Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Douro: e finalmente...

por Miguel Pires, em 30.09.13

photo 2.JPG

Casal dos Loivos tem uma das vistas mais impressionantes sobre o Douro, mesmo quando já vimos a paisagem fotografada deste ângulo, dezenas de vezes. Por acaso esta foi num local um mais afastado, na estrada para Provesende onde fui conhecer os vinhos e o turismo de habitação do Morgadio da Calçada, que esta foto foi tirada.
photo 1.JPG

Pelo caminho houve ainda tempo para dar um salto à adega da Niepoort, em Vale Mendiz, onde um grupo de homens e mulheres pisavam a pé as uvas que darão origem a vinhos de topo da casa como o Batuta, o Charme e outros.

A menos de 100 metros fica a Wine & Soul, de Jorge Serôdio Borges e Sandra Tavares da Silva, onde se produz o famoso Pintas. No momento em que chegámos Jorge Serôdio controlava os cachos prontos para a pisa a pé no lagar que se iria realizar nessa noite.


photo 3.JPGO Morgadio da Calçada é um solar do Século XVII, que inclui uma pequena extensão de vinha e  uma área reconvertida a turismo de habitação. 
photo 4.JPG

Do leque de vinhos Morgadio da Calçada fazem parte vários portos, tinto e brancos, todos eles feitos e engarrafados por Dirk Niepoort. Não é dificil perceber porque é que o Dirk Niepoort se interessou em fazer estes vinhos. Além da relação de amizade com os proprietários, encontrou um terroir bem ao seu gosto. É que Provosende fica numa zona alta do Douro originando vinhos mais frescos e minerais, especialmente os brancos, feitos a partir de vinhas velhas de malvasia fina, de codega e viosinho, de uma vinha reconvertida, que conta agora com 20 anos de idade. 

photo 5.JPG
O edifício principal do Morgadio da Calçada foi restaurado de acordo com o traçado original e assim é mantido por Jerónimo Pimentel e Manuel Villas Boas (tio e sobrinho). Contudo uma das muitas salas, a cozinha e o edificado contiguo à casa (as antigas cavalariças e armazéns agrícolas) tiveram uma intervenção contemporânea e foram transformadas num confortável turismo de habitação que conta com oito quartos, a que deram nomes relacionados com o Vinho do Porto. 
Outra das razões que me fez adiar o regresso a Lisboa foi um simpático convite de última hora, de Francisca Van Zeller,  para visitar e almoçar na Quinta Vale D. Maria, em Serzedinho, São João da Pesqueira. Foi a partir desta quinta, que em 1996, Cristiano Van Zeller retomou a sua actividade enquanto produtor, após ter vendido a Quinta do Noval, em 1993, aos franceses da Axa. Com o apoio das enólogas Sandra Tavares da Silva e Joana Pinhão (enóloga residente) Cristiano,  que faz parte dos Douro Boys, criou uma série de vinhos com personalidade que são hoje uma referência do Douro. Entre eles, contam-se os Quinta Vale D. Maria, o CV e o portfolio da Van Zeller's, empresa histórica que voltou à família depois de ter sido integrada na venda da Noval. Todos estes vinhos são vinificados no local, na adega construída em 2001 e que foi equipada com todos os gadgets necessários para transformar uvas com pedigree em vinhos, se não todos de estalo, pelo menos de referência nas suas categorias. 

De estalo é a vista da varanda da casa de hóspedes que parece tirada de um filme de Copolla e que em nada perde para a Toscânia - a casa, que por esta altura é ocupada pela família, pode ser alugada nos restantes meses do ano. Agora olhem para a figura de Cristiano Van Zeller e vejam nele um exímio contador de histórias. Acrescentem um dia magnifico, com 28º, um punhado de bons vinhos, um arroz de pato original, uma salada de tomate coração de boi de choraras melhores peras bêbedas que conseguirem imaginar - tudo pela mão mestra da Rosário, a cozinheira da quinta - e digam lá se seria possível recusar o convite? (e nem referi que a Francisca é lindíssima porque o Cristiano tem 2 metros e uma voz de barítono que mete respeito :)

 "Oh Rosário, que vinho utilizou nestas peras bêbedas?", perguntou o Cristiano. "Um vinho do Porto e outros que tinha para aí", respondeu a Rosário... 

Desconfio que havia alguns destes vinhos entre os que a Rosário "tinha praí". É assim mesmo! Deve usar-se sempre os melhores produtos para obter os melhores resultados. 
Tinha saudades de fazer uma viajem assim, sem grande programação. O convite inicial era para visitar o Encontro de Vinhos e Sabores e alguns produtores na Bairrada e, depois, para participar numa vindima para turistas no Douro. Mas uma vez nesta região fui ficando. Mais um, mais dois, mais três dias e só voltei muito a custo. Costumo dizer que, excepto quando é para visitar a família, aponto a sul (quase) sempre que entro no carro e saio de Lisboa. Felizmente que existe o comboio que me leva para norte. E ainda nem foi desta que por este meio fui ou vim do Pinhão. 

 

Posts relacionados: 

Vindima lúdica no Douro (o bombo, a tesoura e o moscatel)

No planalto do moscatel, o parente pobre do Douro. Será mesmo?

No Douro: dias agitados no Pinhão (1)

No Douro: Dias agitados no Pinhão (2)


 

Leia ainda:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:42



PUB


Os autores

Duarte Calvão (perfil)
Miguel Pires (perfil)

Porquê?

Três autores há vários anos ligados à gastronomia e vinhos criaram este espaço para partilhar com todos os interessados os seus pontos de vista sobre o tema (ver "carta de intenções").

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mesa Marcada - Os 12 Pratos do Trimestre


Siga-nos no facebook


Mesa Marcada no Twitter


Confira os premiados e as listas...



Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Pub





Calendário

Setembro 2013

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930

Comentários recentes

  • Miguel Pires

    Tem calma, Adriano. O Yeatman ganhou no ano passad...

  • Miguel Pires

    Recebemos o comunicado ontem e ia fazer um apontam...

  • Miguel Pires

    Mais de 50% do tráfego de ontem para este blogue ...

  • Carlos Alexandre

    Recorde-se que o Bistro 100 Maneiras ganhou o maio...

  • Adriano

    Infelizmente conheço mal o "panorama". Mas acho qu...