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O Peixe em Lisboa está quase a terminar, mais um ano de sucesso, o sexto. Muita gente, muitas actividades interessantes, um espaço e ambiente muito agradáveis. Andei por lá, assisti a muitas das apresentações de Chefes, participei numa sessão de harmonizações, comi vários pratos de todos os restaurantes presentes.

É um evento que, felizmente, veio para ficar. Pela qualidade, pela diversidade de actividades, pela oportunidade de conhecer e aprender novas coisas, para mim é mesmo um imperativo participar no máximo que posso.

Das apresentações deste ano, com características bem diferentes, e na generalidade muito boas, não posso falar de todas as que assisti, mas há algumas que me tocaram mais.

Virgílio Martinez, mostrou-nos a cozinha do Peru. Falou das características desde país, mostrou-nos ingredientes desconhecidos por aqui. E é sempre tão interessante descobrir coisas novas!

Trouxe-nos os chuños ( batatas desidratadas, produzidas nos altos planaltos dos Andes que são extremamente leves e fáceis de transportar e se conservam anos), mostrou-nos chia, quinoa, cacau, café, castanha do Brasil (a que chamou nozes de Bahuaha) e uma série de outros produtos menos comuns, mas o que de facto me surpreendeu mais foi o cushuro, uma cianobactéria que forma colónias de esferas esverdeadas e comestíveis que se podem ver neste prato.

 O Bertílio Gomes, por outro lado, levou-nos a redescobrir coisas nossas cujo uso se foi perdendo com os anos.

Uma apresentação tão didática e interessante, quanto saborosos eram os pratos preparados (confesso que no fim, depois das fotos tiradas, não resisti).

Numa das suas propostas incluíu as folhas tenras das faveiras, bem agradáveis e com sabor a fava:

Na outra o  pau roxo - uma tradicional cenoura roxa do Algarve.

Do José Avillez gosto sempre da forma com que faz as apresentações e fundamenta as opções em cada prato. E da componente estética também, porque os olhos também comem, e um prato vale por todas as suas componentes, a estética, as histórias que nos conta, o sabor, os aromas e as texturas.

Hoje, sábado foi um dia de sessõesexcelentes! O Tomoaki Kanazava fez um excelente apresentação em que nos falou da cozinha japonesa, das características da cozinha Kaiseki, e apresentou uma série de pratos em que o respeito pelos produtos, aliado a técnicas bem diferentes das ocidentais e a uma forte componente estética, permite obter resultados deliciosos.

 

A Marlene Vieira, trouxe três propostas muito originais, bonitas e interessantes para cavala, lampreia e ostras.

 

Aqui fica a da cavala:

Na foto que se segue, pode ver-se o Duarte Calvão fascinado com a constatação de quanto as mulheres são criativas e de que têm mesmo muitas palavras a dizer no mundo da cozinha - não se zangue comigo Duarte  :-) . A Marlene tem mesmo!

Durante a tarde houve sessões sobre fruta, uma para cada uma das estações do ano, em que Cristina Oliveira do ISA, e outros convidados, falaram sobre a fruta que produzimos e deram a conhecer mais sobre as frutas de cada estação. Chefes propuseram combinações para as frutas com o peixe. Gostei muito das propostas do Miguel Castro e Silva para combinar peixe com as frutas de Verão, simples, mas muito saborosas.

À noite, assisti a duas sessões promovidas por marcas de alguns produtos. A do Licor Beirão foi a apresentação mais divertida do Peixe em Lisboa, em que a boa disposição foi constante. Feita pelo André Magalhães com o humorita João Paulo Rodrigues. Que taberneiros! Já pelos resultados dos cozinhados... não ponho as mãos no fogo.

Sábado as conservas Nero apresentaram alguns dos produtos (peixe espada preto, butarga, anchovas em moscatel do Douro, muxama) de formas originais, com o recurso a uma série de novas técnicas de cozinha, executadas por Joana Moura e Catarina Dias Pereira da CookingLab.

Houve mais... Mas isso fica para outra altura. Para já só conto que encontrei o Duarte Calvão num dos momentos de pausa. E que bem se tratava! Mas merece-o.

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publicado às 01:57


3 comentários

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De rui a 15.04.2013 às 11:04

O que é que o Bertílio fez com as folhas de faveira? Consomem-se cruas?
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De Artur Hermenegildo a 15.04.2013 às 15:07

Parabéns renovados este ano, como em todos os anos anteriores, ao Duarte Calvão e a toda a equipa envolvida na organização do evento.

Notas soltas:

- Confirma-se que este é o espaço ideal para o evento, em comparação com o da Expo;

- O convite ao Can The Can, talvez o mais arriscado, revelou-se para mim uma boa aposta;

- O mercado de produtos estava muito interessante;

- A JMF continua a praticar uns preços para mim absurdos pelo vinho, se considerarmos que estão a vender directamente ao consumidor, que os copos quem os fornece são os clientes, as condições de serviço, temperatura, etc; qualquer vinho decente era duas senhas, ou seja, 3 euros; não se arranja concorrência para as próximas edições?

- É pena que o auditório para as apresentações tenha condições tão fracas - visibilidade, acústica...
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De Tomás Valle a 15.04.2013 às 23:34

Carlos Maribona volta a rasgar elogios ao JA
http://abcblogs.abc.es/gastronomia/public/post/belcanto-lisboa-la-solida-cocina-de-jose-avillez-15797.asp/

Um bem haja

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