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Comecei a ler o José Quitério na altura em que começou a fazer crítica gastronómica no Expresso. A cozinha e os restaurantes interessavam-me muito já na altura, já era independente do ponto de vista económico e, embora as disponibilidades não fossem por aí além, era importante que algum do dinheiro fosse gasto a experimentar restaurantes. Mesmo quando não o podia fazer, ler o que escrevia permitiu-me aprender muito sobre cozinha e restaurantes. Ler crítica gastronómica nacional e estrangeira, mesmo de restaurantes onde nunca fui, ou irei, é um factor que sempre considerei fundamental na minha formação.
A minha admiração por José Quitério foi sempre muito grande, pela seriedade, pelos conhecimentos que revelava, por ter marcado uma nova era da crítica gastronómica. Foi completamente inovador na altura na sua aproximação, uma pedrada no charco…
Hoje, confesso que fico algumas vezes triste quando leio o, ou sobre o, José Quitério. Penso que ele tinha uma posição e um papel de tal forma importantes que se justificavam cuidados redobrados no que diz publicamente. Era importante manter uma atitude séria e imparcial num mundo que mudou. Um mundo que não vai nunca mais voltar a ser o mesmo. Em que há um legado de gerações que é preciso manter, mas em paralelo há novos movimentos culinários que são importantes. Eles existem, quer se goste ou não. No entanto, é perfeitamente lícito escolher ignorá-los, ficar pelo legado de gerações. Há aí um mundo em que é necessário fazer muito, para melhorá-lo e para preservá-lo.
Contudo, tratar estes assuntos como José Quitério fez há dias no Expresso, numa crítica ao Gambrinus, já não me parece bem:
Lisboa sem o Gambrinus não era a mesma coisa. Aliás, se por hipótese absurda algum pintalegrete pós-moderno tivesse a ousadia de exibir no Gambrinus cozinha molecular, ou tecno-emocional, ou de extrato similar, a gargalhada viria lá de dentro e ribombaria por toda a rua.
Até concordo que Lisboa sem o Gambrinus não fosse a mesma coisa. Pouquíssimas vezes fui ao Gambrinus, o que não significa que não reconheça o seu papel. Mais do que isso, não me custa nada concordar que a dita “cozinha molecular” não teria sentido num Gambrinus com as características que tem.
Já não entendo porém a que propósito vem escrever numa crítica ao Gambrinus a última frase do que transcrevi acima. Porque é que se gastam tantos caracteres a falar do que o Gambrinus não faz, em vez de falar do que faz? Depois, a forma como isto é escrito é, do meu ponto de vista, enganar com a verdade, é contribuir de forma muito negativa para a percepção do público dos movimentos actuais da cozinha a nível mundial. Até para a forma com percepcionará o trabalho de alguns cozinheiros portugueses.
No artigo A vida dos críticos de gastronomia é atribuído a José Quitério o seguinte:
Sente que a profissão que, de certa forma, criou está a desvirtuar-se. Cada vez é mais difícil ser fiel a uma deontologia e cada vez mais os críticos perdem de vista a sua missão. "Se não forem assegurados determinados princípios de comportamento do crítico, que lhe garantam isenção absoluta, é difícil que os julgamentos sejam imparciais", explica José Quitério.
Dizer coisas como as que foram ditas na crítica ao Gambrinus é ser isento e imparcial? É ter em vista a sua missão de crítico? A mim não me parece. Não compreendo a razão para tal, e a única (e menos grave) que consigo ver é a de José Quitério não ter conseguido acompanhar os movimentos culinários nos últimos anos. Aliás declarações a si atribuídas no artigo do Público levam-me a pensar assim:
Computador? Quitério nunca tocou em nenhum. Escreve à máquina e nunca lê, é claro, o que está na Internet. "Rio-me da Wikipédia. Se preciso de alguma informação, recorro ao meu arquivo pessoal, ou à minha biblioteca especializada." De vez em quando dizem-lhe que está a ser comentado nos blogues, o que lhe deixa uma sensação de revolta e impotência. "A Internet é o mundo da irresponsabilidade. Só serve para isso", irrita-se ele.
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Não lê a imprensa ou livros anglo-saxónicos, porque não gosta da "língua imperial", o inglês.
Fico sempre com pena ver alguém cair de um pedestal em que tinha sido colocado por um percurso profissional notável. O artigo acima referido, para mim, fê-lo cair. Coisas como esta mais recentes no Expresso, prejudicam cada vez mais a sua imagem.
A agência foi a Santa Fé. Soube através do program...
Confesso que estou impressionado com o impacto des...
Por vezes recorre-se fora e o resultado é mau, o q...
Não tem nada que agradecer. Se fosse mau estaria a...
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Caro Bruno,Concordo com o seu comentário mas gosta...
Obrigada pelo reconhecimento!Como açoriana, sinto...
O cozido, julgo que às 4ªs, é excelente e de merec...
Gostei muito desta crítica. Muito útil.