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Pink slime

por Rui Falcão, em 28.01.12

 

O nome não é nada sedutor, apesar de ser bem sugestivo no choque que se propõe erguer. Segundo o Daily Mail, Jamiel Oliver terá “descoberto” quase por acaso, e posteriormente divulgado e denunciado nos seus programas de televisão, alguns dos processos industriais usados pela McDonald’s na elaboração dos seus hambúrgueres, os quais envolviam o uso de amónia no tratamento das partes menos boas dos cortes, reaproveitando peças que tradicionalmente seriam usadas em rações para animais. Depois de alguns meses de lobby público contra a prática, a McDonald’s teria agora aceitado reformular a o método, proibindo a comercialização deste tipo de pink slime, tal como Jamie Oliver a apelidou.

Assustador ou um simples aproveitamento mediático?

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publicado às 17:30


8 comentários

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De priscila ferreira a 28.01.2012 às 22:48

aproveitamento midiático ou não, o resultado é bom, não é mesmo?

abraço,
priscila ferreira.
http://podeserpradois.blogspot.com/
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De Paulina Mata a 29.01.2012 às 02:05

Tratar as coisas desta forma faz-me muita confusão. É fácil fazer demagogia, tratar as coisas de forma parcial, enganar com alguma verdade... Mas é perigoso e só causa mais angústias e insegurança. Nem sequer educa as pessoas sobre as opções mais correctas.

O Jamie Oliver não descobriu nada... o programa referido neste post do Rui Falcão aparentemente foi para o ar a 12 de Abril de 2011. Por exemplo, este assunto foi tratado de forma muito mais séria a 30 de Dezembro de 2009 no New York Times.
http://www.nytimes.com/2009/12/31/us/31meat.html?pagewanted=1

O que se ganha em tratar as coisas como o Jamie Oliver faz aqui? Assustar as pessoas, ainda por cima com coisas falsas. Ninguém pega numa garrafa de amónia para deitar na carne. Há um propósito para o fazer que é importante e tem a ver com segurança alimentar.
Numa época em que se alimentam pessoas bem longe dos locais de produção, em que a pressão para os preços baixos é grande, nem tudo tem a qualidade que idealmente gostaríamos de ter. Não há qualidade máxima ao preço que alguns estão dispostos a pagar e que outros podem pagar. Mas todos temos que comer.

Nalgumas situações não será uma enorme arrogância sugerir que se coma carne que vemos moer, frutas e vegetais frescos? Há situações em que é mesmo.

O Jamie Oliver tem feito um bom trabalho e chamado a atenção para coisas importantes. Coisas como estas eram desnecessárias.

Mas o trabalho do Jamie Oliver também não é considerado por muitos exemplar em termos de saúde:

"Self-styled healthy eating crusader Jamie Oliver has been criticised for inventing a 'heart-attack' meatball sandwich.

The TV chef's recipe was labelled one of the most dangerous on the market by U.S. nutritionists, who said the snack contained twice as many calories as a Big Mac.

.....

But scientists from the Physicians' Committee for Responsible Medicine said that the 36-year-old's book 30-Minute Meals was one of 2011's five worst cookbooks.

Read more: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2080289/Jamie-Oliver-meatball-sandwich-Chef-blasted-heart-attack-recipe.html#ixzz1ko9yGH4a

Se calhar em resposta ao dito programa... Demagogia também? Eu acho que sim. Tão válida como a dele... tudo o que está escrito no artigo possivelmente é verdade. É que nisto da comida nada é simples e não há branco e preto... há tantas condicionantes...E muitas vezes a comida natural, real, é pior que a dita processada, pouco natural, depende dos parâmetros considerados na análise...
E outras vezes o apresentado como mau não o é ou é apenas um mal menor...
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De vitor claro a 29.01.2012 às 12:36

quando li a primeira vez esta notícia, há uns dias, num site qualquer, cheia deste sensasionalismo, fiquei com muita curiosidade sobre a sua opinião Paulina. foi das primeiras "foodies" que conheço, que abertamente, expressou admiração pela qualidade da McDonalds. a questão da segurança alimentar e dos padrões de qualidade que (quase quase) nunca são furados são uma cadeira que devia ser estudada em qualquer escola...
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De Paulina Mata a 29.01.2012 às 15:54

É verdade que gosto de McDonald (claro que não todos os dias, nem todas as semanas sequer) e como já tenho contado há 35 anos, da primeira vez que comi, foi uma revelação gastronómica. Admito que isso tenha deixado marca. O ano passado fui fazer uma visita ao McDonald, muito completa, com os meus alunos do Mestrado em Ciências Gastronómicas. Foi muito interessante.

Eu detesto estas notícias sensionalistas e ainda mais este tipo de caricatura das situações (meter a carne na máquina de lavar, despejar um líquido de uma garrafa que está junto aos detergentes (ainda que até possa ser usado como tal)... ) Acho muito grave, e que os efeitos positivos são bem menores que os negativos.

Nunca vivemos numa época em que o que comemos fosse tão controlado e a segurança alimentar tão grande, nunca a sensação de insegurança foi também tão grande. E isso é terrível para muita gente. A ligeireza com que se dizem às pessoas os maiores disparates na comunicação social devia ser analisada e os jornalistas e comunicadores, sensibilizados para a sua responsabilidade.

