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Reconstruir o Mercado da Praça da Figueira

por Duarte Calvão, em 26.07.12

Começa amanhã, prolongando-se pelo fim de semana, numa das praças mais feias e sem sentido de Lisboa, o Figueira Marca-te, uma iniciativa da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina, com apoio da Câmara Municipal de Lisboa, com 25 bancas a venderam muitos produtos frescos. Prevê-se que a iniciativa se repita noutros fins de semana.
Mas porque é que a Praça da Figueira é tão feia e sem sentido, a ponto de os turistas, quando lá desembocam nos seus passeios na zona, voltarem para trás? Porque é quando olhamos para ela, nos parece que falta qualquer coisa? Porque em 1949 decidiram demolir o mercado que ali tinha sido construído em 1885, com estruturas em ferro, para ali porem…nada, a não ser uma estátua equestre de D. João I (já em 1971), da autoria de Leopoldo de Almeida.

 

Era esse o nosso verdadeiro mercado central, comparável à Boqueria, de Barcelona, ao Covent Garden, de Londres, ou ao recém-recuperado Mercado de San Miguel, de Madrid, e a tantos outros que existem nos centros históricos das cidades europeias. O Mercado da Ribeira, que se espera seja recuperado um dia, sempre ficou um pouco afastado e mais vocacionado para restaurantes e profissionais do sector, cumprindo a função que hoje o MARL tem.
Já há algum tempo que defendo que o Mercado da Praça da Figueira deveria ser reconstruído, tanto mais que me dizem que ainda existem restos das estruturas em ferro no Parque da Serafina, em Monsanto (ainda não fui procurá-las) e certamente muitos documentos e fotografias (como algumas que reproduzo aqui) que permitiriam uma reconstituição fiel, ainda que o mercado me pareça que agora deveria ter outras valências e horários, mais adaptados aos hábitos actuais da população e dos turistas.

 

No ano passado, apresentei a proposta no Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa, sem qualquer êxito ou sequer resposta.
Creio que um mercado com esta centralidade, para mais numa zona em que não existem centros comerciais, daria um enorme impulso à revitalização da Baixa e mesmo da Mouraria, muito mais do que não sei quantos “planos” que já se fizeram para esta parte da cidade, que aliás está a ter cada vez mais procura em termos de habitação e de estabelecimentos hoteleiros, incluindo hostels. E, atraindo visitantes, beneficiaria restaurantes e lojas da Baixa.

Comparando com 1949, tem hoje a vantagem de possuir um parque de estacionamento subterrâneo e estação de metro. Quanto à estátua que lá está, poderia ser facilmente removida para outro ponto da cidade. 

Eu sei que os tempos não estão para grandes gastos públicos, mas talvez, tal como aconteceu com o mercado de San Miguel, em Madrid, a iniciativa privada pudesse ser atraída para o projecto. Aqui fica a ideia, mesmo que tenha pouca esperança de a ver concretizada. Mas não seria interessante ver Lisboa começar a recuperar, em vez de destruir, algumas das características que fazem parte da sua longa história?

Termino este post com uma citação de Fernando Pessoa no guia "Lisboa, o que o turista deve ver", escrito provavelmente em 1925, agora editado pela Livros Horizonte: "A dois passos a Leste do Rossio, descobrirá a Praça da Figueira, que é o mercado central de Lisboa e está construído num local outrora ocupado pelo Hospital de Todos os Santos, pelo Convento de São Camilo e por outros edifícios. Este mercado é muito popular e animado; é de ferro, com uma cobertura de vidro, e é composto por um grande número de pequenas lojas e quiosques, voltados para a rua ou para o interior do edifício. A melhor altura para o ver é de manhã, em que ele nos oferece um espectáculo animado."

 

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publicado às 16:03


14 comentários

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De Anónimo a 27.07.2012 às 09:57

Concordo que um mercado deveria voltar à praça da Figueira (é aliás urgente), mas não uma reconstrução do antigo. Deveria ser um a céu aberto e mais vocacionado para os produtos gourmet nacionais. Esta é uma zona sobretudo frequentada por turistas e poderia servir de "montra" dos nossos produtos (não só gourmet), com provas de vinhos, queijos, etc., com espaço para sentarem-se com vista para o castelo...
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De Bruno RF a 27.07.2012 às 11:11

Há muito que frequento o Mesa Marcada como leitor atento, mas nunca tinha participado até hoje.
 
