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No Reservations - Bourdain em Lisboa

por Miguel Pires, em 07.05.12

Anthony bourdain bem que avisou que não vinha a Lisboa fazer um bilhete postal. Ok, mas não precisava de puxar pelo lado mais escuro da cidade e do país (Salazar, ditadura, crise, crise e mais crise). Ainda assim gostei. Não evita um ou outro lugar (ou neste caso imagem) comum mas também há que reconhecer o mérito de mostrar pessoas e lugares que muitos lisboetas desconhecem. 

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publicado às 08:34


44 comentários

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De Pedro Aragão Freitas a 08.05.2012 às 16:23

Algo que não nos podemos esquecer é que estes programas são editados. Conversas de 1 hora ou mais são reduzidas a escassos minutos e todo o sentido de uma conversa pode ser perdido.
Sem querer defender ninguém, a verdade é que alguns dos intervenientes podem ter passado muitos aspectos positivos de Lisboa sem que estes tenham sido passados no programa.
Para mim, no geral, fica um retrato de Lisboa que não foge muito ao real e que será bastante atractivo para o mercado estrangeiro: uma cidade de contrastes entre o antigo e o novo, uma cidade repleta de história mas à qual as novas gerações trazem a vanguarda da novas tendências. Isto, aos ouvidos de um turista, soa muito nem!
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De JCM a 08.05.2012 às 17:52

Perigoso era sentar o Bourdain com um tipo que lhe papagueasse o discurso da west coast of europe ou qualquer outra sucessão de soundbytes preparado por "especialistas de comunicação". Agora, se o Quintela dos Gato Fedorento, o Avillez numa traineira ou o chef do 100 maneiras a jogar Chinquilho(?) proporcionam momentos particularmente interessantes de conversa, com ou sem paleio turístico, é de facto discutível. Pelo menos o ALA dá que pensar.
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De Joao a 08.05.2012 às 17:53

Eu gostei!
Nota-se que muitos que escrevem aqui desconhecem o No reservations!

Não concordo que este programa não venda bem o país, vende-nos tal qual somos...

Tenho 26 anos, sou licenciado, trabalho num resort 5*com contrato de 6 meses e um ordenado liquido de menos de 700€... Onde é que o ALA falhou? não é a nossa realidade?!

Haverá algo mais típico que um pescador a grelhar um belo de um polvo com o fato de treino do benfica?!

Uma imagem real e sincera vende sempre melhor que algo de plástico...

Eu por mim acho lindo ir à praça da minha terrinha e falar com as velhotas, acho lindo ir visitar o meu avô e vê-lo jogar à sueca e é fantástico poder agarrar na minha cana de bóia e ir para a pesca quando me apetece...

Eu revi-me em muito do que se transmitiu no programa...
E muito sinceramente tenho orgulho nisso...

Se o programa se basea-se em tavares, panoramas, fortalezas, etc,etc... Nunca reflectiria o que sou....
Apesar de admirar e procurar estar um dia nesse patamar(sou cozinheiro) mas não é a minha essência...

Cumprimentos
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De Miguel Costa a 09.05.2012 às 10:48

Exactamente João, bem o compreendo. Existe uma Lisboa real, escondida. E o No Reservations é famoso por chegar a esses sítios, onde os outros programas não chegam. Creio que é a marca distintiva que explica o sucesso do programa. Foi assim em Lisboa, foi fiel ao estilo que definiu.
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De Paulina Mata a 08.05.2012 às 22:55

Só uns breves comentários, aos muitos comentários que têm sido feitos. Breves porque o essencial já disse e mantenho e apresentei os meus argumentos.

É verdade que não vejo muito os programas do Bourdain. Vejo pouca televisão e não sou capaz de rotinas, de ver x à hora y, semanas a fio. Mas não é só isso, também não me enchem as medidas. A densidade de interjeições é tal que me cansa, e como são iguais em todos os programas que vi, deixaram de ter significado. Não sou fã, nem perita nos programas do Bourdain . Gosto bem mais dos livros que li dele.

Que eu tenha dado por isso ninguém criticou muito a escolha do que se refere a locais e comidas. Muitos possivelmente escolhíamos outros que consideraríamos mais representativos de Lisboa. Mas ninguém sugeriu o Belcanto (que nem existia), o Panorama ou qualquer outro restaurante de fine-dining.

