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No Reservations - Bourdain em Lisboa

por Miguel Pires, em 07.05.12

Anthony bourdain bem que avisou que não vinha a Lisboa fazer um bilhete postal. Ok, mas não precisava de puxar pelo lado mais escuro da cidade e do país (Salazar, ditadura, crise, crise e mais crise). Ainda assim gostei. Não evita um ou outro lugar (ou neste caso imagem) comum mas também há que reconhecer o mérito de mostrar pessoas e lugares que muitos lisboetas desconhecem. 

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publicado às 08:34


44 comentários

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De João a 07.05.2012 às 12:52

De acordo. Pior ainda foram os comentários do lobo Antunes, totalmente desnecessários e a puxar ainda mais para baixo a imagem do País. Com amigos destes ninguém precisa de inimigos.
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De António Pinto a 07.05.2012 às 15:11

Bourdain não vinha fazer um bilhete postal e não fez. Ao invés, mostrou uma Lisboa parada no tempo, desesperançada, lar de um povo perdido e sem ideias. Inqualificável o contributo (?) de Lobo Antunes, um dos maiores estandartes da literatura e cultura portuguesas, que não se libertou da mesquinhez de mente de um velho rabugento sentado na sala de espera do centro de saúde. Ao contrário do autor do post , não gostei. De nada! Acho que se perdeu uma oportunidade de promover aquilo que Lisboa tem de bom. Reduzir o fado a uma memória dolorosa dos tempos de Salazar é criminoso. Absolutamente repugnante.
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De Paulina Mata a 07.05.2012 às 15:16

Quanto aos aspectos relacionados com comida, achei bastante razoável. Um pouco estranho alguns pratos referidos como "muito tradicionais" e de que nunca ouvi falar... Claro que haveria coisas que incluiria, outras que não, se tivesse palavra no assunto, mas isso quaisquer que fossem as escolhas e qualquer um de nós. Portanto desse ponto de vista, bastante razoável. Em geral achei muito fraco o input geral dos interlocutores não relacionados com comida. É um programa de entretenimento e uma oportunidade de divulgação de Portugal. O Salazar já lá vai há muito, a crise está por cá, mas não só, mas não é o que nos define, e ainda menos num programa relacionado com comida. Não interessa nada discutir se somos como os gregos ou não, ou melhor, seria muito bom nem o referir. Achei fracas, muito fracas, estas intervenções e até deprimentes. Qual o objectivo deste tipo de conversa? Há oportunidade de mostrar o país, num programa com grande audiência a nível mundial... não seria bom uma pequena preparação prévia? Definir a imagem que seria importante transmitir e ter isso em atenção na conversa?

Sinceramente... mais uma oportunidade pouco aproveitada. Enquanto não se pensar na imagem que queremos passar e houver coerência no que se faz, estamos mal e nunca atingiremos resultados significativos. Isto não eram jantarinhos com o Anthony Bourdain, para encher o ego e dar oportunidade de aparecer num programa de grande audiência, não eram conversas de amigos em que se diz o vai na alma. Isto era um programa sobre Lisboa e a cozinha portuguesa. Sinceramente, à grande maioria dos participante daria nota negativa. Notas mais altas... ao Zé Avillez e ao Henrique Sá Pessoa.
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De Miguel Pires a 07.05.2012 às 18:28

Eu percebo o que que querem dizer mas esquecem-se de um pormenor. Os interlocutores poderiam ter levado o sentido da conversa noutra direcção ( como a determinado momento o musico Pedro Gonçalves o fez). No entanto quem decide a orientação do programa é o autor e o editor/ realizador. Tirando o exagero na tecla Salazar o lado fatalidade lusa é uma constante e isso, infelizmente, está bem retratado ( já repararam que quando perguntamos a alguém se está bom a resposta raramente fica acima de um "mais ou menos"? Goste-se ou nao este episódio de Lisboa é coerente com a linha seguida pela série.
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De Paulina Mata a 07.05.2012 às 20:03

