Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Restaurantes que não me querem como cliente

por Duarte Calvão, em 19.07.12

Há uns tempos, num dia de semana, a minha mulher e eu decidimos, por volta das 21.15h, que nos apetecia jantar fora e saímos sem destino definido nem mesa marcada. Ao passar em São Pedro de Alcântara, achámos que seria interessante tentar o The Decadente. Já tinha tentado ir lá uma vez com uns amigos, mas ao tentar marcar de véspera, disseram-me ao telefone que já estavam cheios. Como foram bem educados e agradáveis, fiquei com boa impressão e vontade de lá ir.
Logo à entrada, havia uma menina simpática, que nos acolheu muito bem e nos convidou a passar à sala de jantar. A parte ao ar livre estava cheia, mas na sala havia muitas mesas vazias, talvez metade. Lá, uma outra menina quis saber se tínhamos reserva. Disse que não e foi aí que as coisas começaram a correr mal. A tal menina tinha que falar com o responsável por aquelas mesas vazias (cujo paradeiro ela desconhecia no momento) para ter autorização, não sabia se estaria tudo marcado, apesar de já serem 21.30h e não haver nada a assinalar reservas. E lá ia olhando para o livro das marcações diante de si, sem tirar nenhuma conclusão...Claro que disse que não era preciso se incomodar mais e despedi-me perante tanta falta de profissionalismo. Não pretendo voltar.
Seguimos na direcção do Chiado e lembrei-me de experimentar o Babete, outra abertura recente, especializado na chamada “comida de boteco” brasileira, de que tanto gosto e de que muitas vezes tenho saudades. Desta vez, o restaurante estava mesmo cheio, com uma mesa de umas dez pessoas que estavam a chegar, mas uma tímida e simpática empregada brasileira conseguiu descobrir-nos uma solitária mesa para dois, ainda que bastante próxima das mesas vizinhas, e ficou nitidamente satisfeita quando viu que aceitávamos a sua sugestão.
Quando já estávamos a ir para a mesa, surgiu uma jovem portuguesa, com ares de gerente, que informou a colega brasileira que iria precisar das cadeiras da nossa mesa para a tal mesa das dez pessoas que estavam a chegar. Fiquei estupefacto (e creio que a empregada brasileira também…) porque havia várias cadeiras vagas em mesas de quatro pessoas, que estavam ocupadas apenas por casais que nelas penduravam casacos e pousavam carteiras e outros acessórios.
Não estava propriamente com grande paciência para discussões com alguém tão pouco profissional e inteligente, mas ainda chamei a atenção para as tais cadeiras vagas nas mesas para quatro. Porém, a gerente não desarmou, dizendo que “as pessoas já tinham posto as coisas ali….” Obviamente que me fui embora com a promessa de não voltar. Acabámos, já passava das 22h, a jantar no Aqui há Peixe, onde, apesar do adiantado da hora, fui logo muito bem acolhido e atendido.
Nada disto que se passou é grave, todos os dias acontecem casos muito piores em restaurantes com mais pretensões do que estes dois, mas porque diabo é que hei-de ir a lugares em que se estão nas tintas para os clientes que os procuram, como o The Decadente, ou em que preferem ter mesas com casacos pendurados em vez de clientes sentados, como o Babete? Felizmente, em Lisboa, opções não faltam, sem termos que aturar meninas tontas (ou meninos tontos), em vez de sermos recebidos por bons profissionais que nos querem como clientes.

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:00


33 comentários

Sem imagem de perfil

De A cidae na ponta dos dedos a 20.07.2012 às 14:12

Boa tarde Duarte,

Escreveste um post com um dos restaurantes onde mais janto ultimamente em Lisboa, por isso tenho de manifestar a minha opinião. Eu acho que o The Decadente tem uma das melhores equipas de Lisboa, tão boa e profissional que até já os trato por tu de tão simpáticos e prestáveis que são. O The Decadente tem uma família por trás, do qual me tornei fã pelo sentido de testemunho que o nosso país tanto precisa, de visão, pelo sentido de equipa e até de família com os próprios empregados. Não me canso de os usar como um dos melhores exemplos da cidade dos últimos tempos. É um restaurante muito à frente a nível humano, porque não faz uso de nenhuma hierarquia entre alma humana e também por isso a ideia de mistura entre os portugueses e os estrangeiros que chegam do The Independente, hostel que como sabes habita os andares de cima. Por isso é um restaurante que adoro porque tem grande sentido de mundo e mente aberta. Gostam da diferença e eu adoro isso… é uma lufada de ar fresco para Lisboa em que muitas vezes põe rótulos nas classes, hábitos de distância e religiões. (Já respondo à tua questão mais à frente, mas achei importante dar-te a visão do todo

