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Passou quase um ano desde que José Avillez saiu do Tavares o mítico restaurante onde conquistou a sua primeira estrela michelin. Neste período dedicou-se à família, à empresa de catering, abriu o Cantinho do Avillez e desesperou com obras e licenciamentos. Mas ontem anunciou oficialmente que está de volta à alta-cozinha, ao reabrir finalmente o Belcanto, o emblemático espaço lisboeta do Largo de São Carlos, no Chiado. O espaço foi totalmente renovado (pela arquitecta Ana Anahory e pela a decoradora Felipa Almeida) mas, segundo a Alexandra Prado Coelho, que foi lá espreitar para o Público, "agora, de obras feitas, mantém o seu charme mas reinventa-se".

 

 

Tinha muita curiosidade de saber se Avillez iria entrar 'a matar', com uma carta totalmente criada de raiz, ou se seria mais cauteloso e iria incorporar alguns dos seu pratos mais emblemáticos do tempo do Tavares. Analisando a carta (que publicamos abaixo) verifico que 9 dos 15 pratos são novos, mesmo que um ou outro me pareça ser uma evolução de pratos anteriores, o que ainda assim, não deixa de ser significativo e revelador de confiança. Para tal não deve ser alheio o facto de ter conseguido reunir a equipa nuclear com quem trabalha já há uns anos, nomeadamente o seu braço direito, David de Jesus.

Além de ser uma prática comum em restaurantes de alta-cozinha apresentar criações mais antigas é uma oportunidade de voltarmos a pratos que nos marcaram - como a 'Paisagem Alentejana', ou o ' mergulho no mar' - enquanto experimentamos outros novos. 

 

Deixo abaixo então a carta de comida do Belcanto enquanto aguardo para ver a carta de vinhos. 

 

 

Entradas

 

. Cavala marinada e braseada, confettis de legumes avinagrados e pinhão (2011)

. No bosque depois da caça, cremoso de perdiz, perdizem escabeche e legumes (2011)

. Quente e frio de castanhas e sapateira (2010)

. A horta da galinha dos ovos de ouro, ovo, pão crocante e cogumelos (2008)

. Paisagem alentejana, pezinhos de porco de coentrada à nossa maneira (2008)

. Arroz de “cabidela vegetal” com enguia fumada (2010)

 

Peixes

 

. Mergulho no mar, robalo com algas e bivalves (2007)

. Salmonete, molho dos fígados, ovas vegetais, raízes e tubérculos (2011)

. Lavagante em 2 serviços (2011)

. “Açorda” de bacalhau com ovo BT (2011)

. Raia - Jackson Pollock (2011)

 

Carnes

 

. Cordeiro com puré de escabeche de legumes e pequeno ensopado (2010)

. Bife à Belcanto (2012)

. O cubismo da vitela, bochecha, lombinho e mãozinhas, feijão papo de rola e creme de alho (2011)

. Pombo à “Convento-de-Alcântara” (2011)

 

 

Sobremesas

 

. Tangerina

. Laranja e Xisto, merengue, chocolate, castanha trufada, limão, rum, peta zetas e milho lyo

. Outono de chocolate e avelã

. Pastel de nata em mil-folhas com gelado de canela

. Degustação de gelados e sorvetes

. Prato de queijos portugueses

 

As entradas andam na casa dos 19€, os pratos principais, nos 30€, e as sobremesas custam 12.50€. Há dois menus de degustação, tanto ao almoço como ao jantar: o 'Menu do Desassossego', composto por 6 pratos, que custa 72,50€ e o 'Menu de estação', de 3 pratos (entrada, prato principal e sobremesa), que fica em 55,00€

 

Ao Almoço há ainda uma carta com pratos mais simples, onde se encontram alguns clássicos do Belcanto, como os Ovos à Professor, ou o Strogonoff, numa adaptação feita por Avillez. Esta carta funciona no sistema 'crie o seu menu', com 3 hipóteses de de escolha e preços entre os 27,50€ (pratos principal e sobremesa) e os 35€ (entrada, pratos principal e sobremesa. Se prescindir da sobremesa fica em 30€), com couvert, café ou chá. 