Porém, fiquei espantado com este texto, já que defendo há anos a reconstrução do mercado da Praça da Figueira precisamente nestes moldes! Tenho frequentado outros espaços onde já sugeri esta solução, como o Fórum Cidadania LX ou o Lisbon Lux, mas confesso que desconhecia a proposta que o Duarte fez no âmbito do Orçamento Participativo da CML.
 
De facto, foi ao entrar no mercado de San Miguel que não pude deixar de sonhar com a reconstração daquela estrutura em ferro, naturalmente adaptado aos tempos de hoje.
 
Uma visão conjunta deste novo espaço com o mercado da Ribeira (tendo em conta a possível futura gestão Time Out) e com um possível espaço ao ar livre no Martim Moniz (de que este novo mercado multicultural pode ser a génese) seria uma mais-valia gigante para Lisboa. Conheço bem o caso de Barcelona e não é por acaso que, mesmo  em tempos de crise,  o ajuntamento tem feito um grande investimento na recuperação dos mercados tradicionais da cidade, como o mercado de Sant Antoni, por exemplo.
 
Em resumo, fiquei muito entusiasmado ao ler este artigo, e caso seja precisa de alguma forma a ajuda de um jovem Lisboeta interessado nestes assuntos contem comigo!
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De Christophe a 27.07.2012 às 11:19

Muito interessante esta ideia.

Tive a sorte de passar por Barcelona uns meses atrás, e confesso que fiquei admirado e encantado com o mercado da Boqueria. Localizado na zona nobre da cidade, é um autêntico paraíso para quem gosta das boas coisas da vida : imensos produtos frescos, sumos naturais feitos na hora, peixe e carne de qualidade, especiarias, vinhos nacionais e pequenos restaurantes com especialidades locais que deliciam os catalães e também, claro, os turistas.

Poucos dias depois, e completamente por acaso, passei no mercado do Bolhão, no Porto. O contraste foi violento : com tantas potencialidades, ver este mercado quase completamente vazio, quase deserto e sem vida deixo-me triste. Este lugar tão particular, estes maravilhosos azulejos, estas escadas cheias de Historia…É triste.

Portugal tem quase tudo para ter mercados fantásticos : peixe fresquinho e marisco ai tão perto, fruta e legumes em variedade e com cada vez mais qualidade, vinhos e outras bebidas que merecem ser conhecidos. Sem falar da gastronomia popular que merece ser levada bem mais alta.

Um mercado assim em Lisboa ou noutras cidades seria um eixo de crescimento e de empregos fantástico para muitos produtores portugueses, muitos chefes interessados em novas oportunidades de negócio e claro para os lisboetas.

Ouvi falar dos projectos do mercado da Ribeira e do Mercado no Martim Moniz. Parece positivo, mas esta ideia de renascimento da praça da Figueira, mais central e desaproveitada tem muito charme, e seria, a meu ver, ainda melhor.
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De Duarte Calvão a 27.07.2012 às 16:22

Agradeço os comentários, que acrescentam bastante ao post, e fico muito satisfeito por ver outras pessoas entusiasmadas com esta ideia difícil. Era importante, caro Bruno, que todas as pessoas que a defendem tivessem uma intervenção conjunta., fosse no Orçamento Participativo do próximo ano (para este já não dá) fosse noutras instâncias. Em relação ao primeiro comentário, não vou discutir pormenores arquitectónicos, que não são de todo a minha especialidade, mas parece-me que deveria haver uma continuidade com a memória da cidade, tanto mais que me disseram que ainda restariam bastantes elementos da estrutura original. Mas, como é mais que evidente, um projecto destes, a fazer-se, deveria ser entregue a arquitectos e outros especialistas competentes. O Christophe lembra muito bem o caso do Bolhão, outro local fantástico e muito bem situado, inclusive em termos turísticos, que, pelo menos não foi demolido e que merece uma recuperação urgente.
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De António Moura a 27.07.2012 às 23:56

Caro Miguel, este é o momento ideal para recuperar a Praça da Figueira.