Como sabes há restaurantes, que por serem bons ou estarem na berra têm uma lista de espera do tamanho do mundo. E pode ser uma questão de moda, mas não acredito. Ainda hoje ligo dois dias antes para o Buenos Aires (outro sitio que adoro com imenso mundo e de mente aberta) e não têm mesa. A minha experiência de cidade diz-me que o The Decadente será outro lugar assim, intemporal, porque têm um serviço e um preço qualidade imbatível. Um dia entrei pela cozinha dentro, tu e o Miguel já me conhecem ;-)… e percebi como o conseguiam. O chefe Nuno Bandeira de Lima não brinca em serviço e não há desperdício na cozinha. Acho de um sentido de sustentabilidade e visão de negócio muito consciente. A Família D’Eça Leal que constitui a direção (um Pai e quatro irmãos) estudaram e trabalharam anos fora e podiam ter os empregos que quisessem na banca, etc.., mas em vez de apostarem numa vida mais confortável e com prémios anuais com os dígitos londrinos decidiram chegar-se à frente e investir em Portugal, um país que precisa mais do que nunca de estoicos e loucos com esta garra e sentido unidade.

Sobre a tua questão, sei que o The Decadente guarda sempre 50% da sala para passantes e a lista de espera já deveria estar cheia com pessoas que deveriam ter passado antes de ti. Por alguma razão ou pelo calor que se tem feito sentir talvez essas mesmas pessoas tivessem ido ao Miradouro ver a nossa linda Lisboa….não sei… A mim também já me aconteceu ver metade da sala vazia e não terem lugar para mim. Para teres uma ideia eles estão a servir mais de cem jantares por dia. De segunda a domingo, dá para acreditar? De facto, dado a conjuntura é incrível… e isso prova que querem muito os clientes e que os tratam bem, senão não aconteceria… Sei disto porque uso o terraço e o bar deles muitas vezes como escritório (adoro escrever com o movimento da cidade à minha volta) e sou grande observadora. Mal entendidos há em todo o lado e o que pode ter acontecido, digo eu que vou lá bastante, terá sido clientes que estivessem chegado antes de ti terem ido dar uma volta ou estarem a serem mudadas, do bar para o restaurante ou até poderia ter havido um ou outro cancelamento e como o chefe de sala não estava presente por alguma razão aconteceu o mal entendido.

(continua... )
Sem imagem de perfil

De silveira a 10.10.2013 às 21:10

Já lá fui e não gostei.
Sem imagem de perfil

De A cidade na ponat dos desdos a 20.07.2012 às 14:17

(... continuação)

Sobre a tua questão, sei que o The Decadente guarda sempre 50% da sala para passantes e a lista de espera já deveria estar cheia com pessoas que deveriam ter passado antes de ti. Por alguma razão ou pelo calor que se tem feito sentir talvez essas mesmas pessoas tivessem ido ao Miradouro ver a nossa linda Lisboa….não sei… A mim também já me aconteceu ver metade da sala vazia e não terem lugar para mim. Para teres uma ideia eles estão a servir mais de cem jantares por dia. De segunda a domingo, dá para acreditar? De facto, dado a conjuntura é incrível… e isso prova que querem muito os clientes e que os tratam bem, senão não aconteceria… Sei disto porque uso o terraço e o bar deles muitas vezes como escritório (adoro escrever com o movimento da cidade à minha volta) e sou grande observadora. Mal entendidos há em todo o lado e o que pode ter acontecido, digo eu que vou lá bastante, terá sido clientes que estivessem chegado antes de ti terem ido dar uma volta ou estarem a serem mudadas, do bar para o restaurante ou até poderia ter havido um ou outro cancelamento e como o chefe de sala não estava presente por alguma razão aconteceu o mal entendido.