 

_____________________

 

Posts relacionados: 

 

Não deixe de ler também : Nos Bastidores do Belcanto de Avillez  (o acompanhamento de uma noite de trabalho no restaurante com Avillez e a sua equipa)

 

Leia ainda:

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publicado às 00:40


16 comentários

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De Anónimo a 04.01.2012 às 10:29

Não duvido da qualidade mas a carta é curtíssima... !Já fui a copos d'água com menus mais extensos.
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De Pedro Aragão Freitas a 04.01.2012 às 14:07

Tendo em conta a técnica envolvida em cada prato, a carta é tudo menos curta!

Desejo o maior sucesso ao Avillez neste novo projecto.
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De Polittikus a 04.01.2012 às 11:04

Acredito na capacidade do chef Avillez para nos fazer delirar com o prazer dos sabores e aromas da sua cozinha, mas o Menu é curto, muito curto. Já vi tascas com Menus mais extensos...
PS- não vi os famosos ovos queimados "à professor"
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De Polittikus a 04.01.2012 às 11:06

Rectificação: Parece que estão lá os "Ovos à professor" não devem é estar queimados.
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De Paixaodasilva a 04.01.2012 às 11:48

Não me parece que a carta seja curta, numa tasca e num copo de água é "atar e por ao fumeiro".. em alta cozinha à pratos que demoram dias a preparar, para além disso numa tasca se for lá hoje ou daqui a 10 os pratos são os mesmos, na alta cozinha mudam no máximo de 3 em 3 meses...
Nestas andanças mais vale uma carta curta, fresca e bem executada, com sentido e história, que uma carta grande sem nexo nenhum..

Cumprimentos
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De Miguel Pires a 04.01.2012 às 12:05

Penso que mais importante de que saber se a carta é curta ou comprida é se é interessante e, neste caso, tendo em conta o passado do chefe, criativa.

Já me passaram várias cartas compridas pelas mãos em que as percorri várias vezes e tive dificuldade em escolher de tão desinteressantes.

Tenho assistido na SIC Radical ao Ramsey 's Kitchen Nightmares kitchen UK " o programa em que o chefe escocês intervem em restaurantes que estão à beira da ruina e uma das suas decisões mais comuns é a de encurtar drasticamente o tamanho dos menus.

Ainda assim e tendo em conta que estamos a falar de um restaurante que está a abrir e não em decadência (como os do programa do Ramsey ), resolvi dar uma olhada rápida no tamanho das ementas de vários restaurantes de 'fine dining ' e constatei que há vários restaurantes que afinam pelo mesmo diapasão: 8/10 entradas; 8/10 pratos principais; 5/8 sobremesas. Exemplos: Tavares, Pedro e o Lobo, Alma, Assinatura, Bocca - todos em Lisboa; Pedro Lemos e Yeatman - Porto/Gaia.

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De Miguel Pires a 04.01.2012 às 12:25

Não referi neste post mas já que a questão do tamanho da carta se está a colocar, acrescento que ao almoço, na tal opção 'crie o seu menu' existem 4 entradas e 7 pratos principais para compor o menu.

O curioso é que ninguém apontou aquilo que me parece ser uma falta na ementa: a ausência de um prato vegetariano.
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De Anónimo a 04.01.2012 às 18:42

"O curioso é que ninguém apontou aquilo que me parece ser uma falta na ementa: a ausência de um prato vegetariano"

Nas sobremesas há muito por onde escolher ... eheheh
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De Miguel Pires a 04.01.2012 às 17:03

(Onde se lê Ramsey leia-se, Ramsay)
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De Anónimo a 04.01.2012 às 18:58

Além de curto ... não há prato de porco ... e em bom rigor só há 3 sobremesas
Repito: não duvido da qualidade do que vai ser servido, mas sem variedade corre o risco de o cliente (que normalmente não tem apetência por todo e qualquer prato, falo por mim) perder o interesse ao fim de 2/3 idas.
Mas enfim, logo se verá...


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De fernando oliveira a 04.01.2012 às 21:37

A carta parece muito interessante e não é pequena.

