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Fim de Semana no Guincho, percebes na Adraga

por Miguel Pires, em 08.07.13

 Este fim de semana abeirei-me da costa em busca de temperaturas mais amenas. Podia ter ido para o Baleal, na costa Oeste, onde passei muitos Verões de noites frias (até cheguei a inventar a assinatura, "Baleal, Inverno todo o ano"), mas fui para bem mais perto, para o Guincho, onde além de noites frescas ainda aguardava uma bela ventania. Mas, tal como o meu amigo Ricardo Felner, que me relatou ontem à noite, que o Oeste já não é o que era, dado o calor absurdo que apanhou, posso dizer o mesmo do Guincho (eu e as cem mil pessoas que por lá devem ter passado), onde pelas 21h eram muitos os que insistiam em não arredar pé da praia. Quanto ao habitual vento, nem senti-lo. 

 

Na sexta feira à noite, que é como quem diz, pelas 20.30h, dei um salto à belíssima praia da Adraga, ou melhor, ao sempre muito citado Restaurante da Adraga, mesmo em cima da praia. Ali fui uma meia dúzia de vezes, entre elas, uma para as filmagens de um dos programas do "Gosto de Portugal", que escrevi para o 24Kitchen. O restaurante tinha sido sugerido pelo Vincent Farges e num dia primaveril de Inverno lá estávamos a filmar. Na altura eu e uma dourada de 4kg aguentámos estoicamente (ela na grelha) pelos vários takes que o realizador ia repetindo com o Rodrigo Menezes (apresentador e co-autor) e com o chefe da Fortaleza do Guincho.  Quando a dourada chegou à mesa achei que viria mais do que para lá do ponto, dado o tempo que ficou na grelha. Erro meu, o peixe ficou uns 45 minutos sob o controlo de quem sabe calcular o calor certo para grelhar em conformidade. Resultado: o peixe estava incrivelmente suculento (e nem era muito gordo), o que prova que a ideia de escalar um peixe, (abri-lo ao meio) para o grelhar deve ser apenas para os adeptos da rapidinha que não têm paciência para esperar por um prazer maior.

 

Contudo, a Adraga não é o lugar ideal para ir sozinho. Porquê? porque os peixes de maior porte, que ali se grelham tão bem, são no mínimo para duas pessoas. Além do mais não há vinho a copo (pelo menos na carta) e as meias garrafas disponíveis são de marcas que nem sempre correspondem aos nossos gostos. Também o atendimento, em dia de casa cheia, é sempre mais demorado do que o normal porque estamos menos entretidos (valha-nos a simpatia dos empregados). Porém há pormenores que nos fazem esquecer esse lado menos positivo e não nos levam apressadamente a desclassificar o restaurante, como as agências de rating fizeram ao país na semana passada. Refiro-me à entrada em cena de um dos produtos do mar que mais aprecio: percebes. Estes, da Adraga, eram compridos, não especialmente carnudos, mas de uma intensidade de sabor que se prolongava e que deu até vontade de chorar. Bom, de chorar por mais 250 gramas. O dia estava ganho e até pouco importou que o belo linguado que se arranjou à medida do apetite do comensal estivesse um pouco passado de mais. Felizmente o exemplar era de boa estirpe e o sabor não se desvaneceu com a grelha. 

 

Contacto: Restaurante da Adraga, Rua da Praia da Adraga 63, Sintra,  Tel:21 928 0028

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publicado às 19:09


1 comentário

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De Tiago a 09.07.2013 às 11:27

Confirmo Miguel: o Baleal - onde o Inverno vai passar o Verão - já não é o que era. A minha varanda à sombra, acusava 33ºC. Valeram os carapaus frescos comprados de manhã e os brancos resgatados da garrafeira do Joel : )

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