Do que conheço jamais o The Decadente jamais trata mal os clientes, antes pelo contrário leva-os ao colo. Eu até costumo perguntar a alguns dos colaboradores com quem tenho mais confiança ‘então hoje não há andor ou pétalas?’. Eu já os conheço a todos muito bem - e comecei por ser uma simples cliente, para me apaixonar pela humanidade que se vive dentro daquelas paredes – e sei pela vivência que os seus valores como ser humanos, e formação que dão à equipa jamais permite uma coisa dessas por isso, dá o benefício da dúvida e regressa lá, só para viveres aquilo que acredito ser o futuro da restauração do mundo, um ambiente amigável e descontraído onde todos são filhos do mesmo Deus e somos levados ao colo. Exemplo disso são a maneira como a Vanessa e o Pedro (chefe de sala) e a restante equipa, mesmo as caras novas nos servem, com um enorme alegria…bem diferente das cabeças baixas em muitos dos restaurantes da cidade. Outra coisa curiosa é que as caras que nos servem não mudam muito o que revela um enorme sentido de unidade… uma amiga minha que abriu recentemente um restaurante e que tem no CV a escola Four Seasons , disse-me que demora sempre dois anos até terem a mudança de colaboradores fixa e garantir uma equipa mais fiel, mas ali as caras são as mesmas desde o primeiro dia. Por isso Duarte, a minha humilde sugestão é que marques com antecedência pelo telefone como fazemos há anos no Buenos Aires. Acho que não te vais te vais arrepender. Palavra de quem conhecem esta cidade muito bem… ;-)
Imagem de perfil

De Duarte Calvão a 20.07.2012 às 16:09

Cara Sancha,
Vejo que tens uma relação de grande proximidade com este restaurante e, como não és crítica gastronómica e és lá bem conhecida, defendes tudo o que eles fazem e nem sequer admites que haja falhas como as que relatei. A experiência foi antes dos "calores" actuais, não havia nada reservado, senão teriam me dito logo, nem ninguém à espera no miradouro a ver "a nossa linda Lisboa". Foi simplesmente a falta de profissionalismo de alguém que deveria ter como missão acolher bem quem se dá ao trabalho de pagar para ir conhecer o restaurante, mas em vez disso acha que fica bem mostrar que quem se atreve a ir sem reserva a um lugar de tanto sucesso deve ser "punido" com uma espera adicional. Aliás, o que escreves é contraditório: se eles guardam 50% de lugares para os passantes, porque é obrigatório reservar com dois dias de antecedência? Não tenho nada contra as reservas, normalmente faço sempre (em nomes falsos, é claro), mas às vezes não calha, como no caso que relatei. Quanto a voltar lá, não me parece, até porque os pratos que vi de relance não eram lá muito apelativos (wraps, pica-pau e coisas no género), mas posso estar a ser injusto, porque já me disseram que também há coisas mais sérias. No entanto, não desejo mal nenhum ao The Decadente, nem aos seus proprietários e equipa, e espero que de facto evoluam e se transformem na tal referência que apontas (não sabia que o Buenos Aires já era uma referência, mas estamos sempre a aprender) e certamente que atingem um determinado tipo de público. Seja como for, gostei de ter por cá, no Mesa, a tua elegante presença Volta sempre que quiseres.
Sem imagem de perfil

De GM a 20.07.2012 às 17:13

É um mal muito português, e que é bastante recorrente, embora o veja mais frequentemente no sul que no norte
Sem imagem de perfil