A maioria dos clientes opta pelos menus (que também é a solução mais económica) e estes variam com frequência.

Será que os menus são anunciados na altura da escolha ou são escolhas do dia do chefe?
E o menu é baseado na carta ou são pratos totalmente novos? Penso que são tendências ou modas recentes. Espero experimentar.
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De Miguel Pires a 05.01.2012 às 01:52

Caro Fernando Oliveira

os menus de degustação têm pratos definidos e vinham no press release. Se irão variar ao longo da carta, não é dada a indicação. No post não referi quais eram essas pratos para não o tornar demasiado extenso. No entanto aqui ficam:

Menu do Desassossego (72,50€ )

. Cavala e confettis
. No bosque depois da caça
. A horta da galinha dos ovos de ouro
. Salmonete, molho dos fígados, ovas vegetais, raízes e tubérculos
. Cordeiro com puré de escabeche de legumes e pequeno ensopado
.Tangerina
. Para maximizar a sua experiência de degustação, este

Menu da Estação (55,00€ )

. Quente e frio de castanhas e sapateira
. Mergulho no mar
. Pombo à ‘‘Convento-de-Alcântara’’
. Outono de chocolate e avelã

nota: a sobremesa apelidada de "tangerina" não é uma simples tangerina. É até uma sobremesa com uma certa complexidade.


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De Eusébio Meireles a 05.01.2012 às 01:34

Apesar de não o conhecer pessoalmente, tenho acompanhado o desenvolvimento do José Avillez. Um jovem cuja cozinha é tem relação quase perfeita entre o tradicional e a modernidade. Não foi à toa que o Ferran Adrià elegeu o JA como um dos dez melhores chefs emergentes.
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De Eusébio Meireles a 05.01.2012 às 02:10

Apesar de não o conhecer pessoalmente, tenho acompanhado o trabalho do José Avillez nestas lides. Eu considero que este jovem combina de maneira (quase) perfeita a tradição e a modernidade. É um grande chef e por isso acredito que a longo prazo pode vir a ser o primeiro chef português a ganhar a 3.ª estrela michelin . Não foi à toa que Ferran Adrià elegeu o JA como um dos 10 melhores chefs emergentes. Acho, também, que é o melhor desta nova geração que está a revolucionar aos poucos a cozinha contemporânea portuguesa.
Caro Miguel, eu por acaso também vejo o Ramsay 's Kitchen Nightmares kitchen UK e num dos programas o Gordon disse qualquer coisa do género: Um bom restaurante não tem que se preocupar com os vegetarianos, porque eles não gostam de comer tão bem. Além disso o "vegetarianismo" é uma moda passageira decrescente. Apesar de ser uma visão um bocado mentecapta eu acho que o chef escocês tem alguma razão no que diz.
Armando-me em chico-esperto e seguindo o lema: "O cliente tem sempre razão" acho que o Belcanto devia de ter o "Cascais à Beira Mar" e o "Cubismo de Carne de Porco com Amêijoas ".
Muitos parabéns ao chef José Avillez , ao chef David Jesus e ao resto da equipa do Belcanto .

Um bem haja!
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De bitoque a 23.01.2012 às 14:20

Se a única coisa que tem a apontar é que a carta é curta....já é um bom sinal para o restaurante. Mas penso que devemos ter em conta o seguinte: as características físicas do espaço (já existente) muitas dores de cabeças terá dado a quem nele teve de incorporar uma cozinha e uma logística funcional para dar resposta ao nível de rigor e apuro gastronómico a que nos habituou o José Avillez .

Existem fortes condicionantes que os ultrapassam.

Conseguiram meter o rossio na rua da betesga mas, não caberia lá também a Av. da liberdade.

Uma carta extensa rapidamente retiraria exequibilidade prática de trabalhar em boas condições e poria todo o esquema de funcionamento no "lodo".

A carta que já tive o privilégio de degustar tem ofertas variadas e é construída com muita inteligência funcional e viabilizar os aspectos práticos.

Parabéns a quem com todas as condicionantes que se podem constatar, consegue pôr a funcionar algo com este apuro.

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