Miguel

Da nossa boca só sai o que quisermos. E se houver uma mensagem para transmitir é bem possível dar a volta e transmiti-la. Se o que queriam era fado, fatalidade... eles só tinham era que não ir nessa. Ninguém obrigou a comparar com a Grécia... A generalidade dos interlocutores (com algumas excepções) foram mesmo muito maus e ninguém os obrigou a dizer aquilo certamente. Acho que se se aceita participar numa coisa daquelas há que se preparar bem antes. Não fazer aquilo de forma amadora, displicente, assumir que está ali num jantar de amigos. Os melhores improvisos são os que são bem preparados. É um facto. Quando se vai para uma coisa destas, em que o que está em causa vai bem para além da nossa imagem, há que preparar bem as coisas. Aliás deveria ser um trabalho de equipa, que não sei se houve previamente, mas sinceramente não parece. É que se foi, a mensagem escolhida para transmitir foi bem infeliz. Se não foi, é igualmente grave.

Várias pessoas fora destes meios já me falaram do filme e toda a gente critica a imagem que os companheiros de jantar do Anthony Bourdain transmitiram. Fazer as coisas assim não dá... estas coisas são para ser bem pensadas e ser feitas de uma forma profissional, não para ser engraçadinho ou abrir a alma. Quem aceita participar numa coisa destas tem que o fazer a sério, de uma forma profissional, tem que se preparar, tem que saber o que vai ali fazer e esforçar-se por fazê-lo bem.
A oportuidade está perdida, a imagem já passou para meio mundo. Mais uma vez negativa, de gente a olhar para o passado, de braços caídos... e nós não somos aquilo. Fossem qual fossem as questões ou a conversa, não me parece que fosse difícil levar a conversa para outro lado, apresentar outro tipo de argumentos.

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De PedroCG a 08.05.2012 às 19:42

Paulina,

Eu acho que nós somos aquilo. Ou melhor, nós também somos aquilo. Tiradinhos de um dos romances do Lobo Antunes. Quanto à preparação prévia e à oportunidade perdida: sim e não. Ou seja, aquele não era um programa nem da Associação de Turismo de Lisboa nem da Academia Portuguesa de Gastronomia - é de uma produtora americana que "só" vê o lado pitoresco da coisa, aquele que lhe pode trazer audiências e que é feito de acordo com o que é provável que as audiências esperem e com a nível cultural das mesmas. Logo, do ponto de vista das mesmas, ter um escritor de méritos internacionais a mencionar que o Salazar mantinha o preço da heroína mais baixo do que o do tabaco porque deixava o povo sem vontade de protestar, é engraçado e fica bem. Já as menções ao Salazar são consequência da obsessão ideológica do Bourdain - o programa de Moçambique falou de colonialismo português e do... Salazar do primeiro ao último minuto. Quanto à "responsabilidade social" dos participantes... foram sinceros! Teriam feito melhor se fossem propagandísticos? Pedir-lhes isso não será o mesmo que pedir ao Lobo Antunes para escrever histórias mais positivas porque está em jogo a imagem do país? Poderia a entidade que forneceu os contactos e as referências ter indicado outras personagens? Poderia. Seriam mais genuínas? Para mim fariam o mesmo papel que os nossos governantes fazem quando dizem que a retoma é uma questão de meia dúzia de meses: ficará bem nas televisões estrangeiras mas é tão verdadeiro como um tomate português em Janeiro.
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De Maria Helena a 07.05.2012 às 21:32

A mim o que me incomodou foi ver pescar polvos claramente com tamanho inferior ao permito para comercialização e não serem logo devolvidos ao mar. Há quem ache pitoresco, a mim, no mínimo irrita-me. Essa parte da "pesca" no rio lembrou-me África e a sobrevivência.
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De ze a 09.05.2012 às 14:21

Que raio ?!? Viu o mesmo programa que eu ? Foi exactamente isso que fizeram, 2 polvos pequenos imediatamente devolvidos à água.
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De Maria Helena a 09.05.2012 às 20:57

Vi de novo e, de facto, escapou-me o 14:38, a única devolução que consigo ver. Desculpe, sim?
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De Rodrigues a 11.05.2012 às 01:29