De A cidade na ponat dos desdos a 21.07.2012 às 14:02

Duarte é mais forte do que eu, quando vejo bons exemplos acaba por ser natural a relação de proximidade. E falaste bem ‘não sou crítica gastronómica’, alguma vez passei por isso? lol Eu escrevo sobre a energia das cidades e não tenho, nem nunca tive nenhum tipo de pretensão diferente. O que faz de nós um bom crítico, é eu ter crónicas na imprensa? É sermos uma referência para a cidade? Tudo é muito subjectivo , diz-me a experiência que teremos sempre fãs e pessoas que não nos acham mesmo graça nenhuma, é assim que funciona, reis e rainhas para uns, nada de referência para outros. No meu caso específico a minha humildade analisa o todo, porque o todo para mim é muito importante. Mas tu és crítico gastronómico e por isso volto a comentar nestas linhas. Não deveria então ‘a gastronomia' ser avaliada e ser o cerne da questão. Não é isso o mais importante? Se sim volto a insistir porque como um dos casos de sucesso de Lisboa, acho que não podes ficar a branco. Faça a sua sentença. Sobre o delicioso restaurante das escadinhas do Duque, para mim e para muitos dos meus amigos, o Buenos Aires é uma referência porque o serviço é acima da média, o restaurante é muito acolhedor e o ambiente é muito ecléctico e com pessoas sempre interessantes. Eu gosto muito da salada de morangos, do bife e do doce de leite e se sou crítica de gastronomia, pois não sou, mas posso dar-me ao luxo de manifestar as minhas preferências como pessoa que gosta de sentir a energia das cidades. E mesmo que não seja o teu género, vale a pena nem que seja lavar as mãos nas carismáticas casas de banho, repletas de deliciosos papeis, muitos deles apanhados nos alfarrabistas da cidade, quem sabe no do meu Pai?

Sobre as mesas, não foi contraditório o que disse. Disse e partilhei contigo o que já me aconteceu e que possivelmente tinhas sido vítima de um mal-entendido, o que é bem diferente. Falhas todos temos felizmente senão não vínhamos cá melhorar nada ;-), mas conhecendo eu como cliente a estrutura achei estranho e escrevi o e-mail para te convencer a lá voltares com o foco da questão e daquilo que te move, a gastronomia. Como deves imaginar com 100 jantares servidos (no mínimo) de segunda a domingo não fará diferença a tua má crítica, mas insisto que vás porque acho mesmo uma pena não experimentares, nem que seja pelo ambiente que é uma lufada de ar fresco nos dias que correm.

Sobre o wrap sim é uma versão para lanche de ceviche de salmão que adoro. O pica-pau costumo pedir para partilha no bar se por acaso chegamos com fome e ainda temos de esperar por mesa enquanto bebemos um vinho ou outro aperitivo. Ressalvo os vinhos de produtor que nao se encontram em supermercado algum e os cocktails de produtos portugueses.
Na carta encontrarás carpaccio de salmão, mas há raia, peixe-espada preto, bochechas de porco preto... Acho que ias gostar de algum dos pratos pelo menos e como crítico gastronómico que é isso que és, devias lá voltar, porque de facto é estranho que este restaurante sirva tanta refeição nos tempos que correm apenas pelo ambiente.
Ainda sobre a minha proximidade aos lugares, acho que é mais do que clara a minha missão de revelar as pessoas por trás dos projetos (é muito importante para mim o lado humano) e talvez pela afinidade e valores em alguns casos aconteça fazer dos restaurantes, minhas segundas salas de jantar. Acontece também com a Susana da Pharmácia e da Taberna Ideal para te dar outro exemplo que admiro bastante, não apenas as moradas, mas as pessoas que estão por trás… que acabam por ficar grandes amigos e tudo começa numa enorme admiração de lisboetas que se chegam à frente para construir as nossas cidades.

Vá…deixe-se de coisas e marque a mesa, que agora fiquei curiosa da sua sentença;-)…
Imagem de perfil