A alteração da Lei do Arrendamento vai permitir a revitalização do comércio da Baixa de Lisboa, dado que vai libertar muitos espaços comerciais que estão neste momento fechados e abandonados.

Uma iniciativa como aquela que o Duarte propõe, seria uma excelente locomotiva de qualidade para marcar um futuro de excelência para a zona.
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De Bruno RF a 30.07.2012 às 10:24

Sem dúvida, Duarte. Do conhecimento que tenho do funcionamento do Orçamento Participativo (até porque penso que sofreu um corte de 50%  para a próxima edição) acho um pouco difícil conseguir ter sucesso, quer pela quantidade de \"votos\" necessária (veja-se o caso dos campos de rugby de Monsanto, um dos projectos recentemente vencedores), quer pela lógica que, parece-me, passa cada vez mais pela eleição de várias obras de carácter local e com um custo unitário relativamente baixo.
 
Atenção que acho que vale a pena continuar a empurrar a ideia por esta via também, até para gerar alguma visibilidade junto da CML, mas penso que o ideal seria conseguir que um consórcio de diversos privados tomasse conta do projecto (o programa do Bourdain em Madrid, que até nem acho brilhante, tem uns minutos no mercado de San Miguel com um dos rostos do projecto que são exemplares ). Haverá capacidade para fazer isto em Lisboa? Não sei, mas quero muito acreditar que sim.
 
Vamos lá então criar uma vaga de fundo!
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De Duarte Calvão a 31.07.2012 às 11:42

De facto, Bruno, o Orçamento Participativo é capaz de não ser o adequado para esta ideia, embora eu ache que a participação da CML seria mais de "motor" e facilitador do processo, deixando aos privados o investimento na estrutura, mediante concessão de espaços e, eventualmente, outras vantagens. Se a CML não estiver interessada em desempenhar este papel, realmente seria imprescindível haver quem o fizesse. A Ass. de Dinamização da Baixa Pombalina parece olhar para esta ideia com bons olhos e é um interlocutor a ter em conta, até pelos contactos de que dispõe.
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De Miguel Pires a 31.07.2012 às 02:32

Embora não ache a Praça da Figueira tão feia como está estou 100% de acordo com esta ideia do Duarte. Se queremos que Lisboa seja uma cidade com vida é imperativo que se volte aos mercados. Não há razão para que um modelo, como este que o Duarte refere, não resulte. Se funciona em Barcelona ou Madrid, porque não há-de funcionar aqui?

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De Susana Gomes a 31.07.2012 às 09:18

Excelente ideia! E neste momento em que tanto se está a apostar na revitalização da Mouraria e do Martim Moniz, seria a peça que falta no tabuleiro.
A Praça da Figueira tem uma localização estratégica neste eixo Martim Moniz-Mouraria e reerguer ali um mercado que fosse buscar a memória histórica do espaço só pode ser uma boa aposta.
Faz todo o sentido em termos de turismo e também em termos sociais, uma vez que para se conseguir parar a desertificação do parque habitacional da zona, é preciso haver oferta de equipamentos de apoio.
Espero que este seja o primeiro passo para uma nova Praça da Figueira. :)
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De Samuel Freire a 31.07.2012 às 10:29

O "problema" da baixa reside num aspeto central: deixou de ser habitada e desta forma não será fácil fazer surgir novos investimentos na área do comércio sem tratar primeiro de colocar residentes nas suas ruas.

O "problema" de Lisboa é um problema de escala: Lisboa não deixa de ser uma pequena cidade quando comparada, como aqui se faz, com Barcelona ou Madrid. O arquiteto Graça Dias, por exemplo, há muitos anos que defende o aumento da densificação de residentes como forma de incrementar o surgimento e concentração da oferta de lojas, restaurantes, etc.

