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Esta escolha, a dos dez melhores vinhos nacionais e estrangeiros do ano, é uma escolha pessoal que espelha de forma clara o estilo de vinhos que mais me emocionam e desassossegam. É a minha confissão anual, a revelação e exposição dos meus gostos pessoais. Este é o meu espaço íntimo, o meu foro privado, e estes são os vinhos que mais me entusiasmaram ao longo deste ano.

 

A lista inclui novidades e estreias absolutas. Pela segunda vez, e um pouco em contra ciclo com a opinião publicada, considerei somente um vinho branco para a galeria dos dez melhores. Faço-o sobretudo pela parca qualidade das colheitas 2009 e 2010, duas vindimas consecutivas que considero pouco prestáveis para gerar brancos de eleição. Tal como no ano passado, voltei a aclamar um vinho espumante português, algo

que durante muitos anos considerei pouco verosímil. Apesar de algumas das principais casas do Vinho do Porto terem declarado Vintage em 2009 não senti que os vinhos tivessem densidade para constar nesta minha selecção. Lutei por incluir o maravilhoso Scion nesta selecção mas o preço elevado e a impossibilidade prática de encontrar uma garrafa no mercado condicionaram-me nessa escolha. Não consegui, no entanto, deixar de qualificar aquele que durante anos foi o único 40 Anos da Madeira, um vinho excepcional que, compreensivelmente, também não será fácil encontrar. A milha escolha pessoal fica então distribuída entre uma nomeação de vinhos do Alentejo, um do Dão, três para o Douro, dois para Lisboa, um de Setúbal, um espumante e um Vinho da Madeira.

 

Os vinhos são apresentados pela ordem alfabética das regiões e, dentro de cada região, pela ordem alfabética dos nomes comerciais.

 

 

VINHOS NACIONAIS:

 

  • blog 2009 (Alentejo) – O estranho caso de um vinho que vive numa roda viva permanente entre potência e harmonia… sobrando-lhe pureza, precisão e finura, ou a história de um vinho que envolve um punho de aço numa luva de veludo. Gigante!
  • Quinta dos Roques Reserva 2007 (Dão) – Eis como a austeridade também pode ser entendida como uma virtude, num caso raro de rigor e vigor. A força serena de quem sabe que não é preciso gritar para ser ouvido. Clássico!
  • Quinta da Manoella Vinhas Velhas 2009 (Douro) – Rigor pode rimar com fruta que pode rimar com delicadeza… que pode rimar com textura sedosa. Um vinho completo, sólido mas civilizado, matemático na precisão, melódico no ritmo. Imperial!
  • Quinta do Infantado Reserva 2008 (Douro) – Quando a grandeza consegue andar de mãos dadas com a beleza. Riqueza, subtilezas, nuances e rendilhados. Desenvoltura e firmeza, raça e sensibilidade. Notável!
  • Ultreia 2007 (Douro) – Rijo e sedoso, tenso e dócil, seco e suave, musculado e delicado. Poderá um vinho sobreviver a tantos contrastes? Poderá o Douro conseguir mostrar ainda mais uma faceta desconhecida? Poderá um vinho parecer eterno? Inquietante!
  • Ex Aequo 2008 (Lisboa) – A alto costura conduzida ao extremo da sedução. Homem, terroir, estética e substância. Ou como um vinho também pode servir como conforto da alma. Fruta limpa e cristalina, melodia e organização. Melódico!
  • Quinta de Sant’Ana Alvarinho 2010 (Lisboa) – A compensação de um risco, a alegria de ver uma aposta ganha. Quando a mineralidade se torna desmedida e elevada ao extremo. Severidade, firmeza, nervo, tensão e audácia. Eléctrico!
  • Cavalo Maluco 2008 – (Setúbal) – Um tsunami de proporções bíblicas. A apoteose do belicismo, o triunfo da potência, a vitória do músculo... sem que o equilíbrio seja beliscado. A necessidade de tempo e o conforto do descanso na garrafeira. A certeza de um futuro brilhante. Colossal!
  • Murganheira Cuvée Reserva Especial Bruto 2002 (Espumante) – Nobreza e fidalguia, sedução e harmonia, alegria e dignidade. A arte do lote, o saber da experiência, a arte e fleuma para acreditar nas virtudes do tempo. Elegância, frescura e sapiência. Sedução!
  • HM Borges 40 Anos Malvasia (Madeira) – Profundidade, complexidade, tensão, frescura, riqueza e robustez num só copo. O justo equilíbrio entre doçura e frescura, entre fogosidade e formosura. Ou como um vinho consegue fintar as mazelas do tempo. Infinito e intemporal. Descomunal!

 

 

 

 VINHOS ESTRANGEIROS:

 