Em suma, os comentários negativos no programa são de portugueses, o Bourbain bem que ainda nos comparou com os brasileiros, como que a dizer: "Eles vivem em favelas com a polícia à perna e são felizes (o melhor país do mundo dizem eles)...", foi o suficiente para o Lobo Antunes não mais aparecer (temos muitos Lobos Antunes no país). O culpado? sempre o mesmo: Salazar. Já os alemães não se ralam muito com o Hitler e lá vão de vento em popa.... Nós gostamos de atribuir as culpas sempre a alguém e chorar por algo que nunca vem...é o nosso fado. Por último, disse uma vez um Sul Coreano a viver nos EUA que veio ao nosso país, "se os portugueses tivessem dinheiro como os alemães eram certamente o melhor país para viver", assim não têm o dinheiro mas têm a qualidade de vida (festas, sol e boa comida) os outros têm dinheiro mas só comem salsichas. Já agora, tinha ficado bem ao chefe que deu morcelas de arroz ao Bourbain saber de que zona do país são. Os do norte devem-se estar a questionar: "morcelas de arroz, o que é essa mer ... carago ?". As morcelas são feitas, no país em geral, com sangue como principal ingrediente, é no distrito de Leiria que é adicionado arroz ao recheio da morcela e os locais gostam bastante. Esse tipo de morcela é comum na própria cidade de Leiria, Alcobaça, Pombal, Mira de Aire, Caldas da Rainha, etc. que não é norte do país, mas sim centro, zona centro, porque quando existe norte e sul tem obrigatoriamente de existir uma zona central. Já agora levem o Bourbain , para a próxima, a comer leitão a sério, ou chanfana e maranhos na lousã tripas à moda do porto (já comeu), francesinhas, feijoada transmontana, gaspacho, açorda alentejana, ensopado de enguias e de borrego, arroz e feijoada de marisco, por exemplo. Pratos verdadeiramente típicos (e bons) que era o que ele queria ver e provar e não "nouvelle cousine ". Para a frente Portugal que os mares já descobrimos e a "velha senhora" já caiu!

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De António Moura a 07.05.2012 às 22:02

Só gostei da mariscada no Ramiro, tudo o resto foi deprimente. Não gostei de nenhum diálogo, porque quase sempre foi algo de subserviente.
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De Tiago Gonçalves a 08.05.2012 às 16:40

Concordo plenamente com o António. A mariscada do Ramiro foi sem dúvida a melhor parte do programa. O resto desiludiu-me. Tal como a Paulina, também não reconheci alguns dos "pratos tradicionais". Penso que se perdeu uma boa oportunidade de "vender" a nossa capital.
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De João Almeida a 07.05.2012 às 23:19

Neste momento Portugal sofre de bipolaridade, eu pelo menos sinto-me bipolar. Quando vi o show gostei imenso mas lendo os comentários ... realmente dá que pensar!

Gostei porque o Tony mostrou a nossa "casinha" e quem não gosta da sua "casinha", mas reflectindo bem no que foi dito pelos convidados foi realmente muito deprimente.

Um triste fado ver o ALA completamente deprimido e a Carminho assustada com o que o tipo dizia. E a cara do Bourdain quando o Tó Zé Brito disse que foi desertor! Muito deprimente.

Atenção que os convidados poderão ter dito algo bem mais interessante mas possivelmente cortado pela edição do programa.

João Almeida
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De AF a 08.05.2012 às 00:03