O "problema" dos lisboetas (ou daqueles que frequentam Lisboa) é que não gostam do Rossio, da Praça da Figueira, do Martim Moniz, da Rua da Palma, da Almirante Reis, da Praça do Chile ou da Morais Soares - há demasiados africanos, brasileiros, chineses, etc. (isto para mim não é obviamente problema nenhum - vivi muitos anos na baixa e continuo a frequentá-la diariamente) - é recorrente ouvir comentários desagradáveis onde se deveria ouvir comentários que celebrassem essa diversidade.

O "problema" na recuperação das zonas deprimidas da cidade está na aplicação de paliativos: fazem-se umas feiritas ou uns festivalitos (o Martim Moniz e envolvente tem por exemplo o TODOS, um festival que não traz ninguém a não ser quem já frequenta o local) e esperam-se resultados que nunca hão-de chegar por causa destas iniciativas.

A Boquería em Barcelona, o San Miguel e o San Antón em Madrid julgo que existem mais para os visitantes do que para os residentes, mas curiosamente são inspirados na transformação que o Borough Market em Londres viu surgir espontaneamente: começou a oferecer comida confecionada e muitas lojas mudaram-se para lá, ou para lá perto (como por exemplo a magnifíca Neal's Yard Dairy que se juntou a a uma data de vendedores de queijo - todos ganharam, todos vendem). Os mercados de Paris são talvez aqueles que genuinamente mais resistem e mais saudavelmente, mas também já começaram a incorporar corpos estranhos como por exemplo roulottes de hamburgueres (Le Camion qui Fume, Cantine California), a apontar para um caminho que dá resposta ao ecletismo da cidade.

Não iria tão longe a pontar uma solução como a que o Duarte Calvão aqui preconiza. Tenho sérias dúvidas sobre a eficácia (saudosista?) da reconstrução fiel de uma estrutura demolida e que já não habita sequer a memória dos lisboetas. Em nenhuma época como nesta em que vivemos, se assistiu à "fúria" conservacionista e revivalista do património da cidade. Qualquer cidade europeia foi edificada incorporando os novos estilos e técnicas, não repetindo o que tinha sido feito - se não fosse assim, não teríamos catedrais góticas, tínhamos ficado pelas românicas.

A ideia é boa, os exemplos citados são bons, mas gostava de ver a praça a não ser ocupada totalmente por um edifício que lhe vai retirar a grandeza que tem, a vista sobre a colina do Castelo, a leitura das magníficas fachadas. Apontaria antes para uma estrutura leve, contemporânea, qualificada, que deixasse espaço à fruição praça: com mais árvore e um pequeno jardim, sem espartilhar as ruas que se criassem com esta nova construção.

A estátua? Concordo. Estava no centro da praça e há 10 anos mudou para ficar alinhada com a Rua da Prata. Por mim podia ir para a Alta de Lisboa...

Samuel Freire
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De Duarte Calvão a 31.07.2012 às 12:01

Obrigado, Samuel Freire, pelo desenvolvimento que deu a este post com o seu comentário. No entanto, não concordo consigo quando diz que a Baixa "deixou de ser habitada". Parece-me que a Baixa nunca foi habitada, mas sim um espaço para comércio e serviços. Actualmente é que se começa a notar uma componente habitacional mais forte, sobretudo de jovens, e se o mercado fosse reconstruído certamente que agradaria aos seus novos habitantes, que, aliás, não dispõem de muitas opções na zona.
É verdade que sou bastante saudosista de uma Lisboa que desapareceu e que veja desaparecer todos os dias entre escombros de edifícios, como se de uma cidade bombardeada se tratasse, sem perceber que, por exemplo, um dos sectores que mais futuro económico tem na cidade, o turismo, está directamente relacionado com a preservação das suas antigas características. Tal como já disse noutro comentário, apesar de ter as minhas preferências, não vou entrar na discussão dos traços arquitectónicos do edifício do mercado, nem da sua volumetria, embora me pareça que numa das fotografias que aqui publico fica bem patente que o Castelo de São Jorge era até bastante valorizado pelo antigo mercado. Bem mais do que pelo actual e desolador vazio da praça. Quanto às fachadas dos edifícios, não as distingo muito das das outras ruas da Baixa que, como sabe, são relativamente estreitas, sem "recuo" para serem apreciadas. Mas tudo isto são detalhes, nesta fase o que é importante é estar de acordo com a ideia geral de reinstalação de um mercado na Praça da Figueira. Como deve calcular, não vou comentar atitudes racistas. Lisboa sempre foi, historicamente, uma cidade aberta a gente de todas as proveniências e quando não foi viveu épocas bastante infelizes. Parece-me, porém, que muita gente associa a presença de comunidades estrangeiras a problemas de criminalidade e de baixa condição social e cívica. Creio que a revitalização da Praça da Figueira e das suas zonas contíguas contribuiria bastante para mudar estes preconceitos e promover a convivência e o melhor conhecimento das comunidades de origem estrangeira que ali habitam.
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De Christophe a 01.08.2012 às 10:49

