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Ouvi falar do Nuno Mendes quando ele abriu o Bacchus. Despertou-me grande curiosidade o que li e ouvi e em 2007 fui lá, voltei em 2008, para uma óptima refeição, poucos dias antes dele sair do Bacchus. Após um interregno de dois anos, fui ao Viajante em 2010 e 2011 onde tive duas óptimas refeições.

Como referi numa entrevista ao Nuno Mendes no Forum da Nova Crítica, considero que o trabalho que faz, reflectindo o seu percurso de vida e integrando todas as suas experiências, resulta numa cozinha muito própria, culta e actual. É uma cozinha divertida, surpreendente, com grandes preocupações estéticas, mas em que o papel principal é dado aos sabores, e que transmite e provoca emoções.

Depois de tudo isto tinha imensa curiosidade em conhecer o The Corner Room. Tendo ido a Londres, não podia perder a oportunidade, e fui lá almoçar num domingo.

Entrei numa sala com cerca de 30 lugares, de certa forma austera, mas com uma decoração que considero coerente com o que se come.

Foto DAQUI

 Foto DAQUI

Ao almoço há oportunidade de optar por um menu de dois pratos a 17 £ ou de três pratos a 21 £, sendo os pratos escolhidos do menu disponível no dia no The Corner Room (para almoço e jantar). Ou seja, de entre 5 entradas (três de peixe, uma vegetariana e uma de carne), 5 pratos (dois de peixe, dois de carne e um vegetariano) e 4 sobremesas. Decidi escolher o menu de três pratos.

A carta de vinhos tem 5 brancos e 6 tintos e 2 doces (um deles um Porto da Niepoort). Pedi uma sugestão para um copo de vinho. Sugeriram-me o único vinho português da carta (para além do Porto) e foi esse que bebi, Quinta do Feital Arautus 2011 (estava mesmo em dia de "tropeçar" em coisas que me lembravam este país).

Comecei então a comer...

Sea Bass Ceviche, Tangerine & Carrots

(o que parece arroz é o sumo de tangerina congelado)

 

Cod with Clam Porridge & Coriander

(Óptimo o bacalhau, o sabor a mar, alho e coentros do porridge, a que pedacinhos de lingueirão davam vida, assim com a textura da pele de bacalhau frita. Sabores tão portugueses, acho que nunca os tinha sentido tão intensamente na cozinha do Nuno Mendes)

 

 Sweet Potato & Pop Corn

(com a batata doce em várias texturas)

Pratos com características diferentes dos do Viajante, mas em que se reconhece o Nuno Mendes. Que permitem ter uma boa ideia da sua cozinha. Pratos que, apesar do tipo de restaurante e do preço módico, poderiam ser servidos em qualquer restaurante com outras pretensões. Gostei muito. Como já disse num post anterior, uma refeição com uma excelente relação "felicidade que proporciona / preço".

Estive a reparar no padrão de visitas aos restaurantes do Nuno Mendes duas visitas em anos consecutivos, dois anos de intervalo, duas visitas em anos consecutivos, dois anos de intervalo... o que me dá a esperança de voltar para o ano. Queria mesmo, porque eu gosto muito da cozinha do Nuno Mendes, do sabor, da estética, e do que transmite.

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publicado às 23:58


9 comentários

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De Miguel Andrade a 12.02.2013 às 10:05

Um bom exemplo para a restauração em Portugal
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De Artur Hermenegildo a 12.02.2013 às 10:33

Eu e a Luísa estivemos lá em Julho de 2011, poucos dias depois de termos jantado no Viajante no aniversário dela.

Creio que o The Corner Room era ainda muito recente nessa altura.

Gostámos muito, e a ideia com que fiquei é de que em Portugal este seria um dos melhores do país, sem dúvida. A comida será, segundo a própria definição do Nuno Mendes, mais simples que a do Viajante, mas isso não é sinónimo de "simplismo" nem de "facilidade".

Todo o rigor e vontade de experimentar estão lá, e a um preço que em Londres é surpreendente.
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De Paulina Mata a 12.02.2013 às 11:06

Concordo com tudo, excepto com o preço ser surpreendente em Londres.
Pode ser surpreendente para nós que temos preços mais caros para o mesmo tipo de refeição. Mas é o preço mais ou menos normal para o almoço em Londres em restaurantes deste tipo.
Eu sei que a quantidade de clientes e dinâmica é diferente em Londres, e portanto pode haver uma certa economia de escala que cá não há. Por outro lado o nosso nível de vida é bem menor (e cada vez mais). Não sei como se faz, mas os preços cá são incomportáveis. E é de certa forma uma pescadinha de rabo na boca. Com os preços cá as pessoas não podem ir, se não podem ir, o preço não pode baixar (nem aquele dá)...

O que é um facto é que em Londres é mais fácil comer igual, e frequentemente melhor, mais barato do que cá. Como fiz a marcação através de uma central de marcações, agora recebo alguma divulgação e os preços são de facto baixos.