De Duarte Calvão a 22.07.2012 às 12:20

Cara Sancha,
Obrigado pelos teus comentários, que me ajudam a pensar sobre estes assuntos e a esclarecer e desenvolver questões que abordei no meu post. Quando referi que não eras crítica gastronómica, não foi para te diminuir, mas sim para sublinhar que estás mais atenta a certos aspectos dos restaurantes (ambiente, decoração, tipo de clientes, histórias pessoais dos responsáveis pelo restaurante, etc) do que a parte da cozinha. Ou a parte do serviço, que chamarei "acolhimento", que por vezes impede que possamos sequer apreciar a parte gastronómica. Foi o que me aconteceu nestes dois restaurantes, casos que achei interessante relatar como exemplos de atitudes erradas que vejo em muitos restaurantes portugueses (e também de outros países, como é evidente) e que estão muitas vezes relacionadas com a falta de profissionalismo.
Muitas vezes gastam-se rios de dinheiro em obras, decoração, equipamentos, relações públicas e depois não se contratam bons profissionais de sala , poupando-se uns tostões, sem perceber que um mau acolhimento e um mau atendimento impede muitas vezes a rendibilidade do investimento, afastando os clientes.
Espero, sinceramente, que o que me aconteceu nestes dois restaurantes sejam casos isolados e que eles prosperem durante muitos anos, satisfazendo a enorme quantidade de clientes que conseguem atrair. Quanto à parte gastronómica, neste momento nem me considero "crítico" profissional, já que só escrevo ocasionalmente nalgumas publicações, por isso sem obrigação de conhecer todos os restaurantes que abrem em Lisboa. Como sou curioso, gosto de ver o que de novo aparece, mas como cliente normal, escrevendo sobre a experiência aqui no Mesa, se me apetecer.
Sei há muitos anos que dificilmente os meus gostos e aquilo que valorizo nos restaurantes coincidem com os da maioria das pessoas. Sempre vivi muito bem com isso e até tenho assistido a evoluções interessantes. Imagina tu que há uns 15 anos, quando comecei a escrever sobre restaurantes, se alguém que servisse ceviche num restaurante português corria o risco de ser considerado um "traidor" da nossa cozinha...Agora, muitas dessas pessoas acham o máximo ir a restaurantes que apresentam essa cozinha "internacional" indiferenciada, infantil, muita de origem americana, de sabores óbvios de gordura e açúcar, dos wraps, do salmão alimentado a farinha (isto num país que tem a qualidade de peixe fresco que tem), da carne de vaca sem história.
É claro que num país que saiu do isolamento, também gastronómico (sabias que há 10/15 anos, quando eu escrevia "pesto", tinha que explicar o que era? e também explicar que foie gras não era sinónimo de paté? e que o máximo de estrelas Michelin atribuídas a um restaurante eram três e não cinco?), há agora uma obsessão por aquilo que julgam "moderno" e "cosmopolita", até hamburgueres em "disco", pizzas congeladas ou cupcakes, e natural e legitimamente muitos empresários de restauração tiram proveito dessa pouca exigência de clientes deslumbrados com "ambientes" de restaurantes.
Não sei se é esse o caso do The Decadente (já te disse que também embirrei com o "the" do nome?), mas fiquei sem vontade de saber. Estive no Buenos Aires há não sei quantos anos e se me recordo bem tinha a oferta normal de restaurantes argentinos, bifes de "chorizo", empanadas, doce de leite, etc. Já não me lembro do que comi, não terei ficado muito impressionado, senão teria voltado. Mas a este talvez volte um dia.
Quanto à Taberna Ideal, fui lá uma vez também há uns anos e pareceu-me tudo apenas de uma banalidade correcta. Já no Pharmacia, apesar do óptimo trabalho que fizeram na remodelação do local, comi bastante mal. E lembro-me de mais um caso de mau serviço. Fiquei na esplanada e deram-me copos impróprios para vinho. Pedi outros, mas disseram-me os "bons" eram só para a sala. Perguntei se o preço do vinho era o mesmo no interior e no exterior. Como era o mesmo, não via motivos para ter copos diferentes. Depois de uma intervenção da jovem "gerente", lá me trouxeram copos apropriados, fazendo questão de acentuar que era um grande favor...Também não voltei lá.
Cont.
Imagem de perfil

De Duarte Calvão a 22.07.2012 às 12:31

Cont,
Este comentário está enorme, mas quero terminar dizendo que o que mais impressão me faz são os cozinheiros, muitos deles jovens, que trabalham nestes locais. Vamos a Espanha, França. Itália, ou mesmo a países sem tradição gastronómica como os escandinavos ou Inglaterra, e vemos um fervilhar de criatividade, de novos conceitos e técnicas, de busca por produtos de qualidade. Mesmo em bares de tapas, bistros, trattorias ou gastropubs. Aqui, com meia-dúzia de excepções, vemos prudências medíocres, mesmo em gente que está em idade de arriscar, cópias mal feitas do que se faz "lá fora", busca de fórmulas fáceis de levar clientes a pagar muito pelo que custa pouco. Como deves compreender, cara Sancha, apesar de achar o teu trabalho muito válido, não posso aceitar que a energia de Lisboa seja tão mal alimentada.
Sem imagem de perfil