Não se criticou sequer muito as imagens que aparecem de Lisboa.
Criticou-se sobretudo a conversa com os interlocutores não relacionados com comida. A pobreza da conversa. É verdade que a crise existe - e não é só cá - mas não é isso que nos caracteriza. Não é o local para nos lamentarmos ou falar disso. Lisboa e os lisboetas têm características mais interessantes, mais profundas e que continuarão quando a crise acabar. Além disso, os interlocutores não eram sequer dos mais atingidos pela crise, pertencem a uma elite do ponto de vista cultural e económico. Por isso ainda é pior.

É verdade que foram escolhidos alguns minutos de horas de conversa. Mas também é verdade que em situações destas não se diz o que não queremos que apareça. É básico. Aquilo é trabalho e quem ali estava tem experiência.

Entre o bilhete postal e o que ali vimos (sobretudo nos diálogos) vai muito, havia n opções possíveis.

Lisboa e os lisboetas não estão perdidos no tempo, pode ser uma época má agora, mas é verdade que Lisboa é uma cidade dinâmica, que tem evoluído muito. É uma cidade europeia interessante.

Atractivo ou não... depende do ponto de vista. Tal como aqui as opiniões divergem, também basta ir ao facebook para ver que as opiniões de quem não nos conhece variam:

Deirdre Devlin Kelly - I always wanted to go to Lisbon , But this episode made me not wanting to go ... BUT Croatia , DEFINITLEY!
ou
Judith Hill - Saw it and wanted to get on a plane to Lisbon.

Não se pode nunca agradar a todos.

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De Miguel Costa a 09.05.2012 às 11:22

Paulina,

Gostei imenso do programa, mas é lógico que senti que olharam demasiado para o passado. Salazar não explica tudo, e foi demasiado citado.

E há pormenores que poderia ser melhorados (se bem sabemos, chamar o ALA foi uma vontade do Bourdais).
Mas foi delicioso ver o ALA de costas para o Fado e ver o Bourdais tocado pelo fado de Carminho, admitindo no fim que gostou, independentemente da opinião do escritor que ele tanto admira!
ALA viu no programa uma oportunidade de promover o seu universo pessoal deprimente e conseguiu. Mas a escolha era do autor do programa, não nossa!

De resto, a actualidade marca os nossos dias.

O lado político não larga Bourdais que é um americano informado acima da média. Ele sabe da Crise e das dificuldades da Europa, da Grécia. Ignorar isso é como varrer o pó para debaixo do tapete!

Como não falar disso? Este é um programa sobre a realidade, sobre as pessoas...e sobre como comem, num contexto real (que se tem de mostrar como é).

Ele sabe das restrições da UE sobre a comida (bem anotado pelo Sá Pessoa o facto do restaurante não poder tratar convenientemente o Bacalhau salgado tradicional).

Se alguma coisa se pode criticar é que, apesar da crise, foram muito mais para os chefes da alta cozinha do que para o povo. Eu teria trocado um deles pela imagem de ver Bourdais "salivar" em cima de um belo cozido (veio cá no tempo dele).

Bourdais reconheceu (algumas) potencialidades de Lisboa e do País. Passou a imagem de que temos algum do melhor vinho, queixo e peixe do mundo. E temos!
Para o bem e para o mal, e dentro das limitações de um programa de TV, mostraram-nos facetas reais de Lisboa e do País.
Que alguns vejam fraqueza na autenticidade do polvo grelhado comido nas traseiras é que é triste!

Capturaram uma essência do que é ser Português e Lisboeta: viver permanentemente numa tensão entre passado e futuro. E mostraram aliás grande preparação do programa, porque isso se mostrou quer na cultura (Dead Combo) quer na comida...

Felizmente Bourdais e a sua equipa continuam fieis ao estilo do programa.


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De António a 09.05.2012 às 13:31

Bourdais era um piloto francês de fórmula 1.
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De AF a 09.05.2012 às 13:09

O programa da Croácia por exemplo achei-o bem mais banal, mais de metade foi passado a pescar, ou com um cão a apanhar trufas numa floresta. Umas refeições e uma bebedeira com ressaca pelo meio. Lisboa teve história, cultura, etc, e uma edição particularmente feliz com música e imagens dos Dead Combo. Como referi, Bourdain é de esquerda, e nunca consegueria resistir não falar de Salazar. Como referi antes, não sabendo de nada do que se passou nos bastidores, eu temia um programa que se limitasse às sardinhas, fado e santos populares, e não foi, foi interessante e até mostrou um pouco da cozinha mais moderna. Nunca é como queremos, mas nem foi nada mau.
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De Miguel Pires a 09.05.2012 às 11:00

Há muitas pessoas que se identificam com esta autenticidade relatada, com rugas, sem plásticas, mesmo que com algum exagero.

