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Recentemente estive em Inglaterra, numa cidade do Yorkshire onde vivi durante um ano.  Por coincidência a minha filha vive agora na mesma cidade. Era a primeira vez que lá ia desde que ela lá está. Antes da viagem imprimi e meti na mala a receita de Yorkshire Pudding que costumo fazer. Pareceu-me um programa interessante cozinharmos juntas um Yorkshire Pudding. Foi o que sugeri para o jantar do dia seguinte à minha chegada e a proposta foi acolhida por ela com entusiasmo.

 

 

Não pude deixar de estabelecer um paralelo do que acabei de referir com o facto de, há cerca de 20 anos, quando fiz a malas para ir para aquela mesma cidade ter metido na mala o livro "Cozinha Tradicional Portuguesa" de Maria de Lourdes Modesto.  Ao longo do ano que lá passei folheei frequentemente o livro e fiz mais pratos de cozinha portuguesa tradicional do que alguma vez antes tinha feito ou depois voltei a fazer.... Desde bacalhau à Gomes de Sá, pastéis de bacalhau... até D.Rodrigos, lampreias de ovos ...

Gostei imenso de viver fora de Portugal, adoro experimentar coisas novas, mas foi nesse ano que entendi uma coisa que antes tinha tendência a criticar e achar "piroso": a necessidade dos emigrantes levarem bacalhau, azeite, chouriços...  Alguns meses depois vim a Portugal e levei bacalhau (eu raras vezes faço bacalhau cá  e nem gosto muito de bacalhau) e variadíssimas outras coisas que achei "fundamentais"e que incluíam um funil para fazer fios de ovos.

 

Tenho muito boas recordações do ano em que estive em Inglaterra e se o tivesse que traduzir em comida, seria no Yorkshire Pudding. Tornou-se para mim e para as minhas filhas comfort food (não sei se há um termo equivalente em português, não sou capaz de encontrar). Meter a massa no forno, ver aquela transformação através do vidro da porta e depois comê-los, bem regados com “gravy”... dá um imenso prazer, carregado de emoções, pois para mim estão bem condimentados com um conjunto de experiências que foram importantes.

 

 

Há dias quando saí do supermercado (o mesmo onde ia há 20 anos), com as compras para o jantar e formas para os Yorkshire Pudding para oferecer às minhas duas filhas, e enquanto caminhava naquela cidade de que gosto muito e me emociona sempre, dei comigo a pensar em confort food  – no que é, no que faz com que um prato se torne uma comfort food… Pensei na minha comfort food de há 20 anos e naquela que por ali termos estado se tornou uma comfort food para nós.

 

Mais tarde, sentada em frente do computador, deu-me para googlar sobre o assunto. A Wikipedia tinha uma definição que me deixou satisfeita, correspondia basicamente aquilo que sentia:

Comfort food is food  prepared traditionally that may have a nostalgic or sentimental appeal,or simply provide an easy-to-eat, easy-to-digest meal rich in calories, nutrients, or both. Comfort foods may be foods that have a nostalgic  element either to an individual or a specific culture.

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publicado às 01:10


5 comentários

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De Miguel Pires a 26.02.2012 às 11:31

Paulina

Só falta neste Comfort post a tua receita do Comfort Yorkshire pudding :)
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De Virgílio Gomes a 26.02.2012 às 13:14

Muito bem Paulina. Quantas vezes, ao escrever as minhas "Transmontanices" menciono emoções associadas a estes "confort food"! Abraço. Virgílio
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De António Moura a 26.02.2012 às 20:07

Mais uma vez um post muito interessante, que mexe com as emoções.

De repente dei por mim a reflectir sobre o que são esses pratos que me despertam essas sensações de conforto e segurança e são tantos.
Facilmente se confirma a o imenso património gastronómico que temos e como isso é um valor que ainda tem muito para ser explorado.

Há uns tempos falou-se do “pastel de nata”, mas esse é só um dos exemplos de algo que não temos sabido aproveitar convenientemente para expressar a nossa excelência.
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De Pedro Fernandes a 27.02.2012 às 18:31

Vivi 4 anos em Yorkshire, e partilho dos sentimentos que descreveu, desde o "bacalhau" ao "yorkshire pudding".
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De p. a 28.02.2012 às 21:48

confort food - um regalo, um pratinho que regala :)

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