautelar que ainda me parece prudente de alguém que não quer voltar da porta. Mas, lá chegamos no horário aprazado. A recepção pelo senhor proprietário poderia ser sóbria, porém descambou para o "não estou nem aí" para os clientes.
Persistimos, embora a vontade fosse de ir procurar um lugar mais afável de trato. A contragosto, a mesa foi preparada para nós, sempre com um toque quase rude. Não sucumbimos! Rapidamente, nos foi sugerido que pedíssemos o prato, embora, contrariamente a continência do senhor, tenha me decidido por um porto branco seco para aperitivo. Aí em um pequeno gesto, sem facilidades de tom na voz, nos apresentou a umas entradinhas de queijo e azeitonas, ambas boas.
Para o prato principal optamos por um polvo a lagareira que se apresentou sofrível, uma vez que o molusco, razoavelmente tenro, estava sem sabor. Boa a guarnição de verduras e batatas que escoltava o prato; insuficiente, contudo. Todavia, a atmosfera da sala é soturna por conta da postura indisposta do senhor proprietário. A um casal de brasileiros que retornava, depois de um almoço na casa naquele mesmo dia, dispensou solene indiferença e impaciência. O único empregado de sala, ato contínuo, foi "alertado", para a qualidade dos serviços que presta com uma potente desqualificação profissional, capaz de nos constranger e de mostrar que a relação capital e trabalho é tensa. Um jantar de comida, insisto, sofrível, desenrolado em uma atmosfera extremamente inadequada. Não tenho dúvidas que o senhor proprietário pode ter clientes queridos e preferidos. Não vou me arriscar a voltar, entretanto. De que adianta falar de preços e etc. O vinho Maritávora tinto foi cobrado a preço honesto.

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