Há uns meses estive em Macau e obviamente que o turismo local só me queria mostrar o que o território tem de bom na sua perspectiva: os casinos e o legado português limpinho e pintadinho. Ora o lado da casinolandia é imponente e digno de registo, mas podia ser em Las Vegas , Atlantic City ou Nassau (mais dourado, menos dourado). Claro que eu gostei da parte portuguesa e da forma como se integra actualmente na cultura chinesa (tal como me tinha tocado quando estive em Goa) mas gastronomicamente o que mais me marcou foi quando alguns portugueses locais me levaram a uma espécie de marisqueira chinesa local que qualquer turista de bilhete postal fugiria a sete pés.

Volto às questões de edição. É impossível que um diálogo apareça completo num programa com limitação de tempo . Editar (seja em que meio for) significa escolher de forma harmoniosa e relevante o que foi dito. Se eu disse 6 coisas positivas e outras 6 negativas, o editor não vai escolher apenas num dos sentidos, mesmo que tenda para um deles. Parece-me óbvio. Se não, é manipulação e não edição.

Quanto ao que os interlocutores disseram , não vejo impreparação ou amadorismo de maior. As câmaras à frente e uma personagem daquelas acaba por intimidar e por mais que queiramos levar a lição estudada a edição vai procurar a autenticidade e eliminar a parte mais propagandista. É claro que às vezes vai fora o bebé com a água do banho...

Voltei a ver o programa várias vezes para escrever um artigo para o Publico Online (que foi publicado esta manhã). Quanto mais o via, menos a impressão negativa me ficava. (excepto a tecla da ditadura e do '"facínora" do Salazar que governava the iron fist and jack boot " - mais coisa menos coisa - e outras pérolas do género).

Algumas frases de que tomei nota agora e que na primeira vez que vi, não dei tanta atenção, provavelmente por estar sob o efeito da heroina das palavras do Lobo Antunes:

logo para o inicio é puxada uma frase do músico Pedro Gonçalves: "O país está a passar por esta crise mas ao mesmo tempo todos valorizamos as coisas boas que temos", ilustrada de seguida com palavras dos vários intervenientes "Museus, Musica, teatro, Arquitectura, a costa, peixe e marisco".

you see many layers of time " Tozé Brito

"Quais das principais cidades se assemelham a esta? Nenhuma! " - A. Bourdain

"Temos muito para oferecer em termos de turismo. Boa comida, bom tempo, montanhas, mar" - H Sá Pessoa

Bourdain na cena do Ramiro: "Percebes, camarões "de morrer", lagostins de fazer chorar, amêijoas (para mim os portugueses são os melhores do mundo a prepará-las), búzios, santola. Tudo o que amo na vida está aqui"





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De Miguel Pires a 09.05.2012 às 11:05

A propósito, deixo o link do tal artigo que o Público me pediu e que foi publicado hoje na edição online:
http :/ www.publico.pt /Cultura/lisboa-sem-reservas-segundo-anthony-bourdain-1545294#
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De Minho a 09.05.2012 às 17:58

Tem sido o artigo mais lido no Publico online ao longo do dia. O Bourdain mexe com as pessoas hehehe.
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De António Pinto a 09.05.2012 às 12:26

Depois de ler as opiniões de outros comentadores, mantenho a minha. Respeito, obviamente, quem pensa de forma diversa, mas gostaria de lançar uma questão: a propaganda, mal tratada aqui pela generalidade dos comentadores, quando bem executada, é absolutamente fundamental na estratégia de comunicação, seja de uma pessoa, de uma empresa ou de um país. É óbvio que a propaganda, neste caso, não passaria por mostrar as "original house of ...." pelas quais Bourdain nunca escondeu aversão vidé o No Reservations , episódio de Viena). Conheço o programa, por isso rebato a crítica que alguns comentadores fazem aos mais críticos, como eu, acerca deste episódio. Dentro desta lógica, entendo que Bourdain e a sua entourage não tenham ido aos pastéis de Belém. Agora, o retrato feito de Lisboa, fiel ou não (fica à descrição de cada um), deve ser objectivo e verdadeiro. Acham que isto foi atingido quando um dos principais marcos culturais portugueses (o fado) foi tratado da forma como foi pelo ALA?