Claro que a estes preços há que adicionar 12,5% de grojeta (que já vem na conta) e a bebida (cerca de 5 libras um copo de vinho).
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De Mica a 16.02.2013 às 20:16

No que a preços diz respeito, não culpem apenas os proprietários dos restaurantes em Portugal. Ora comparem lá a nossa carga fiscal à deles, ou a carga burocrática. Portugal só por si criou um monstro socialista cheio de burocracia e taxas que asfixiam completamente a economia, o dinamismo, a criatividade. Para agravar, a própria União Europeia tem-se transformado numa espécie de União soviética regulatória em que Portugal é mais papista que o papa.
Desculpem o desabafo, mas aqui há uns meses passou-me pela cabeça lançar um negócio de comida de rua, de roulotes "gourmet", assunto já falado por estas paragens, e após meses perdido em burocracias e papeis cheguei à conclusão que é impossível tantas são as licenças e tralhas que se tem que seguir.
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De André Miguel a 17.02.2013 às 10:23

Não vou pelo argumento da carga fiscal.
Veja por exemplo Espanha onde a carga fiscal é muito menor que em Portugal e onde os preços, nesta classe de restaurantes, são altíssimos.
Como disse a Paulina acredito que seja uma questão de economia de escala.
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De Miguel Pires a 12.02.2013 às 11:48

Paulina, além de me teres dado fome antecipaste a minha vontade de voltar a Londres. De facto os preços das refeições são surpreendentes tendo em conta que Londres é uma cidade cara. Em termos absolutos eu não diria que são mais baixos do que cá, diria que andam na mesma faixa de preços - dos restaurantes de gama média para cima.

O preço dos pratos ou dos menus dão essa sensação, mas quando acrescentas os 12,5% do serviço e das bebidas facilmente acrescentas 50/60% ao valor da conta - e é se não te esticares muito no vinho.

Acho um abuso os 12,5% do serviço - que é ligeiramente diferente de ser de gorjeta. É que mesmo que o serviço ou a experiência seja medíocre ninguém recusa pagar. Além do mais uma percentagem fixa é injusta. Por exemplo: o serviço numa refeição de 400 libras não é 10 vezes melhor ou mais oneroso do que numa de 40 libras.

Também é importante chamar à atenção para outra coisa. Há restaurantes em que, ao almoço, se consegue um menu de degustação ou à carta a preços mais baixos do que ao jantar e aí pode-se ter uma experiência da oferta do lugar por um custo interessante. Mas há outros em que vigora o menu executivo que, apesar de ficar a 1/3 do preço normal também fica a 1/3 do que é o restaurante. Mas isso é válido cá, ou em outras cidades do mundo, também.

Digo isto porque muitas vezes há pessoas que vêm ter comigo e dizem-m que estiveram em determinado restaurante e que não acharam nada de especial, ou mesmo que não gostaram. Só que muitas vezes dizem isso baseado num almoço 'executivo' ou, pior, numa apresentação de vinhos ou algo do género.
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De Paulina Mata a 12.02.2013 às 12:22

Miguel

Eu acho que em absoluto se consegue comer mais barato. É verdade que muitas vezes nos esquecemos dos 12,5% (e às vezes mais, já me aconteceu 13%). É verdade que se o serviço fôr bom ninguém recusa pagar, porque é a "regra" lá. Mas diz na factura que é "discretionary", portanto podemos pagar ou não. Já uma vez, em que o serviço foi terrível e saí do restaurante mais que irritada, não paguei e ninguém disse nada. Ficaram a olhar para mim um pouco admirados, mas nem comentaram.

Mas, sempre, com 1 copo de vinho e um chá e o serviço incluído nunca subiu dos 40 euros (estive agora a ver no extracto do cartão de crédito - The Corner Room (3 pratos) 36,5 euros; Lima (3 pratos) 40 euros; Momo (2 pratos) 29 euros). Mesmo assim, exceptuando o The Corner Room, em que marcando de véspera, só consegui marcação para as 3 da tarde, os restaurantes (Lima e Momo) não tinham muita gente.

E isto em Londres, porque fora ainda se come muito mais barato. Breve falo de uma refeição no que foi eleito este ano o Observer Food Monthly Awards 2012 Best Ethical Restaurant. Aí então a relação qualidade/preço é inacreditável...
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De Artur Hermenegildo a 13.02.2013 às 11:40

Se o serviço for mau podemos recusar pagar os 12,5%. Convém é que de facto seja evidente e sustentável que foi mau, caso contrário arriscamos ser mal tratados, mas é de facto possível.

Pessoalmente acho mais justo este sistema. Cá por lei os restaurantes têm "serviço incluído" o que significa que pagamos sempre o serviço, seja bom ou mau. E se for bom ainda acrescentamos a gorjeta... que ainda por cima escapa ao sistema fiscal...
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De Paulina Mata a 12.02.2013 às 12:31

Mais uma coisa relativamente à qualidade dos menus executivos. No caso do The Corner Room, os pratos eram escolhidos da carta do restaurante, havia apenas 1 entrada, 1 prato e 1 sobremesa que caso fossem escolhidos, isso implicaria o pagamento de um suplemento.
Portanto estávamos a comer o mesmo, a um preço mais baixo (ao almoço só).
No caso do Lima os pratos eram idênticos, pelo que li no menu, mas não exactamente os mesmos. Havia ingredientes que eram substituídos por outros mais baratos.
Claro que nestes menus não se fazem milagres, mas acho importante que transmitam o que é a cozinha daquele espaço, daquele cozinheiro. Senão em vez de atrairem clientes afastam-nos. Não se pode dar um tipo de ingredientes. pois que os pratos sejam com outros, mas que se mantenha a identidade da cozinha do chefe e a qualidade. E isso pode ser feito, mas de facto nem sempre acontece.

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