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 Nas últimas três semanas recebi mais de uma dezena de programas turísticos de vindimas e entre eles, alguns convites. Com alguma relutância, porque tenho uma ligeira aversão a programas turísticos, acabei por aceitar a proposta do Hotel Vintage House, no Pinhão -  se fosse ruim seria sempre uma boa desculpa para vir ao Douro, uma das regiões mais apaixonantes do mundo (e não me refiro apenas em termos vinícolas).

 

O caminho que vai do Pinhão ao local da vindima, a Quinta da Avessada, faz-se sempre a subir pelo serpenteado da encosta até chegar a uma vasta zona plana. Trata-se da sub-região de Favaios que produz, quase em exclusivo, uva branca moscatel, maioritariamente para o vinho generoso da cooperativa local. Foi uma surpresa porque, embora o programa fosse omisso, era expectável que tivesse a ver com o generoso mais famoso da região, o Vinho do Porto. Na verdade, até agradeço porque fiquei a saber mais sobre o suposto parente pobre do Douro. Por exemplo:

 

. As vinhas de moscatel situam-se a 600 metros de altitude distribuídas por uma área de planalto de mil hectares (ou seja, o equivalente a mil campos de futebol).

. Portugal consome 90% do Moscatel do Douro, o que representa o oposto do que se passa em relação ao Vinho do Porto, que segue em grande escala para o estrangeiro. As vendas de categorias especiais não têm expressão no portfolio do que se produz. Há um ou outro envelhecido mas a maior parte são correntes, entre eles o popular Favaíto um best seller vendido em garrafas de 6 cl.

 . Segundo Luís Barros, proprietário da Quinta da Avessada, uma pipa de 750 litros de moscatel rende ao produtor 500 euros, em média. Já uma de vinho do porto da "região rica" vale 1100 euros. Contudo, segundo a mesma fonte, a produção da vinha é 3 x superior o que dá a entender que o parente pobre talvez não seja assim tão pobre (ou será que é o rico que não é assim tão rico?).

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. Por entre as vinhas de uva branca é autorizada a presença, até 10% do total, de pés de uvas tintas da variedade moscatel roxo. Esta casta acaba por ser plantada por uma boa parte dos produtores locais por ser mais resistente às doenças e mais produtiva, além de dar cor e acidez aos vinhos. Não deixa de ser curiosa esta última característica dado que a sul, na região de Setúbal, associamos a esta casta um grande grau de doçura.  
Quanto à experiência lúdica do programa da vindima, com bongo e concertina, fica para o próximo post.

 

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No Douro: dias agitados no Pinhão (1)

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publicado às 17:03


1 comentário

Sem imagem de perfil

De Rodrigo Meneses a 21.09.2013 às 14:27

Até que enfim que alguém fala desse tesouro. Tinha na vontade de vos levar lá, e já vi que te adiantaste. :)

É mesmo um Reino Maravilhoso.

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