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Conservas portuguesas e solidárias

por Duarte Calvão, em 20.12.12

Henrique Mouro, Akis Konstantinidis, Vítor Sobral, Fernando Machado (Conservas Ramirez) e Henrique Sá Pessoa

 

Boa iniciativa a do restaurante Can the Can, que abriu este ano na Ala Nascente do Terreiro do Paço, tendo nas conservas portuguesas de peixe a sua especialidade. Foi precisamente por isso que na passada segunda-feira o cozinheiro da casa, Akis Konstantinidis, um grego radicado em Portugal há bastantes anos, onde trabalhou em design antes de se dedicar à cozinha, decidiu convocar os chefes Vítor Sobral, Henrique Mouro e Henrique Sá Pessoa para um almoço especial de solidariedade, com a impecável colaboração de muitas empresas conserveiras portuguesas (ver lista completa no fim), que doaram cerca de 100 mil latas ao Banco Alimentar Contra a Fome, à Fundação do Gil e à Casa dos Rapazes do Barreiro.

Foi um almoço muito agradável, a mostrar como, com imaginação e bom gosto, se podem fazer pratos interessantes a partir das nossas conservas de peixe que, felizmente, estão a dar mostras consistentes de evolução na direcção da qualidade e a obter cada vez mais reconhecimento no exterior, exportando, de acordo com o que disse na ocasião o presidente da Associação Nacional de Industriais de Conservas de Peixe, 65% da produção para cerca de 80 países.

 

Sardinha em conserva em água de tomate e pimentos

 

A sardinha em lata, única conserva de peixe da Península Ibérica com certificação de qualidade (segundo informou a organização), foi o elemento comum dos três primeiros pratos. Vítor Sobral deu início com uma mousse de sardinhas, cerejas secas, farofa de pão de trigo e pinhões, um conjunto muito equilibrado, com o toque doce da fruta e um belo jogo de texturas. Seguiu-se Henrique Sá Pessoa com sardinha de conserva em água de tomate e pimentos, com a gordura do peixe a conjugar-se na perfeição com a acidez da “água”, que estava notável. Henrique Mouro apresentou um filete de sardinha e xarém de ovas, servido em lata, uma interessante maneira de mostrar um uso a dar ao já chamado “caviar português”.

Vieram então os pratos de Akis Konstantinidis, com muxama de atum com gomos de laranja, emulsão de citrinos e brotos de amaranto, cavala alimada com puré de batata-doce e alho francês com tomate confitado e, no prato principal, beringela assada, recheada com filetes de atum, queijo da Ilha de São Jorge, regada com molho aromático de tomate fresco e broa de milho. Tudo muito bem, saboroso e sensato, sendo que é de destacar a sobremesa (que não levava peixe em conserva…), um couscous de frutos vermelhos com vinho do Porto, iogurte grego, hortelã e mel. Creio que nunca tinha vistos couscous numa sobremesa e gostei imenso.

 

Beringela recheada com filetes de atum e queijo da ilha de São Jorge

 

No fim, ainda houve música com Rui Pregal da Cunha (ex-vocalista dos Heróis do Mar), responsável pelo projeto Fado Lab, no Can the Can, acompanhado por Mariza e Tiago Pais Dias, respectivamente, a vocalista e o músico dos Amor Electro.

Empresas que participaram na iniciativa: Cofisa, Conserva de Peixe da Figueira, Briosa, Conservas de Pescado, Conservas Belamar, Comur, Fábrica de Conservas da Murtosa,Conserveira do Sul, Gencoal,  Pinhais & Cª, Conservas Portugal Norte, Ramirez & Cª Filhos, Fábrica de Conservas A Poveira, Fábrica de Conservas La Gondola, Empresa de Conservas de João António Pacheco,European Seafood Investments Portugal,  António Luças, Atum Santa Catarina, Empresa de Pesca de Aveiro e José Nero

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publicado às 15:11


4 comentários

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De Cozinhar sem lactose a 24.12.2012 às 11:56

Parece que os marroquinos usam o cuscuz também nas sobremesas; no restaurante marroquino da Rua da Rosa, a dona serve um desses e é excelente, com todas as especiarias a dar aquele toque especial.

Boas festas para a mesa marcada e continuem o bom trabalho!

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De Joana | myseastory a 26.12.2012 às 00:42

Fico contente que as conservas estao a dar um passo em frente e a ganhar visibilidade. A viver nas caraibas e com falata de peixe de qualidade (em portugal ficamos exigentes), trago sempre umas latas de sardinhas e de atum para ajudar a matar saudades!
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De Duarte Calvão a 26.12.2012 às 07:46

Nunca estive nas Caraíbas. O peixe é assim tão mau? Sendo uma zona onde o mar é tão marcante, apesar de águas quentes, pensava que poderia haver alguma coisa interessante. E que tal são os mariscos? Já agora, permita-me sugerir que nas suas compras de conservas portuguesas, inclua as de cavala, que são bem boas.
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De joana | myseastory a 27.12.2012 às 02:50

obrigada pela sugestao, vou trazer cavala de certeza!

aqui o peixe e o marisco e uma decepção, pelo menos onde eu estou, em turks and caicos, e tenho ideia de nao ser muito diferente nas ilhas vizinhas. nem sequer existe uma industria para sustentar os supermercados, restaurantes e hotéis, por isso vem quase tudo congelado de miami.

temos muita lagosta e "conch", que e um búzio tamanho xl, cozinhado de inúmeras maneiras e considerado o prato nacional.

peixe e marisco, nao ha como em portugal.

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