De misscalli a 21.07.2012 às 17:49

Gostei de ler, apesar do tema ser desagradável! Tenho volta e meia experiências do género e sobre a última também escrevi aqui:

http://lisbonlove.wordpress.com/2012/07/11/a-taberna-portuguesa-sem-certeza/

Não há pachorra para quem não sabe o que é um cliente, a solução é reclamar e aplicar os nossos euros em sítios que sabem o que estão a fazer :-)
Sem imagem de perfil

De António Moura a 22.07.2012 às 20:44

Depois de ter tentado várias vezes marcar um jantar no “The Decadente” um dia lá consegui. Foi há uns meses.
A equipa pareceu-me tentar ser simpática, mas a eficiência era pouca.
A comida nem dá para lembrar porque não teve história.
Nas outras mesas muita malta nova, com aspecto de estarem felizes.
Concluí: Aqui está um restaurante giro para as minhas filhas e seus amigos. Mas para mim, não conto lá voltar.
Sem imagem de perfil

De Jorge Guitián Castromil a 22.07.2012 às 20:45

Lamentablemente es algo que pasa también con frecuencia en España. No siempre es facil encontrar personal de sala capacitado y con buena formación y, en muchos casos, los bajos sueldos en ese sector del negocio tampoco ayudan.

Pero, en cualquier caso, esa no es una disculpa ya que el cliente tiene el derecho de ser atendido de manera eficiente y profesional. Una pena que este tipo de actitudes sean cada vez más frecuentes, sobre todo en establecimientos de gama media.

Imagem de perfil

De Duarte Calvão a 23.07.2012 às 19:25

Como dizes, caro Jorge, os baixos salários não são desculpa, porque inclusive os que prestam um bom serviço podem beneficiar com gorjetas. Mas, tal como disse no post, os principais responsáveis serão os proprietários dos restaurantes, que acham que podem poupar uns tostões contratando gente sem qualificação e nem sequer lhes sabem dar formação adequada. Quanto o que dizes sobre o serviço de sala em Espanha, tenho tido óptimas experiências, a ponto de achar que é onde ele é melhor, sendo simpático e descontraído, ao contrário de um excesso de formalismo que há em França, mas sempre competente e profissional, por muito jovens que sejam os empregados. Mas tu certamente conheces melhor essa realidade.
Sem imagem de perfil

De Jorge Guitián Castromil a 23.07.2012 às 19:29

Si, es verdad que en España es relativamente fácil encontrar un servicio amable y eficiente, pero cada vez es más fácil encontrarse con experiencias desagradables como la que comentas. Muchos empresarios del sector comentan que falta formación profesional y que hay poca gente interesada en trabajar en la sala del restaurante.

De todos modos, también es cierto que en una de mis últimas visitas a Portugal tuve alguna mala experiencia en Coimbra, en un tipo de restaurante donde nunca las había tenido hasta el momento. Servicio poco atento, poco profesional y a la caza del turista. Una pena.
Sem imagem de perfil

De Virgílio Gomes a 22.07.2012 às 23:34

Muito bem. Eu já tenho escrito sobre a má gestão de reservas e, especialmente, o atendimento. Há restaurante aos quais também não voltarei. Talvez não necessitem clientes...!
Sem imagem de perfil

De Miguel Santos a 24.07.2012 às 09:43

Porque não abrirmos um livro de restaurantes que apenas aceitam marcações e enxotam os interessados como se de insetos ou rastejantes se tratassem? Sem dúvida que muitas e desagradáveis surpresas vão surgir!
Sem imagem de perfil

