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Pão-de-Nós

por Miguel Pires, em 10.04.12

 

Se achava que sabia tudo sobre pão-de-ló então leia este artigo de Virgilio Gomes, que pesquisou sobre as origem, tipos e métodos de confecção.

 

Cresci em Rio Maior ao sabor de uma fatia (quase) diária consumida às porta de uma fabriqueta local, que também vendia numa loja das bombas de gasolina da Sacor/Galp, da N1 - como muitos se devem lembrar. Às vezes comprávamos, mas, na maior parte das vezes, esperávamos à porta, tipo melgas, que algum se queimasse no forno e ficasse impróprio para venda. Como nem sempre nos faziam a vontade arranjávamos expedientes para distrair a empregada e tomar umas fatias de empréstimo.

 

Curiosamente, o Virgílio não fala do Pão-de-ló de Rio Maior. Uma heresia dirá qualquer bom filho da terra. Mas como eu já sou meio enteado, consigo aceitar  a ideia de que a sua ausência se deva ao facto, talvez, da receita ser demasiado parecida com a do de Alfazeirão que, segundo o Virgílio, é "possivelmente uma receita acidental do século XIX". Consta que por erros de tempo de cozedura uma freira terá antecipado a saída do forno e ter ficado cremoso que faz as delícias dos seus apreciadores". Pois... e fazia as minhas, mas há muito que não saboreio tal coisa - ainda que a minha irmã tenha feito, neste domingo de Páscoa, uma versão caseira muito competente.

 

O Virgílio Gomes diz que é no Minho que se encontra a maior variedade e não deixa de puxar a brasa ao seu pão-de-ló (onde jaz a sua costela transmontana) para destacar um de Trás-os-Montes. No entanto o especialista em gastronomia não é sectário e faz uma ronda pelo país, prometendo inclusive pormenores adicionais para breve.

 

Nomes? Pão-de-ló Minhoto ,Pão-de-ló de Margaride, Pão-de-ló de Vizela (Bolinhol), Pão-de-ló de Freitas, Pão-de-ló deVila Nova de Famalicão, Pão-de-ló de Mirandela, Cavacas de Resende ("doce da família do pão-de-ló"), Pão-de-ló de Ovar, Pão-de-ló de Arouca, Pão-de-ló de Alfeizerão, Pão-de-ló de Figueiró dos Vinhos, Pão-de-ló Saloio, da Estremadura, Pão Leve (Beira Baixa), Pão-de-ló de Alpiarça

 

Por fim deixa ainda um conselho. " Se começar a ficar seco o pão-de-ló poderá sempre fazer as melhores torradas doces e cobrir com geleia, ou ainda aproveitar e fazer Sopa Dourada". Obrigado, Virgílio, mas eu nunca dei tempo a que nenhum secasse.

 

(Ler o texto do Virgílio Gomes, aqui ; Foto retirada daqui onde pode ser retirada, também a receita do Pão de Ló de Rio Maior)

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publicado às 14:07


6 comentários

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De Helena Santos a 10.04.2012 às 15:36

Boa Tarde,
Ao ler este artigo, não queria deixar passar esta oportunidade para deixar aqui um apontamento ao Fantástico CarcaveLó !! O Pão de Ló de Carcavelos feito com o Vinho de Carcavelos.
Simplesmente... Divino.
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De Paulina Mata a 10.04.2012 às 23:08

Miguel, gostei muito.
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De Miguel Pires a 11.04.2012 às 11:20

eu sabia que gostavas de pão-de-ló, Paulina :)
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De Virgílio Gomes a 11.04.2012 às 10:28

Caro Miguel,
Muito obrigado pela tua generosidade. Prometo que não esquecerei o Pão-de-ló de Rio Maior em próxima oportunidade. Um abraço
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De Miguel Pires a 11.04.2012 às 11:21

acho melhor que não te esqueças, Virgilio. Se não a malta começa a limpar o pó à famosa moca de Rio Maior :)
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De Nuno Rodrigues a 02.05.2012 às 18:06

Caro Miguel,
Também eu cresci em Rio Maior. Curiosamente na rua da falada fábrica do Pão-de-ló. Provavelmente não farias parte do enorme grupo de miudos que povavam o 'tunel' presente na Rua 5 de Outubro, mas deixa que te conte um pequeno segredo: todos os dias antes da distribuição do pão-de-ló pelos comerciantes, as unidades que não ficavam esteticamente perfeitas não eram enviadas, essas eram para nós lancharmos por cortesia de dois dos empregados da fábrica. Foi assim durante anos!

Apenas para dizer que a minha Avó fazia um pão-de-ló ainda melhor que o da fábrica, e por hoje já não ter a saude para estar na cozinha não deixou de passar esse conhecimento à minha mãe e minhas tias, que por sua vez passaram à minha namorada. Não é por acaso que esta ultima é hoje minha noiva!

Cumprimentos

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