Quem quiser um free tour pelo universo pessoal de ALA sabe onde o encontrar, não precisa de convites...
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De António Pinto a 09.05.2012 às 14:24

*discrição
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De Isca a 09.05.2012 às 16:24

Desenvolvimento interessante, 3 albuns dos Dead Combo no top10 do iTunes: http://www.apple.com/euro/itunes/charts/top10worldalbums.html
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De FBS a 10.05.2012 às 02:47

Ponto prévio: Percebo perfeitamente a revolta que a Paulina sente e concordo com grande parte do que defende, conciliando com os aspectos muito bem focados do 1º comentário do PedroCG (o programa não é uma acção de marketing da ATL ou do ProvePortugal) e com os esclarecimentos do Miguel Pires (o editor/realizador pode cortar muita coisa que nós consideramos "boa" e só aproveitar os, na nossa opinião "piores" minutos).
Confesso que fui ver o programa já de pé atrás (depois de ler, ainda que na diagonal, todas estas reacções) mas acabei por gostar imenso pondo-me no papel de "marketeer" do nosso país. Não sou assim grande fã do No Reservations nem do próprio Bourdain, mas achei o "nosso" programa perfeitamente enquadrado no estilo e imaginei-me na pele dos seguidores do programa a delirar com as imagens (muito bem filmado), os contrastes retratados, o pitoresco vs moderno. Ou seja, acho que o resultado é muito bom. O que não quer dizer que todos nós não achássemos que o programa poderia ter mostrado mais disto ou daquilo (outras comidas típicas, restaurantes de fine-dinning, monumentos, edifícios modernos, menos eléctricos, paisagens/enquadramentos melhores, etc, etc).
Agora, o que me chocou verdadeiramente foi a já criticada (p.ex. pela Paulina) atitude pessimista/destrutiva/mal-dizente de alguns dos intervenientes. Mas não diria que é por falta de preparação, antes por provincianismo e falta de classe. Não concordo nada com quem diz que outro testemunho seria não falar verdade. Se uma pessoa acha que não resiste a dizer aquelas barbaridades quando lhe põem um microfone à frente, agradece o convite mas declina-o, dá lugar a outro que consiga falar com brilho nos olhos e saiba "vender" o país. Não estou a falar de marketing barato nem de politiquice. Basta comparar a Carminho com o ALA.
Nunca me esqueço duma história que o meu pai conta bastas vezes: no 1º ano do Liceu Camões, uns colegas mais velhos "apanharam-no" (ele e outros colegas de turma) fora da liceu a queixar-se do Reitor a uns amigos que estudavam noutro lado. Os mais velhos pegaram nos "putos" e disseram-lhes que dentro do liceu podiam (e tinham toda a razão...) dizer mal à vontade do Reitor. Mas, lá fora, tinham de defender o seu "Camões" com unhas e dentes, dizer que o seu Reitor era o melhor do mundo.
É isto que os espanhóis fazem. Já sabemos que nós, portugueses, não somos assim. Mas uma coisa é sermos maus embaixadores informais (p.ex. dizer mal do país a um cliente/fornecedor/colega estrangeiro), outra completamente diferente é ser um mau embaixador "formal" (seja o Ministro dos Negócios Estrangeiros ou uma personalidade entrevistada pelo Bourdain!). E nisso concordo 100% com a Paulina: "Isto não eram jantarinhos com o Anthony Bourdain, para encher o ego e dar oportunidade de aparecer num programa de grande audiência, não eram conversas de amigos em que se diz o vai na alma".
Por isso, dou os meus parabéns à produção (conseguiu o que queria e a meu ver bom teaser para o tipo de espectador do programa - sinceramente, acho que vai atrair turistas que, se não tivessem visto o programa, nunca se lembrariam de vir a Portugal), ao Henrique, ao Zé Avillez, ao Ljubo, à Mónica e à Carminho. Aos restantes (e desculpem-me se me está a falhar alguém injustamente mal "classificado"), estou com a Paulina: nota bem negativa... (sobretudo porque não perceberam o que estava em causa! por falta de humildade e visão! por mesquinhez e tacanhez de espírito!)
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De Paulina Mata a 10.05.2012 às 10:22

Gostei do seu comentário Francisco, e concordo com praticamente tudo.

Relativamente à nossa atitude, e à necessidade dela mudar. Refiro muitas vezes um artigo que foi escrito por um especialista em educação americano depois de visitar várias escolas portuguesas. Os comentários dele eram muito positivos, os comentários feitos na net ao artigo, eram quase todos de portugueses a dizer que ele estava enganado, que não devia ter visto bem... Absurdo, no mínimo!

http :/ www.huffingtonpost.com don-tapscott note-to-president-obama-w_b_220198.html
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De Mario a 10.05.2012 às 09:13

Num país com tanto Sol e nos 4 programas que ele fez em Portugal apanhou sempre nuvens e chuva.

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