Acho que a Paulina Mata não conhece os programas do Bourdain. Não são programas de comida, apesar da mesma ser o tema condutor. Bourdain é um homem de esquerda, e falo à vontade que eu sou de direita, mas pessoalmente adorei o programa. Os programas do Bourdain nunca foram de fine-dinning (há raras excepções, como a que teve direito o Adriá e uns quantos outros). Vejam por exemplo o de Moçambique (nós portugueses, como colonialistas somos arrasados) ou o do Haiti. Para dizer a verdade, eu temia algo ainda mais obscuro, e os chefs lá devem ter conseguido convencer a muito custo a produção a ir a outro tipo de Lisboa (Alma, Cantinho do Avillez, etc).
Eu gostei porque esta é a Lisboa que eu conheço, 99.9% dos lisboetas não fazem ideia do que é um Belcanto por exemplo, onde eu nunca fui apesar de me maravilhar com os vossos relatos desse tipo de restauração, apenas me limito a aspirar um dia ter dinheiro para essas coisas.
A parte do Lobo Antunes, o bar de fado, com a Carminho, não só gostei como achei simplesmente fabuloso, como em 3 ou 4 minutos se consegue transmitir tanto sobre nós, as descobertas, o fado, salazar, a guerra colonial, a saudade. Achei simplesmente estupendo. É mentira o que Lobo Antunes disse ? Que os jovens não tem emprego ? Por outro lado, várias vezes se deu uma luz de esperança, de gostarmos mais de nós próprios e das nossas coisas.
A Paulina Mara, que muito aprecio ler, não gostou e achou que o Bourdain seria algo de panfletário, mas o Bourdain nunca faz isso, só por distração, e neste programa notou-se que entendeu muito bem a alma lisboeta. Bom programa ! E não acho que seja prejudicial para o Turismo, antes pelo contrário.
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De Paulina Mata a 08.05.2012 às 23:04

Pedro

Copos são copos e trabalho é trabalho. Aquilo, para todos os intervenientes, do meu ponto de vista, tinha que ser encarado como trabalho. Portanto preparado. Não era dizerem o que não pensam, era irem para além de uns fait-divers, de uma gracinhas e uns lamentos. Analisarem as coisas de uma forma mais profunda, ainda que adaptada ao tipo de programa.

Concordo completamente com o que o António Moura diz em baixo na resposta ao Artur. Está lá tudo.
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De PedroCG a 09.05.2012 às 03:20

Percebo o seu argumento quando defende que seria - é - obrigação de qualquer um, quando instado a dissertar sobre Portugal o fazer de maneira a que possa valorizar as possibilidades de negócio do país. A questão passará a ser então: o que atrai mais o estrangeiro - uma imagem certinha, bem comportada, atraente, cheia de qualidades (onde é que há isso em Lisboa?) ou um lado rugoso, humano, próprio e inimitável? A Sol e Pesca ou a Versailles? Alfama ou a Avenida de Roma? Repito: o que é mais atraente aos olhos do outro? E relembro: será que a produção e o autor estariam interessados num episódio encomiástico nesses termos?
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De António Quaresma a 08.05.2012 às 00:10

Aquela da heroína ser mais barata do que os cigarros para que os oposicionistas não tivessem ânimo para combater o regime não lembra a ninguém....
A pior cena foi a da pesca ao polvo e o almoço subsequente num fundo de quintal. Uma perda de tempo. Com tantas vistas fantásticas que temos...
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De Artur Hermenegildo a 08.05.2012 às 11:42

Infelizmente acho que o retaro foi correcto. E pelo que vi o Bourdain procura sempre precisamente fugir à "propaganda turística" e encontrar "o outro lado".
Portugal é isto, um país pequeno e pobre, com a esperança a morrer mais em cada dia, dirigido por medíocres e chico-espertos, que chocou agora atarantado com o muro da sua própria realidade e vai caindo, caindo, até bater no fundo - e depois recuperará talvez um pouco, talvez um pouco mais que isso, mas nunca mais vai voltar ao reino da fantasia onde julgou viver durantes uns anos.
E as excepções que há a esta regra, e são bastantes, apenas servem para a confirmar - porque sendo bastantes são também bastamente insuficientes, e isso só aumenta o sentimento de impotência e a frustração.
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De António Moura a 08.05.2012 às 22:41

Caro Artur, já estás pior que o Bourdain…
Não estarás a confundir certas árvores com a floresta? Portugal irá continuar a fazer o seu caminho de quase nove séculos, com uns momentos mais por cima e outros mais por baixo. Somos um povo rico em termos humanos e isso é muito importante.

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