  • Franz Künstler Kostheim Weiß Erd Erstes Gewächs Riesling trocken 2009 (Alemanha/Rheingau) – Faísca, nervo e tensão em proporção quase agonizante. A audácia de uma mineralidade impetuosa e colérica. Brutalidade e delicadeza de braço dado. Preciso!
  • Maximim Grünhauser Herrenberg Riesling Auslese 2010 (Alemanha/Mosel) – O zénite da elegância, beleza etérea e intemporal, garbo e distinção. Frescura e limpidez, brilho e viço. A volúpia do açúcar na proporção mais que perfeita. Elegância!
  • Heymann Löwenstein Uhlen Laubach Auslese Lange Goldkapsel 2009 (Alemanha/Mosel) – Beleza mineral aliada à sensualidade e paixão de um corpo rico e untuoso. Tensão e sedução, nervo e ardor, firmeza e audácia. Pecaminoso, sensual e carnal. Lascivo!
  • Penfolds Grange 2006 (Austrália/South Australia) – Quando a sensatez e a loucura habitam na mesma casa. Alegria e contenção, vigor e suavidade, seriedade e tradição. O triunfo da razão, a combinação perfeita entre inovação e tradição. Rigoroso!
  • Nikolaihof Steiner Hund Riesling Reserve 2007 (Áustria/Wachau) – Poderá um vinho ser arrancado directamente da rocha, de tão intensamente mineral? Vigor, firmeza, intrepidez, concentração, petulância e rigor num só copo. Gigante e suave. Arrepiante!
  • El Titan del Bendito 2008 (Espanha/Toro) – Alienado, brutal, opulento e decadente. A contraposição ao pensamento politicamente correcto. O fausto da fruta, o abismo da decadência, o aprumo final. Como uma receita certa para o desastre redunda num vinho esplendoroso. Desbragado!
  • Dom Ruinart 1998 (França/Champagne) – Pura poesia. Textura irrepreensível. Complexidade e opulência, finura e austeridade. Alegria e sedução. Fascinante!
  • Gosset Celebris Blanc de Blancs (França/Champagne) – O triunfo da arte do lote, a satisfação de uma educação esmerada. Musculo, finura e finesse. Como radical pode concordar com urbanidade. Impressionante!
  • Sigalas Assyrtiko 2010 (Grécia/Santorini) – Tensão e comoção, intransigência e severidade. A energia a conviver com a delicadeza. Electricidade pura, secura, pureza e loucura. Precisão e rigor. Arrepiante!
  • Gaja Barbaresco 2007 (Itália/Barbaresco) – Charme, leveza, frescura, rusticidade e nobreza. Tradição e inovação, modernidade e classicismo. Emoção e razão, segurança e vigor. A arte de mudar deixando tudo na mesma. Misterioso!

 

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publicado às 09:16


9 comentários

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De Artur Hermenegildo a 24.10.2011 às 16:34

Obrigado Rui. Muito útil para mim, sobretudo porque nos últimos dois/três anos tenho andado mais afastado deste mundo do vinho.

Deixo duas notas minhas, no entanto.

Estive há dias na prova da Decante a comparar directamente (mas não em prova cega) o Manoella com o Passaoduro Reserva, e entre um e outro o meu coração balança... Não consegui declarar um vencedor.

Descobri o Quinta de San Joanne este ano no Viajante do Nuno Mendes. Bebi o 2009, creio. Gostei muito do vinho e agora este teu reconhecimento, embora para um ano diferente, confirma que não me enganei.
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De Rui Falcão a 28.10.2011 às 10:55

Bom dia Artur,
Percebo perfeitamente a tua hesitação, o Passadouro Reserva tem-se transformado recentemente numa das referências maiores do Douro e o confronto não é fácil. Quanto ao Quinta de San Joanne, penso que terás lido de forma um pouco transversal o nome da Quinta de Sant’Ana, sita em Mafra, na região de Lisboa, um dos rótulos enunciados como um dos dez vinhos que mais me impressionaram este ano. Por casualidade recomendei o Quinta de São Joanne Superior 2007 na lista dos dez melhores do ano na edição do ano passado, o que, de facto, confirma que não te enganaste!
 
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De Artur Hermenegildo a 28.10.2011 às 16:03

Tens razão Rui, foi de facto uma leitura errada. Obrigado pela correcção.
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De Miguel Cunha a 09.11.2011 às 18:34

Boa tarde! Peço desculpa mas gostaria que me esclarecessem qual a diferença entre as palavras " vínicola " e "vitivinicola"?

Muito obrigado!
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De Rui Paiva a 30.12.2011 às 18:37

Boa Tarde,

Estive a consultar o seu livro e surgiu-me uma questão enquanto apreciador de vinhos.
Em relação aos Alvarinhos não indica o Dona Paterna.
Algum motivo em especial.
Sempre achei um vinho interessante e achei estranho não constar na lista.

Desde já obrigado
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De Rui Falcão a 02.01.2012 às 18:51

Caro Rui Paiva, a razão é bem prosaica, as amostras do Dona Paterna não chegaram a tempo. Com muita pena minha, e do Carlos Codesso, face a alguns contratempos logísticos do produtor, as amostras chegaram já depois da data indicada, quando os textos já estavam em produção na editora.
É realmente uma pena porque os vinhos são bem interessantes. Aliás, tive este ano oportunidade de realizar e comentar uma prova vertical de Alvarinhos antigos para um grupo de jornalistas de vinho internacionais, e um dos vinhos que mais brilhou foi precisamente o Dona Paterna 1995, neste momento numa forma excepcional.
 
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De Rui Paiva a 02.01.2012 às 19:27

Boa Tarde,

Obrigado pelo esclarecimento e parabéns pelo livro.

Cumprimentos
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De Rui Paiva a 08.01.2012 às 21:52

Boa noite,

Gostava de saber a sua opinião em relação a um vinho que não encontrei no livro.
Trata-se do Granja Amareleja Reserva 2007.
Se estivesse no livro que pontuação lhe daria?

Desde já obrigado.

Rui Paiva
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De Rui Falcão a 09.01.2012 às 12:54

Rui Paiva, infelizmente não provei esse vinho. Como tal não consigo comentar. Mas tenho curiosidade.
 

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