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Sexta-Feira, 18h, chegada ao Palácio da Bolsa, no Porto para mais uma edição da Essência do Vinho. Casa quase cheia em dia de semana. Pressinto as enchentes habituais para o fim de semana. Uma volta rápida pelo certame e verifico que continua a multiplicação de marcas e de produtores de vinho. Paro para um espumante. Côto de Mamoelas, um Alvarinho de nome estranho (como tantos outros) mas cujo conteúdo comprova o que tenho ouvido por aí (porque é que não se produzem mais espumantes na região dos Vinhos Verdes?). Um 'pop up' no Dão para provar o Julia Kemper 2010 branco, um lote 50/50 de malvasia fina e encruzado de que me tornei fã (e, pelos vistos, vou manter-me, com este 2010, que mantém uma imponência e carácter na esteira dos anteriores). Passagem ainda pela Niepoort, para picar o ponto . Tempo apenas para viajar pela Europa através dos Projectos da Borgonha, Champanhe, Austria e Espanha  (a propósito, no próximo dia 24, alguns vinhos desta casa estarão em harmonização com pratos de Alexandre Silva, do Bocca, no Kiss The Cook, em Lisboa).

 

Pelas 19.00 um salto à belíssima Sala do Tribunal. Harmonização de ostras e champanhe Taittinger. Vasco Magalhães, da Sogrape (importadora da Taittinger), apresentou os vinhos e o Chefe Vítor Matos, do Restaurante da Casa da Calçada, em Amarante (* Michelin) respondeu ao desafio e trabalhou as ostras com distinção - tarefa difícil dado que uma ostra raramente melhora quando confeccionada (para mim basta umas gotas de limão). Ainda assim Vítor Matos esteve perto de superar esse pressuposto com uma ostra escalfada em champanhe e geleia do Taittinger Prestige Rose (o vinho com que acompanhou) e consomé de ostra, ou na versão panada em pão panko com salada de maçã e aipo, molho de coco e caril de Madras. Talvez aqui porque o rico marido da ostra foi o topo de gama da casa de Reims, o Comtes de Champagne, versão rosé e de 1996.

 

 

 

Pelas 20.30h foi a vez de rumar ao outro lado do rio, para a cerimónia dos vencedores do “TOP 10 Vinhos Portugueses” e dos prémios aos “Melhores do Ano” (no vinho e na gastronomia) da revista Wine, que decorreu durante um jantar no restaurante Yeatman em Gaia (ver resultados aqui). Tal como no ano passado cabia-me a entrega do prémio de melhor chefe - que tive o prazer de entregar a Kurt Gillig, director do Vila Vita (Porches - Algarve) em representação do Chef do Ocean, Hans Neuner). A cerimónia ganhou uma outra dignidade ao passar de uma simples entrega para um jantar e do Hard Club, no Porto, para o Yeatman, em Gaia. Pena que o jantar, em si, tenha deixado algo a desejar. Serviço demorado, pontos de cozedura para além do desejável e um prato cujo um elemento anunciado (foie gras) não constava da proposta. É certo que não se deve avaliar um restaurante num jantar com estas características, mas um lugar com os pergaminhos e méritos alcançados como este estrela michelin, não pode cometer os erros que cometeu.  Ainda bem que, há uns meses, ali tinha apreciado um menu de degustação com um resultado bem diferente (refeição cuja a crítica publiquei na Wine e, posteriormente, aqui).

 

 

 

Sábado, almoço no Largo do Paço (Casa da Calçada), em Amarante. Céu azul, rio espelhado. O habitual contraste luso entre o atentado à vista do edificado da periferia e o pequeno mas belíssimo centro histórico, onde se destaca a presença majestática da Casa da Calçada. No restaurante deste hotel de charme dá cartas o Chefe Vítor Matos de quem tinha comido as ostras na véspera. O relato deste almoço será publicado na minha habitual critica da revista Wine (numa das próximas edições). Não adianto muito mas antecipo que vale a pena a deslocação. Foram mais de duas horas de propostas com personalidade, coerência, elegância, sabor e serviço à altura (mesmo descontando o facto do meu companheiro de blogue ter sido reconhecido logo no inicio, apesar de ter marcado com nome falso). Estrela michelin mais do que merecida.

