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Os números bombásticos da AHRESP

por Miguel Pires, em 17.12.11

  

Sempre que a AHRESP  (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) dispara uma bojarda, os jornais fazem notícias e dão destaques de capa. Percebe-se que o objectivos da AHRESP em lançar números bombásticos seja o de alertarem a opinião pública e pressionarem os governos a tomarem medidas que beneficiem (ou que não penalizem) o sector.

 

No entanto o resultado  não tem dado grandes frutos: O Iva nos serviços de hotelaria, restauração e bebidas não baixou quando  anunciaram que em 2009 encerraram mais de 10 mil empresas do sector, tal como agora não deixa de aumentar (13 para 23 por cento) quando declararam recentemente que tal medida levará ao encerramento de 21.000 empresa em 2011.  

 

Em geral não discordo do diagnóstico, nem dos curativos sugeridos, nem de algumas afirmações mais fortes (como a da equiparação do IVA de uma sopa à de uma jóia). Já tenho dúvidas quanto aos números sensacionalistas que são disparados e cuja revelação da fonte nunca encontro, tal como o que representam face a anos anteriores. O mais impressionante é que vários os jornais que publicam a notícia (às vezes em capa) demitem-se de cumprir uma regra elementar: a confirmação e interpretação desses números. 

 

No entanto, ontem, segundo uma notícia do Público online, "dados do Instituto Informador Comercial mostram que, no primeiro semestre deste ano, o sector já assistiu a 216 casos de insolvência, o que significou uma subida de praticamente 40% face a 2010. O aumento ainda é maior (cerca de 50%) quando comparado com as 145 falências judiciais registadas em 2009". Os números não deixam de ser preocupantes. Ainda assim, as diferenças entre estes dados de insolvências e os de encerramentos anunciados pela AHRESP são abismais. É verdade que muitos (ou até mesmo a maioria) dos estabelecimentos que encerram não o fazem por insolvência, mas seria interessante que a AHRESP divulgasse um quadro evolutivo sobre os números que possui. Por exemplo: o número de encerramento vs abertura de restaurantes e o números de postos de trabalho criados vs destruídos nos últimos 10 anos). Deveria fazê-lo não só por uma questão de transparência, mas também de credibilidade.

 

Na foto: José Manuel Esteves, O secretário-geral da AHRESP 

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publicado às 11:52


1 comentário

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De João Silva a 19.12.2011 às 00:24

Caro Miguel,

Concordo inteiramente com o seu ponto de vista, infelizmente o que aqui relata não se aplica apenas ao sector da restauração. Reconhecendo que a AHRESP não é um sindicato, este é um discurso muito semelhante aos que vamos ouvindo (agora quase diariamente) da boca dos sindicalistas portugueses. Julgo que este discurso de prenúncio da desgraça está gasto e é pouco credível porque vezes sem conta tem sido utilizado muitas vezes sem justificação. É um pouco como a história d'O Pedro e o Lobo.

Concordo que estes são tempos de enormes desafios/dificuldades para o sector da restauração em Portugal, mas seria bom que houvesse mais moderação, bom senso e até uma atitude mais positiva nestes discursos que vamos ouvindo. Ficaria satisfeito e até orgulhoso se essa mudança de paradigma viesse do sector do qual faço parte.

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