Em nenhuma época se comeu apenas o melhor e mais nobre. Aliás as cozinhas tradicionais caracterizam-se por terem encontrado formas de tornar comestível o menos nobre. Por vezes coisas meio repulsivas até, e que só comemos porque pela força do hábito as vimos de outras formas. Imagina o que se podia fazer se assim alguém quizesse com as Tripas à Moda do Porto? Já vimos que a riqueza afinal já não é o que era, e nem todos podemos comer lombo todos os dias (nem seria muito interessante).

É verdade que há coisas que se vendem muito más, mas normalmente porque apelam a um gosto primário, demasiado açúcar, demasiada gordura, demasiado sal. Há coisas más, com aromatizantes desnecessários por exemplo.

É verdade também que há pessoas que é o melhor e mais agradável que conseguem ter. O que adianta tratá-las como quase criminosas porque comem ou dão aos filhos aquelas coisas?

É também verdade que a indústria alimentar cada vez está mais sensibilizada para estes aspectos e tem regras de conduta em que cada vez mais caracterízadas por uma postura responsável (haverá excepções, como em tudo).

Há que educar, ensinar... No mercado de Leeds há um espaço com o nome do Jamie Oliver onde ensinam as pessoas a cozinhar barato e mais saudável, para educar o gosto, para poderem ter alternativas ao altamente processado. Isso é de louvar, é educar (para mim a única forma de mudar alguma coisa). Coisas como este programa não é aceitável!

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De Paulina Mata a 29.01.2012 às 16:10

Sobre o que referi em alguns argumento que apresentei acima, a leitura deste artigo pode ser muito interessante:

http://www.thedailybeast.com/newsweek/2010/11/22/what-food-says-about-class-in-america.html

Em que se diz, entre outras coisas, que é o que se come que definitivamente marca o estatuto social. Que à medida que o fosso entre ricos e pobres aumenta a comida fresca e nutritiva se tornou um luxo a que só alguns têm acesso. Os outros comem produtos altamente calóricos e produzidos em massa. Que as dietas com muitos frutos e vegetais, carne magra... estão para além das possibilidades de muitos e que é elitismo económico ser considerada ideal pelos nutricionistas sem conseiderarem a impossibilidade económica da maioria das pessoas poder ter este tipo de dieta.
Não é a falta de gosto, a falta de educação ou a preguiça que faz com que muitas pessoas se alimentem mal, é mesmo a falta de dinheiro. Comidas processadas e altamente calóricas são baratas e sabem bem (o que é importante). Mais frequentemente o tempo também não abunda, vive-se longe do trabalho, gastam-se horas em transportes, sai-se cedo e volta-se tarde - chega-se exausto. Não se consegue cozinhar todos os dias. Comprar feito, e ainda por cima mais barato, é a opção.

Não esquecer também que este programa passou nos USA onde, segundo refere o artigo, 17% das pessoas vive em condições "food insecure", o que significa que por vezes não têm dinheiro para comprar comida.

Uma realidade que se calhar cá não será muito diferente cá daqui a algum tempo (esperemos que não). De modo que cada vez é preciso ter mais cuidado com estas coisas.
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De Rui Falcão a 30.01.2012 às 11:43

Paulina, quando vi o vídeo fiquei desagradado com o tom populista e demagógico da apresentação que me situou logo algures entre um programa de televendas e uma homilia de um pastor da IURD. A coreografia está pensada para o choque, desde a plateia comovida, com imagens de crianças indefesas e mães preocupadas, até à presença sóbria do talhante, com ar de pessoa séria e do campo, incluindo essa entrada triunfal da vaca no cenário.
Enfim, como produção televisiva, mais ou menos abertamente manipulativa, parece-me brilhante. Pelos vistos o conteúdo não passa de um aproveitamento mediático da soma dos nossos medos, o que é uma pena tendo em conta o personagem e o investimento na produção. Não sei, talvez seja mais fácil entrar por estes temas para conquistar audiências que tentar por outras vias.
 
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De Paulina Mata a 30.01.2012 às 16:01

Estes temas têm sempre audiência. Muita...

Fazem parte daquele conjunto de "desgraças" que tem sempre audiências, aqui ainda condimentadado com uma pitadas de crime (outro assunto que também tem sempre audiência.

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De Ana Crstina Lebre a 31.01.2012 às 14:23

Olá boa tarde a todos
Paulina
Aqui há tempos no blogue do Herve This , Léon Guéguen escrevia isto :"...Alors, soyons donc positifs et n’écoutons pas les faiseurs d’opinion en quête de notoriété médiatique dont les messages anxiogènes (les seuls qui se vendent bien) sont la cause d’une épidémie d’angoisse, d’orthorexie et d’hypochondrie qui, pouvant atteindre le stade de la psychose collective, est bien plus néfaste à la santé que les infimes traces chimiques résiduelles dans notre assiette !..."
Achei interessante partilhar.

Não sou apreciadora da comida do McDonalds e tenho a sorte e comprar as carnes no criador (um luxo).
Mas sim. Há que educar e ensinar. Seria uma excelente ideia criar uma disciplina de "nutrição" logo no 5º ano de escolaridade. ( aulas de culinária, história da gastronomia, etc...)
Ana Cristina Lebre

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