 

Sábado, fim de tarde: de volta ao Porto e à Essência do Vinho. Grande enchente, conforme previ. Não há nada fazer. O sucesso é o maior inimigo deste evento, mas foram várias as pessoas a quem ouvi dizer que preferem que assim seja do que deslocá-lo do emblemático Palácio da Bolsa (onde tudo começou) para outro espaço qualquer descaracterizado. A vantagem de ser jornalista ao serviço da casa permite-me entrar nas provas especiais (desde que haja lugares) e escapar à multidão. Assim o fiz e, coincidência das coincidências, novamente para uma nova ‘dosage’ de champanhe, desta vez da H. Blin, marca de champanhes “democráticos” (o brut de base custa menos de 30€) de uma associação de produtores sedeada em Vincelles, que tive oportunidade de visitar no ano passado. A prova foi apresentada pelo próprio presidente da casa e em francês, o que deixou muitos dos presentes perdidos na (não) tradução. Valeu a honestidade do produto e o privilégio de se poder experimentar colheitas mais antigas: 2004, 1998, 1995 e 1990.

 

 

Sábado à noite, jantar de harmonização com os vinhos Herdade do Peso no restaurante Mesa, Porto (convite da Sogrape). Não me recordo de alguma vez ter estado num jantar com estas características (harmonização e menu escolhido) que tenha superado a experiência à carta, ou do menu de degustação da casa. Pois Luís Américo superou-se e não foi a primeira vez que dei conta. Já há dois anos tive uma óptima experiência num jantar realizado na adega de Luís Pato. Casa cheia, serviço lento, o que estando em boa companhia desagrava a situação. Luís Américo cria pratos de autor que não são propriamente um espanto de criatividade. Nem teriam que ser porque demonstra personalidade, bons conhecimentos e um dom natural para conjugar sabores e tradição com actualidade.

De entrada os pro­fiteroles recheados com Queijo da Serra, mel e sésamo tostado emparelharam-se com eficácia e o carpaccio de courgete marinada em azeite ligeiramente fumado estava lá para amortecer o resultado. O bacalhau suavemente cozinhado em azeite, puré negro de cebola caramelizada e ovos panados pesou um pouco mas era de tal forma bom que dá vontade de voltar só para repetir a experiência (magnifico bacalhau e no ponto perfeito, com os lombinhos a caírem ao toque do garfo como os capítulos soltos de um livro).

O mesmo poderia dizer da suculenta aba de leitão no forno bem contrastada  pelos espargos verdes à Brás e maçã, ou dos excelentes papos de anjo em calda (que normalmente abomino), frutos vermelhos e texturas de chocolate amargo.

 

Uma última palavra para os vinhos da Herdade do Peso, uma marca de que não se houve muito falar e que merece maior atenção pela excelente relação preço/qualidade que apresenta. Não houve o topo de gama Ícone, mas qualquer um dos três - o normal (entrada de gama),  Colheita e Reserva  - são vinhos modernos mas fora do estereótipo pesado de muitos dos seus pares alentejanos. Vinhos frutados, mas não demasiado exuberantes ou muito marcados pela madeira (no caso do Colheita e Reserva) e nem parecem ter os 14º que ostentam no rótulo.

 

Domingo, 12 horas, Campanhã. Adoro ir ao Porto, sobretudo quando não chove e, ainda mais, num fim de semana cheio de bons momentos, como este. No entanto, gosto muito também de entrar no Alfa com a indicação a dizer, “Gare do Oriente”. 

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publicado às 11:10


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