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Bits & Bites no Marais, em Paris (Parte 2)

por Miguel Pires, em 01.07.13

Escrevia eu há dias neste post, que era possível passar uma semana em Paris sem praticamente sair do colorido e vibrante bairro do Marais, com a sua vida social, lojas e, claro está, oferta gastronómica. A maior parte dos restaurantes (e afins) são bastante informais e descontraídos. Há bistrots, néo-bistrots, casas de crepes, de fallafel e outras 'delicadezas' judias, restaurantes chineses, japoneses, vegetarianos, wine bars, e muitas lojas temáticas: de macarons, de chocolates de autor e até de pastéis de nata. Na Boulevard Beaumarchais 111 fica a Mercy, uma espécie "rive gauche' de Habitat com Colette. Lá dentro há a Cantine Mercy e, sobretudo, este café, para quem gosta de estar entre livros, boas saladas e outros snacks para uma refeição leve. Os preços são parisienses mas não escandalizam (muito).

O Breizh Café (Rue Vieille du Temple, 109) não é uma creperia, é "a" creperia (se é que a palavra existe). É dificílimo arranjar mesa por isso o truque é ir fora do horário de refeições. Os crepes salgados, que na verdade se chamam galettes, são feitos de trigo negro (o mesmo que trigo sarraceno, ou buckwheat, em inglês) e podem ser recheados com diversos ingredientes. Também se fazem crepes doces com esta farinha, mas o mais comum é fazê-lo com a de trigo T65 (branca semi-refinada), como o do exemplo acima - já depois de flamejado com Cointreau e segundos antes de ser devorado com duas bolas de gelado (chocolate e baunilha).

Um dos principais objectivos desta estada em Paris prendia-se com vontade de experimentar os bistronomics, ou néo-bistrots, o novo conceito (com 4 ou 5 anos) que uma nova geração de chefs criou para contrariar o formalismo dos luxuosos, famosos e caros restaurantes da cidade. Nenhum dos 3 em que estive fica no Marais, mas não distam mais de 20 minutos a pé. Ao almoço, entrada, prato e sobremesa custam na casa dos 30€ e, ao jantar, apenas possível em menu de degustação (5/6 pratos), variam entre os 50€ e os 60€. Dos 3, o Rino, do prato da foto acima ('ravioli de peixe fumado, ervilhas e foie gras') foi uma agradável surpresa...
..., o Septime, o melhor de todos (tudo muito, muito bom, com destaque para este salmonete cru com 'sumo' de ervilhas, cerejas e amêndoas verdes) e...
...o famoso Le Chateaubriand (nº18 do Ranking World 50 Best Restaurants) uma desilusão. Sobre eles escreverei em breve (aqui ou numa das publicações em que colaboro).

Lia há dias no Facebook um post do Nuno Diniz (chef da York House, Lisboa) em que dizia que, quando ia a Paris, procurava uma boa baguete, um bom queijo no Jouannault - um dos melhores 'affineur' da cidade - e sentava-se num banco de jardim a deliciar-se. Pois eu segui-lhe mais ou menos os passos. Na Pain et des Ideés (Rue Yves Toudic, 34), com filas à porta até fechar, comprei este pão de trigo ligeiramente fumado e crosta estaladiça, como mandam as regras.  

Depois fui ao Jouannault (Rue de Bretagne, 39), mesmo a dois passos de casa, e pedi 200 gramas destes inacreditável roquefort
Pelo caminho encontrei a loja de vinhos Nysa - Caviste Independent (Rue du Bourg Tibourg, 17), que tem uma óptima seleção de vinhos - entre eles, alguns portugueses, como o Soalheiro. O Roquefort pedia um sauvignon blanc (por exemplo um Pouilly-Fumé), mas como ando com a pancada das cervejas artesanais não resisti a esta Agent Provocateur, (um achado por 5,40€ - 750ml) de cor turva, ligeiramente frutada e de amargor médio. Nesse dia, com estes ingredientes (ok, e uma salada de folhas de espinafre e tomate cereja) jantei supimpamente!
Paris é a cidade dos chocolates de joalharia, dos macarons e de toda uma pastelaria fina de bradar aos céus. Porém, deixem que vos diga: vi muitos franceses a fazer beicinho com ar desiludido por não conseguirem comprar estes pastéis de nata da Comme à Lisbonne, que entretanto tinham esgotado. Mas isso é (ou melhor, dá) outra história.


Mesa Marcada em Paris com o apoio da TAP

 

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publicado às 14:05


4 comentários

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De Artur Hermenegildo a 02.07.2013 às 17:21

O Séptime é excelente, não é? Estive lá há um ano, a almoçar no dia do meu aniversário. E onde bebi um muito bom vinho francês com o estranho nome de "French Wine Is Not Dead":

E também já está na celebrada e invejada lista dos "50 Best"!
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De Miguel Pires a 03.07.2013 às 14:30

O Septime é verdadeiramente bom e, tendo em conta os preços de Paris - sobretudo nos top top, que podem chegar facilmente aos 500€/pessoa - os 75€ que paguei é uma óptima relação qualidade/preço.
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De Anónimo a 04.07.2013 às 17:16

Pouilly Fuissé não é sauvignon blanc, é chardonnay. O sauvignon b é Pouilly Fumé.
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De Miguel Pires a 04.07.2013 às 23:32

Tem toda a razão, vou emendar. Obrigado pelo reparo

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