m relação aos mercados parisienses, penso que se trata de algo um pouco diferente. Penso que não são tão vistos como pontos de atracão turística, mas mais como comodidades mercantis para os habitantes do bairro (o que é algo também importante).

A não ser grandes mercados tradicionais, como o marché d'Aligre ou marché des enfants rouges, são mercados de rua abertos com uma maioria de comerciantes abastecidos no mercado central de Rungis, gigantesca área de venda de alimentos para profissionais (que vale mesmo a pena visitar).

Há mais negociantes que agricultores dos arredores. Um melting pot de comerciantes de vários horizontes com produtos clássicos do dia a dia a preços acessíveis para a maioria. Corpos estranhos sempre houve (as roulottes referidas nem apostam muito em estar a volta dos mercados e aparecem mais a volta dos escritórios a hora do almoço).

Ainda resistem produtores que apostam mais na qualidade, como por exemplo Joël Thiebault no mercado rue Gros que produz e vende em directo legumes fantásticos, tanto para chefes prestigiados do que para clientes em busca de qualidade.

Falta talvez, em Paris, aquele charme dos mercados das cidades mais pequenas com produtos mais locais ou do terroir. Legumes com gosto de legumes, carnes com sabor a carne e fruta com gosto de fruta, o que nem sempre acontece na capital francesa. Esta área é aliás cada vez mais aproveitada por lojas na moda que procuram coisas mais originais, biológicas, naturais na periferia da cidade (locavore).

Um mercado na Praça da Figueira teria que apostar nessas diferentes mas tão ligadas dimensões : ser de interesse arquitectónico, servir os lisboetas com produtos variados do dia a dia (bom para o cliente, e bom para o comercio). E também tem que ser um ponto de atracão para os amantes de produtos com mais qualidade. E claro para turistas.

E porque não abrir este mercado a produtos mais exóticos do mundo de língua portuguesa. O Brasil, Angola, Timor ou Macau tem muitos produtos e pratos tradicionais para mostrar. Uma capital com História como Lisboa tem que estar aberta as melhores influências do mundo e as suas comunidades : os mercados em Londres são um perfeito exemplo da coisa e constituem um eixo de integração importante.
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De Carlos a 10.08.2012 às 14:08

Sou completamente contra criarem mais um mamarracho contemporâneo descontextualizado da traça da praça, essa do leve etc... acaba muito mal, em Paris "les halles" foi destruida para criarem o Centro comercial, sabem o que estão agora a fazer, a reconstruir o que destruiram, não há mal nenhum num pastiche saudosista, temos imensos pela cidade que agora são consideradas obras mestras do urbanismo (ver toda a cidade do estado novo e alguns edefícios oitocentistas a imitarem outras épocas) é na verdade arquitectura a medida do que as pessoas precisam, ainda mais tendo em conta o turismo e a fraca qualidade da producção arquitéctónica actual.
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De Álvaro Costa a 10.06.2016 às 22:42

Não estou a ver o Marcado da Praça da Figueira a funcionar como tal, a não ser completamente virado para o turismo e, portanto, agravando a descaracterização humana lisboeta.
A estátua de D. João I, bem merecia substituir o mamarracho do Cutileiro, no alto do Parque Eduardo VII, uma vez que aquele rei simboliza uma verdadeira revolução popular portuguesa, ficando muito bem no convívio desse outro grande português, o Marquês de Pombal...

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