De Claudia Diogo a 24.07.2012 às 03:06

Lá vim, meia perdida, para a este blog...e acho que até arrisco meter-me na conversa!
Enquanto trabalhadora e proprietária de restauração gostaria de salientar que de facto é díficil pagar salário mais justos aos nossos empregados. Fazem horas longas e os preços praticados não têm assim tanta margem de lucro (ainda por cima nos dias que correm em que o sector da retauração está apinhado de impostos!). E manter preços competitivos para lidar com a concorrência e permitir acesso a um vasto leque de clientes não é nada fácil, ainda por cima estando eu nFundão, Beira Baixa.
No entanto o bom acolhimento não custa dinheiro, é sempre uma maneira de estar do "restaurante". No meu tentamos receber todos como se fossem nossa familia o que se deve basicamente ao facto de também sermos uma familia! É um daqueles restaurantes pequeninos, aberto pelos meus pais, há quase 20 anos e da nossa equipa faz parte gente que está conosco há 15 anos . No entanto às vezes há questões que nos fogem do alcance. Tenho por exemplo consciência que o meu pai, com os seus 62 anos, mais de 45 anos de trabalho a servir às meses, já nem sempre tem o sorriso que eu gostaria que ele sempre tivesse para as pessoas, às vezes até mal interpretado porque tem "ar de poucos amigos", mas também se torna díficil substitui-lo porque: 1º não o posso dispensar por questões financeiras; 2º também não o ia deixar sem trabalho ou ocupação...enfim, mas cada caso é um caso e a verdade é que os clientes nem sempre conseguem "ver" tudo o que se passa para compreenderem tudo o que acontece num restaurante e também não é essa a sua obrigação. A nossa obrigação é acolhe-los bem para que tenham uma boa experiencia e infelizmente isso não acontece com todos mas damos sempre o nosso melhor :)
O que me deixa triste é ver inumeros restaurantes por esse país fora que nem lá perto chegam dessa filosofia e que estão só ali porque ouviram dizer que ter um restaurante dava dinheiro e estão longe de imaginar o esforço e dedicação que esse negócio requer.
Termino dizendo que o meu "tasquinho" gostaria muito de ter uma crítica a séria!! (vamos lá ver se não me arrependo do que escrevo...)
Imagem de perfil

De Duarte Calvão a 24.07.2012 às 11:16

Cara Cláudia Diogo, seja bem vinda a esta conversa. Percebo perfeitamente o que diz. É completamente diferente herdar um negócio familiar, como o seu, ou abrir um restaurante, onde geralmente se pode definir o serviço, dando formação às pessoas que se contratam. Já agora, qual é o seu "tasquinho"?
Sem imagem de perfil

De Claudia Diogo a 24.07.2012 às 12:44

Restaurante "As Tílias", no Fundão. Devo ficar a aguardar visitas? ;)
Imagem de perfil

De Duarte Calvão a 24.07.2012 às 14:38

Obrigado. Não a aguardar, porque nunca marco em meu nome. Mas quem sabe se um dia não passo por aí?
Sem imagem de perfil

De Miguel Santos a 24.07.2012 às 09:41

Já alguém experimentou tentar jantar na Cantina LX no LX Factory? 3 vezes tentei, sempre com bastantes mesas vagas (mais de 50% da capacidade livre), e das 3 vezes não consegui! Sempre foi dito que estava marcado para uma festa, sem poderem efetuar qualquer reserva para depois de algum dos jantares que estavam já servidos.
OU seja, nunca mais lá fui, e recomendo aos interessados e curiosos que nem sequer tentem! É isto que os restaurantes ganham quando funcionam com estas seleções criteriosas... e quando um dia os clientes faltarem e talvez estejam interessados em que experimente, terei todo o gosto e amabilidade em responder, desculpe, mas não tenho espaço na agenda para reservar um jantar no vosso restaurante!

Comentar post


Pág. 1/2



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

PUB


Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Siga-nos no facebook


Mesa Marcada no Twitter


Confira os premiados e as listas...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Pub





Calendário

Julho 2012

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031

Comentários recentes

  • Miguel Pires

    Oops, já corrigido. Agradeço o reparo.

  • Martinho Cruz

    Tudo bem. Vega “Cecília” é que me ultrapassa.....

  • Anónimo

    Esta é uma boa notícia para esta altura do Natal.....

  • Duarte Calvão

    Acho, João Faria, que coloca a questão nos termos ...

  • João Faria

    É verdade que, infelizmente, a mudança ocorrida na...